{"id":65735,"date":"2017-05-15T13:00:34","date_gmt":"2017-05-15T16:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65735"},"modified":"2017-05-15T13:00:37","modified_gmt":"2017-05-15T16:00:37","slug":"como-o-derretimento-de-geleiras-esta-levando-ao-ressurgimento-de-doencas-adormecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-derretimento-de-geleiras-esta-levando-ao-ressurgimento-de-doencas-adormecidas\/","title":{"rendered":"Como o derretimento de geleiras est\u00e1 levando ao ressurgimento de doen\u00e7as &#8216;adormecidas&#8217;"},"content":{"rendered":"<div id=\"widgetNotify\" class=\"widgetNotify\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-derretimento-de-geleiras-esta-levando-ao-ressurgimento-de-doencas-adormecidas\/geleira-12\/\" rel=\"attachment wp-att-65736\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65736\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem trazer de volta \u00e0 vida antigos v\u00edrus e bact\u00e9rias que j\u00e1 n\u00e3o existiam mais<\/p>\n<\/div>\n<section id=\"conteudo\" class=\"has-submenu\">\n<div class=\"centraliza\">\n<section>\n<article id=\"conteudo-principal\" class=\"canal-media rod news\">\n<div id=\"texto\">\n<p>Seres humanos, bact\u00e9rias e v\u00edrus t\u00eam coexistido ao longo da hist\u00f3ria. Da peste bub\u00f4nica \u00e0 var\u00edola, n\u00f3s evolu\u00edmos para resistir a eles, e em resposta eles desenvolveram novas maneiras de nos infectar.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz mais de um s\u00e9culo que temos os antibi\u00f3ticos, desde que Alexander Fleming descobriu a penicilina. Mas as bact\u00e9rias n\u00e3o deixaram por menos: elas responderam evoluindo sua resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos. A batalha parece sem fim: n\u00f3s passamos tanto tempo com pat\u00f3genos, que \u00e0s vezes desenvolvemos um tipo de impasse natural.<\/p>\n<p>No entanto, o que aconteceria se n\u00f3s, de repente, fic\u00e1ssemos expostos a bact\u00e9rias e v\u00edrus mortais que ficaram ausentes por milhares de anos &#8211; ou ent\u00e3o que nunca vimos antes?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que estejamos perto de descobrir que aconteceria. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o derretendo o solo da regi\u00e3o do \u00e1rtico que existiram ali por milhares de anos e, conforme o solo derrete, ele vai liberando antigos v\u00edrus e bact\u00e9rias que, depois de ficarem tanto tempo &#8220;dormentes&#8221;, voltam \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Em agosto de 2016, em uma regi\u00e3o remota da tundra da Sib\u00e9ria chamada Pen\u00ednsula Iamal no C\u00edrculo \u00c1rtico, um garoto de 12 anos morreu e pelo menos 20 pessoas foram hospitalizadas ap\u00f3s terem sido infectadas por antraz.<\/p>\n<p>A teoria \u00e9 que, h\u00e1 mais de 75 anos, uma rena infectada com antraz morreu e sua carca\u00e7a congelada ficou presa sob uma camada de solo tamb\u00e9m congelado, chamado de permafrost. L\u00e1 ela ficou at\u00e9 a onda de calor que invadiu a regi\u00e3o no ver\u00e3o de 2016 &#8211; e derreteu o permafrost.<\/p>\n<p>Isso exp\u00f4s a carca\u00e7a da rena infectada e liberou o v\u00edrus para a \u00e1gua e para o solo do local &#8211; e, consequentemente, para os alimentos que as pessoas que viviam l\u00e1 comiam. Mais de 2 mil renas nasceram infectadas ali, e houve um n\u00famero menor de casos em humanos.<\/p>\n<p>O medo agora \u00e9 que esse n\u00e3o tenha sido um caso isolado.