{"id":66257,"date":"2017-05-24T13:00:55","date_gmt":"2017-05-24T16:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66257"},"modified":"2017-05-24T12:29:21","modified_gmt":"2017-05-24T15:29:21","slug":"pesquisa-define-estrategia-para-a-gestao-de-plantas-aquaticas-nos-reservatorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-define-estrategia-para-a-gestao-de-plantas-aquaticas-nos-reservatorios\/","title":{"rendered":"Pesquisa define estrat\u00e9gia para a gest\u00e3o de plantas aqu\u00e1ticas nos reservat\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/plantas_aquaticas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66258\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/plantas_aquaticas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/plantas_aquaticas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/plantas_aquaticas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A prolifera\u00e7\u00e3o excessiva de plantas aqu\u00e1ticas constitui um s\u00e9rio problema nos reservat\u00f3rios de \u00e1gua. Crescendo de forma desmedida, as plantas formam uma extensa barreira de biomassa, que prejudica in\u00fameros usos do reservat\u00f3rio, bem como bloqueia a luz solar e, quando em decomposi\u00e7\u00e3o, retira o oxig\u00eanio dissolvido do meio l\u00edquido, podendo levar \u00e0 morte de animais aqu\u00e1ticos. Epis\u00f3dios de crescimento intenso j\u00e1 foram reportados diversas vezes no Brasil.<\/p>\n<p>Marcelo Luiz Martins Pomp\u00eao, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), investigou o assunto e definiu estrat\u00e9gias para prevenir ou, no pior dos casos, remediar o problema.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados no livro <i>Monitoramento e manejo de macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas em reservat\u00f3rios tropicais brasileiros<\/i>. A obra est\u00e1 dispon\u00edvel em PDF e pode ser baixada gratuitamente por meio do link <b><a href=\"http:\/\/ecologia.ib.usp.br\/portal\/macrofitas\" target=\"_blank\">http:\/\/ecologia.ib.usp.br\/portal\/macrofitas<\/a><\/b>. A pesquisa teve apoio da FAPESP e da Sabesp, por meio do programa FAPESP de Pesquisa em Pol\u00edticas P\u00fablicas, e do CNPq.<\/p>\n<p>\u201cAs plantas aqu\u00e1ticas ainda s\u00e3o vistas de forma desfavor\u00e1vel por muitas pessoas. E o notici\u00e1rio n\u00e3o tem ajudado a esclarecer a popula\u00e7\u00e3o. De fato, o problema n\u00e3o s\u00e3o as macr\u00f3fitas, mas a m\u00e1 gest\u00e3o dos reservat\u00f3rios\u201d, disse Pomp\u00eao \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cSe est\u00e3o presentes na medida certa, as plantas aqu\u00e1ticas, flutuantes ou enraizadas, proporcionam maior diversidade de habitats, criando locais de ref\u00fagio para peixes e outros animais. Al\u00e9m disso, assimilam nutrientes que, de outra forma, ficariam presos nos sedimentos. E, pela excre\u00e7\u00e3o de compostos ou pela decomposi\u00e7\u00e3o, liberam esses nutrientes no meio aqu\u00e1tico, abastecendo os ecossistemas. O maior transtorno, decorrente da entrada de esgotos, surge quando os reservat\u00f3rios recebem grandes aportes de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo na \u00e1gua, levando \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o explosiva das macr\u00f3fitas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De modo geral, essa grande entrada de nutrientes \u00e9 quase sempre consequ\u00eancia da gest\u00e3o inadequada das \u00e1reas da bacia hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00e3o ocorre interven\u00e7\u00e3o humana adversa, a popula\u00e7\u00e3o de macr\u00f3fitas tende ao equil\u00edbrio, porque \u00e9 regulada pelos ciclos naturais, como chuvas, secas etc. Por\u00e9m, se h\u00e1 desmatamento em larga escala e crescimento urbano descontrolado, com despejo de esgotos industriais e dom\u00e9sticos nas imedia\u00e7\u00f5es dos reservat\u00f3rios ou na bacia hidrogr\u00e1fica, as consequ\u00eancias negativas tornam-se muito mais intensas e perniciosas decorrentes das grandes quantidades de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo que entram nos reservat\u00f3rios\u201d, disse Pomp\u00eao.<\/p>\n<p>\u201cQuando processos f\u00edsicos ou qu\u00edmicos liberam esses nutrientes para a coluna d\u2019\u00e1gua, torna-se dif\u00edcil conter o crescimento vegetal, seja das plantas aqu\u00e1ticas ou do fitopl\u00e2ncton, muitas vezes ocorrendo crescimentos explosivos. Estudos realizados em laborat\u00f3rio no Brasil mostraram que, em condi\u00e7\u00f5es de superabund\u00e2ncia de nutrientes, a biomassa de macr\u00f3fita chega a crescer 15% ao dia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Com essa taxa de crescimento, se o controle for negligenciado durante tr\u00eas semanas, o reservat\u00f3rio se transforma em um mar de plantas aqu\u00e1ticas, muito dif\u00edcil de ser erradicado. A superabund\u00e2ncia de nutrientes associa-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas de um pa\u00eds tropical, com insola\u00e7\u00e3o e temperaturas elevadas na maior parte do tempo, que fazem com que as plantas tenham quase sempre excelentes condi\u00e7\u00f5es para crescer.