{"id":6852,"date":"2014-09-16T16:00:06","date_gmt":"2014-09-16T16:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6852"},"modified":"2014-09-16T12:49:21","modified_gmt":"2014-09-16T12:49:21","slug":"pesquisadores-querem-calcular-com-maior-precisao-variacoes-de-chuva-e-umidade-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-querem-calcular-com-maior-precisao-variacoes-de-chuva-e-umidade-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Pesquisadores querem calcular com maior precis\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de chuva e umidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6853\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A seca pela qual est\u00e1 passando o Estado de S\u00e3o Paulo em 2014 surpreendeu a todos e est\u00e1 colocando em risco o abastecimento de \u00e1gua na capital paulista e nos munic\u00edpios vizinhos. Prevista com mais anteced\u00eancia, talvez permitisse adotar medidas para manter os reservat\u00f3rios mais bem abastecidos.<\/p>\n<p>O trabalho de um grupo internacional de pesquisadoras pode, no futuro, ajudar a calcular com maior precis\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de chuva e umidade na Am\u00e9rica do Sul e auxiliar a agir mais cedo.<\/p>\n<p>O estudo, publicado em junho na Scientific Reports, combinou estimativas de temperatura no passado e modelagem matem\u00e1tica para reconstruir a temperatura da superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico Sul nos \u00faltimos 12 mil anos. Al\u00e9m de estabelecer com maior precis\u00e3o o clima no per\u00edodo, o trabalho pode ajudar a compreender a din\u00e2mica entre as temperaturas no oceano e a umidade no continente.<\/p>\n<p>O grupo liderado por Ilana Wainer, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO-USP), observou que o aumento da temperatura na por\u00e7\u00e3o norte do Atl\u00e2ntico Sul, pr\u00f3ximo \u00e0 linha do equador, esteve associado a um maior volume de chuvas onde hoje \u00e9 o Nordeste brasileiro e a menos chuvas no Sudeste nos \u00faltimos 12 mil anos. Inversamente, o Nordeste enfrentou per\u00edodos de secas mais severas e o Sudeste de mais chuvas quando a temperatura no sul do Atl\u00e2ntico esteve mais elevada.<\/p>\n<p>O que melhor explicou a varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nesses 12 mil anos, segundo as pesquisadoras, foi um padr\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de temperaturas no Atl\u00e2ntico Sul semelhante ao observado hoje, com per\u00edodos em que a temperatura das \u00e1guas superficiais era mais alta ao norte e outros em que eram mais elevadas ao sul.<\/p>\n<p>Os pesquisadores d\u00e3o o nome de Dipolo Subtropical do Atl\u00e2ntico Sul ao padr\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de temperaturas em que o oceano parece ter um polo mais quente e outro mais frio \u2013 com a invers\u00e3o ocasional. \u201cCaso tenha existido nesses 12 mil anos, esse fen\u00f4meno pode ter influenciado de modo importante a distribui\u00e7\u00e3o das chuvas no continente\u201d, diz a meteorologista Luciana Figueiredo Prado, coautora do estudo e aluna de doutorado de Ilana Wainer no IO-USP.<\/p>\n<p>Essa conclus\u00e3o \u00e9, at\u00e9 certo ponto, surpreendente. At\u00e9 ent\u00e3o se atribu\u00eda a varia\u00e7\u00e3o no volume de chuvas na Am\u00e9rica do Sul principalmente \u00e0 influ\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, flutua\u00e7\u00f5es na temperatura das \u00e1guas superficiais do Pac\u00edfico que ocorrem em per\u00edodos curtos (15 a 18 meses). Mas alguns trabalhos j\u00e1 haviam mostrado que o El Ni\u00f1o n\u00e3o explica totalmente as altera\u00e7\u00f5es no regime de chuvas atual da Am\u00e9rica do Sul. Parte dessa varia\u00e7\u00e3o (cerca de 20%) parece decorrer das mudan\u00e7as de temperatura na superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, embora a seca de 2014 em S\u00e3o Paulo esteja atrelada ao El Ni\u00f1o, Ilana acredita que essa n\u00e3o seja a hist\u00f3ria toda. \u201cMostramos que as condi\u00e7\u00f5es do Atl\u00e2ntico Sul tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para definir os cen\u00e1rios de precipita\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul\u201d, diz a pesquisadora. \u201cE isso n\u00e3o deve ser ignorado.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/imagem-em-alta.jpg\" alt=\"mais detalhado, a temperatura mais elevada est\u00e1 em vermelho\" width=\"290\" height=\"158\" \/><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\"><strong>Hist\u00f3ria nos sedimentos<\/strong><br \/>\n<\/span>A equipe partiu de dois estudos anteriores para reconstruir as varia\u00e7\u00f5es da temperatura no Atl\u00e2ntico Sul nos \u00faltimos 12 mil anos. Em um dos trabalhos, Maria Alejandra G\u00f3mez Pivel, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e seus colegas do IO-USP haviam recolhido amostras de sedimentos marinhos extra\u00eddas a 827 metros de profundidade na Bacia de Santos. Esses sedimentos guardam f\u00f3sseis de seres unicelulares \u2013 os foramin\u00edferos \u2013 que se reproduzem em uma quantidade que varia com a temperatura da \u00e1gua e, ao morrer, se depositam no fundo do mar. Esses f\u00f3sseis permitiram estimar as temperaturas superficiais da margem oeste do Atl\u00e2ntico Sul nos \u00faltimos 13 mil anos.