{"id":67007,"date":"2017-06-06T14:00:49","date_gmt":"2017-06-06T17:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=67007"},"modified":"2017-06-06T08:24:28","modified_gmt":"2017-06-06T11:24:28","slug":"emissao-de-gases-da-queima-da-cana-paulista-diminuiu-44-em-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/emissao-de-gases-da-queima-da-cana-paulista-diminuiu-44-em-25-anos\/","title":{"rendered":"Emiss\u00e3o de gases da queima da cana paulista diminuiu 44% em 25 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"titulo\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-67008\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entre 1990 e 2015, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas pela colheita da cana-de-a\u00e7\u00facar foram reduzidas em 44% no Estado de S\u00e3o Paulo. O registro consta de estudo recente que atualizou informa\u00e7\u00f5es do 1\u00ba Invent\u00e1rio de Emiss\u00f5es Antr\u00f3picas de Gases de Efeitos Estufa Diretos e Indiretos do Estado de S\u00e3o Paulo, realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), seguindo a mais recente metodologia publicada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC).<\/p>\n<div class=\"conteudo-noticia\">\n<div class=\"noticia-detalhe\">\n<div class=\"texto-noticia\">\n<p>O documento traz estimativas anuais para o estado e munic\u00edpios. Apesar de o novo m\u00e9todo resultar em maiores emiss\u00f5es de gases em rela\u00e7\u00e3o ao anterior, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e quantidade de cana-de-a\u00e7\u00facar, o resultado mais importante \u00e9 a acentuada redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o nos \u00faltimos anos, efeito direto da ado\u00e7\u00e3o do corte da cana crua, preconizado por lei e adotado progressivamente no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todo mais adequado de medi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO m\u00e9todo mais recente do IPCC, de 2006, apresenta diferentes fatores de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa para a queima de res\u00edduos agr\u00edcolas em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo anterior, de 1996. Com exce\u00e7\u00e3o do metano (CH<sub>4<\/sub>), cujo fator de emiss\u00e3o foi pouqu\u00edssimo alterado, os fatores de emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), \u00f3xido nitroso (N<sub>2<\/sub>O) e \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NO<sub>X<\/sub>) foram estimados em metade do valor apresentado pelo m\u00e9todo de 1996, da\u00ed a resultante redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es estimativas desses gases. Estudos podem surgir ainda com fatores mais espec\u00edficos para o caso da cana-de-a\u00e7\u00facar, cujos resultados incidir\u00e3o certamente em futuras estimativas estaduais de emiss\u00e3o. Nesse \u00faltimo m\u00e9todo de 2006, explica o pesquisador Alfredo Luiz, as emiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o medidas, e sim estimadas por meio de f\u00f3rmulas. Nas f\u00f3rmulas, cada pa\u00eds fornece seus dados de \u00e1rea e de manejo e utiliza par\u00e2metros preconizados pelo m\u00e9todo do IPCC.<\/p>\n<p>\u201cAssim, destaca o pesquisador, o impacto final da aplica\u00e7\u00e3o dos novos par\u00e2metros (IPCC, 2006) sobre as mesmas condi\u00e7\u00f5es (\u00e1rea e manejo) foi a de aumentar o total emitido, quando comparado com as estimativas feitas para o mesmo ano com o m\u00e9todo do IPCC de 1996. Entretanto, ao longo do tempo, com a ado\u00e7\u00e3o da colheita sem queima, houve uma redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es, independentemente do m\u00e9todo utilizado para o c\u00e1lculo. Os autores explicam que as emiss\u00f5es totais estimadas referentes a 2015 correspondem a uma redu\u00e7\u00e3o de 44,3% em rela\u00e7\u00e3o a 1990.<\/p>\n<figure class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Segundo a an\u00e1lise da pesquisadora da Embrapa Magda Lima, autora do trabalho, esse decr\u00e9scimo evidencia o papel da legisla\u00e7\u00e3o estadual e de sua implementa\u00e7\u00e3o sobre o controle de queimada. \u201cAl\u00e9m disso, o trabalho mostra que as estimativas de emiss\u00e3o de metano em 1990 resultaram em valores 4% inferiores aos obtidos no relat\u00f3rio de refer\u00eancia sobre o setor de agricultura do 1\u00ba Invent\u00e1rio, publicado em 2015, o qual se baseou na aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo do IPCC de 1996 para o per\u00edodo de 1990 a 2008. No mesmo ano, as estimativas de emiss\u00e3o de \u00f3xido nitroso e de nitrog\u00eanio foram 50% inferiores \u00e0s estimadas pelo m\u00e9todo do IPCC de 1996, enquanto as emiss\u00f5es de mon\u00f3xido de carbono foram 55% superiores,\u201d relata a cientista.<\/figcaption><\/figure>\n<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 o principal estado produtor da cana-de-a\u00e7\u00facar, com mais de 423 milh\u00f5es de toneladas produzidas em 2015, o que representa 54,8% da produ\u00e7\u00e3o nacional e \u00e1rea colhida de cinco milh\u00f5es de hectares, 56,6% do Pa\u00eds. Em 2006, 469 munic\u00edpios paulistas colheram cana-de-a\u00e7\u00facar, enquanto em 2015 foram 508, do total de 645. Observou-se maior densidade de \u00e1reas de cultura na regi\u00e3o nordeste paulista, e, consequentemente, maior quantidade emitida de gases, sobretudo em 2006, quando havia ainda grande incid\u00eancia de queima na pr\u00e9-colheita. Em 2015, a pr\u00e1tica de colheita crua fica bastante evidente e apresenta o efeito progressivo da legisla\u00e7\u00e3o de controle de queimadas.