{"id":67108,"date":"2017-06-08T13:30:14","date_gmt":"2017-06-08T16:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=67108"},"modified":"2017-06-08T11:23:35","modified_gmt":"2017-06-08T14:23:35","slug":"cientistas-descobrem-os-fosseis-mais-antigos-da-especie-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-descobrem-os-fosseis-mais-antigos-da-especie-humana\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem os f\u00f3sseis mais antigos da esp\u00e9cie humana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-67109\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas descobriram no Marrocos f\u00f3sseis de\u00a0<em><strong>Homo sapiens<\/strong><\/em>\u00a0datados de 300.000 a 350.000 anos,\u00a0<strong>os mais antigos j\u00e1 encontrados<\/strong>. Os vest\u00edgios, que estavam ao lado de ossos de animais e ferramentas de pedra, podem balan\u00e7ar uma dos pilares da\u00a0<strong>evolu\u00e7\u00e3o humana<\/strong>: a hip\u00f3tese de que nossa esp\u00e9cie surgiu h\u00e1 200.000 anos no leste da \u00c1frica.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div class=\"teads-ui-components-label\">A descoberta, feita pelos pesquisadores do renomado Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, foi descrita em dois artigos publicados nesta quarta-feira na revista cient\u00edfica\u00a0<strong><em>Nature<\/em><\/strong>\u00a0e revela que, possivelmente, o surgimento de nossa esp\u00e9cie foi mais complexo do que se acreditava e pode ter envolvido todo o continente africano.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cEssa descoberta representa a origem de nossa esp\u00e9cie, o\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0mais antigo j\u00e1 visto na \u00c1frica ou em qualquer outro lugar\u201d, afirmou o paleantrop\u00f3logo Jean-Jacques Hublin, l\u00edder de um dos estudos publicados. \u201cAcredit\u00e1vamos que existiu um ber\u00e7o da humanidade 200.000 anos atr\u00e1s, no leste da \u00c1frica, mas os novos dados revelam que o\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0se espalhou por todo o continente africano h\u00e1 cerca de 300.000 anos. Muito antes que nossa esp\u00e9cie sa\u00edsse do continente, houve uma dispers\u00e3o dentro da \u00c1frica.\u201d<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><\/div>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, os vest\u00edgios mais antigos de\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0conhecidos pelos cientistas eram os do s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Omo Kibish, na Eti\u00f3pia, datado de 195.000 anos atr\u00e1s. Tamb\u00e9m na Eti\u00f3pia, em Herto, foram encontrados f\u00f3sseis da esp\u00e9cie com 160.000 anos. At\u00e9 o momento, os cientistas acreditavam que os seres humanos modernos eram descendentes de uma popula\u00e7\u00e3o que teria se originado na regi\u00e3o e, dali, emigrado para fora da \u00c1frica, espalhando-se pelo globo.<\/p>\n<p>Os novos f\u00f3sseis, que pertencem a pelo menos cinco indiv\u00edduos, foram descobertos em Jebel Irhoud, um s\u00edtio arqueol\u00f3gico no oeste do Marrocos, a cerca de 100 quil\u00f4metros de Marrakesh, conhecido desde os anos 1960 por abrigar f\u00f3sseis humanos e tamb\u00e9m artefatos da Idade da Pedra (entre 280.000 anos e 25.000 anos atr\u00e1s). Contudo, devido a dificuldades tecnol\u00f3gicas, as datas dos resqu\u00edcios eram incertas.<\/p>\n<p>Um novo projeto de escava\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, que come\u00e7ou em 2004 e foi liderado por Hublin e por Abdelouahed Ben-Ncer, do\u00a0Instituto Nacional de Arqueologia e Patrim\u00f4nio do Marrocos, encontrou dezesseis novos f\u00f3sseis de\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>, um grupo de cr\u00e2nios, dentes e ossos de pelo menos cinco indiv\u00edduos, cujas an\u00e1lises foram reportadas em dois artigos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v546\/n7657\/full\/nature22336.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No primeiro deles<\/a>, os cientistas descrevem as semelhan\u00e7as desses fosseis com humanos modernos, neandertais e de antigos homin\u00eddeos que viveram h\u00e1 1,8 milh\u00e3o de anos. Constatou-se que a face e os dentes destes\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0s\u00e3o mais parecidos com os humanos modernos do que com os outros grupos, assim como a mand\u00edbula, apesar de bem mais larga. A grande diferen\u00e7a \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a caixa craniana, que, nos f\u00f3sseis, \u00e9 bem mais alongada que a do homem hoje, similar \u00e0 de esp\u00e9cies primitivas. Para Hublin, isso sugere que o c\u00e9rebro moderno se desenvolveu dentro da esp\u00e9cie, sem ser herdada de um predecessor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v546\/n7657\/full\/nature22335.