{"id":65649,"date":"2017-05-13T15:08:43","date_gmt":"2017-05-13T18:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65649"},"modified":"2017-05-13T15:08:43","modified_gmt":"2017-05-13T18:08:43","slug":"as-industrias-agropecuaria-e-farmaceutica-disseminam-erros-nutricionais-e-apelam-ao-paladar-das-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/as-industrias-agropecuaria-e-farmaceutica-disseminam-erros-nutricionais-e-apelam-ao-paladar-das-pessoas\/","title":{"rendered":"\u201cAs ind\u00fastrias agropecu\u00e1ria e farmac\u00eautica disseminam erros nutricionais e apelam ao paladar das pessoas\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_658079\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-658079\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/eric.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Arquivo Pessoal<\/p>\n<\/div>\n<p>Durante 12 anos, o nutr\u00f3logo vegano Eric Slywitch atuou como diretor do Departamento de Medicina e Nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade Vegetariana Brasileira. Por\u00e9m, desde antes de adotar esse estilo de vida, h\u00e1 25 anos, ele j\u00e1 observava os mitos que s\u00e3o disseminados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o sem produtos animais.<\/p>\n<p>O profissional aponta que esses estere\u00f3tipos ocorrem desde os cursos da \u00e1rea at\u00e9 os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Eric tamb\u00e9m possui uma plataforma de <a href=\"http:\/\/dr-eric-slywitch.eadbox.com\/\" target=\"_blank\">cursos online<\/a> destinada a profissionais de sa\u00fade e a qualquer pessoa que se interesse em aprender como se alimentar sem crueldade. Nesta entrevista exclusiva, ele comenta os estere\u00f3tipos a respeito do veganismo, a alimenta\u00e7\u00e3o infantil, a defici\u00eancia dos cursos de forma\u00e7\u00e3o sobre o assunto e analisa o papel da ind\u00fastria agropecu\u00e1ria em tornar a popula\u00e7\u00e3o dependente de produtos animais.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Como foi especializar-se em nutri\u00e7\u00e3o vegetariana considerando a oposi\u00e7\u00e3o de muitos profissionais a esse estilo de vida? Voc\u00ea percebeu alguma resist\u00eancia ao seu trabalho ou n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013 <\/strong>Quando entrei na faculdade eu j\u00e1 era vegetariano. Como os meus pais s\u00e3o m\u00e9dicos eu j\u00e1 sabia o que encontraria ali, que ia ter uma oposi\u00e7\u00e3o. Assim, fui \u00e0 faculdade aprender o que deveria. Eu corria na \u00e9poca, competia cinco mil metros, 1500 metros rasos e sempre tinha bons resultados. Por isso, era dif\u00edcil para as pessoas falarem que esse tipo de alimenta\u00e7\u00e3o seria ruim ou carente. Isso ajudou bastante a n\u00e3o ter muitos problemas, pelo menos frente a quem me conhecia e quem observou meu rendimento. Na faculdade, naquela \u00e9poca n\u00e3o se falava muito em dieta vegetariana ent\u00e3o n\u00e3o havia muitos profissionais se opondo porque n\u00e3o era um tema muito abordado. Por\u00e9m, a ideia de que a carne e o leite s\u00e3o importantes sempre existiu. Quando eu me formei, optei por fazer um trabalho por um olhar muito cient\u00edfico. Fiz uma revis\u00e3o de estudos cient\u00edficos e tenho uma biblioteca com mais de 2500 artigos cient\u00edficos sobre alimenta\u00e7\u00e3o vegetariana, todos est\u00e3o impressos e catalogados por ano de publica\u00e7\u00e3o e por data. Embasei todo o meu trabalho na \u00e1rea m\u00e9dica e nutricional com esses estudos, ent\u00e3o a resist\u00eancia ao meu trabalho nessa \u00e1rea n\u00e3o foi grande porque falei a linguagem que os profissionais est\u00e3o acostumados a ouvir. Em algum momento ou outro, houve questionamentos, mas, como h\u00e1 um lado cient\u00edfico muito forte para embasar a alimenta\u00e7\u00e3o vegetariana, n\u00e3o foi dif\u00edcil apresentar a verdade sobre o assunto.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Que cuidados as pessoas devem ter ao adotar uma alimenta\u00e7\u00e3o vegetariana estrita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013<\/strong> Quando retiramos a carne e os latic\u00ednios do card\u00e1pio, costumo dizer que os nutrientes mais importantes em que temos que pensar s\u00e3o a vitamina B12 e o c\u00e1lcio. Eu diria que o c\u00e1lcio \u00e9 at\u00e9 mais espec\u00edfico e importante porque a popula\u00e7\u00e3o elegeu os latic\u00ednios como uma fonte de c\u00e1lcio na alimenta\u00e7\u00e3o. Quando tiramos essa fonte, devemos substituir por outras ricas em c\u00e1lcio tamb\u00e9m. \u00c9 poss\u00edvel adotar uma dieta vegetariana estrita sem os latic\u00ednios e obter o c\u00e1lcio de que a gente precisa. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vitamina B12, esse \u00e9 um ponto muito comentado porque sabemos que os alimentos de origem vegetal n\u00e3o cont\u00eam vitamina B12. Por\u00e9m, apesar disso, das pessoas que comem carne na Am\u00e9rica Latina, 40% tem car\u00eancia de B12. Mesmo que esta seja uma vitamina em que devemos prestar aten\u00e7\u00e3o na dieta vegetariana, na dieta on\u00edvora ela \u00e9 muito carente tamb\u00e9m. Costumo dizer que em uma avalia\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica, feita por um profissional de sa\u00fade, a vitamina B12 tem que ser avaliada em todos, em quem come ou n\u00e3o come carne. Tecnicamente falando, o vegetarianismo estrito precisa tomar mais cuidado com a ingest\u00e3o de c\u00e1lcio e de vitamina B12 na forma de suplemento.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Quais s\u00e3o os principais mitos e preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o livre de explora\u00e7\u00e3o animal? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013 <\/strong>Observamos que as escolas de Medicina e Nutri\u00e7\u00e3o propagam isso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s prote\u00ednas e ao c\u00e1lcio principalmente. As pessoas possuem uma ideia err\u00f4nea de que s\u00f3 carne e ovos basicamente s\u00e3o boas fontes proteicas. Por\u00e9m, as leguminosas, como os feij\u00f5es, a ervilha, a lentilha e o gr\u00e3o de bico s\u00e3o \u00f3timas fontes, os cereais integrais t\u00eam uma quantidade nada desprez\u00edvel de prote\u00ednas. Se conseguirmos atingir as calorias de que precisamos com alimentos naturais, mais integrais e se a base da dieta for composta de cereais e leguminosas \u00e9 muito f\u00e1cil atingir e ultrapassar a carga proteica. Todos os amino\u00e1cidos est\u00e3o presentes no reino vegetal. Existe uma ideia errada disseminada em algumas faculdades de que falta algum amino\u00e1cido essencial no reino vegetal. No Brasil, n\u00e3o temos tabelas que mostram o teor de amino\u00e1cido dos alimentos, o que deixa o profissional de sa\u00fade desprovido de elementos para contestar isso. Quando avaliamos amino\u00e1cidos, temos que usar as tabelas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que cont\u00eam todos os amino\u00e1cidos e \u00e9 poss\u00edvel conferir como o reino vegetal possui todos, sem nenhum desbalanceamento.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um mito que limita as pessoas a acharem que n\u00e3o podem obter prote\u00ednas e amino\u00e1cidos com a dieta vegetariana. Com rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e1lcio, as pessoas foram levadas a acreditar que leite \u00e9 sin\u00f4nimo de c\u00e1lcio, mas conseguimos isso de outras fontes tamb\u00e9m. \u00c9 importante manter um bom n\u00edvel de vitamina D, que ajuda a absorver o c\u00e1lcio ingerido, e buscar fontes de c\u00e1lcio que s\u00e3o mais pobres em \u00e1cido ox\u00e1lico. Esse \u00e1cido dificulta a absor\u00e7\u00e3o do c\u00e1lcio. Deve-se evitar, nas refei\u00e7\u00f5es ricas em c\u00e1lcio, o consumo de espinafre, de acelga e de folhas de beterraba, que s\u00e3o os elementos mais ricos nesse \u00e1cido. Couve, r\u00facula, br\u00f3colis, agri\u00e3o, escarola e folhas de mostarda devem ser mais usados e o gergelim que \u00e9 uma fonte riqu\u00edssima. Seis colheres de sopa de gergelim equivalem a 100 gramas do gr\u00e3o, isso cont\u00e9m 825 miligramas de c\u00e1lcio. Quando algu\u00e9m procura um profissional de sa\u00fade para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 f\u00e1cil avaliar o c\u00e1lcio. Os exames laboratoriais conseguem mostrar isso e a pessoa consegue saber o que precisa otimizar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Existem pais e m\u00e3es que temem em introduzir o vegetarianismo na vida de crian\u00e7as pequenas, pois acreditam que h\u00e1 falta de nutrientes. Existe alguma recomenda\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no caso da alimenta\u00e7\u00e3o infantil? De que forma voc\u00ea orienta esses pais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013 <\/strong>O que acontece \u00e9 algo muito claro no meio cient\u00edfico para quem estuda os artigos sobre problemas de crescimento em crian\u00e7as vegetarianas. Na d\u00e9cada de 70, come\u00e7aram as primeiras publica\u00e7\u00f5es e grande parte delas mostravam problemas de crescimento e desenvolvimento em crian\u00e7as vegetarianas. Quando voc\u00ea olha o t\u00edtulo desses artigos