{"id":66439,"date":"2017-05-27T13:09:26","date_gmt":"2017-05-27T16:09:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66439"},"modified":"2017-05-27T13:09:26","modified_gmt":"2017-05-27T16:09:26","slug":"ciencia-em-busca-da-pele-artificial-perfeita-que-simule-a-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ciencia-em-busca-da-pele-artificial-perfeita-que-simule-a-humana\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia em busca da pele artificial perfeita que simule a humana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66440\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A pele \u00e9 o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano \u2013 e tamb\u00e9m o mais imitado. De fabricantes de telas de celular a cosm\u00e9ticos, todo mundo quer saber os segredos de um tecido que \u00e9 flex\u00edvel, resistente e se regenera sozinho por anos a fio.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\"><\/div>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma pele artificial que simula perfeitamente a humana \u00e9 um campo de muito potencial. Poderia simbolizar o fim do uso de animais para testes de seguran\u00e7a de cosm\u00e9ticos, a cura (ou, ao menos, uma compreens\u00e3o mais profunda) de uma s\u00e9rie de doen\u00e7as dermatol\u00f3gicas e, finalmente, trazer uma clareza maior sobre os misteriosos fen\u00f4menos que causam o envelhecimento do corpo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o s\u00f3 porque a pele artificial perfeita seria um laborat\u00f3rio perfeito para esse tipo de experimento, mas porque pr\u00f3prio processo de constru\u00ed-la j\u00e1 revelaria respostas sobre os mist\u00e9rios que tornam a pele humana t\u00e3o complexa.<\/p>\n<p>Uma ideia com tamanho potencial, \u00e9 claro, atrai n\u00e3o apenas os cientistas, mas tamb\u00e9m a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Em 1979, alguns pesquisadores da L\u2019Or\u00e9al se mudaram para Lyon. N\u00e3o por acaso: l\u00e1 ficava um dos grandes hospitais para pessoas queimadas da Fran\u00e7a. O prop\u00f3sito inicial era descobrir os mecanismos que levam a pele a se regenerar. Aos poucos, foram criadas t\u00e9cnicas para reconstruir a pele. A partir de algumas c\u00e9lulas humanas doadas, os pesquisadores conseguiram cultivar tecidos inteiros. Eram simples, mas ajudavam a entender o funcionamento da pele humana.<\/p>\n<p>\u201cO prop\u00f3sito era ter uma ferramenta de pesquisa da biologia da pele \u2013 e, principalmente, do envelhecimento da pele. A velhice \u00e9 algo que voc\u00ea precisa aguardar para come\u00e7ar a ver os resultados. Precis\u00e1vamos de um modelo acelerado da velhice, uma pele em que pud\u00e9ssemos induzir o envelhecimento para entend\u00ea-lo melhor. E, ent\u00e3o, encontrar uma forma de preven\u00ed-lo\u201d, explica Patr\u00edcia Papineau, diretora de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o da empresa na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da ci\u00eancia, a complexidade da pele aumentou: os queratin\u00f3citos, que formam 90% da pele humana, n\u00e3o eram s\u00f3 \u201cclonados\u201d, mas tamb\u00e9m se diferenciavam. Dando o est\u00edmulo correto \u00e0s c\u00e9lulas, os cientistas reconstru\u00edram as duas camadas da pele, epiderme e derme, em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O processo se expandiu de tal forma que virou outra empresa, a Episkin. Em seus laborat\u00f3rios, a pele reconstru\u00edda faz testes de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a para os produtos da L\u2019Ore\u00e1l, mas tamb\u00e9m comercializa kits de epiderme para pesquisadores e outras empresas.<\/p>\n<p>A pele reconstru\u00edda responde \u00e0 testes de irrita\u00e7\u00e3o e corros\u00e3o, testando f\u00f3rmulas em qualquer formato: p\u00f3, gel ou creme, por exemplo. Tamb\u00e9m responde \u00e0 luz ultravioleta, apontando problemas de pigmenta\u00e7\u00e3o. Ou seja, a pele bronzeia.<\/p>\n<p>A L\u2019Or\u00e9al garante que o m\u00e9todo ajudou a substituir os testes com animais para todos os novos ingredientes dos seus produtos. E tem melhores condi\u00e7\u00f5es de prever os efeitos em uma pele de verdade do que um experimento com ratos, por exemplo, porque usa c\u00e9lulas humanas.<\/p>\n<p>Mas as aplica\u00e7\u00f5es t\u00eam limite \u2013 e esse limite \u00e9 a complexidade da pele. Os queratin\u00f3citos s\u00e3o 90% dela. S\u00f3 que os outros 10% incluem fol\u00edculos capilares, nervos e vasos sangu\u00edneos, conectados a todo o organismo.<\/p>\n<p>Criar todo esse conjunto em laborat\u00f3rio, com c\u00e9lulas diferentes capazes de interagir e funcionar como em um corpo normal \u00e9 um desafio gigante. E por isso mesmo exige apoio e parcerias com os mais diversos especialistas.<\/p>\n<p>O cabelo, sozinho, j\u00e1 tem uma estrutura extremamente complexa. Cada fol\u00edculo capilar tem dentro de si uma s\u00e9rie de c\u00e9lulas tronco e vive em um processo de degenera\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o constantes \u2013 e por isso, seu cabelo tanto cai quanto cresce.