{"id":65583,"date":"2017-05-13T10:00:16","date_gmt":"2017-05-13T13:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65583"},"modified":"2017-05-12T21:15:12","modified_gmt":"2017-05-13T00:15:12","slug":"como-uma-simples-planta-curou-as-feridas-de-milhares-de-soldados-na-1a-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-uma-simples-planta-curou-as-feridas-de-milhares-de-soldados-na-1a-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"Como uma simples planta curou as feridas de milhares de soldados na 1\u00aa Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=65584\" rel=\"attachment wp-att-65584\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65584\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O ano era 1916. Crescia o n\u00famero de soldados feridos na 1\u00aa Guerra Mundial e o algod\u00e3o &#8211; usado para trat\u00e1-los &#8211; come\u00e7ava a ficar escasso nas trincheiras dos Pa\u00edses Aliados. Foi quando um cirurgi\u00e3o e um bot\u00e2nico escoceses redescobriram as propriedades de uma simples planta, que acabou sendo usada em larga escala pelo Reino Unido para tratar os feridos em combate.<\/p>\n<p>Trata-se do <i>sphagnum<\/i>, tipo de musgo conhecido pelo nome de esfagno.<\/p>\n<p>Algumas esp\u00e9cies de esfagno seco podem absorver e reter at\u00e9 20 vezes o equivalente a seu peso em \u00e1gua&#8230; ou em sangue.<\/p>\n<p>Os especialistas do Ex\u00e9rcito perceberam que a planta era duas vezes mais absorvente que o algod\u00e3o e, em dois anos, o Reino Unido, que produzia 200 mil bandagens de esfagno por m\u00eas em 1916, passou a produzir um milh\u00e3o em 1918.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/185F4\/production\/_95982899_musgo_dressings_wellcome.jpg\" alt=\"Ataduras usadas na 1\u00aa Guerra Mundial\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Na 1\u00aa Guerra Mundial, foram produzidas ataduras de diversos materiais, mas as de esfagno (abaixo \u00e0 esquerda), eram consideradas as mais eficazes <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em seguida, as bandagens foram enviadas para mais de 50 hospitais de campanha em diferentes pontos da frente de batalha, como Alexandria, no Egito, de acordo com relatos da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Na verdade, o cirurgi\u00e3o Charles Walker Cathcart e o bot\u00e2nico Isaac Bayley Balfour n\u00e3o fizeram nada al\u00e9m de redescobrir algo que povos antigos j\u00e1 usavam para curar feridas de soldados h\u00e1 1.000 anos.<\/p>\n<p>Os alem\u00e3es, inimigos na guerra, tamb\u00e9m adotavam o recurso desde o in\u00edcio dos combates, em 1914.<\/p>\n<p>Mas o Reino Unido deu in\u00edcio a uma opera\u00e7\u00e3o em larga escala sem precedentes.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Dever patri\u00f3tico&#8217;<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/306E\/production\/_95989321_musgobbc1.jpg\" alt=\"Estrutura celular do musgo de esfagno\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> A estrutura \u00fanica do musgo de esfagno permite que suas paredes porosas sejam capazes de absorver grandes quantidades de l\u00edquidos <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O musgo de esfagno \u00e9 uma planta n\u00e3o-vascular (que n\u00e3o apresenta mecanismos de condu\u00e7\u00e3o de fluidos) que se desenvolve especialmente em climas \u00famidos e frios.<\/p>\n<p>Cathcart e Balfour fizeram testes at\u00e9 concluir que duas esp\u00e9cies &#8211; <i>sphagnum papillosum <\/i>e<i> palustre<\/i> &#8211; eram consideradas as melhores para estancar sangramentos e ajudar a curar feridas.<\/p>\n<p>Ambas cresciam em abund\u00e2ncia na Esc\u00f3cia, Irlanda e Inglaterra, onde um pequeno ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios &#8211; formado em sua maioria por mulheres e crian\u00e7as &#8211; se reunia para colher e secar as plantas, que seriam usadas posteriormente em ataduras e compressas.<\/p>\n<p>De acordo com a historiadora brit\u00e2nica Thelma Griffiths, era um trabalho \u00e1rduo. O musgo \u00e9 encontrado no entorno de riachos e pequenos lagos e em regi\u00f5es pantanosas. Eram coletados em sacos, que depois eram pisoteados para extrair a \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres deviam sentir frio e estar encharcadas, arrastando suas saias longas molhadas&#8221;, afirmou Griffiths \u00e0 BBC.<\/p>\n<p>&#8220;Mas acreditavam que era um dever patri\u00f3tico&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Esse batalh\u00e3o de volunt\u00e1rios logo se espalhou pelos Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Duas propriedades impressionantes<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">\u00a0 <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7E8E\/production\/_95989323_130b2254-7250-4d66-a990-1d78df715724.jpg\" alt=\"Pintura de cena de guerra\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Durante a guerra, centenas de feridos chegavam de uma vez s\u00f3, sendo necess\u00e1rio atendimento r\u00e1pido para evitar infec\u00e7\u00e3o <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A capacidade do esfagno em absorver \u00e1gua como uma esponja se deve a sua estrutura celular &#8211; 90% do volume de suas folhas s\u00e3o formados por c\u00e9lulas mortas, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente armazenar \u00e1gua.<\/p>\n<p>Essas ataduras pouparam muitos esfor\u00e7os. Por serem mais absorventes, n\u00e3o precisavam ser trocadas com tanta frequ\u00eancia, o que significava menos trabalho para a equipe m\u00e9dica e menos dor para os pacientes.<\/p>\n<p class=\"story-body__link\">Mas, al\u00e9m da impressionante capacidade de absor\u00e7\u00e3o, o esfagno tinha outra enorme vantagem sobre o algod\u00e3o, que tamb\u00e9m era mais caro: propriedades antiss\u00e9pticas.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas do esfagno t\u00eam a capacidade de diminuir o pH do ambiente a seu redor, tornando-o \u00e1cido o suficiente para inibir a prolifera\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Essa propriedade tinha um valor inestim\u00e1vel em tempos de guerra, quando m\u00e9dicos e enfermeiros do Ex\u00e9rcito travavam uma batalha particular contra a infec\u00e7\u00e3o de feridas, que muitas vezes levava \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o de membros ou \u00e0 morte de soldados por sepse.<\/p>\n<p>Assim, as ataduras e compressas de musgo permitiam, de forma natural, a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente esterilizado em torno da les\u00e3o, que era curada com mais facilidade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Simplesmente um musgo<\/h2>\n<p>Com o fim da guerra, a demanda por ataduras diminuiu, e o ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios desapareceu.<\/p>\n<p>O trabalhoso processo de produ\u00e7\u00e3o deixou de valer a pena e as compressas deixaram de ser usadas.<\/p>\n<p>Apesar de terem sido produzidos em pequena escala na 2\u00aa Guerra Mundial, os curativos de esfagno voltaram para o reduto da medicina alternativa. E por ali ficaram.<\/p>\n<p>Atualmente, a planta \u00e9 usada na horticultura e como biocombust\u00edvel, mas n\u00e3o salva mais vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1916. 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