{"id":66775,"date":"2017-06-02T12:30:53","date_gmt":"2017-06-02T15:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66775"},"modified":"2017-06-02T08:39:44","modified_gmt":"2017-06-02T11:39:44","slug":"kabwe-a-cidade-mais-toxica-do-mundo-onde-o-chumbo-envenena-milhoes-de-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/kabwe-a-cidade-mais-toxica-do-mundo-onde-o-chumbo-envenena-milhoes-de-criancas\/","title":{"rendered":"Kabwe, a cidade mais t\u00f3xica do mundo, onde o chumbo envenena milh\u00f5es de crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66776\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quase <strong>um s\u00e9culo de atividades em extra\u00e7\u00e3o e fundi\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio<\/strong> envenenou toda uma gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em Kabwe, Z\u00e2mbia, na prov\u00edncia de Copperbelt, uma regi\u00e3o mineira por excel\u00eancia. O chumbo dali afetou a vida de milhares de crian\u00e7as, causando danos ao c\u00e9rebro, a \u00f3rg\u00e3os vitais e at\u00e9 causando a morte. Somente agora, nos \u00faltimos anos o problema vem come\u00e7ando a ser abordado, mas ainda n\u00e3o de forma incisiva.<\/p>\n<h2>Kabwe, a cidade mais t\u00f3xica do mundo<\/h2>\n<p><strong>Kabwe \u00e9 a cidade mais t\u00f3xica do mundo<\/strong>, de acordo com alguns especialistas. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s subst\u00e2ncias t\u00f3xicas danificou c\u00e9rebro e outros \u00f3rg\u00e3os vitais de muitas \u00a0crian\u00e7as, gera\u00e7\u00f5es inteiras. E a cada dia que passa, a situa\u00e7\u00e3o permanece a mesma.<\/p>\n<div><\/div>\n<p>A 100 quil\u00f4metros da capital Lusaka, a cidade de 220.000 habitantes j\u00e1 foi muito pr\u00f3spera e, como sempre acontece, durante anos, pensava-se pouco ou nada sobre <strong>o impacto que as atividades de minera\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong> causariam ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana, com o passar do tempo.<\/p>\n<p>Agora os problemas negligenciados est\u00e3o expondo riscos emergentes e procura-se por solu\u00e7\u00f5es de \u00faltima hora. Hoje, que os dias dourados se foram, as pessoas mais pobres buscam sobreviver recolhendo lixo em Black Mountain, resultado do decl\u00ednio da \u201crica\u201d atividade de ent\u00e3o. Os especialistas falam claro: para Jack Caravanos da Universidade de Nova York, esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem igual. <strong>Em Kabwe, as pessoas doentes est\u00e3o na casa dos milhares<\/strong>, n\u00e3o centenas, como em outros lugares.<\/p>\n<h2>Milhares de crian\u00e7as envenenadas<\/h2>\n<p>At\u00e9 1994 encontrava-se em atividade uma fundi\u00e7\u00e3o de propriedade estatal, cujos res\u00edduos ca\u00edam no ch\u00e3o e eram absorvidos pelo solo. <strong>Os metais trabalhados em Kabwe eram usados em baterias de carros em todo o mundo<\/strong>: neurotoxinas especialmente perigosas para crian\u00e7as e beb\u00eas, quando elas come\u00e7am a brincar ao ar livre, e tendem a colocar, com mais frequ\u00eancia do que os adultos, as m\u00e3os sujas na boca.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias de doen\u00e7as contra\u00eddas nesta regi\u00e3o s\u00e3o muitas. O <em><strong>The Guardian<\/strong><\/em> relata algumas, como aquela de Annie, que em um determinado momento percebeu que o filho Martin acusava dores de est\u00f4mago cont\u00ednuas e febres. A primeira suspeita foi o HIV, mas os testes ent\u00e3o deram um outro resultado: no seu sangue estavam presentes n\u00edveis muito elevados de chumbo.<\/p>\n<p>O pior foi evitado, reduzindo o tempo de perman\u00eancia das crian\u00e7as ao ar livre, a avagem frequente das m\u00e3os e roupas, mas nas escolas \u00e9 complicado tomar todas essas precau\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"secondadsmobile\"><\/div>\n<p>Caravanos \u00e9 objetivo: <strong>a\u00a0intoxica\u00e7\u00e3o\u00a0por chumbo n\u00e3o diminui com o tempo<\/strong>, as pessoas v\u00e3o lidar com ela para o resto de suas vidas, n\u00e3o \u00e9 algo revers\u00edvel. Considerando que n\u00edveis muito altos s\u00e3o registrados j\u00e1 na inf\u00e2ncia, \u00e9 f\u00e1cil ligar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o ambiental, patologias tais quais danos cerebrais, paralisia e morte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.greenme.com.br\/images\/informar-se\/ambiente\/kabwe-2.jpg\" alt=\"kabwe 2\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<h2>Chumbo, um assassino ignorado por anos<\/h2>\n<p>Parece absurdo,\u00a0<strong>mas s\u00f3 recentemente percebeu-se o perigo<\/strong>\u00a0e deu-se conta da necessidade de se fazer an\u00e1lise epidemiol\u00f3gica precisa, para que fosse poss\u00edvel distinguir as diferen\u00e7as entre os efeitos da acumula\u00e7\u00e3o de chumbo no organismo e outras causas por tr\u00e1s das patologias mais frequentes no lugar.