{"id":65499,"date":"2017-05-11T13:44:13","date_gmt":"2017-05-11T16:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65499"},"modified":"2017-05-11T13:44:13","modified_gmt":"2017-05-11T16:44:13","slug":"apos-mais-de-um-seculo-pesquisadores-avistam-micos-leoes-dourados-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apos-mais-de-um-seculo-pesquisadores-avistam-micos-leoes-dourados-no-rio\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s mais de um s\u00e9culo, pesquisadores avistam micos-le\u00f5es-dourados no Rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apos-mais-de-um-seculo-pesquisadores-avistam-micos-leoes-dourados-no-rio\/mico_leao-3\/\" rel=\"attachment wp-att-65500\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65500\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Tudo come\u00e7ou em 2015, quando pesquisadores da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Fiocruz Mata Atl\u00e2ntica, <em>campus<\/em> avan\u00e7ado para pesquisas em biodiversidade e sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizado em Jacarepagu\u00e1, na zona oeste do Rio de Janeiro, ficaram sabendo da exist\u00eancia de micos-le\u00f5es-dourados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a presen\u00e7a foi confirmada por um funcion\u00e1rio que avistou tr\u00eas indiv\u00edduos juntos da esp\u00e9cie <em>Leontophitecus rosalia<\/em>. No dia 19 de abril passado, pesquisadores fizeram a primeira foto da esp\u00e9cie, confirmando o aparecimento raro depois de mais de um s\u00e9culo sem que micos-le\u00f5es dourados fossem vistos na cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cSignifica que esses animais est\u00e3o ali, regularmente\u201d, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> o bi\u00f3logo Ricardo Moratelli, um dos respons\u00e1veis pela gest\u00e3o ambiental e levantamento da biodiversidade da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica da Fiocruz. O pr\u00f3ximo passo, segundo ele, \u00e9 descobrir a origem desses animais: se s\u00e3o remanescentes de uma popula\u00e7\u00e3o local ou se foram trazidos de outra regi\u00e3o e soltos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Moratelli acredita que o mais prov\u00e1vel \u00e9 que tenham sido trazidos de outra regi\u00e3o. \u201cPoderiam estar em criadouros; podem ter sido trazidos ilegalmente. \u00c9 muito dif\u00edcil que sejam remanescentes de popula\u00e7\u00f5es naturais. Mas \u00e9 uma possibilidade que a gente n\u00e3o pode tamb\u00e9m descartar\u201d, disse o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Para que possam ser feitos testes que comprovem a origem desses animais, Moratelli explicou que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) ter\u00e3o de conceder licen\u00e7as para os testes: \u201cA gente n\u00e3o pode encostar nos animais sem as licen\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Embora seja um grupo pequeno e invi\u00e1vel a longo prazo, Ricardo Moratelli disse que a presen\u00e7a deles demonstra que aquela \u00e1rea poderia, inclusive, receber mais micos-le\u00f5es dourados \u2013 uma vez que era o habitat original da esp\u00e9cie, o que abre a possibilidade para se tentar introduzir mais animais no local.<\/p>\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Moratelli conta que o mico-le\u00e3o-dourado \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa dessa regi\u00e3o e foi extinta entre o final do s\u00e9culo 19 e o come\u00e7o do s\u00e9culo 20. \u201cExiste na regi\u00e3o em torno de 50 a 60 quil\u00f4metros quadrados de matas conectadas que s\u00e3o <em>habitats<\/em> favor\u00e1veis para a vida desses animais. Pode ser que eles continuem por aquela \u00e1rea, pode ser que eles se desloquem pelo Maci\u00e7o da Pedra Branca para outras regi\u00f5es voltadas para a vertente sul. A gente n\u00e3o sabe\u201d.