<\/p>\n<p>Conforme a Terra vai aquecendo, mais camadas do permafrost v\u00e3o derretendo. Sob circunst\u00e2ncias normais, cerca de 50cm das camadas de permafrost mais superficiais derretem no ver\u00e3o. Mas com o aquecimento global, camadas mais profundas e antigas t\u00eam derretido tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O permafrost congelado \u00e9 o lugar perfeito para as bact\u00e9rias se manterem vivas por um longo per\u00edodo de tempo, talvez at\u00e9 um milh\u00e3o de anos. Isso significa que o derretimento das geleiras pode abrir a caixa de pandora das doen\u00e7as.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Eric Baccega\/Nature PL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/38\/2017\/05\/15\/so-para-bbc---renas-migrando-na-regiao-da-siberia-1494853657499_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Renas migrando na regi\u00e3o da Sib\u00e9ria<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>A temperatura no C\u00edrculo \u00c1rtico est\u00e1 aumentando rapidamente, cerca de 3 vezes mais r\u00e1pido do que no resto do mundo. Conforme o permafrost derrete, outros agentes infecciosos podem ser liberados.<\/p>\n<p>&#8220;O permafrost \u00e9 um bom lugar para preservar micr\u00f3bios e v\u00edrus, porque ele \u00e9 frio, n\u00e3o tem oxig\u00eanio e \u00e9 escuro&#8221;, explica o bi\u00f3logo evolucionista Jean-Michel Claverie da Universidade Aix-Marseille, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00edrus patog\u00eanicos que podem infectar humanos ou animais podem ser preservados em camadas antigas de permafrost, inclusive alguns que podem ter causado epidemias globais no passado.&#8221;<\/p>\n<p>S\u00f3 no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, mais de um milh\u00e3o de renas morreram por causa de infec\u00e7\u00e3o por antraz. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil cavar tumbas muito profundas, ent\u00e3o a maioria das carca\u00e7as dos animais s\u00e3o enterrados perto da superf\u00edcie, espalhados pelos 7 mil cemit\u00e9rios no norte da R\u00fassia.<\/p>\n<p>No entanto, o maior medo \u00e9 o que mais pode estar escondido sob o solo congelado.<\/p>\n<p>Pessoas e animais t\u00eam sido enterrados em permafrost por s\u00e9culos, ent\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel dizer que outros agentes patog\u00eanicos e doen\u00e7as infecciosas podem ser desencadeados se o derretimento do solo continuar. Por exemplo, cientistas descobriram fragmentos de RNA da gripe espanhola de 1918 em corpos enterrados em valas comuns na tundra do Alasca. A var\u00edola e a peste bulb\u00f4nica tamb\u00e9m podem estar enterradas na Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p>Em um estudo em 2011, Boris Revich e Marina Podolnaya escreveram: &#8220;Como consequ\u00eancia do derretimento do permafrost, vetores de doen\u00e7as infecciosas mortais dos s\u00e9culos 18 e 19 podem voltar, especialmente pr\u00f3ximo aos cemit\u00e9rios onde as v\u00edtimas dessas infec\u00e7\u00f5es foram enterradas.&#8221;<\/p>\n<p>Por exemplo, na d\u00e9cada de 1890, houve uma epidemia grande de var\u00edola na Sib\u00e9ria. Uma cidade perdeu praticamente 40% de sua popula\u00e7\u00e3o. Seus corpos foram enterrados sob o permafrost nas margens do rio Kolyma. Cerca de 120 anos depois, a enchente do rio come\u00e7ou a erodir as margens e o derretimento do permafrost acelerou o processo de eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um projeto que come\u00e7ou nos anos 1990, cientistas do Centro Estadual de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia em Novosibirsk analisaram os restos de pessoas da Idade da Pedra que foram encontrados no sul da Sib\u00e9ria, na regi\u00e3o de Gorny Altai. Eles tamb\u00e9m testaram amostras de cad\u00e1veres de homens que haviam morrido durante epidemias virais no s\u00e9culo 19 e foram enterrados no permafrost russo.