{"id":66752,"date":"2017-06-02T13:30:11","date_gmt":"2017-06-02T16:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66752"},"modified":"2017-06-01T20:45:43","modified_gmt":"2017-06-01T23:45:43","slug":"veterinarios-e-medicos-devem-aprender-a-salvar-e-nao-tirar-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/veterinarios-e-medicos-devem-aprender-a-salvar-e-nao-tirar-vidas\/","title":{"rendered":"Veterin\u00e1rios e m\u00e9dicos devem aprender a salvar e n\u00e3o tirar vidas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ratos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66754\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ratos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ratos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ratos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O meio acad\u00eamico vive uma grande contradi\u00e7\u00e3o. As pr\u00f3prias universidades que alegam n\u00e3o ser poss\u00edvel formar profissionais em determinadas \u00e1reas sem o uso de cobaias, por outro lado, formam alunos que, por meio da carta de obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, ficam livres de assistir aulas pr\u00e1ticas com animais. Se alguns alunos podem se formar sem utilizar cobaias, por que n\u00e3o todos na mesma universidade?<\/p>\n<p>Bianca Marigliani, bi\u00f3loga especialista em Biologia Molecular e doutoranda em Biotecnologia (Unifesp), diz que falta boa vontade das universidades para investirem em m\u00e9todos substitutivos: \u201cSempre ou\u00e7o a desculpa de que n\u00e3o h\u00e1 recursos para isso, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma justificativa aceit\u00e1vel para que se possa descumprir uma lei\u201d \u2013 se referindo \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9605.htm\">Lei federal 9.605<\/a> que cita como crime o uso de animais para fins did\u00e1ticos havendo m\u00e9todos alternativos para os mesmos procedimentos. \u201cCreio que os alunos t\u00eam um papel fundamental nesse processo de mudan\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio pesquisar quais os m\u00e9todos alternativos dispon\u00edveis e exigi-los, visto que s\u00e3o raras as universidades brasileiras cujos professores e coordenadores fazem esse papel\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Um dos exemplos positivos mais recentes da utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos substitutivos \u00e9 a nova unidade da Uninove em Osasco (SP). A faculdade ter\u00e1 um N\u00facleo Integrado de Simula\u00e7\u00e3o com bonecos \u2013 <a href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2017\/05\/faculdade-investe-em-simuladores-ao-inves-de-manter-cobaias\/\">m\u00e9todo de ensino usual nas melhores universidades do mundo<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_680026\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-680026\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3.png\" sizes=\"(max-width: 325px) 100vw, 325px\" srcset=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3.png 325w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3-211x300.png 211w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3-250x356.png 250w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3-100x142.png 100w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-3-83x118.png 83w\" alt=\"\" width=\"325\" height=\"463\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>Bianca, que \u00e9 tamb\u00e9m vencedora do <a href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2014\/11\/brasileiro-ganhar-premio-internacional-pesquisa-animais-testes\/\">Pr\u00eamio Lush Prize<\/a> de 2015 (premia\u00e7\u00e3o global no setor de alternativas ao uso de animais em testes cient\u00edficos), ressalta que, embora a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia seja um direito do aluno, n\u00e3o resolve o problema: \u201c\u00c9 preciso ir al\u00e9m. Nem sempre os m\u00e9todos alternativos s\u00e3o complexos e onerosos. H\u00e1 plataformas online com diversos m\u00e9todos que, inclusive, podem ser compartilhados entre universidades. Precisamos que as leis brasileiras sejam cumpridas, de alunos mais engajados e professores mais dispostos a mudar seu m\u00e9todo de ensino aplicando a bio\u00e9tica e o princ\u00edpio dos 3Rs (Reduction\/Redu\u00e7\u00e3o, Refinement\/Refinamento e Replacement\/Substitui\u00e7\u00e3o)\u201d.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o PL 706\/2012 do deputado estadual Feliciano Filho, restringe a utiliza\u00e7\u00e3o de animais em atividades de ensino at\u00e9 o n\u00edvel da gradua\u00e7\u00e3o. O PL permite estudos observacionais de campo e tratamento de pacientes (animais) reais, al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres e materiais biol\u00f3gicos adquiridos eticamente.