{"id":66161,"date":"2017-05-22T13:00:46","date_gmt":"2017-05-22T16:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=66161"},"modified":"2017-05-22T09:08:58","modified_gmt":"2017-05-22T12:08:58","slug":"mancha-branca-ja-dizimou-viveiros-de-camarao-do-ceara-e-do-rio-grande-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mancha-branca-ja-dizimou-viveiros-de-camarao-do-ceara-e-do-rio-grande-do-norte\/","title":{"rendered":"Mancha Branca j\u00e1 dizimou viveiros de camar\u00e3o do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-66162\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A tempestade que chegou ao litoral do Nordeste no ano passado n\u00e3o trouxe ventanias, raios, trov\u00f5es. Ela veio silenciosa e mortal. A mancha branca \u00e9 a doen\u00e7a mais devastadora do cultivo de camar\u00f5es no mundo. Em um dia acaba com o viveiro todo.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a que em poucos meses, a partir de maio do ano passado, quase arrasou as cria\u00e7\u00f5es do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ceara\">Cear\u00e1<\/a> demorou mais de vinte anos pra chegar at\u00e9 aqui. E viajou muito milhares de quil\u00f4metros desde o outro lado do mundo, no extremo oriente. Ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre como a mancha branca acabou se espalhando. Existem algumas hip\u00f3teses, como o pr\u00f3prio com\u00e9rcio internacional de camar\u00f5es, esse produto t\u00e3o procurado e os ciclos migrat\u00f3rios de certas aves, que coincidem com avan\u00e7os da doen\u00e7a. Ela tamb\u00e9m pode ter viajado na \u00e1gua do mar usada como lastro, dentro de navios.<\/p>\n<p>O caminho at\u00e9 aqui, desde a descoberta da doen\u00e7a, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, \u00e9 conhecido: da China e do Jap\u00e3o, ela cruzou o Pac\u00edfico at\u00e9 os Estados Unidos. Desceu pela Am\u00e9rica Central e atingiu o Equador, pais que \u00e9 grande produtor. Ela come\u00e7ou a ser registrada no Brasil em 2004, a partir de Santa Catarina e foi subindo rumo ao Nordeste. Em 2014, chegou ao <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/rio-grande-do-norte\">Rio Grande do Norte<\/a>. Em 2016, ao Cear\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Consumo de camar\u00f5es infectados \u00e9 seguro<\/strong><br \/>\nO v\u00edrus que causa a doen\u00e7a se espalha com grande facilidade, dizem os especialistas da Universidade Federal do Cear\u00e1, em Fortaleza. H\u00e1 dezenas de animais transmissores, como siris e caranguejos, que n\u00e3o adoecem. Detalhe importante: o consumo de camar\u00f5es, mesmo infectados, \u00e9 seguro.<\/p>\n<p>&#8220;Esse v\u00edrus n\u00e3o causa nenhum problema para a sa\u00fade humana, \u00e9 exclusivo de invertebrados e causa doen\u00e7a somente no camar\u00e3o&#8221;, diz Rubens Galdino Feij\u00f3, engenheiro de pesca e pesquisador da UFC.<\/p>\n<p>O v\u00edrus ataca e destr\u00f3i c\u00e9lulas de \u00f3rg\u00e3os do sistemas digestivo e respirat\u00f3rio dos camar\u00f5es, debilita os animais e abre caminho para outras infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias que levam \u00e0 morte. N\u00e3o existe cura nem vacina poss\u00edvel. O sistema imunol\u00f3gico do camar\u00e3o \u00e9 diferente do nosso. O que se busca \u00e9 o controle.<\/p>\n<p><strong>No campo, mancha verde \u00e9 arrasadora<\/strong><br \/>\nO &#8220;Globo Rural&#8221; foi ver a situa\u00e7\u00e3o no campo. Come\u00e7amos por Paraipaba, a quase 100km a oeste de Fortaleza. Viemos ao encontro do seu Cristiano. Um dos maiores produtores do Brasil, Cristiano Maia, conta que a chegada da mancha branca foi arrasadora.<\/p>\n<p>&#8220;Uma tristeza. Eu ficava aqui na fazenda vendo morrer tudo em dois dias. No primeiro dia eu perdi 100 mil quilos. E no segundo dia mais de 50 mil quilos&#8221;, conta ele.