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Wild Wonders Of EU<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/ca\/2017\/05\/15\/so-para-bbc---reportagem-da-bbc-1494853656268_615x300.jpg\" width=\"638\" height=\"311\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores dizem que eles encontraram corpos com feridas caracter\u00edsticas das marcas deixadas pela var\u00edola. Eles n\u00e3o chegaram a encontrar o v\u00edrus da var\u00edola em si, mas detectaram fragmentos de seu DNA.<\/p>\n<p>Certamente n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que uma bact\u00e9ria congelada voltou \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Em um estudo de 2005, cientistas da Nasa ressuscitaram com sucesso bact\u00e9rias que haviam ficado &#8220;guardadas&#8221; em um lago congelado no Alasca por 32 mil anos. Os micr\u00f3bios, chamados Carnobacterium pleistocenium, estavam congelados desde o per\u00edodo Pleistoceno, quando mamutes lanosos ainda vagavam pela Terra. Quando o gelo derretia, eles come\u00e7avam a nadar ao redor, sem parecer afetados.<\/p>\n<p>Dois anos depois, cientistas conseguiram ressuscitar bact\u00e9rias de 8 milh\u00f5es de anos que havia ficado adormecidas no gelo, sob a superf\u00edcie glacial nos vales Beacon e Mullins na Ant\u00e1rtica. No mesmo estudo, bact\u00e9rias de 100 mil anos foram ressuscitadas.<\/p>\n<p>No entanto, nem todas as bact\u00e9rias podem voltar \u00e0 vida depois de terem sido congeladas em permafrost. A bact\u00e9ria do antraz consegue porque ela t\u00eam esporos, que s\u00e3o muito resistentes e podem sobreviver por mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Outra bact\u00e9ria que pode formar esporos e, consequentemente, sobreviver no permafrost, \u00e9 a do t\u00e9tano e a Clostridium botulinum, respons\u00e1vel pelo botulismo &#8211; uma doen\u00e7a rara que pode causar paralisia e at\u00e9 mesmo se tornar fatal. Alguns fungos e v\u00edrus tamb\u00e9m podem sobreviver nesse time de ambiente por mais tempo.<\/p>\n<p>Em um estudo de 2014, uma equipe conseguiu ressuscitar dois v\u00edrus que estavam no permafrost da Sib\u00e9ria por 30 mil anos. Conhecidos como Pithovirus sibericum and Mollivirus sibericum, eles s\u00e3o dois v\u00edrus gigantes, porque ao contr\u00e1rio da maioria dos outros, eles conseguem ser vistos sem microsc\u00f3pios. Eles foram encontrados a 30 metros de profundidade na tundra costal.<\/p>\n<p>Uma vez &#8220;vivos&#8221; de novo, esses v\u00edrus se tornaram rapidamente infecciosos. Para a nossa sorte, esses v\u00edrus em particular somente infectam seres monocelulares, como amebas. No entanto, o mesmo estudo sugere que outros v\u00edrus &#8211; que podem infectar humanos &#8211; podem ser ressuscitados da mesma forma.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o aquecimento global que pode derreter diretamente o permafrost para termos uma amea\u00e7a. Isso porque o gelo do Mar \u00c1rtico est\u00e1 derretendo, ent\u00e3o a costa norte da Sib\u00e9ria se tornou mais acess\u00edvel pelo oceano. Como resultado disso, a explora\u00e7\u00e3o industrial, incluindo a explora\u00e7\u00e3o de minas por ouro e minerais, e a pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural est\u00e3o se tornando agora mais lucrativas.