{"id":66862,"date":"2017-06-03T18:31:36","date_gmt":"2017-06-03T21:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66862"},"modified":"2017-06-03T18:31:36","modified_gmt":"2017-06-03T21:31:36","slug":"desmatamento-no-cerrado-faz-desaparecer-plantas-usadas-ha-seculos-pela-medicina-popular-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-no-cerrado-faz-desaparecer-plantas-usadas-ha-seculos-pela-medicina-popular-2\/","title":{"rendered":"Desmatamento no Cerrado faz desaparecer plantas usadas h\u00e1 s\u00e9culos pela medicina popular"},"content":{"rendered":"<div class=\"style-post\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"featured\" src=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Stryphnodendron_adstringens-1.jpg\" alt=\"Desmatamento no Cerrado faz desaparecer plantas usadas h\u00e1 s\u00e9culos pela medicina popular\" width=\"639\" height=\"479\" \/>O barbatim\u00e3o \u00e9 um poderoso cicatrizante que anda escasso. Seu princ\u00edpio atua em processos inflamat\u00f3rios. | Foto: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Barbatim%C3%A3o-verdadeiro#\/media\/File:Stryphnodendron_adstringens-1.jpg\" target=\"_Blank\">Eurico Zimbres\/CC BY-SA 3.0<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body-content \">\n<p class=\"western\">O desmatamento que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, consumiu mais da metade da cobertura vegetal do Cerrado est\u00e1 levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o plantas que poderiam ajudar a curar uma infinidade de doen\u00e7as. As plantas medicinais s\u00e3o v\u00edtimas do avan\u00e7o desenfreado de monoculturas de soja, sorgo e milho que dominam a paisagem do Brasil central.<\/p>\n<p>Se continuar o ritmo atual de desmatamento do Cerrado, o bioma poder\u00e1 ter at\u00e9 2050 a maior extin\u00e7\u00e3o de plantas no mundo desde 1500. Seriam pelo menos 450 esp\u00e9cies que em um primeiro momento poderiam sumir do mapa. O alerta veio a partir do trabalho de um grupo de pesquisadores brasileiros publicado em mar\u00e7o deste ano na revista Nature Ecology and Evolution.<\/p>\n<p>Com isso, o pa\u00eds est\u00e1 em vias de perder ativos da biodiversidade que deveriam, por lei, serem protegidos, mas que sucumbem \u00e0 for\u00e7a do agroneg\u00f3cio e de pr\u00e1ticas de uso do solo incompat\u00edveis com a ideia de conserva\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>Junto com as plantas, vai embora tamb\u00e9m uma cultura milenar de uso dessas plantas medicinais pelos povos e comunidades tradicionais que habitam a regi\u00e3o h\u00e1 milhares de anos.<\/p>\n<p>O conhecimento sobre o uso das plantas de cura do Cerrado \u00e9 um acervo cultural acumulado pelos povos origin\u00e1rios do Cerrado, depois compartilhado com as popula\u00e7\u00f5es negras e os europeus que vieram junto com a coloniza\u00e7\u00e3o, uma transfer\u00eancia de cultura que soma, segundo alguns estudiosos, mais de 10 mil anos.<\/p>\n<p>Raizeiros, benzedeiras, paj\u00e9s e parteiras que det\u00e9m esse saber tradicional j\u00e1 interpretaram os sinais que os cientistas est\u00e3o confirmando e est\u00e3o temerosos quanto \u00e0 sobreviv\u00eancia de suas pr\u00e1ticas, amea\u00e7adas tamb\u00e9m pelo preconceito alimentado pelos grandes laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos.<\/p>\n<p>Tudo fruto da aus\u00eancia cr\u00f4nica de pol\u00edticas p\u00fablicas que poderiam integrar o uso das plantas medicinais e os conhecimentos tradicionais ao sistema nacional de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Reunidos no \u00faltimo final de semana no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, as comunidades e povos tradicionais que usam regularmente as plantas nativas para sua medicina confirmam na pr\u00e1tica o desaparecimento dessas esp\u00e9cies. E clamam pela prote\u00e7\u00e3o do Cerrado.<\/p>\n<p>Morador do munic\u00edpio de Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s, Tom das Ervas, como \u00e9 conhecido na regi\u00e3o, cita o caso do velame branco, uma esp\u00e9cie nativa do Cerrado utilizada tradicionalmente como depurativo do sangue.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ir cada vez mais longe para encontrar os rem\u00e9dios. Estamos cercados por lavouras de soja, que al\u00e9m avan\u00e7arem sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa tamb\u00e9m trazem os agrot\u00f3xicos que contaminam as plantas das regi\u00f5es vizinhas pelo uso de pulverizadores com veneno\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Marineide Pereira Moreira da Silva, erveira do munic\u00edpio de Piren\u00f3polis, o barbatim\u00e3o, poderoso cicatrizante, tamb\u00e9m anda escasso. Pelo mesmo caminho, conta, segue a planta denominada agoniada, cujo princ\u00edpio atua em processos inflamat\u00f3rios dos \u00f3rg\u00e3os de reprodu\u00e7\u00e3o femininos.