{"id":66571,"date":"2017-05-30T08:00:22","date_gmt":"2017-05-30T11:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66571"},"modified":"2017-05-29T20:45:23","modified_gmt":"2017-05-29T23:45:23","slug":"desmatamento-da-mata-atlantica-representa-a-volta-ao-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-da-mata-atlantica-representa-a-volta-ao-passado\/","title":{"rendered":"Desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica representa a volta ao passado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66572\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>M\u00e1rcia Hirota e Mario Mantovani*<\/p>\n<p>Foram destru\u00eddos 29.075 hectares \u2013 291 quil\u00f4metros quadrados \u2013 de florestas de Mata Atl\u00e2ntica entre 2015 e 2016, um crescimento de 57,7% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior. Fazia dez anos o <em>Atlas da Mata Atl\u00e2ntica<\/em>, estudo da SOS Mata Atl\u00e2ntica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), n\u00e3o registrava desmatamentos nessas propor\u00e7\u00f5es. O total da \u00e1rea devastada equivale quase ao territ\u00f3rio de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Munic\u00edpios hist\u00f3ricos do sul da Bahia, conhecidos como ponto de chegada dos portugueses e in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, concentram cerca de 30% do total desmatado. \u00c9 a hist\u00f3ria se repetindo ou somos n\u00f3s que estamos voltando ao passado?<\/p>\n<p>Em Santa Cruz Cabr\u00e1lia, munic\u00edpio onde foi realizada a primeira missa no pa\u00eds, o levantamento identificou o desmatamento de 3.058 hectares de florestas, ou seja, mais de 10% do total que foi desmatado no bioma entre 2015 e 2016. Se somados aos 68 hectares da vegeta\u00e7\u00e3o de mangue que tamb\u00e9m foram destru\u00eddos no per\u00edodo, a \u00e1rea sobe para 3.126 hectares.<\/p>\n<p>Para investigar os motivos que levaram a essa situa\u00e7\u00e3o, foi feito um trabalho de campo por terra e sobrevoo na regi\u00e3o. O que vimos foi desolador. Florestas queimadas, destru\u00eddas, sem vida, em processo de retirada de madeira e limpeza de \u00e1reas onde o entorno apresenta forte atividade de silvicultura e pecu\u00e1ria. O mesmo padr\u00e3o no munic\u00edpio vizinho, Belmonte, que perdeu 2.122 hectares de floresta no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Bahia foi o estado que liderou o ranking do desmatamento no bioma, com decr\u00e9scimo de 12.288 hectares \u2013 alta de 207% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. A vice-lideran\u00e7a ficou com Minas Gerais (7.410 hectares desmatados). Depois vem Paran\u00e1 (3.453 hectares) e Piau\u00ed (3.125 hectares).<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, os principais pontos de desmatamento ocorreram no norte do estado, reconhecido pelos processos de destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica para produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o por eucalipto. No Paran\u00e1, a maior concentra\u00e7\u00e3o de desmatamento ocorreu na regi\u00e3o das arauc\u00e1rias, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o com apenas 3% de florestas remanescentes.<\/p>\n<p>No Piau\u00ed, os maiores desmatamentos foram em Manoel Em\u00eddio (1.281 hectares), Canto do Buriti (641 hectares) e Alvorada do Gurgueia (625 hectares), munic\u00edpios lim\u00edtrofes entre si, localizados numa importante regi\u00e3o de fronteira agr\u00edcola, que concentra a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e \u00e9 tamb\u00e9m uma \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre a Mata Atl\u00e2ntica, o Cerrado e a <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2017\/05\/caatinga.html\">Caatinga<\/a>.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima e indica uma revers\u00e3o na tend\u00eancia de queda do desmatamento registrada nos \u00faltimos anos. E n\u00e3o \u00e9 por acaso que os quatro estados campe\u00f5es de desmatamento s\u00e3o conhecidos por sua produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o setor produtivo voltou a avan\u00e7ar sobre nossas florestas nativas, n\u00e3o s\u00f3 na Mata Atl\u00e2ntica, mas em todos os biomas, ap\u00f3s as <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/09\/uma-interpretacao-do-codigo-florestal-pode-anistiar-quem-desmatou-o-cerrado.html\">altera\u00e7\u00f5es realizadas no C\u00f3digo Florestal<\/a> e o subsequente desmonte da legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira.<\/p>\n<p>E a ofensiva continua com a tentativa de <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2017\/04\/o-que-esta-errado-com-o-licenciamento-ambiental-no-brasil.html\">flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental<\/a> e diversos ataques ao Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na semana anterior, a bancada ruralista no Congresso Nacional aprovou duas MPs (756 e 758) que colocam em risco mais de 1,1 milh\u00e3o de hectares de florestas ao fragilizar o regime de prote\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o do oeste do Par\u00e1. Inclu\u00edram ainda, de maneira descabida, uma Emenda Parlamentar na MP 756 para reduzir cerca de 20% da \u00e1rea do Parque Nacional de S\u00e3o Joaquim (PNSJ), em Santa Catarina, excluindo 10.000 hectares de seu territ\u00f3rio. Agora, avan\u00e7am sobre o licenciamento ambiental, na tentativa de aprovar uma lei que fragiliza esse instrumento e libera v\u00e1rios empreendimentos e atividades de sua obrigatoriedade.<\/p>\n<p>No momento em que o caos est\u00e1 instalado em Bras\u00edlia, numa crise pol\u00edtica que tem em seu centro a maior empresa de carnes do mundo, a bancada do agroneg\u00f3cio e o n\u00facleo central do governo federal avan\u00e7am, de forma orquestrada e em tempo recorde, sobre nosso sistema de prote\u00e7\u00e3o ambiental. Entretanto, a sociedade n\u00e3o pode ficar alheia \u00e0s decis\u00f5es tomadas por nossos governantes e legisladores.<\/p>\n<p>A retomada do desmatamento coloca em risco todo o esfor\u00e7o da sociedade por um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel e afasta o pa\u00eds do cumprimento de compromissos assumidos em conven\u00e7\u00f5es e acordos internacionais.<\/p>\n<p>Nossas florestas naturais s\u00e3o fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o e o abastecimento de \u00e1gua, a prote\u00e7\u00e3o do solo e a oferta de polinizadores, sem os quais o crescimento do pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio fica comprometido. Al\u00e9m disso, contribuem para a prote\u00e7\u00e3o de encostas e para a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, o que confere a qualidade de vida e seguran\u00e7a, mesmo para quem vive nas cidades.<\/p>\n<p>Precisamos nos mobilizar para frear o desmonte e proteger nossa legisla\u00e7\u00e3o ambiental, que j\u00e1 foi uma das mais avan\u00e7adas do mundo. Devemos aprender com os erros da hist\u00f3ria \u2013 e n\u00e3o repeti-los.<\/p>\n<p><em>*Marcia Hirota e Mario Mantovani s\u00e3o, respectivamente, diretora executiva e diretor de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, ONG brasileira que atua h\u00e1 30 anos na defesa da floresta mais amea\u00e7ada do Brasil. Saiba como apoiar as a\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o em www.sosma.org.br\/apoie.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcia Hirota e Mario Mantovani* Foram destru\u00eddos 29.075 hectares \u2013 291 quil\u00f4metros quadrados \u2013 de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66572,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"M\u00e1rcia Hirota e Mario Mantovani* Foram destru\u00eddos 29.075 hectares \u2013 291 quil\u00f4metros quadrados \u2013 de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66571\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}