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Ricardo Moratelli conta que, por volta de 1830, o mico-le\u00e3o-dourado habitava desde a Bacia do Rio Sepetiba at\u00e9 o norte do estado, na fronteira com o Esp\u00edrito Santo, e foi se extinguindo aos poucos com mudan\u00e7as feitas pelo homem no meio-ambiente local. Isso, associado \u00e0 ca\u00e7a, reduziu muito as popula\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie, at\u00e9 que, em 1960, existiam apenas 200 indiv\u00edduos livres na natureza e todos na Bacia do Rio S\u00e3o Jo\u00e3o, que engloba as cidades de Silva Jardim e Casimiro de Abreu e inclui as reservas biol\u00f3gicas de Po\u00e7o das Antas e Uni\u00e3o. Em 1940, a esp\u00e9cie j\u00e1 estava restrita \u00e0 Bacia do Rio S\u00e3o Jo\u00e3o e \u00e0s adjac\u00eancias da Lagoa de Araruama.<\/p>\n<p>\u201c[A esp\u00e9cie] j\u00e1 n\u00e3o existia no munic\u00edpio do Rio de Janeiro. A ocorr\u00eancia desses animais mostra que essa \u00e1rea tem potencial para receber mais indiv\u00edduos e talvez ampliar um pouco a distribui\u00e7\u00e3o atual dessa esp\u00e9cie, por meio de reintrodu\u00e7\u00e3o\u201d, disse, ao lembrar que ainda n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o sobre o assunto: \u201cs\u00e3o s\u00f3 ideias para se pensar o que fazer\u201d. Qualquer medida deve ser tomada pelo Inea, que tem a miss\u00e3o de proteger os fauna local como um todo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores continuam a procura de outros exemplares da esp\u00e9cie. A Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Fiocruz trabalha no levantamento constante da biodiversidade daquela regi\u00e3o, englobando flora e fauna, como morcegos, anf\u00edbios, aves e roedores.<\/p>\n<p><strong>Diversidade<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, os pesquisadores descobriram que os micos-le\u00f5es dourados avistados est\u00e3o vivendo na \u00e1rea da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Fiocruz em grupos mistos com saguis de tufo branco, que s\u00e3o animais introduzidos, oriundos do Nordeste brasileiro. Atualmente, existem 3,2 mil micos-le\u00f5es-dourados no estado do Rio de Janeiro que se multiplicaram a partir daqueles 200 indiv\u00edduos que existiam em 1960.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma diversidade gen\u00e9tica muito baixa para a esp\u00e9cie\u201d. Segundo Ricardo Moratelli, se os tr\u00eas indiv\u00edduos avistados no <em>campus<\/em> da Fiocruz forem oriundos de outras \u00e1reas e por alguma raz\u00e3o pararam ali, \u00e9 o melhor para a esp\u00e9cie. \u201cQuanto maior a variabilidade gen\u00e9tica e maior a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, melhor para a esp\u00e9cie\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ricardo Moratelli disse tamb\u00e9m que o pequeno grupo corre o risco de ser atacado por predadores e morrer por doen\u00e7as. \u201cA gente sabe que esse pequeno grupo n\u00e3o vai viver ali por muito tempo que, quando se fala em conserva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o 30, 40, 50 anos. Mas o fato de eles ocorrerem ali de 2015 at\u00e9 hoje mostra que o <em>habitat<\/em> \u00e9 favor\u00e1vel para essa esp\u00e9cie ainda e que um programa de reintrodu\u00e7\u00e3o ali poderia ser pensado. Seria bel\u00edssimo ter micos-le\u00f5es-dourados na maior floresta urbana das Am\u00e9ricas\u201d, disse.<\/p>\n<div class=\"node-info\">Edi\u00e7\u00e3o: <strong>Denise Griesinger<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou em 2015, quando pesquisadores da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Fiocruz Mata Atl\u00e2ntica, campus avan\u00e7ado para<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65500,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mico_leao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Tudo come\u00e7ou em 2015, quando pesquisadores da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica Fiocruz Mata Atl\u00e2ntica, campus avan\u00e7ado para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65499"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}