{"id":66172,"date":"2017-05-22T15:15:36","date_gmt":"2017-05-22T18:15:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66172"},"modified":"2017-05-22T15:15:36","modified_gmt":"2017-05-22T18:15:36","slug":"ricos-em-nutrientes-alimentos-que-vao-para-o-lixo-poderiam-salvar-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ricos-em-nutrientes-alimentos-que-vao-para-o-lixo-poderiam-salvar-vidas\/","title":{"rendered":"Ricos em nutrientes, alimentos que v\u00e3o para o lixo poderiam salvar vidas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/alimentos-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66173\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/alimentos-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/alimentos-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/alimentos-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos os anos, 30% da produ\u00e7\u00e3o anual de alimentos vai pelo ralo. Enquanto cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas passam fome, o consumidor final joga fora at\u00e9 115kg de comida, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). Em termos energ\u00e9ticos, somente nos Estados Unidos, tudo que \u00e9 dispensado equivale a 1.217 kcal por pessoa, ao dia. No Brasil, na fase de venda, o desperd\u00edcio corresponde a 22 bilh\u00f5es de calorias anualmente.<\/p>\n<div id=\"publicidadeinterna\"><\/div>\n<p>Falar em energia, por\u00e9m, pode n\u00e3o ser a melhor maneira de dimensionar esse problema. Foi o que pensou uma dupla de pesquisadoras do Centro por um Futuro Habit\u00e1vel da Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore (EUA). Para combater o desperd\u00edcio, elas decidiram pintar esse quadro com outras tintas.<\/p>\n<p>No lugar das perdas cal\u00f3ricas, calcularam o que se deixa de consumir do ponto de vista nutricional. Em um estudo publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, Marie L. Spiker e Roni A. Neff se debru\u00e7aram sobre diversas tabelas e calcularam o quanto de fibras, calorias, prote\u00ednas e minerais s\u00e3o dispensados apenas no fim da cadeia de produ\u00e7\u00e3o alimentar, que envolve a parte de venda e do consumo.<\/p>\n<p>\u201cQuisemos olhar para os nutrientes porque o que estamos jogando fora \u00e9 comida boa e saud\u00e1vel\u201d, explica Roni A. Neff, professora da Faculdade Bloomberg de Sa\u00fade Ambiental e Engenharia, que coordenou o estudo. \u201cQuando voc\u00ea olha para calorias, as pessoas n\u00e3o necessariamente t\u00eam essa dimens\u00e3o, porque os alimentos mais importantes em termos nutricionais s\u00e3o relativamente pouco cal\u00f3ricos. Justamente os alimentos que mais precisamos consumir s\u00e3o aqueles indo para o lixo\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>No estudo, as pesquisadoras calcularam o valor nutricional do desperd\u00edcio alimentar no fim da cadeia de 2.143 commodities em 2012, usando dados do Departamento de Agricultura dos EUA. Elas se concentraram em 27 nutrientes e descobriram que o total de comida jogada no lixo pelos norte-americanos naquele ano continha 1.217 calorias, 33g de prote\u00edna, 5,9g de fibra diet\u00e9tica, 1,7 microgramas de vitamina D, 286mg de c\u00e1lcio e 800mg de pot\u00e1ssio \u2014 os dados s\u00e3o por pessoa, por dia.<\/p>\n<p>\u201cO que descobrimos foi que os alimentos jogados fora cont\u00eam os nutrientes que, particularmente, ingerimos pouco. Por exemplo, por dia, o desperd\u00edcio de fibra alimentar \u00e9 de 6g. A ingest\u00e3o recomendada para uma mulher adulta \u00e9 25g. Por ano, estamos perdendo 1,8 bilh\u00e3o de gramas de fibras, o que \u00e9 compar\u00e1vel ao total recomendado para 73,6 milh\u00f5es de mulheres\u201d, diz a pesquisadora Marie L. Spiker, principal autora do artigo. Nos Estados Unidos, esse \u00e9 um dos nutrientes consumidos em quantidade menor do que o necess\u00e1rio para manter a sa\u00fade digestiva. \u201cAs americanas ingeriram 8,9g de fibra por dia em 2012. Naquele ano, o que foi para o lixo preencheria o gap nutricional de 206,6 milh\u00f5es de mulheres.\u201d<\/p>\n<h3><strong>\u201cOlho grande\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>De acordo com as autoras, muitos fatores contribuem para que a comida v\u00e1 para o lixo, tanto no n\u00edvel das vendas quanto do consumidor final, incluindo a dispensa de alimentos devido aos padr\u00f5es est\u00e9ticos e \u00e0s por\u00e7\u00f5es muito grandes e a forma de armazenamento de perec\u00edveis. A microempres\u00e1ria Ros\u00e2ngela Paulino abriu um pequeno restaurante em Ceil\u00e2ndia, que serve pratos feitos e marmitas, principalmente para trabalhadores das oficinas pr\u00f3ximas e do condom\u00ednio onde mora. Ela conta que, h\u00e1 at\u00e9 tr\u00eas meses, jogava fora, todos os dias, tr\u00eas sacolas de alimentos largados no prato pelos clientes. N\u00e3o que a comida seja ruim. Pelo contr\u00e1rio, o tempero de Ros\u00e2ngela \u00e9 muito apreciado pelos consumidores. O problema era o \u201colho grande\u201d, maior do que a fome, da clientela.