{"id":66481,"date":"2017-05-28T10:00:11","date_gmt":"2017-05-28T13:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66481"},"modified":"2017-05-28T09:27:35","modified_gmt":"2017-05-28T12:27:35","slug":"cada-arvore-tem-sua-propria-personalidade-e-sua-propria-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cada-arvore-tem-sua-propria-personalidade-e-sua-propria-memoria\/","title":{"rendered":"\u201cCada \u00e1rvore tem sua pr\u00f3pria personalidade e sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66482\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O pesquisador alem\u00e3o Peter Wohlleben n\u00e3o fala com as \u00e1rvores, mas entende bastante da conversa entre elas. Ele vem encantando o mundo com seu livro <em>A vida secreta das \u00e1rvores<\/em>, em que\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2017\/05\/o-que-arvores-conversam-enquanto-voce-nao-esta-escutando.html\">revela um mundo m\u00e1gico onde \u00e1rvores conversam e usam uma internet subterr\u00e2nea<\/a>, composta de cabos de fibra feitos de fungos. Essas \u00e1rvores colaboram, trocando nutrientes, ajudam as mais fracas, organizam estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e competi\u00e7\u00e3o. Elas pensam, sentem, guardam suas mem\u00f3rias. O mais incr\u00edvel dessa floresta descrita por Wohlleben \u00e9 que ela existe. O que Wohlleben conta de um jeito quase po\u00e9tico n\u00e3o tem fantasia alguma. \u00c9 o resultado das \u00faltimas descobertas cient\u00edficas feitas por quem estuda as florestas temperadas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Como explicaria para uma pessoa leiga como funciona a internet subterr\u00e2nea que o senhor descreve em seu livro?<\/strong><br \/>\nPeter Wohlleben \u2013 Existe uma rede de filamentos de fungos que conecta todas as ra\u00edzes. Essa rede n\u00e3o transporta apenas a\u00e7\u00facar, mas tamb\u00e9m not\u00edcias. Por exemplo, se um inseto atacou uma \u00e1rvore. A rede \u00e9 usada para alertar outras \u00e1rvores para que elas se preparem.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Se os indiv\u00edduos de uma floresta se comunicam e interagem tanto, podemos dizer que eles expressam algum tipo de consci\u00eancia?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 \u00c9 uma pergunta dif\u00edcil. Sabemos que as \u00e1rvores podem tomar decis\u00f5es, que elas t\u00eam uma mem\u00f3ria e s\u00e3o capazes at\u00e9 de contar. Mas elas n\u00e3o t\u00eam um c\u00e9rebro como o nosso. E \u00e9 dif\u00edcil para os cientistas procurar alguma coisa que n\u00e3o conseguimos nem imaginar.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Podemos considerar a floresta inteira como um ser inteligente?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 N\u00e3o creio. Dizer que a floresta \u00e9 um superorganismo como um formigueiro ou uma colmeia reduziria cada indiv\u00edduo a algo como uma c\u00e9lula. Em todos esses casos, eu diria que \u00e9 mais parecido com nossa sociedade. Todos os indiv\u00edduos est\u00e3o trabalhando juntos, se comunicando bastante. Mas cada \u00e1rvore tem sua pr\u00f3pria personalidade, sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia e suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 As \u00e1rvores se comunicam durante o processo de desmatamento? Elas sabem que est\u00e3o sob ataque?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Acredito que sim. Embora n\u00e3o esteja provado ainda. As \u00e1rvores podem sentir a diferen\u00e7a se um galho \u00e9 podado ou mordido por um veado, pelo sabor da saliva. Se as \u00e1rvores s\u00e3o derrubadas, elas n\u00e3o est\u00e3o mortas. O sistema de ra\u00edzes pode permanecer vivo por s\u00e9culos. Logo, por que n\u00e3o haveria de acontecer alguma comunica\u00e7\u00e3o sobre esses impactos severos?<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 O que a vida social das \u00e1rvores significa para os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o? Ela pode oferecer argumentos para justificar a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas maiores de floresta?