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos substitutivos est\u00e3o cada vez mais sofisticados e o mais interessante \u00e9 que n\u00e3o precisam de valida\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Concea \u2013 Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal diz: \u201cA valida\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos \u00e9 restrito aos testes utilizados em pesquisa cient\u00edfica, n\u00e3o existindo processo de valida\u00e7\u00e3o para m\u00e9todos alternativos para ensino\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_680027\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-680027\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4.jpg\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4.jpg 919w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4-250x167.jpg 250w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4-100x67.jpg 100w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-4-177x118.jpg 177w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cOs simuladores, tanto em 3D quanto os f\u00edsicos, s\u00e3o o futuro das aulas de anatomia humana e animal. O humano e o cachorro sint\u00e9ticos possuem textura e densidade similares as estruturas anat\u00f4micas reais e cont\u00eam todos os sistemas e \u00f3rg\u00e3os, permitindo a realiza\u00e7\u00e3o de cortes, suturas, disseca\u00e7\u00f5es, entuba\u00e7\u00f5es e podem at\u00e9 mesmo sangrar durante uma cirurgia\u201d, comenta Cl\u00e1udio Santana, fundador da Csanmek, empresa que desenvolve simuladores.<\/p>\n<p>\u201cAs pr\u00e1ticas nos laborat\u00f3rios de simula\u00e7\u00e3o da Uninove, alinhadas com a forma\u00e7\u00e3o em ambientes reais como hospitais, permitem que os estudantes n\u00e3o apenas vivenciem situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e dif\u00edceis, mas que possam trein\u00e1-las exaustivamente, o que os tornar\u00e3o profissionais muito mais qualificados e seguros para responder aos desafios da profiss\u00e3o\u201d, afirma a professora Dra. Cinthya Cosme Gutierrez Duran, diretora da \u00e1rea da sa\u00fade da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2017\/02\/conheca-a-medica-cirurgia-que-nunca-usou-cobaias\/\">A m\u00e9dica especializada em ginecologia e obstetr\u00edcia Maria Beatriz Galv\u00e3o<\/a>, de Santos (SP), se formou h\u00e1 oito anos na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Santos (FCMS) sem uso de cobaias: \u201cFa\u00e7o cirurgias tranquilamente gra\u00e7as a tudo que aprendi na resid\u00eancia m\u00e9dica, com pacientes humanos, sem ter frequentado nenhuma aula com animais. Na \u00e9poca nem tinha esses recursos de computador dispon\u00edveis. Nos dias em que as aulas eram com porcos eu nem entrava na sala. Ficava de fora estudando pelos livros e suturando panos. Hoje vejo que as cobaias n\u00e3o me fizeram nenhuma falta\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_680023\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-680023\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2.jpg 682w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-75x75.jpg 75w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-250x250.jpg 250w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-118x118.jpg 118w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/c-2-150x150.jpg 150w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"639\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Beatriz Galv\u00e3o nunca compactuou com a morte de nenhum animal durante sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica | Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>Vale lembrar que existem pelo menos tr\u00eas tipos de uso de animais no ensino que o professor Thales Tr\u00e9z, fundador do Instituto 1R (Replacement ou Substitui\u00e7\u00e3o) assinala muito bem: o prejudicial (dano f\u00edsico, emocional ou morte), o ben\u00e9fico (quando as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para salvar ou tratar um animal realmente doente ou machucado) e neutro (estudos observacionais de campo).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8MOqMNj6boo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>*F\u00e1tima ChuEcco \u00e9 jornalista ambientalista e atuante na causa animal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meio acad\u00eamico vive uma grande contradi\u00e7\u00e3o. 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