<\/p>\n<p>A esses resultados, publicados em 2013 na <em>Palaeogeography<\/em>, <em>Palaeoclimatology<\/em>, <em>Palaeoecology<\/em>, se somaram os de outro estudo, publicado em 2005 na <em>Paleoceanography<\/em>. Neste estudo, pesquisadores norte-americanos haviam colhido sedimentos marinhos a 1.992 metros de profundidade na costa da Nam\u00edbia, na \u00c1frica, e os datado com outra t\u00e9cnica. Medindo a propor\u00e7\u00e3o dos elementos qu\u00edmicos c\u00e1lcio e magn\u00e9sio nos f\u00f3sseis de foramin\u00edferos, eles obtiveram refer\u00eancias indiretas de valores da temperatura na superf\u00edcie do oceano naquela regi\u00e3o nos \u00faltimos 21 mil anos.<\/p>\n<p>Ilana e Luciana, em parceria com uma pesquisadora da Fran\u00e7a e outra dos Estados Unidos, usaram essas medi\u00e7\u00f5es para gerar o hist\u00f3rico pregresso do Dipolo Subtropical do Atl\u00e2ntico Sul nos \u00faltimos 12 mil anos \u2013 ou de algo parecido com ele.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s reconstruir os padr\u00f5es de temperatura do oceano, as pesquisadoras fizeram uma simula\u00e7\u00e3o do clima que indicasse a distribui\u00e7\u00e3o das chuvas ao longo desse per\u00edodo. Para comparar os resultados do modelo com a realidade, elas buscaram registros indiretos do hist\u00f3rico de chuvas no continente alcan\u00e7ados por outros grupos. A forma mais comum de obter esses registros \u00e9 pelo estudo de espeleotemas \u2013 estalactites e estalagmites \u2013, estruturas formadas no interior das cavernas pela deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos dilu\u00eddos na \u00e1gua das chuvas. Quanto maior o volume de chuvas em certo per\u00edodo, mais espessa \u00e9 a camada formada no espeleotema. A compara\u00e7\u00e3o dos dados de precipita\u00e7\u00e3o com as simula\u00e7\u00f5es permitiu construir um modelo capaz de reconstruir a din\u00e2mica oceano-atmosfera no passado e predizer como pode ser no futuro.<\/p>\n<p>As pesquisadoras querem agora aprimorar o modelo aumentando o n\u00famero de amostras de sedimentos marinhos analisados. Para coletar o sedimento, elas planejam usar o Alpha-Crucis, o novo navio oceanogr\u00e1fico do estado de S\u00e3o Paulo. \u201cO objetivo \u00e9 entender esses eventos de seca ou de excesso de chuva no continente sul-americano, levando em conta a varia\u00e7\u00e3o da temperatura de superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico Sul e como essas mudan\u00e7as de temperatura alteram o transporte de umidade e os ventos\u201d, conta Ilana. \u201cTamb\u00e9m pretendemos incorporar na an\u00e1lise fatores externos at\u00e9 agora pouco explorados, como vulcanismo.\u201d<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\"><strong>Projetos<\/strong><br \/>\n<\/span><strong>1.<\/strong> Investiga\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do oceano profundo na regi\u00e3o do Atl\u00e2ntico Sul para o \u00faltimo mil\u00eanio: impactos para a mudan\u00e7a do clima (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/141117\/investigacao-da-evolucao-do-oceano-profundo-na-regiao-do-atlantico-sul-para-o-ultimo-milenio-impacto\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2013\/02111-4<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Bolsa no Exterior; <strong>Pesquisadora<\/strong> <strong>respons\u00e1vel<\/strong> Ilana Coaracy Wainer (IO-USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 59.257,59 (FAPESP).<br \/>\n<strong>2.<\/strong> Intera\u00e7\u00e3o ar-mar na regi\u00e3o do Atl\u00e2ntico Sul: mecanismos de variabilidade clim\u00e1tica durante o \u00faltimo mil\u00eanio (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/143992\/interacao-ar-mar-na-regiao-do-atlantico-sul-mecanismos-de-variabilidade-climatica-durante-o-ultimo-m\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2013\/11496-7<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Doutorado \u2013 Bolsa no Exterior; <strong>Bolsista<\/strong> Luciana Figueiredo Prado (IO-USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 81.928,18 (FAPESP).<\/p>\n<p><em>Artigo cient\u00edfico<\/em><br \/>\nWAINER, I. <em>et al<\/em>. <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/srep\/2014\/140613\/srep05291\/full\/srep05291.html\" target=\"_blank\">Reconstruction of the South Atlantic Subtropical Dipole index for the past 12.000 years from surface temperature proxy<\/a>. <strong>Scientific<\/strong> <strong>Reports<\/strong>. 13 jun. 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seca pela qual est\u00e1 passando o Estado de S\u00e3o Paulo em 2014 surpreendeu a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chuvasdopassado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A seca pela qual est\u00e1 passando o Estado de S\u00e3o Paulo em 2014 surpreendeu a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}