<\/p>\n<p>Ilton Pereira da Silva, que h\u00e1 46 anos prepara medicamentos e trata com base nas plantas do Cerrado lista ainda que a dispers\u00e3o do capim braqui\u00e1ria pela pecu\u00e1ria convencional est\u00e1 tirando espa\u00e7o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa. \u201cOnde tem esse capim invasor, n\u00e3o cresce mais nada\u201d. O fogo descontrolado, segundo ele, tamb\u00e9m \u00e9 um inimigo das plantas medicinais.<\/p>\n<p><b>Ampliar para proteger<\/b><\/p>\n<p>Para os povos e comunidades tradicionais do Cerrado, uma das maneiras de conter o avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, dando chance para que as plantas de aplica\u00e7\u00e3o medicinal fiquem resguardadas para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Cerrado, segundo maior bioma da Am\u00e9rica do Sul abrange 12 estados do pa\u00eds, mas apenas 8% do seu territ\u00f3rio est\u00e3o sob regime de conserva\u00e7\u00e3o. Uma das \u00e1rea protegidas mais emblem\u00e1ticas nesta imensa regi\u00e3o \u00e9 o Parque Nacional dos Veadeiros, onde acontece o encontro dos raizeiros.<\/p>\n<p>Com cerca de 65 mil hectares, o parque est\u00e1 em vias de ser ampliado. A proposta de amplia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 acertada entre o governo de Goi\u00e1s e o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, triplicaria a \u00e1rea do parque.<\/p>\n<p>Trata-se de uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral onde n\u00e3o se permite a coleta de esp\u00e9cies, a n\u00e3o ser com autoriza\u00e7\u00e3o para pesquisas cient\u00edficas. Mesmo assim, os participantes do encontro abra\u00e7aram a causa da amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles entendem que quanto mais \u00e1reas nativas houver, mais chance haver\u00e1 para as plantas nativas.\u201cSe o parque aumentar, podem vir mais recursos para a regi\u00e3o\u201d, espera Josu\u00e9 Faustino de Souza, de Terezina de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>A flora existente no parque nacional \u00e9 o que mais atrai os cientistas. Das mais de 400 pesquisas desenvolvida na unidade, 83% referem-se \u00e0 bot\u00e2nica\u201d, explica o chefe da unidade, Fernando Tatagiba. Segundo ele, ampliar o parque significa uma chance para que, pelo menos esta \u00e1rea, possa servir de banco gen\u00e9tico para o futuro.<\/p>\n<div id=\"attachment_45889\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><a href=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-45889 size-full\" src=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo.jpg\" sizes=\"(max-width: 1601px) 100vw, 1601px\" srcset=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo.jpg 1601w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo-300x169.jpg 300w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo-768x432.jpg 768w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo-1024x576.jpg 1024w\" alt=\"wwf-raizes-ciclovivo\" width=\"640\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Dona Fiota: Quilombolas cuidam do Cerrado e t\u00eam nele fonte de recursos. \u00a9 Foto: Jaime Gesisky<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_45891\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><a href=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-45891\" src=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2.jpg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2.jpg 900w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2-169x300.jpg 169w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2-768x1366.jpg 768w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo2-576x1024.jpg 576w\" alt=\"Tom das Ervas, de Alto Para\u00edso: cada dia mais dif\u00edcil encontrar as plantas para os rem\u00e9dios. \u00a9 Foto: Jaime Gesisky\" width=\"640\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Tom das Ervas, de Alto Para\u00edso: cada dia mais dif\u00edcil encontrar as plantas para os rem\u00e9dios. \u00a9 Foto: Jaime Gesisky<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_45892\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><a href=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-45892\" src=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1.jpg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1.jpg 900w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1-169x300.jpg 169w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1-768x1366.jpg 768w, http:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/wwf-raizes-ciclovivo1-576x1024.jpg 576w\" alt=\"Pir'ka, paj\u00e9 da etnia Krah\u00f4: conhecimentos milenares associados \u00e0 biodiversidade. \u00a9 Foto: Jaime Gesisky\" width=\"640\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pir\u2019ka, paj\u00e9 da etnia Krah\u00f4: conhecimentos milenares associados \u00e0 biodiversidade. \u00a9 Foto: Jaime Gesisky<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O barbatim\u00e3o \u00e9 um poderoso cicatrizante que anda escasso. 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