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Cultura RM\/Alamy<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/79\/2017\/05\/15\/so-para-bbc---os-esporos-do-antraz-podem-sobreviver-por-muito-tempo-1494853655009_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Os esporos do antraz podem sobreviver por muito tempo<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Neste momento, essas regi\u00f5es est\u00e3o desertas e as camadas mais profundas de permafrost s\u00e3o deixadas em paz&#8221;, explicou Claverie. &#8220;No entanto, essas camadas mais antigas podem ser expostas por escava\u00e7\u00f5es de minas ou por perfura\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo. Se v\u00edrus ou bact\u00e9rias ainda estiverem l\u00e1, isso poderia abrir as portas para um desastre.&#8221;<\/p>\n<p>V\u00edrus gigantes podem ser os principais culpados por uma grande epidemia.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria dos v\u00edrus s\u00e3o rapidamente desativados fora de c\u00e9lulas hospedeiras por conta da luz, desseca\u00e7\u00e3o ou degrada\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica espont\u00e2nea&#8221;, diz Claverie. &#8220;Por exemplo: se o DNA dele sofre danos imposs\u00edveis de serem reparados, o v\u00edrus n\u00e3o ser\u00e1 mais infeccioso. No entanto, entre os v\u00edrus conhecidos, o v\u00edrus gigante tende a ser mais resistente e quase imposs\u00edvel de quebrar.&#8221;<\/p>\n<p>Claverie afirma que v\u00edrus dos primeiros humanos a habitarem o \u00c1rtico podem ressurgir. Poder\u00edamos at\u00e9 mesmo ver v\u00edrus de esp\u00e9cies humanas h\u00e1 muito tempo extintas, como o Neanderthal e Denisovan, que se estabeleceram na Sib\u00e9ria e foram infectados com v\u00e1rias doen\u00e7as virais. Restos do homem de Neanderthal de 30-40 mil anos atr\u00e1s foram encontrados na R\u00fassia. Popula\u00e7\u00f5es humanas viveram ali por milhares de anos &#8211; adoeceram ali e morreram ali.<\/p>\n<p>&#8220;A possibilidade de n\u00f3s pegarmos um v\u00edrus de um Neanderthal h\u00e1 muito tempo extinto sugere que a ideia de que um v\u00edrus pode ser erradicado do planeta \u00e9 errada, e nos d\u00e1 um falso senso de seguran\u00e7a&#8221;, pontua Claverie. &#8220;E \u00e9 por isso que dever\u00edamos manter estoques de vacina, para caso voltemos a precisar delas um dia.&#8221;<\/p>\n<p>Desde 2014, Claverie analisa os DNAs de camadas de permafrost, buscando caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas de v\u00edrus e bact\u00e9rias que poderiam infectar humanos. Ele encontrou evid\u00eancias de muitas bact\u00e9rias que provavelmente s\u00e3o perigosas para humanos. As bact\u00e9rias t\u00eam um DNA que codifica fatores de virul\u00eancia: mol\u00e9culas que produzem bact\u00e9rias e v\u00edrus patog\u00eanicos, o que aumenta sua capacidade de infectar um hospedeiro.<\/p>\n<p>A equipe de Claverie tamb\u00e9m encontrou algumas sequ\u00eancias de DNA que pareciam vir de v\u00edrus, inclusive da herpes. No entanto, eles ainda n\u00e3o encontraram nenhum tra\u00e7o de var\u00edola. Por raz\u00f5es \u00f3bvias, eles n\u00e3o tentaram reavivar nenhum dos pat\u00f3genos.<\/p>\n<h3>Al\u00e9m do solo do \u00c1rtico<\/h3>\n<p>Os pat\u00f3genos que foram isolados dos humanos por muito tempo podem voltar n\u00e3o apenas pelo gelo ou pelo permafrost &#8211; cientistas da Nasa descobriram em fevereiro deste ano micr\u00f3bios de 10-50 mil anos atr\u00e1s dentro de cristais em uma mina do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A bact\u00e9ria foi encontrada na Caverna dos Cristais, parte de uma mina em Naica, no norte do M\u00e9xico. L\u00e1, h\u00e1 v\u00e1rios cristais brancos do mineral selenito, que foram formados ao longo de centenas e milhares de anos.