<\/p>\n<p>Um outro problema, sublinhado pelo\u00a0<em>The Guardian<\/em>, \u00e9 que poucas pessoas encontram for\u00e7a para falar sobre o problema, e\u00a0<strong>h\u00e1 pouca transpar\u00eancia nos dados<\/strong>\u00a0coletados por realidades institucionais. Certamente os\u00a0<strong>sinais de envenenamento por chumbo s\u00e3o \u00f3bvios:<\/strong>\u00a0paralisia, cegueira, dano cerebral mas, muitas vezes, as crian\u00e7as com defici\u00eancia s\u00e3o escondidas por suas pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n<h2>Solos contaminados por chumbo: dados<\/h2>\n<p>Um projeto desenvolvido pelo Banco Mundial e que teve seu fim em 2011, tinha revelado o problema, mas, infelizmente, n\u00e3o levou a solu\u00e7\u00f5es incisivas para combater a polui\u00e7\u00e3o. Nas cidades afetadas s\u00e3o registrados n\u00edveis de chumbo no solo cerca 10 vezes maior do que os limites estabelecidos pelos EUA, e \u00e9 ainda maior em alguns lugares. Por exemplo Carvanos usou um detector port\u00e1til para medir a concentra\u00e7\u00e3o de chumbo no lodo deixado ao sol e, em seguida, &#8220;queimado&#8221;: muito frequentemente foram\u00a0<strong>rastreados valores com mais de 10.000 part\u00edculas por milh\u00e3o (ppm)<\/strong>, muito longe do limite de 440 ppm, definido pelos EUA.<\/p>\n<p>Um dos &#8220;hotspots&#8221; identificados foi o p\u00e1tio de uma cl\u00ednica que possui cerca de 14 mil pessoas. A cl\u00ednica se recusou a dar entrevistas.<\/p>\n<h2>N\u00edveis\u00a0de chumbo no sangue: uma an\u00e1lise nas crian\u00e7as de Kabwe e o trabalho das ONGs<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor ao analisar o sangue dos habitantes de Kwabe, principalmente as crian\u00e7as. Um estudo recente analisou 246 crian\u00e7as. Se <strong>o limite \u00e9 de 5 microgramas por decilitro de sangue<\/strong>, na maior parte dos casos, foram registados n\u00edveis superiores a 45 microgramas por decilitro.<\/p>\n<p>Em 2015, 113 anos depois da abertura da fundi\u00e7\u00e3o, algumas ONGs come\u00e7aram a limpar as primeiras casas, com financiamento da <em>Terre des Hommes,<\/em> Alemanha, e a ajuda de volunt\u00e1rios locais.<\/p>\n<p>Mais de 120 jardas de casas foram limpas e o ch\u00e3o foi substitu\u00eddo com o solo retirado de outro lugar. Do Conselho Municipal de Kabwe sabe-se que um fundo de 1,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e9 destinado precisamente para limpar a polui\u00e7\u00e3o e Kabwe e para fornecer aconselhamento necess\u00e1rio e tratamento m\u00e9dico, coisas que at\u00e9 agora n\u00e3o t\u00eam acontecido. At\u00e9 o momento, ao que parece, tudo ainda est\u00e1 im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Em Black Mountain os mais necessitados, sem abrigo, com p\u00e9s descal\u00e7os e roupas sujas, escavam com ferramentas improvisadas, muitas vezes \u00e0 luz de velas. Aqui Caravanos registrou n\u00edveis de chumbo igual 30-60000 ppm. E propriamente aqui, crian\u00e7as continuam a brincar.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o legado de uma \u00e9poca de &#8220;desenvolvimento&#8221;, de riqueza, de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase um s\u00e9culo de atividades em extra\u00e7\u00e3o e fundi\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio envenenou toda uma gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66776,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/chumbo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quase um s\u00e9culo de atividades em extra\u00e7\u00e3o e fundi\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio envenenou toda uma gera\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66775"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66775\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66776"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}