parece que, de fato, existe um problema. Por\u00e9m, quando se avalia o artigo na \u00edntegra \u00e9 poss\u00edvel ver que n\u00e3o eram dietas vegetarianas, eram alguns absurdos nutricionais relatados em artigos cient\u00edficos. Por exemplo, existe uma comunidade religiosa chamada Black Hebreus e o chefe deles dava as ordens nutricionais. Ele determinou que todas as crian\u00e7as que nascessem na comunidade, que era vegetariana estrita, deveriam ser desmamadas com tr\u00eas meses, sendo que o recomendado \u00e9 manter a alimenta\u00e7\u00e3o materna exclusiva at\u00e9 os seis meses. No lugar do leite materno, eles utilizavam suco de ma\u00e7\u00e3 com couve e um pouco de soja meio rala, na forma de um l\u00edquido. Com isso, v\u00e1rias crian\u00e7as come\u00e7aram a ter problemas de crescimento e desenvolvimento e eram internadas com um grau de desnutri\u00e7\u00e3o importante em hospitais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es surgiram sobre a comunidade, dizendo que crian\u00e7as vegetarianas t\u00eam problemas de crescimento quando, na verdade, isso n\u00e3o \u00e9 uma dieta vegetariana, mas um erro nutricional muito grave. Se essa mesma dieta tivesse um caldo de carne no meio, ningu\u00e9m diria que era vegetariana, mas causaria os mesmos problemas. Isso \u00e9 uma forma de preconceito com a dieta vegetariana. Existem v\u00e1rios outros estudos semelhantes que mostram absurdos na dieta em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es. Os estudos que revelam crescimento e desenvolvimento adequado das crian\u00e7as s\u00e3o aqueles em que a dieta vegetariana foi feita de forma adequada, com variedade nutricional. Existem alguns fatores com os quais temos que ter cuidado quando o vegetarianismo \u00e9 mal executado. O primeiro deles \u00e9 garantir o leite materno exclusivo at\u00e9 os seis meses de vida, assim como com crian\u00e7as on\u00edvoras. Se por algum motivo a m\u00e3e n\u00e3o pode amamentar, em hip\u00f3tese alguma devem ser utilizados leites vegetais porque eles n\u00e3o s\u00e3o iguais ao leite materno. Quando n\u00e3o se pode usar o leite materno, trocamos por f\u00f3rmulas infantis desenhadas para crian\u00e7a, com uma quantidade de nutrientes muito similares ao leite materno. Alguns estudos mostram tamb\u00e9m que alguns pais, preocupados em oferecer o melhor para as crian\u00e7as, utilizaram a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva por mais de um ano.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m \u00e9 um problema porque o leite materno \u00e9 \u00f3timo para a crian\u00e7a at\u00e9 os seis meses como alimento exclusivo. A partir da\u00ed, as mamadas s\u00e3o reduzidas e come\u00e7a a introdu\u00e7\u00e3o de outros alimentos de que a crian\u00e7a necessita. Estender o leite materno exclusivo para um ano, um ano e meio de vida da crian\u00e7a causa problemas de crescimento tamb\u00e9m. Outro ponto importante \u00e9 o ajuste cal\u00f3rico da dieta. Como a crian\u00e7a \u00e9 pequena e possui uma necessidade cal\u00f3rica maior do que o adulto, proporcionalmente ao peso dela, \u00e9 fundamental que os alimentos que ela ingere tenham uma densidade cal\u00f3rica maior. Se colocarmos muitas verduras e legumes no prato da crian\u00e7a, s\u00e3o alimentos de muito volume com pouca caloria. Isso enche o est\u00f4mago com alimentos de pouca caloria e pouca prote\u00edna e com isso sobra menos espa\u00e7o para os alimentos mais densos. As bases da alimenta\u00e7\u00e3o infantil devem ser os cereais, as leguminosas e \u00f3leos. N\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o de \u00f3leo para crian\u00e7a at\u00e9 os dois anos, evidentemente que deve ser usada a gordura de boa qualidade. Isso \u00e9 fundamental para que ela tenha uma densidade cal\u00f3rica que garanta o crescimento. Seguindo esses pontos e garantindo uma fonte segura de vitamina B12, que pode ser obtida por alimentos fortificados ou suplementos, o crescimento e desenvolvimento costumam ser perfeitos. \u00c9 bom que m\u00e9dicos e nutricionistas ofere\u00e7am aos pais o embasamento utilizado e informem que conseguimos avaliar se o crescimento est\u00e1 adequado. Tem curvas de crescimento, exames laboratoriais, n\u00e3o ficamos com um vegetariano \u00e0 nossa frente no escuro.