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Colin Harris\/Era Images\/Alamy<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/1f\/2017\/05\/15\/so-para-bbc---bacterias-dormentes-foram-encontradas-em-geleiras-antarticas-1494853653696_615x300.jpg\" width=\"636\" height=\"310\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Bact\u00e9rias dormentes foram encontradas em geleiras ant\u00e1rticas<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>A bact\u00e9ria ficou presa dentro de pequenos bolsos de fluidos dentro dos cristais, mas uma vez que eles foram removidos, ela reviveu e come\u00e7ou a se multiplicar. Os micr\u00f3bios s\u00e3o geneticamente \u00fanicos e podem ser novas esp\u00e9cies, mas os pesquisadores ainda v\u00e3o divulgar um estudo completo sobre eles.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo bact\u00e9rias mais velhas foram encontradas na Caverna Lechuguilla, no Novo M\u00e9xico, a 300 metros sob o solo. Esses micr\u00f3bios n\u00e3o tinham visto a superf\u00edcie nos \u00faltimos 4 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A caverna nunca v\u00ea a luz do dia, e \u00e9 t\u00e3o isolada que leva cerca de 10 mil anos para a \u00e1gua da superf\u00edcie entrar na caverna.<\/p>\n<p>Apesar disso, a bact\u00e9ria de alguma forma se tornou resistente aos 18 tipos de antibi\u00f3ticos, incluindo rem\u00e9dios considerados o &#8220;\u00faltimo recurso&#8221; para combater infec\u00e7\u00f5es . Em um estudo publicado em dezembro do ano passado, pesquisadores descobriram que a bact\u00e9ria, conhecida como Paenibacillus sp. LC231, era resistente a 70% dos antibi\u00f3ticos e conseguia desativar boa parte deles.<\/p>\n<p>Conforme as bact\u00e9rias ficaram completamente isoladas na caverna por quatro milh\u00f5es de anos, elas n\u00e3o tiveram contato com as pessoas ou com antibi\u00f3ticos usados para tratar as infec\u00e7\u00f5es humanas. O que significa que sua resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos deve ter surgido de outra forma.<\/p>\n<p>Os cientistas envolvidos acreditam que a bact\u00e9ria, que n\u00e3o prejudica os seres humanos, \u00e9 um dos muitos que naturalmente evolu\u00edram e criaram a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos. Isso sugere que a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos tem existido h\u00e1 milh\u00f5es e at\u00e9 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Obviamente, uma resist\u00eancia a antibi\u00f3tico t\u00e3o antiga n\u00e3o pode ter se desenvolvido como resultado do uso de um antibi\u00f3tico.<\/p>\n<p>O motivo para isso \u00e9 que muitos tipos de fungos, ou at\u00e9 de outras bact\u00e9rias, produzem naturalmente antibi\u00f3ticos para ganhar vantagem competitiva com outros micr\u00f3bios. Foi assim que Fleming descobriu a penicilina: bact\u00e9rias em uma placa de Petri morreram depois de uma terem sido contaminadas com uma excre\u00e7\u00e3o de mofo.<\/p>\n<p>Em cavernas, onde h\u00e1 pouca comida, organismos precisam ser implac\u00e1veis para sobreviver. Bact\u00e9rias como a Paenibacillus podem ter precisado desenvolver resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos para evitarem ser mortas por organismos rivais.<\/p>\n<p>Isso explicaria por que essas bact\u00e9rias s\u00e3o resistentes apenas a antibi\u00f3ticos naturais, que v\u00eam de outras bact\u00e9rias ou fungos, e comp\u00f5em cerca de 99,9% de todos os antibi\u00f3ticos que usamos. Essas bact\u00e9rias nunca encontraram antibi\u00f3ticos criados pelo homem, ent\u00e3o n\u00e3o t\u00eam resist\u00eancia a eles.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso trabalho, e o trabalho de outros, sugere que a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos n\u00e3o \u00e9 um conceito novo&#8221;, disse o microbi\u00f3logo Hazel Barton, da Universidade de Akron, Ohio, que liderou o estudo. &#8220;Nossos organismos foram isolados de esp\u00e9cies da superf\u00edcie por 4 a 7 milh\u00f5es de anos, mas a resist\u00eancia que eles t\u00eam \u00e9 geneticamente id\u00eantica \u00e0 de esp\u00e9cies encontradas na superf\u00edcie. Isso significa que esses genes s\u00e3o pelo menos antigos, e n\u00e3o foram originados pelo uso humano dos antibi\u00f3ticos para tratamento&#8221;.