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No segundo<\/a>, a equipe descreve a data\u00e7\u00e3o das ferramentas de pedras. Para verificar com exatid\u00e3o a idade dos vest\u00edgios, os pesquisadores usaram uma tecnologia de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, com termoluminesc\u00eancia em pedras de s\u00edlex que foram encontradas no mesmo s\u00edtio. As pedras revelaram datas entre 350.000 e 300.000 anos atr\u00e1s, o que seria um recuo de pelo menos 100.000 anos da origem da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<div id=\"attachment_2074855\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2074855 size-large\" style=\"border: 0px; margin: 0px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: 650px;\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650&amp;strip=info\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" srcset=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650 650w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=1300 1300w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=150 150w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=300 300w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=768 768w\" alt=\"Esqueleto Homo sapiens\" width=\"650\" height=\"433\" border=\"0\" data-attachment-id=\"2074855\" data-permalink=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/ciencia\/cientistas-descobrem-os-fosseis-mais-antigos-da-especie-humana\/attachment\/ciencia-esqueleto-20090218-003\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info\" data-orig-size=\"3000,2000\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;3.3&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;FinePix S5600&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1234913448&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;16.7&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;400&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0125&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Esqueleto Homo sapiens\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Esqueleto mais antigo de Homo sapiens j\u00e1 encontrado&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2017\/06\/ciencia-esqueleto-20090218-003.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Philipp Gunz\/MPI EVA Leipzig\" data-image-caption=\"Esqueleto mais antigo de Homo sapiens j\u00e1 encontrado\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Mand\u00edbula de \u2018Homo sapiens\u2019, encontrada em Jebel Irhoud. (Philipp Gunz\/MPI EVA Leipzig\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cS\u00edtios bem datados dessa \u00e9poca s\u00e3o excepcionalmente raros na \u00c1frica, mas tivemos sorte, j\u00e1 que v\u00e1rios dos artefatos de s\u00edlex de Jebel Irhoud foram aquecidos no passado. Isso nos permitiu aplicar os m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o por termoluminesc\u00eancia nesses artefatos, para estabelecer uma cronologia consistente para os novos f\u00f3sseis e para as camadas de solo que os cobriam\u201d, explicou o especialista em geocronologia Daniel Richter, um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Com a mesma t\u00e9cnica, os pesquisadores recalcularam a idade de tr\u00eas mand\u00edbulas encontradas na \u00e1rea na d\u00e9cada de 1960. A data\u00e7\u00e3o inicial do f\u00f3ssil, feita por um m\u00e9todo especial de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, era de 160.000 anos atr\u00e1s \u2013 a nova bate com as idades dos f\u00f3sseis encontrados recentemente, de cerca de 300.000 anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das pedras aquecidas por poss\u00edveis fogueiras, os cientistas encontraram\u00a0ferramentas feitas com pedras lascadas e ossos de diversos animais, como gazelas e gnus. Ao analisar os utens\u00edlios, foi poss\u00edvel identificar que eles foram feitos com rochas que n\u00e3o existem no local, origin\u00e1rias de uma \u00e1rea a cinquenta quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, e afiados diversas vezes. Como n\u00e3o foram encontradas evid\u00eancias de que novas ferramentas foram produzidas no local, os paleantrop\u00f3logos acreditam que o\u00a0grupo estava na regi\u00e3o para ca\u00e7ar.<\/p>\n<h3>\u00c1frica: ber\u00e7o da humanidade<\/h3>\n<p>Com base em um cr\u00e2nio de\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0de 260.000 anos encontrado na \u00c1frica do Sul, os pesquisadores sugerem que a esp\u00e9cie teria se desenvolvido nos quatro cantos do continente africano e n\u00e3o apenas em uma localidade. No entanto, de acordo com Chris Stringer e Julia Galway-Witham, do Museu de Hist\u00f3ria Nacional de Londres que n\u00e3o participaram do estudo, as caracter\u00edsticas de homem moderno dos f\u00f3sseis de Marrocos e dos sul-africanos \u201cpodem ser herdados de ancestrais n\u00e3o-sapiens\u201d, sendo apenas \u201creten\u00e7\u00f5es paralelas de caracter\u00edsticas primitivas, ao contr\u00e1rio de ind\u00edcios de parentesco cruzando a \u00c1frica\u201d, escreveram em<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v546\/n7657\/full\/546212a.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0artigo que acompanha a publica\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Nature<\/em>.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobriram no Marrocos f\u00f3sseis de\u00a0Homo sapiens\u00a0datados de 300.000 a 350.000 anos,\u00a0os mais antigos j\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":67109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fossil.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas descobriram no Marrocos f\u00f3sseis de\u00a0Homo sapiens\u00a0datados de 300.000 a 350.000 anos,\u00a0os mais antigos j\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67108"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67108\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}