<\/p>\n<p>Introduzir vasos sangu\u00edneos na pele artificial tamb\u00e9m \u00e9 um desafio internacional. T\u00e9cnicas de impress\u00e3o 3D e manipula\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas-tronco t\u00eam sido tentadas ao redor do mundo \u2013 mas nenhum m\u00e9todo consistente e reproduz\u00edvel o suficiente apareceu, por enquanto.<\/p>\n<p>Mas um dos campos com maior avan\u00e7o atualmente \u00e9 a adi\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do sistema nervoso \u00e0 pele artificial. E tem gente fazendo esse trabalho aqui mesmo, no Brasil.<\/p>\n<p>Por aqui, os cientistas do Instituto D\u2019Or, que abriga o banco nacional de c\u00e9lulas-tronco, desenvolveram t\u00e9cnicas para induzir c\u00e9lulas de pele adultas a voltar ao seu estado de c\u00e9lulas-tronco. Essas c\u00e9lulas \u201cadapt\u00e1veis\u201d eram reprogramadas para neur\u00f4nios sensoriais perif\u00e9ricos, os respons\u00e1veis pela sensibilidade da sua pele.<\/p>\n<p>No corpo humano, esses neur\u00f4nios ficam muito pr\u00f3ximos \u00e0 jun\u00e7\u00e3o entre a epiderme e a derme. Desde mar\u00e7o, o IDOR e os pesquisadores da L\u2019Or\u00e9al t\u00eam tentando unir os neur\u00f4nios reprogramados e a pele reconstru\u00edda para ver se \u00e9 poss\u00edvel reproduzir a enerva\u00e7\u00e3o que ocorre na vida real.<\/p>\n<p>\u201cA pele demora de 17 a 21 dias para ficar pronta. O neur\u00f4nio 44 dias, mas j\u00e1 come\u00e7a a ficar funcional a partir do 33\u00ba dia. \u00c9 preciso combinar o tempo de matura\u00e7\u00e3o do neur\u00f4nio e o de diferencia\u00e7\u00e3o da epiderme\u201d, explica Rodrigo De Vecchi, pesquisador da L\u2019Or\u00e9al do Brasil e um dos coordenadores do programa.<\/p>\n<p>Tudo fica mais f\u00e1cil porque, gra\u00e7as \u00e0 parceria entre as institui\u00e7\u00f5es, os dois estudos ocorrem em salas vizinhas. \u201cA pele \u00e9 produzida dentro do pr\u00f3prio laborat\u00f3rio, basta abrir uma porta e juntar os projetos\u201d, explica Vanja Dakic, que tamb\u00e9m coordena o projeto de pele.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta, \u00e9 claro, fazer que os dois tipos de c\u00e9lula funcionem juntos. Seus mecanismos precisam representar o que c\u00e9lulas de um sistema nervoso fariam. Mas os resultados, at\u00e9 agora, s\u00e3o positivos. \u201cConseguimos ter uma resposta funcional do neur\u00f4nio. Se damos a ele uma subst\u00e2ncia que seria irritante, assim como a pimenta tem efeito irritante na l\u00edngua, por exemplo, ele responde como esperado\u201d, afirma Marilia Zaluar Passos, que coordena a parte neurosensorial do IDOR no projeto.<\/p>\n<p>Ou seja: em um corpo real, esse neur\u00f4nio iria dar um sinal para o c\u00e9rebro de que h\u00e1 um agente irritante ali. E o seu c\u00e9rebro produz a sensa\u00e7\u00e3o ardida. O neur\u00f4nio artificial n\u00e3o est\u00e1 conectado ao sistema nervoso, mas mesmo assim ele d\u00e1 o sinal, produzindo um neurotransmissor chamado de Subst\u00e2ncia P.<\/p>\n<p>\u201cTanto a pele quanto o neur\u00f4nio t\u00eam reprodutibilidade interessante separados e respondem bem a est\u00edmulos. O desafio agora \u00e9 fazer essa conex\u00e3o\u201d, conclui Steven Rehen, co-coordenador, junto \u00e0 professora Mar\u00edlia.<\/p>\n<p>A adi\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios ao modelo aumenta sua complexidade, torna-o mais parecido com a pele de verdade e permite n\u00e3o s\u00f3 uma quantidade maior de testes quanto mais precis\u00e3o em cada um deles. A capacidade de prever o efeito de uma subst\u00e2ncia na pele aumenta, junto com a possibilidade de medir a resposta inflamat\u00f3ria do corpo.<\/p>\n<p>\u201cObviamente ainda \u00e9 artificial, \u00e9 um proxy do que seria um organismo. Mas a pele j\u00e1 \u00e9 usada para fazer teste de sensibilidade. Ser\u00e1 que com os neur\u00f4nios eu vou tornar aquele tecido mais sens\u00edvel, como ocorre com a pele real?\u201d, pergunta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para os testes de cosm\u00e9ticos, isso significa resultados mais seguros quanto \u00e0 irrita\u00e7\u00e3o, alergia e inflama\u00e7\u00e3o da pele. Mas o valor cient\u00edfico dos experimentos \u00e9 muito maior: s\u00f3 o processo de jun\u00e7\u00e3o dos projetos j\u00e1 pode oferecer informa\u00e7\u00f5es preciosas sobre a forma\u00e7\u00e3o do nosso sistema nervoso e a sua coordena\u00e7\u00e3o com outros \u00f3rg\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a pele artificial se torna uma estrutura cada vez mais completa para o estudo de mazelas humanas \u2013 dos mecanismos por tr\u00e1s das alergias e problemas de pigmenta\u00e7\u00e3o da pele at\u00e9 a mol\u00e9stia mais inescap\u00e1vel: a de ficar velho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pele \u00e9 o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano \u2013 e tamb\u00e9m o mais imitado.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66440,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pele.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A pele \u00e9 o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano \u2013 e tamb\u00e9m o mais imitado.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66439"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66439\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}