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Sim, claro. Apenas uma floresta n\u00e3o perturbada \u00e9 capaz de mostrar todas as intera\u00e7\u00f5es sociais. Vemos claramente a diferen\u00e7a entre as florestas primevas e as manejadas. Nas florestas manejadas, voc\u00ea v\u00ea um grupo de lobos solit\u00e1rios, uma assembleia de \u00e1rvores que est\u00e3o agindo egoisticamente. A vida social rica s\u00f3 pode ser observada em florestas intocadas. E s\u00f3 essas florestas s\u00e3o bastante est\u00e1veis, capazes de suportar as mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 O senhor conta como \u00e1rvores de uma mesma esp\u00e9cie criam redes de comunica\u00e7\u00e3o usando as ra\u00edzes nas florestas temperadas da Europa. Como a comunica\u00e7\u00e3o funciona em florestas tropicais, mais biodiversas, e onde o indiv\u00edduo mais pr\u00f3ximo da mesma esp\u00e9cie pode estar bem distante?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 As \u00e1rvores se comunicam bem pelo cheiro. Elas avisam umas \u00e0s outras. Elas podem emitir certos gases que funcionam como sinais de alerta.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211; Podemos encontrar algum tipo de comunica\u00e7\u00e3o nas \u00e1rvores de um sistema agroflorestal (quando elas s\u00e3o cultivadas junto com pecu\u00e1ria ou agricultura)?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Sabemos que as plantas cultivadas perdem em muitos casos sua habilidade de se comunicar. Talvez essa seja a raz\u00e3o pela qual s\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis e precisam de tanta ajuda com fertilizantes e inseticidas. Um pouco mais de genes selvagens seria algo bom para todo mundo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Podemos estimular o desenvolvimento de comunica\u00e7\u00e3o entre as \u00e1rvores num ambiente urbano?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Primeiro, seria bom plantar as \u00e1rvores direto das sementes. As \u00e1rvores transplantadas sempre t\u00eam um sistema de ra\u00edzes danificado. Isso porque as ra\u00edzes s\u00e3o cortadas para facilitar o transporte e o replantio. Na ponta das ra\u00edzes, existem estruturas semelhantes ao c\u00e9rebro que, uma vez cortadas, jamais se recuperam completamente. E essas estruturas s\u00e3o importantes para a conex\u00e3o com a wood wide web [a internet de madeira]. Um parque \u00e9 um lugar melhor para as \u00e1rvores. Ainda melhor se elas forem plantadas [ou semeadas] em grupos da mesma esp\u00e9cie. Assim poder\u00e3o viver socialmente em bandos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Qual \u00e9 a grande quest\u00e3o n\u00e3o respondida no campo da intera\u00e7\u00e3o entre as \u00e1rvores?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Para mim, h\u00e1 uma quest\u00e3o importante em aberto: o que as \u00e1rvores conversam quando se sentem bem?<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 Que tipo de pesquisa o senhor est\u00e1 fazendo agora?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 Os estudantes est\u00e3o pesquisando as diferen\u00e7as entre faias manejadas e n\u00e3o manejadas numa floresta. Vemos cada vez mais evid\u00eancias de que at\u00e9 pequenos impactos como podas para afinar a copa das \u00e1rvores danificam o ecossistema fr\u00e1gil. Ent\u00e3o, no futuro, deveremos, em princ\u00edpio, usar menos madeira.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA \u2013 O senhor j\u00e1 esteve no Brasil? J\u00e1 pesquisou nas florestas brasileiras?<\/strong><br \/>\nPeter \u2013 N\u00e3o, desculpe. Seria maravilhoso. O Brasil tem tantas florestas primevas com tantos segredos para descobrir, enquanto a Alemanha n\u00e3o tem nem mais 1 metro quadrado de floresta virgem remanescente.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pesquisador alem\u00e3o Peter Wohlleben n\u00e3o fala com as \u00e1rvores, mas entende bastante da conversa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66482,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/peter_wohlleben.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O pesquisador alem\u00e3o Peter Wohlleben n\u00e3o fala com as \u00e1rvores, mas entende bastante da conversa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66481"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}