<\/p>\n<p>Quando as plantas morrem, os nutrientes absorvidos s\u00e3o devolvidos ao meio l\u00edquido, alimentando um c\u00edrculo vicioso. Al\u00e9m disso, durante a decomposi\u00e7\u00e3o, nas situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas, por\u00e7\u00f5es significativas da massa de \u00e1gua dos reservat\u00f3rios podem chegar ao n\u00edvel zero de oxig\u00eanio, levando \u00e0 morte de muitos outros organismos.<\/p>\n<p>Como estrat\u00e9gia preventiva, Pomp\u00eao prop\u00f5e em seu livro a cria\u00e7\u00e3o de centros respons\u00e1veis pelo monitoramento de conjuntos espec\u00edficos de reservat\u00f3rios na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, como, por exemplo, o complexo Billings-Guarapiranga (considerando que estes dois reservat\u00f3rios s\u00e3o muito interligados e que aquilo que acontece em um repercute no outro) e o sistema Cantareira com seus cinco reservat\u00f3rios interligados por canais e t\u00faneis.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, esses centros precisariam ter certa autonomia. Mas n\u00e3o necessitariam ter laborat\u00f3rios sofisticados. Laborat\u00f3rios simples, instalados em cada centro, possibilitariam resolver as quest\u00f5es menores e mais imediatas do monitoramento. Mas h\u00e1 necessidade de laborat\u00f3rios mais sofisticados, com equipamentos mais caros e que necessitam de pessoal especializado para sua opera\u00e7\u00e3o, que poderiam ter seu uso compartilhado por v\u00e1rios centros.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que esses centros n\u00e3o se destinariam apenas ao monitoramento de macr\u00f3fitas. Seria muito investimento para pouco aproveitamento. Minha sugest\u00e3o \u00e9 que, al\u00e9m de macr\u00f3fitas, monitorem tamb\u00e9m o zoopl\u00e2ncton, fitopl\u00e2ncton, peixes etc., e tanto a \u00e1gua quanto os sedimentos. E que, principalmente, estudem e compreendam quais s\u00e3o as ocupa\u00e7\u00f5es e usos dos espa\u00e7os circundantes na bacia hidrogr\u00e1fica, pois muitas das solu\u00e7\u00f5es para a manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de suas \u00e1guas t\u00eaem a solu\u00e7\u00e3o no entorno, fora do reservat\u00f3rio, como a coleta e o tratamento dos esgotos, os principais respons\u00e1veis pela entrada de grandes quantidades de nutrientes\u201d, disse.<\/p>\n<p>O pesquisador lembrou que um reservat\u00f3rio como o de Guarapiranga vem sendo explorado h\u00e1 cerca de 100 anos. \u201cSe, ao longo desse intervalo de tempo t\u00e3o prolongado, medidas adequadas de monitoramento e gest\u00e3o tivessem sido adotadas, o reservat\u00f3rio apresentaria hoje um perfil muito diferente, com outro padr\u00e3o de qualidade sendo oferecido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, osa custos operacionais seriam muito menores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Se o crescimento explosivo de macr\u00f3fitas n\u00e3o foi prevenido, como remediar a situa\u00e7\u00e3o? \u201cDo meu ponto de vista, a melhor maneira \u00e9 a retirada mec\u00e2nica das plantas do reservat\u00f3rio. Porque, se forem lan\u00e7ados produtos qu\u00edmicos na \u00e1gua, ou se for utilizada uma m\u00e1quina que triture as plantas e as deixe no local, elas morrer\u00e3o, entrar\u00e3o em decomposi\u00e7\u00e3o, e esse processo ir\u00e1 retirar ainda mais oxig\u00eanio do meio l\u00edquido. A retirada manual das plantas possibilita preservar o oxig\u00eanio e eliminar os brotos que gerariam novas plantas e os nutrientes que alimentariam as plantas vivas\u201d, disse Pomp\u00eao.<\/p>\n<p>Mas o pesquisador alerta que essa retirada n\u00e3o \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o simples. No Brasil, em alguns locais, j\u00e1 houve epis\u00f3dios em que foram retirados do reservat\u00f3rio mais de 200 caminh\u00f5es de plantas, de 5 metros c\u00fabicos cada um.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, a ideia de um programa de monitoramento e gest\u00e3o \u00e9 muito conveniente. Se h\u00e1 monitoramento sistem\u00e1tico, aos primeiros sinais de crescimento anormal, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel tomar medidas preventivas. A preven\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais barata do que a corre\u00e7\u00e3o a posteriori\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prolifera\u00e7\u00e3o excessiva de plantas aqu\u00e1ticas constitui um s\u00e9rio problema nos reservat\u00f3rios de \u00e1gua. 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