{"id":6832,"date":"2014-09-16T12:00:21","date_gmt":"2014-09-16T12:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6832"},"modified":"2014-09-15T23:55:42","modified_gmt":"2014-09-15T23:55:42","slug":"monsanto-ja-domina-mercado-mundial-de-sementes-de-hortalicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/monsanto-ja-domina-mercado-mundial-de-sementes-de-hortalicas\/","title":{"rendered":"Monsanto j\u00e1 domina mercado mundial de sementes de hortali\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6833\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>N\u00e3o \u00e9 todo dia que o cientista-chefe da Monsanto posa para fotos ao lado de tomates e pepinos. Vegetais nunca estiveram no foco de estudos de Robert Fraley, um dos homens mais valiosos para a multinacional americana por, entre outras coisas, ter descoberto a tecnologia Roundup Ready, o \u201cRR\u201d da soja transg\u00eanica que catapultou a Monsanto para a lideran\u00e7a no mercado global de sementes.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio dele (e da Monsanto) \u00e9 commodity \u2013 majoritariamente soja, milho e algod\u00e3o geneticamente alterados, que ainda comp\u00f5em a base de sustenta\u00e7\u00e3o dos US$ 14,9 bilh\u00f5es faturados pela companhia no ano fiscal de 2013, encerrado em agosto. Ou era.<\/p>\n<p>A foto acima s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o setor de hortali\u00e7as passou a ser uma \u201c\u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o instigante para n\u00f3s\u201d, diz Fraley, sorridente ao fim de um dia de reuni\u00f5es com clientes na Farm Progress Show, a maior feira do agroneg\u00f3cio dos EUA, realizada em Boone, no Cintur\u00e3o do Milho americano.<\/p>\n<p>Sem fazer alarde, a Monsanto montou em nove anos uma pol\u00edtica incisiva de aquisi\u00e7\u00f5es para ganhar mercado, ultrapassando players tradicionais como Syngenta, Bayer e as japonesas Sakata e Takii. Como no neg\u00f3cio de gr\u00e3os, a companhia ostenta hoje a posi\u00e7\u00e3o de maior produtora e comercializadora de sementes de hortali\u00e7as. A diferen\u00e7a para o \u201ccore business\u201c, dizem seus executivos, \u00e9 que alimentos finais ao consumidor s\u00e3o invariavelmente convencionais. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o milho. Pelo menos por enquanto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-4936\" src=\"http:\/\/i0.wp.com\/www.revistaecologica.com\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/raio-x-da-Seminis-no-mundo.jpg?resize=340%2C281\" alt=\"Raio x da seminis no mundo\" width=\"340\" height=\"281\" \/>Sob a marca Seminis \u2013 herdada da compra da empresa americana de mesmo nome, que deu in\u00edcio \u00e0 divis\u00e3o de vegetais da Monsanto -, circulam hoje no mercado mundial sementes de 25 esp\u00e9cies de hortali\u00e7as, entre couve-flor, br\u00f3colis, cenoura e cebola. Em 2013, isso representou US$ 821 milh\u00f5es de receita ao bra\u00e7o \u201cverde\u201d de multinacional. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa para um mercado cuja movimenta\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia gira em torno de US$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Visto de outra forma, a ordem de grandeza fica mais clara. Segundo os executivos da Monsanto, 85% das sementes de br\u00f3colis comercializadas no planeta levam a marca Seminis. No caso do tomate, s\u00e3o 40% do total. No Brasil, a cada dez pepinos consumidos, seis t\u00eam tecnologia Monsanto. Tr\u00eas em dez tomates tamb\u00e9m. A couve det\u00e9m metade do mercado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas nos veem apenas como uma empresa de biotecnologia. Pode parecer antag\u00f4nico, mas somos o maior fornecedor de sementes org\u00e2nicas nos EUA\u201d, diz o mexicano Jesus Madrazo, vice-presidente global de assuntos corporativos da Monsanto. Ele explica: nos EUA, assim como em outros pa\u00edses, a regulamenta\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos d\u00e1 prefer\u00eancia a sementes certificadas como tal \u2013 na aus\u00eancia delas, o produtor pode se abastecer com semente convencional.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o de vegetais da Monsanto nasceu em 2005 com a aquisi\u00e7\u00e3o da Seminis, empresa americana l\u00edder em hortali\u00e7as e com canais de distribui\u00e7\u00e3o em mais de 150 pa\u00edses. O interesse no setor veio de duas constata\u00e7\u00f5es. Uma \u00e9 de que \u00e9 preciso diversificar, e algo relacionado a sementes tornaria o caminho mais f\u00e1cil. Outra \u00e9 o grande potencial de crescimento desse mercado. Dados da FAO, a ag\u00eancia da ONU para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o, mostram que o consumo m\u00e9dio de hortali\u00e7as ainda est\u00e1 em 105 quilos per capita por ano, bem abaixo da recomenda\u00e7\u00e3o de 146 quilos recomendados pela entidade \u2013 tanto em pa\u00edses desenvolvidos como nos emergentes.<\/p>\n<p>Mais que tudo isso, a Monsanto vislumbrou uma rota de crescimento pr\u00f3pria, que poderia lhe dar uma vantagem competitiva s\u00e9ria ante a concorr\u00eancia: sua expertise em biologia molecular, adquirida nos mais de 30 anos de pesquisas com biotecnologia. Com o entendimento melhor das plantas permitiu que a companhia abandonasse a roleta russa dos cruzamentos gen\u00e9ticos aleat\u00f3rios (demorados e de resultado incerto) e partisse para o corte cir\u00fargico de genes. O sequenciamento e a marca\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica permitiram pin\u00e7ar caracter\u00edsticas desej\u00e1veis das plantas de forma mais r\u00e1pida \u2013 e sem transfer\u00eancia de genes, o que geraria furor no consumidor. Faltavam os acessos a esses novos mercados.