<\/p>\n<p>A pesquisa Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) n\u00e3o discrimina a \u00e1rea colhida por uso do produto, ou seja, n\u00e3o especifica se a produ\u00e7\u00e3o se destina ao setor sucroalcooleiro, \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, rapadura ou para alimenta\u00e7\u00e3o animal. As estimativas levaram em considera\u00e7\u00e3o a \u00e1rea total colhida conforme a base de dados da PAM.<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA queima busca facilitar as opera\u00e7\u00f5es de colheita, promovendo a elimina\u00e7\u00e3o das folhas. A Lei 11.241 de 2002, que trata da exclus\u00e3o dessa pr\u00e1tica no Estado de S\u00e3o Paulo, determina que nas \u00e1reas mecaniz\u00e1veis (cuja inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 igual ou inferior a 12%), o uso do fogo dever\u00e1 ser suspenso gradativamente at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>O Protocolo Etanol Verde, iniciativa do governo estadual e do setor sucroenerg\u00e9tico, antecipou esse prazo para 2014 e prev\u00ea a concess\u00e3o anual de um certificado de conformidade aos produtores que adotarem boas pr\u00e1ticas de manejo. Nas \u00e1reas consideradas n\u00e3o mecaniz\u00e1veis, a queima, que deveria ser totalmente abandonada at\u00e9 2031, teve sua elimina\u00e7\u00e3o antecipada para 2017.<\/p>\n<p>As estimativas registradas foram derivadas de dados obtidos por outras institui\u00e7\u00f5es, os de \u00e1rea colhida utilizados s\u00e3o oficiais gerados pelo IBGE, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas estat\u00edsticas agr\u00edcolas brasileiras, e os dados de queima foram produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entretanto, \u00e9 importante ressaltar que, como toda estimativa, o resultado final \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o do valor real.<\/p>\n<p>A colheita da cana era feita integralmente com queima at\u00e9 1995. Em 1996, com a chegada ao Pa\u00eds de m\u00e1quinas colheitadeiras espec\u00edficas para a cultura, teve in\u00edcio a colheita sem queima em 10% da \u00e1rea do Estado de S\u00e3o Paulo. Em 2002, foi aprovada a lei que determinou o fim gradual da queima de cana em \u00e1reas planas no estado e seus efeitos come\u00e7aram a ser percebidos a partir de 2006. Atualmente o percentual de cana colhida sem queima est\u00e1 pr\u00f3ximo de 80%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/1355145\/1529026\/grafico+cana.png\/223997f8-9d8e-d3a8-a63b-17e332e65ab0?t=1495819135233\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"522\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pr\u00e1tica de queima e o ano em que come\u00e7ou a diminuir no estado \u2013 evolu\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 em verde \u00e9 o total, e as outras cores mostram as \u00e1reas de cana com queima e sem queima. Autores: Magda Lima, Alfredo Bueno e Marcos Neve<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com os autores, com base na tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da queima observada em todas as regi\u00f5es do estado, pode-se assumir que os valores apresentados n\u00e3o est\u00e3o distantes daqueles realmente praticados.<\/p>\n<p>O impacto da aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo do IPCC sobre as estimativas estaduais de emiss\u00f5es de gases foi not\u00f3rio e, \u00e0 medida que novos estudos sobre fatores de emiss\u00e3o espec\u00edficos para cana-de-a\u00e7\u00facar tornarem-se dispon\u00edveis, ser\u00e1 poss\u00edvel aprimorar ainda mais as estimativas.<\/p>\n<table style=\"height: 150px;\" border=\"1\" width=\"639\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"12\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><br \/>\nA Embrapa Meio Ambiente iniciou sua participa\u00e7\u00e3o nos esfor\u00e7os nacionais e globais para o estudo das Emiss\u00f5es Antr\u00f3picas de Gases de Efeitos Estufa h\u00e1 mais de 20 anos, com a prepara\u00e7\u00e3o para a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento \u2013 Rio 92. Desde ent\u00e3o, a Embrapa, por meio de suas diversas Unidades de pesquisa, tem contribu\u00eddo na elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios de refer\u00eancia do setor de agropecu\u00e1ria.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Esses relat\u00f3rios, que visam a compor invent\u00e1rios, apresentam estimativas de emiss\u00e3o com base em dados secund\u00e1rios e n\u00e3o necessariamente em medi\u00e7\u00f5es, conforme estabelecido nos m\u00e9todos adotados pelo Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7a do Clima (IPCC). Assim sendo, tanto a fonte dos dados utilizados como os par\u00e2metros e f\u00f3rmulas aplicados influenciam de forma decisiva nos resultados alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>De autoria de Magda Lima, Alfredo Luiz e Marcos Neves, o documento est\u00e1 dispon\u00edvel na <a href=\"https:\/\/ainfo.cnptia.embrapa.br\/digital\/bitstream\/item\/158570\/1\/2016DC09.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00e1gina<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1990 e 2015, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas pela colheita<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":67008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entre 1990 e 2015, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas pela colheita","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67007"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67007"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67007\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}