{"id":65513,"date":"2017-05-11T14:05:05","date_gmt":"2017-05-11T17:05:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65513"},"modified":"2017-05-11T14:08:22","modified_gmt":"2017-05-11T17:08:22","slug":"genoma-do-cha-revela-a-razao-de-seu-sabor-e-de-seu-sucesso-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/genoma-do-cha-revela-a-razao-de-seu-sabor-e-de-seu-sucesso-economico\/","title":{"rendered":"Genoma do ch\u00e1 revela a raz\u00e3o de seu sabor e de seu sucesso econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/genoma-do-cha-revela-a-razao-de-seu-sabor-e-de-seu-sucesso-economico\/cha\/\" rel=\"attachment wp-att-65514\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65514\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Existem <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/te_bebida\/a\">ch\u00e1s de v\u00e1rios sabores<\/a> (ch\u00e1 preto, ch\u00e1 verde, ch\u00e1 de Oolong, ch\u00e1 branco, chai&#8230;), mas todos eles v\u00eam da mesma planta: a <em>Camellia sinensis<\/em>, a \u00e1rvore do ch\u00e1. Os n\u00edveis de cafe\u00edna e de flavonoides oscilam muito entre as esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Camellia<\/em>, mas s\u00e3o particularmente elevados na <em>Camellia sinensis<\/em>, e seu genoma explica o motivo: a \u00e1rvore do ch\u00e1 passou por in\u00fameras duplica\u00e7\u00f5es dos genes respons\u00e1veis por sua s\u00edntese. Essa amplifica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/genetica\/a\">gen\u00e9tica<\/a> \u00e9 intermediada pelos transp\u00f3sons (genes saltitantes) e corresponde em grande parte a uma rea\u00e7\u00e3o diante da domestica\u00e7\u00e3o da planta e sua adapta\u00e7\u00e3o a diversos climas.<\/p>\n<p>A principal fonte de cafe\u00edna do planeta n\u00e3o \u00e9 o <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cafe\/a\">caf\u00e9<\/a>, mas sim o ch\u00e1, a infus\u00e3o preferida de mais de 3 bilh\u00f5es de pessoas em 160 pessoas. A planta foi domesticada h\u00e1 cerca de 5.000 anos na <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/asia\/a\">\u00c1sia<\/a>, e propriedades saud\u00e1veis lhe s\u00e3o atribu\u00eddas pelo menos desde a dinastia Shang, que reinou na China no s\u00e9culo III da nossa era. As folhas da \u00e1rvore do ch\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 cont\u00eam cafe\u00edna, mas tamb\u00e9m flavonoides, teanina (semelhante ao glutamato), vitaminas, polissac\u00e1ridos, \u00f3leos essenciais e minerais.<\/p>\n<p>O g\u00eanero <em>Camellia<\/em>, ao qual pertence a \u00e1rvore do ch\u00e1 (<em>Camellia sinensis<\/em>), \u00e9 especialmente rico em esp\u00e9cies de interesse econ\u00f4mico, como as belas e famosas cam\u00e9lias (<em>Camellia jap\u00f3nica, Camellia reticulata, Camellia sasanqua<\/em>) e a \u00e1rvore <em>Camellia<\/em> ole\u00edfera, de cujas sementes se extrai um \u00f3leo comest\u00edvel de boa qualidade chamado, \u00e0s vezes, de \u00f3leo de cam\u00e9lia. Mas o grande destaque \u00e9 o ch\u00e1, com uma produ\u00e7\u00e3o anual acima de 5 bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Dada essa relev\u00e2ncia econ\u00f4mica, \u00e9 surpreendente que o genoma do ch\u00e1 ainda n\u00e3o fosse conhecido. E o principal motivo para isso \u00e9 que se trata de um genoma extremamente dif\u00edcil de solucionar. Ele n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 grande, como est\u00e1 infestado de segmentos de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adn\/a\">DNA<\/a> repetitivo, devido \u00e0 grande quantidade de transp\u00f3sons (genes saltitantes) que cont\u00e9m. Lizhi Gao e seus colegas do Instituto Kunming de Bot\u00e2nica e de outras institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas chinesas solucionaram agora o problema, em uma demonstra\u00e7\u00e3o de perseveran\u00e7a e engenhosidade. Eles est\u00e3o revelando o primeiro esbo\u00e7o do genoma do ch\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.cell.com\/molecular-plant\/fulltext\/S1674-2052%2817%2930103-X\">na publica\u00e7\u00e3o online<\/a> <a href=\"http:\/\/www.cell.com\/molecular-plant\/fulltext\/S1674-2052%2817%2930103-X\"><em>Molecular Plant<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cExistem muitos sabores diferentes de ch\u00e1\u201d, diz o geneticista Gao, \u201cmas o mist\u00e9rio \u00e9 saber o que determina ou qual \u00e9 base gen\u00e9tica desses sabores\u201d. Pesquisas anteriores j\u00e1 haviam indicado que boa parte do sabor do ch\u00e1 se deve aos flavonoides, em particular a um deles, chamado catequina. Essas mol\u00e9culas s\u00e3o antioxidantes que servem para as plantas se adaptarem ao seu ambiente. A catequina, al\u00e9m disso, confere ao ch\u00e1 o seu t\u00edpico sabor amargo.