<\/p>\n<p>\u201cComo j\u00e1 conhe\u00e7o quase todos que almo\u00e7am aqui, eu sei mais ou menos quanto cada um come e preparo os pratos feitos com mais ou menos comida. Se a pessoa come e ainda fica com fome, coloco mais\u201d, diz. Outra forma de evitar que a comida v\u00e1 para o lixo foi a cria\u00e7\u00e3o de um grupo no WhatsApp. Ros\u00e2ngela pergunta, todas as noites, quem vai querer marmita, pois as vendas variam muito \u2014 alguns dias saem apenas 14; em outros, passam de 60. Com os pedidos na m\u00e3o, ela cozinha apenas o suficiente, sem margem para desperd\u00edcio. \u201cDe uns 90 dias para c\u00e1, notei que o desperd\u00edcio diminuiu bastante\u201d, diz. Ainda assim, sempre h\u00e1 alguma sobra. Mas o que resta n\u00e3o vai para a lixeira. Ela separa carnes, cascas de verdura, arroz e envia tudo para o primo, que tem uma cria\u00e7\u00e3o de porcos e frangos.<\/p>\n<h3><strong>Por\u00e7\u00f5es dimensionadas<\/strong><\/h3>\n<p>A professora de ioga Deborah Rosa aprendeu na pr\u00e1tica a lidar com o desperd\u00edcio. Antes de se casar e de se mudar de Jo\u00e3o Pessoa para Bras\u00edlia, quando cozinhava, preparava comida para a fam\u00edlia de quatro pessoas. Por isso, estava acostumada a lidar com quantidades maiores. \u201cDepois que vim para c\u00e1, comecei a cozinhar s\u00f3 para mim, porque meu marido almo\u00e7a fora de casa\u201d, diz. No in\u00edcio, ela jogou muita coisa fora. Por\u00e9m, com o tempo, aprendeu a dimensionar as por\u00e7\u00f5es. \u201cAl\u00e9m disso, eu congelo as coisas, at\u00e9 sopa\u201d, conta. Agora, nada mais vai para o lixo.<br \/>\n\u201cEsse estudo nos oferece novas maneiras de apreciar o valor da comida jogada fora\u201d, acredita Roni Neff. \u201cEnquanto nem toda comida dispensada poderia ser recuperada, o trabalho nos lembra que estamos jogando pelo ralo uma grande quantidade de alimento de alta qualidade, os quais poder\u00edamos estar desfrutando. Temos de ter em mente que, enquanto os esfor\u00e7os para reciclar o alimento desperdi\u00e7ado s\u00e3o valorosos, eles, todavia, n\u00e3o se adere\u00e7am ao cora\u00e7\u00e3o nem do problema da inseguran\u00e7a alimentar nem do desperd\u00edcio. Precisamos de estrat\u00e9gias focadas nesses desafios em m\u00faltiplos n\u00edveis\u201d, acredita.<\/p>\n<h3><strong>Duas perguntas para\u00a0<\/strong><strong>Glaucia Rodrigues Medeiros<\/strong><\/h3>\n<p>Nutricionista da cl\u00ednica Funcional e vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Nutri\u00e7\u00e3o do DF (ANDF)<\/p>\n<p><strong>De forma geral, por que as pessoas desperdi\u00e7am tanta comida?<\/strong><br \/>\nO desperd\u00edcio de alimentos tornou-se um h\u00e1bito, um triste h\u00e1bito, considerando as milhares de pessoas que passam fome no mundo. Falta ensinamento de base e conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Rotinas simples, como colocar no prato somente aquilo que efetivamente vai consumir, j\u00e1 traria uma redu\u00e7\u00e3o enorme no desperd\u00edcio de alimentos. Muitos movimentos maravilhosos est\u00e3o sendo realizados em prol da redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio, mas ainda \u00e9 preciso muito trabalho para que sejam mais efetivas as a\u00e7\u00f5es. Em nossa sociedade, existe uma import\u00e2ncia muito grande em tornar a redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos uma rotina. Podemos ensinar desde cedo a crian\u00e7a a n\u00e3o desperdi\u00e7ar alimentos, seja no preparo, seja no momento do consumo. \u00c9 um caminho de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Muita gente acha que legumes, verduras e frutas \u201cmachucados\u201d devem ir para o lixo. Esses<br \/>\nalimentos t\u00eam valor nutricional preservado? \u00c9 poss\u00edvel aproveit\u00e1-los?\u00a0<\/strong><br \/>\nO alimento s\u00f3 est\u00e1 efetivamente impr\u00f3prio para consumo se estiver estragado. N\u00e3o feio. Aproveitamos, inclusive, a parte \u201cfeinha\u201d! Podemos picar, retirar o que est\u00e1 amassadinho e aproveitar a parte do alimento pr\u00f3pria para consumo. O valor nutricional do alimento feio \u00e9 o mesmo do bonito. Basta saber separar as partes que efetivamente n\u00e3o est\u00e3o estragadas. Imagina deixar de comer uma banana porque a parte da casca est\u00e1 mais madura&#8230; Detalhe, a parte estragada ainda pode servir como adubo (fazer compostagem) para nutrir a terra e as planta\u00e7\u00f5es. Um adubo, por sinal, muito eficaz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, 30% da produ\u00e7\u00e3o anual de alimentos vai pelo ralo. 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