<\/p>\n<p>H\u00e1 menos de um ano, cada um dos tanques que tem de 3 e meio a quatro hectares, produzia, a cada 90 dias, 10 toneladas de camar\u00e3o. Hoje, s\u00e3o apenas duas toneladas. E isso porque foi aplicada a primeira t\u00e9cnica que se encontrou para tentar conviver com a doen\u00e7a e a diminui\u00e7\u00e3o da densidade da cria\u00e7\u00e3o. Com mais espa\u00e7o e menos competi\u00e7\u00e3o, os camar\u00f5es t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de sobreviver. E t\u00eam sobrevivido, mesmo com a presen\u00e7a inevit\u00e1vel do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Mas a produ\u00e7\u00e3o, bem menor, acabou com o lucro.\u00a0 Mesmo com os pre\u00e7os tendo triplicado por causa da falta de oferta no mercado. Al\u00e9m de melhorias na \u00e1gua, no solo, na ra\u00e7\u00e3o, a grande aposta para voltar aos bons tempos \u00e9 na gen\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Estudo gen\u00e9tico pode ser solu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEm Touros, no Rio Grande do Norte, este laborat\u00f3rio produz larvas de camar\u00e3o. S\u00e3o selecionados animais que mostram resist\u00eancia nos viveiros. A ideia \u00e9 melhorar as matrizes. Os camar\u00f5es maiores, de at\u00e9 50 gramas, s\u00e3o mantidos em ambiente ideal para a reprodu\u00e7\u00e3o, \u00e0 meia-luz.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 em n\u00edvel molecular, de DNA. E envolve profissionais brasileiros e de pa\u00edses por onde a mancha j\u00e1 passou.\u00a0 &#8220;O problema \u00e9 que o animal n\u00e3o manifesta a doen\u00e7a, mas tem o v\u00edrus. Ent\u00e3o essas t\u00e9cnicas moleculares s\u00e3o utilizadas pra que n\u00f3s consigamos detectar o v\u00edrus sem necessariamente o animal ter manifestado a doen\u00e7a&#8221;, diz o bi\u00f3logo Daniel lanza.<\/p>\n<p>Se o v\u00edrus \u00e9 detectado, o animal n\u00e3o serve como reprodutor. Aqueles livres de v\u00edrus v\u00e3o gerar novas gera\u00e7\u00f5es de larvas, menos suscet\u00edveis a ele.<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cnica de recria auxilia produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO munic\u00edpio de Jaguaruana, regi\u00e3o do baixo Rio Jaguaribe, \u00e9 um polo importante na produ\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es, no Cear\u00e1. O mar est\u00e1 a mais de 50 km de dist\u00e2ncia em linha reta. Aqui se produz em \u00e1gua doce, ou salobra, onde a mancha branca tamb\u00e9m chegou. E chegou pra valer: derrubou a produ\u00e7\u00e3o em at\u00e9 90%. Os grandes e os pequenos produtores, que na verdade s\u00e3o a maioria em propriedadede trabalho familiar, t\u00eam buscado alternativas para conseguir se manter no neg\u00f3cio e n\u00e3o sair da atividade.<\/p>\n<p>Seu Wellington e a filha dele, Lara, que se formou t\u00e9cnica de aquicultura para ajudar o pai, come\u00e7aram a cria\u00e7\u00e3o h\u00e1 quatro anos. E estava indo tudo muito bem. O susto foi grande, j\u00e1 que a mancha branca fez a produ\u00e7\u00e3o cair de 5 para 1 tonelada.<\/p>\n<p>Eles construiram uma raceway, ou uma recria constru\u00e7\u00e3o para os camar\u00f5es crescerem um pouco mais. &#8220;Isso vai fazer o camar\u00e3o, as larvas ficarem mais resistentes. Crescem mais r\u00e1pido. E no final consegue uma produ\u00e7\u00e3o com menos dias. Consegue mais cultivos por ano&#8221;, explica a t\u00e9cnica Lara Rebou\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tempestade que chegou ao litoral do Nordeste no ano passado n\u00e3o trouxe ventanias, raios,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66162,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/camarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A tempestade que chegou ao litoral do Nordeste no ano passado n\u00e3o trouxe ventanias, raios,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66161"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66161\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}