<\/p>\n<p>A cafe\u00edna e a catequina n\u00e3o s\u00e3o exclusividade do ch\u00e1 \u2013as outras 115 esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Camellia<\/em> tamb\u00e9m cont\u00eam esses compostos&#8211;, mas elas s\u00e3o particularmente abundantes nele. E os cientistas chineses descobriram o motivo: os genes respons\u00e1veis pela s\u00edntese dessas subst\u00e2ncias se duplicaram em s\u00e9rie no genoma do ch\u00e1. E essa amplifica\u00e7\u00e3o dessas fam\u00edlias de genes foi intermediada por transp\u00f3sons (genes saltitantes), e especificamente por um tipo chamado retrotransp\u00f3sons, que s\u00e3o antigos retrov\u00edrus que perderam sua capacidade de constituir part\u00edculas infecciosas.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\"> <img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/05\/08\/ciencia\/1494239510_721045_1494240291_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/05\/08\/ciencia\/1494239510_721045_1494240291_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/05\/08\/ciencia\/1494239510_721045_1494240291_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"ch\u00e1\" width=\"360\" height=\"203\" \/> <span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span> <\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O coordenador do estudo, Lizhi Gao.<\/span> <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">YONG-SHENG YI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Nada menos do que 67% do genoma do ch\u00e1 s\u00e3o sequ\u00eancias de retrotransp\u00f3sons. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual se tornava t\u00e3o dif\u00edcil solucion\u00e1-lo. Para <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/20\/sociedad\/1395334305_304529.html\">sequenciar um genoma<\/a>, os cientistas come\u00e7am por quebr\u00e1-lo em v\u00e1rios peda\u00e7os. E de formas muito diversas, para que os fragmentos se soltem. Depois disso, se faz a sequ\u00eancia (se <em>l\u00ea<\/em>) cada fragmento, para em seguida reunir tudo gra\u00e7as aos encaixes entre fragmentos. Mas, em havendo 67% de retrotransp\u00f3sons, que s\u00e3o basicamente iguais uns aos outros, os encaixes s\u00e3o amb\u00edguos. Como disse Gao, \u00e9 como montar um quebra-cabe\u00e7as em que a maior parte das pe\u00e7as s\u00e3o peda\u00e7os de um c\u00e9u azul sem nenhuma nuvem.<\/p>\n<p>Durante o ciclo de vida do retrov\u00edrus, o genoma viral se integra ao genoma do h\u00f3spede, depois gera muitas c\u00f3pias de si mesmo e, ao final, cada genoma \u00e9 envolvido por uma part\u00edcula infecciosa. Os retrotransp\u00f3sons perderam essa \u00faltima habilidade, mas conservam a de se integrar ao genoma, e frequentemente geram c\u00f3pias de si mesmos que se integram a outros pontos do genoma. Um fen\u00f4meno comum durante esses saltos \u00e9 que eles levam consigo parte do genoma do h\u00f3spede que esteja ao lado. Esse \u00e9 o mecanismo pelo qual o genoma do ch\u00e1 duplicou muitas vezes os genes respons\u00e1veis pela s\u00edntese da cafe\u00edna, catequina e outros flavonoides.<\/p>\n<p>Gao e seus colegas acreditam que essas amplifica\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias de genes permitiram \u00e0 arvore do ch\u00e1 que se adaptasse aos in\u00fameros ambientes onde a planta \u00e9 semeada atualmente. V\u00e1rios dos saltos de retrotransp\u00f3sons s\u00e3o recentes (ocorreram nos \u00faltimos 5.000 anos), raz\u00e3o pela qual parece ser prov\u00e1vel que se trate de rea\u00e7\u00f5es \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o e ao cultivo do ch\u00e1. Ou seja, um produto da sele\u00e7\u00e3o artificial que inspirou <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/charles_robert_darwin\/a\">Darwin<\/a> em sua teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Na gen\u00f4mica, chegou, agora, a vez do ch\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem ch\u00e1s de v\u00e1rios sabores (ch\u00e1 preto, ch\u00e1 verde, ch\u00e1 de Oolong, ch\u00e1 branco, chai&#8230;),<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Existem ch\u00e1s de v\u00e1rios sabores (ch\u00e1 preto, ch\u00e1 verde, ch\u00e1 de Oolong, ch\u00e1 branco, chai&#8230;),","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65513\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}