{"id":68363,"date":"2017-07-01T10:00:59","date_gmt":"2017-07-01T13:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=68363"},"modified":"2017-07-01T07:12:57","modified_gmt":"2017-07-01T10:12:57","slug":"o-lixo-chegou-as-aldeias-e-indigenas-pedem-ajuda-para-resolver-o-problema-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-lixo-chegou-as-aldeias-e-indigenas-pedem-ajuda-para-resolver-o-problema-2\/","title":{"rendered":"O lixo chegou \u00e0s aldeias \u2013 e ind\u00edgenas pedem ajuda para resolver o problema"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/aldeia_indigena.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-68364\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/aldeia_indigena-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/aldeia_indigena-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/aldeia_indigena.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Aldeia do Mutum fica no meio da Floresta Amaz\u00f4nica do Acre. Para chegar l\u00e1 saindo da capital Rio Branco, \u00e9 preciso pegar cinco horas de estrada at\u00e9 Cruzeiro do Sul, para depois pegar mais tr\u00eas horas de estrada at\u00e9 a Vila de S\u00e3o Vicente, onde se pega uma voadeira e viaja pelo rio por mais oito horas at\u00e9 enfim chegar \u00e0 Terra Ind\u00edgena do Rio Greg\u00f3rio. A dist\u00e2ncia, entretanto, n\u00e3o impediu a chegada de um invasor inc\u00f4modo: o lixo. Sem ter condi\u00e7\u00f5es de lidar com o pl\u00e1stico, as latas e pilhas que chegam \u00e0s suas terras, os ind\u00edgenas do povo iauanau\u00e1 est\u00e3o fazendo um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.indiegogo.com\/projects\/aldeia-lixo-zero-zero-waste-community--2#\/\" target=\"_blank\">financiamento coletivo<\/a>\u00a0para tentar resolver o problema.<\/p>\n<p>Na sociedade tradicional ind\u00edgena, n\u00e3o existia lixo. O que as pessoas tiravam da floresta voltava para a floresta. Essa din\u00e2mica mudou com o contato com o Estado brasileiro e com a chegada de turistas. O povo iauanau\u00e1 \u00e9 muito aberto \u2013 diferentemente de outras tribos, que muitas vezes s\u00e3o mais reservadas \u2013 e recebe turistas interessados no ritual da ayahuasca. Muitas vezes eles trazem produtos e n\u00e3o se d\u00e3o conta de que n\u00e3o h\u00e1 como descart\u00e1-los. O lixo tamb\u00e9m chega por interm\u00e9dio do governo. A aldeia recebe do governo alimentos para merenda escolar. \u00c9 muito comum essa merenda vir embalada em pl\u00e1stico ou em latas. E, por fim, h\u00e1 produtos usados pelos ind\u00edgenas em suas atividades que chegaram \u00e0 aldeia por com\u00e9rcio, por exemplo lanternas. Eles n\u00e3o t\u00eam onde descartar pilhas e baterias, que s\u00e3o t\u00f3xicas e podem contaminar o meio ambiente.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Lixo de uma fam\u00edlia na Aldeia de Mutum (Foto: Roberto Herrera)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/uEGegzk85rwCK_33q9DFdVjR69g=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/06\/27\/snapshot_do_video_-_lixo_de_uma_familia_da_aldeia.jpg\" alt=\"Lixo de uma fam\u00edlia na Aldeia de Mutum (Foto: Roberto Herrera)\" width=\"640\" height=\"400\" \/><label class=\"foto-legenda\">Lixo de uma fam\u00edlia na Aldeia de Mutum (Foto: Roberto Herrera)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A iniciativa de fazer um financiamento coletivo para tentar resolver o problema partiu dos pr\u00f3prios \u00edndios. Nixiwaka Yawanaw\u00e1, um dos l\u00edderes da aldeia, tem um perfil diferente dos caciques mais tradicionais. Ele j\u00e1 foi casado com uma antrop\u00f3loga e morou em Londres, no Reino Unido. L\u00e1, percebeu que seu povo estava lidando com os res\u00edduos de forma pouco sustent\u00e1vel. Sem saber como resolver o problema, entrou em contato com ativistas ou pesquisadores. Uma dessas pessoas \u00e9 a pesquisadora Maria Fernanda Gebara, que decidiu apoiar a causa por meio do crowdfund. \u201cOs principais desafios deles na quest\u00e3o do lixo s\u00e3o a dist\u00e2ncia e o comportamento. Eles n\u00e3o t\u00eam onde descartar. E estavam acostumados a usar o que tem na floresta e devolver para a floresta, mas o pl\u00e1stico n\u00e3o saiu da floresta\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n<p>Se o financiamento coletivo der certo, os recursos ser\u00e3o utilizados de diversas maneiras. A primeira \u00e9 na capacita\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da aldeia. A ideia \u00e9 treinar a popula\u00e7\u00e3o local sobre como reduzir e reutilizar o material antes de se tornar lixo. Depois, o projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura tempor\u00e1ria para armazenar os res\u00edduos na terra ind\u00edgena e, por fim, comprar um barco que possa fazer o transporte do lixo para a Vila de S\u00e3o Vicente.<\/p>\n<p>Cumprir todas essas etapas j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, ainda mais num local distante e de dif\u00edcil acesso. Mas o mais complicado acontece depois. A Vila de S\u00e3o Vicente, assim como as cidades pr\u00f3ximas, n\u00e3o conta com estruturas adequadas para o descarte de res\u00edduos. H\u00e1 lix\u00f5es, mas n\u00e3o aterros sanit\u00e1rios \u2013 e os lix\u00f5es j\u00e1 deveriam ter sido fechados h\u00e1 muito tempo, seguindo a Pol\u00edtica Nacional dos Res\u00edduos S\u00f3lidos. Fernanda tamb\u00e9m est\u00e1 em contato com o governo do Acre, fazendo reuni\u00f5es com as autoridades locais, para tentar atrair a aten\u00e7\u00e3o da Iniciativa de Lixo Zero do governo estadual. Se essas conversas resultarem em investimento para um aterro sanit\u00e1rio, a popula\u00e7\u00e3o \u2013 seja ind\u00edgena, seja dos moradores n\u00e3o ind\u00edgenas do Acre \u2013 sair\u00e1 ganhando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Aldeia do Mutum fica no meio da Floresta Amaz\u00f4nica do Acre. 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