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de aquisi\u00e7\u00f5es resolveu parte do problema. O primeiro passo foi criar o International Seed Group (ISG) para identificar empresas pass\u00edveis de compra. Somaram-se \u00e0 Seminis a Western Seed (forte no mercado americano de piment\u00f5es), a Poloni Semences (mel\u00e3o) e a Peotec (empresa italiana com foco em tomates para processamento). O grande neg\u00f3cio, contudo, foi selado em 2008 com a aquisi\u00e7\u00e3o da holandesa DeRuiter Seeds, l\u00edder no mercado europeu e com uma especialidade que a Seminis at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha \u2013 o cultivo tecnificado em estufa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4937\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/www.revistaecologica.com\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/stark.jpg?resize=340%2C526\" alt=\"&quot;Continuamos olhando para oportunidades&quot;, diz Stark\" width=\"340\" height=\"526\" \/>Em tr\u00eas anos, a Monsanto desembolsou US$ 2,2 bilh\u00f5es para as duas de suas principais incorpora\u00e7\u00f5es \u2013 US$ 1,4 bilh\u00e3o pela Seminis e US$ 800 milh\u00f5es pela DeRuiter -, e mais alguns milh\u00f5es de d\u00f3lares nas demais empresas, cujas transa\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram divulgadas.<\/p>\n<p>\u201cContinuamos olhando para oportunidades. No curto prazo, buscamos faturamento [e n\u00e3o s\u00f3 banco gen\u00e9tico] porque nossos mercados n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o grandes em algumas regi\u00f5es\u201d, diz David Stark, vice-presidente de Parcerias de Com\u00e9rcio Global para Hortali\u00e7as. Ele n\u00e3o revela onde est\u00e1 o desafio da expans\u00e3o, mas \u00cdndia e China devem estar na lista. Os dois pa\u00edses, com dietas predominantemente vegetarianas, s\u00e3o consumidores vorazes de legumes e verduras. O problema ali \u00e9 a informalidade.<\/p>\n<p>Se nos gr\u00e3os o que se busca \u00e9 produtividade e resist\u00eancia a pragas acima de tudo, com hortali\u00e7as isso s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lido se vierem mais crocantes, com cores vibrantes e vitaminadas. Pesquisas com consumidores mostram que 34% da popula\u00e7\u00e3o mundial quer conveni\u00eancia e praticidade. Para essas pessoas, a Seminis desenvolveu o piment\u00e3o \u201cbaby\u201d, que quase n\u00e3o sobra ap\u00f3s o uso, e uma cebola que provoca menos l\u00e1grimas. Outros 23% querem sensorialidade e prazer \u2013 a\u00ed vieram mel\u00f5es mais doces, alfaces crocantes, tomates de vermelho intenso e br\u00f3colis com maior teor de antioxidantes, perfazendo as cerca de tr\u00eas mil variedades de sementes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4938\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/www.revistaecologica.com\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Headrick.jpg?resize=340%2C527\" alt=\"Para Headrick, transgenia em hortali\u00e7a ainda n\u00e3o se paga\" width=\"340\" height=\"527\" \/>\u201cTodo o nosso trabalho tem sido utilizando t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de melhoramento. Fizemos o sequenciamento gen\u00e9tico do piment\u00e3o e do tomate, que tem 17 mil genes. Ent\u00e3o, quando a gente faz melhoramento hoje, conseguimos ser muito mais precisos\u201d, diz Fraley. De acordo com a companhia, as pesquisas e o desenvolvimento de super-hortali\u00e7as consomem 15% do faturamento anual da Seminis, ou US$ 123 milh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>O criador da \u201cRR\u201d acredita ser poss\u00edvel, no futuro, fazer altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas em vegetais. \u201cAcho que sim\u201d, diz ele, sem titubear. \u201cTodo dia vemos novas tecnologias desenvolvidas, chegando a outras culturas agr\u00edcolas e sendo adotadas por mais pa\u00edses. Vai chegar um est\u00e1gio em que o p\u00fablico entender\u00e1 e aceitar\u00e1 o uso da tecnologia\u201d.<\/p>\n<p>Por meio de suas aquisi\u00e7\u00f5es, a Monsanto herdou uma abobrinha transg\u00eanica comercializada nos EUA e Canad\u00e1. Outras experi\u00eancias j\u00e1 est\u00e3o no mercado \u2013 como um mam\u00e3o papaia transg\u00eanico desenvolvido pela Universidade do Hawai. Por ora, o assunto \u00e9 discutido com discri\u00e7\u00e3o na sede da Monsanto, em St Louis, e a empresa diz n\u00e3o ter planos de expandir esse portf\u00f3lio.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o imediata n\u00e3o \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas o custo. John Headrick, l\u00edder de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico para Hortali\u00e7as, diz que variedades convencionais s\u00e3o \u201cao menos 50 vezes\u201d mais baratas que similares com biotecnologia.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico, via IHU Unisinos.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Bettina Barros, publicada pelo jornal Valor Econ\u00f4mico, 11-09-2014. (Nota da Revista ecoL\u00d3GICA: o jornal informa que a jornalista viajou a convite da Monsanto).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 todo dia que o cientista-chefe da Monsanto posa para fotos ao lado de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/monsanto_organico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"N\u00e3o \u00e9 todo dia que o cientista-chefe da Monsanto posa para fotos ao lado de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6832"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6832\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}