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Science Photo Library\/Alamy<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/49\/2017\/05\/15\/so-para-bbc---virus-gigantes-podem-ser-os-principais-culpados-por-uma-grande-epidemia-1494853652134_615x300.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">V\u00edrus gigantes podem ser os principais culpados por uma grande epidemia<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Apesar de a Paenibacillus n\u00e3o infectar humanos, ela poderia, em teoria, passar sua resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos para outros pat\u00f3genos. No entanto, por ela estar isolada abaixo de 400 metros de rocha, isso parece improv\u00e1vel de acontecer.<\/p>\n<p>No entanto, a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos naturais \u00e9 provavelmente t\u00e3o predominante, que muitas bact\u00e9rias que emergem de permafrost devem j\u00e1 t\u00ea-la desenvolvido. Em um estudo de 2011 os cientistas extra\u00edram DNA de bact\u00e9rias de 30.000 anos de idade encontradas em permafrost na regi\u00e3o de Beringian entre a R\u00fassia e o Canad\u00e1. Eles encontraram genes que codificam a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos beta-lact\u00e2micos, tetraciclina e antibi\u00f3ticos glicopept\u00eddicos.<\/p>\n<h3>Quanto n\u00f3s dever\u00edamos nos preocupar com isso?<\/h3>\n<p>Uma quest\u00e3o a ser levada em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 que o risco dos pat\u00f3genos de permafrost ainda \u00e9 desconhecido, ent\u00e3o isso n\u00e3o pode nos preocupar demais. Em vez disso, n\u00f3s dever\u00edamos focar em amea\u00e7as mais concretas, como o aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Por exemplo, conforme a Terra vai aquecendo, os pa\u00edses do Norte v\u00e3o se tornando mais suscet\u00edveis a epidemias de doen\u00e7as &#8220;do Sul&#8221;, como mal\u00e1ria, c\u00f3lera, dengue, j\u00e1 que esses pat\u00f3genos sobrevivem em temperaturas mais quentes.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra perspectiva tamb\u00e9m, que seria a de n\u00f3s n\u00e3o ignorarmos os riscos apenas porque n\u00f3s n\u00e3o podemos estim\u00e1-los.<\/p>\n<p>&#8220;Seguindo nosso trabalho e o de outros, existe agora uma possibilidade que n\u00e3o \u00e9 zero de micr\u00f3bios patog\u00eanicos reviverem e nos infectarem&#8221;, afirmou Claverie. &#8220;Qu\u00e3o prov\u00e1vel isso \u00e9, ainda n\u00e3o sabemos, mas \u00e9 uma possibilidade. Poderiam ser bact\u00e9rias que s\u00e3o cur\u00e1veis com antibi\u00f3ticos, ou bact\u00e9rias resistentes, ou um v\u00edrus. Se o pat\u00f3geno n\u00e3o ficou em contato com humanos por muito tempo, ent\u00e3o o nosso sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o est\u00e1 preparado para ele. Sendo assim, pode ser perigoso.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem trazer de volta \u00e0 vida antigos v\u00edrus e bact\u00e9rias que j\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65736,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/geleira-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem trazer de volta \u00e0 vida antigos v\u00edrus e bact\u00e9rias que j\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65735"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65735\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}