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Embora cada vez mais pesquisas comprovem benef\u00edcios do vegetarianismo para o planeta e para a sa\u00fade humana, ainda existem m\u00e9dicos e nutricionistas que defendem o uso de produtos de origem animal. Por qu\u00ea? Qual \u00e9 a sua percep\u00e7\u00e3o sobre isso? Isso sinaliza uma defici\u00eancia nos cursos de forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais da \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013<\/strong> Em minha opini\u00e3o, sim. Existe um aspecto que \u00e9 a falta de conhecimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico porque os estudos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o fant\u00e1sticos, muito aprofundados e que mostram claramente como uma dieta sem produtos de origem animal \u00e9 muito mais eficaz no combate e na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como diabetes, c\u00e2ncer, doen\u00e7a cardiovascular. Os profissionais que ainda defendem o consumo de carne fazem ou por esse fator, que \u00e9 a falta de conhecimento, ou pelo desejo de comer carne talvez. Essa quest\u00e3o social de desejos alimentares at\u00e9 mascara um pouco a possibilidade de n\u00e3o consumir. Acredito que isso ocorre mais pelo desconhecimento t\u00e9cnico, os cursos de forma\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas b\u00e1sicas ainda possuem muitos erros nutricionais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta vegetariana.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Vivemos em um mundo que incentiva o consumo de produtos animais a todo o momento. Desde crian\u00e7as, somos ensinados que teremos problemas de sa\u00fade caso optemos por uma alimenta\u00e7\u00e3o vegetal e isso \u00e9 alimentado principalmente pela pr\u00f3pria ind\u00fastria agropecu\u00e1ria assim como pela ind\u00fastria farmac\u00eautica. Que an\u00e1lise voc\u00ea faz quanto aos interesses dessas ind\u00fastrias em promover o consumo de animais? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013 <\/strong>Se considerarmos que nosso pa\u00eds se move pelo agroneg\u00f3cio e como a pol\u00edtica est\u00e1 inserida nisso \u00e9 esperado que indiv\u00edduos com alto poder de divulga\u00e7\u00e3o e propaganda coloquem essa necessidade de consumo da carne como algo realmente importante. A ind\u00fastria agropecu\u00e1ria \u00e9 muito forte nisso e sabemos que, na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a ind\u00fastria farmac\u00eautica tamb\u00e9m possui uma fatia grande nessa divis\u00e3o societ\u00e1ria. Basta ligarmos a TV em hor\u00e1rio nobre para vermos como a ind\u00fastria da carne patrocina o ve\u00edculo. Eles pagam altos pre\u00e7os para promover seus produtos e ter seu espa\u00e7o garantido. Nesse cen\u00e1rio dominado por quem tem interesse no consumo de carne e latic\u00ednios, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para falar sobre o lado real e negativo desse h\u00e1bito. e ainda possuem um aspecto forte, que \u00e9 o apelo ao paladar das pessoas que est\u00e3o acostumadas com esses alimentos.<\/p>\n<p><strong>ANDA: Os meios de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribuem com a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es incorretas. Qual a sua percep\u00e7\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o da imprensa quanto ao tema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eric Slywitch \u2013<\/strong> Para quem est\u00e1 na \u00e1rea h\u00e1 bastante tempo (sou vegano h\u00e1 praticamente 25 anos), \u00e9 poss\u00edvel perceber que isso tem mudado um pouco. No passado, muitas entrevistas mudavam o que fal\u00e1vamos para manter o estere\u00f3tipo do vegetarianismo como algo que pode trazer problemas. Hoje, h\u00e1 rep\u00f3rteres e pessoas mais informadas, inclusive alguns profissionais de jornalismo que s\u00e3o vegetarianos e que se preocupam em transmitir uma vis\u00e3o correta sobre o assunto. \u00c9 frequente que uma reportagem ou outra ainda mostra um estere\u00f3tipo e, o que \u00e9 um pouco mais grave, com entrevistas de alguns profissionais de sa\u00fade falando mal da dieta vegetariana sem embasamento cient\u00edfico correto. Nesses casos, a culpa n\u00e3o \u00e9 do rep\u00f3rter, mas sim do profissional contatado, que fornece uma informa\u00e7\u00e3o incorreta. A imprensa possui um grande papel nisso e, felizmente, tenho visto um pouco mais de crit\u00e9rio e senso cr\u00edtico para abordar o vegetarianismo como ele deve ser divulgado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Arquivo Pessoal Durante 12 anos, o nutr\u00f3logo vegano Eric Slywitch atuou como diretor do<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&nbsp; Arquivo Pessoal Durante 12 anos, o nutr\u00f3logo vegano Eric Slywitch atuou como diretor do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65649"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}