{"id":65425,"date":"2017-05-10T14:05:10","date_gmt":"2017-05-10T17:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65425"},"modified":"2017-05-10T14:05:12","modified_gmt":"2017-05-10T17:05:12","slug":"atlas-das-caatingas-mostra-problemas-em-areas-de-protecao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atlas-das-caatingas-mostra-problemas-em-areas-de-protecao-ambiental\/","title":{"rendered":"Atlas das Caatingas mostra problemas em \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atlas-das-caatingas-mostra-problemas-em-areas-de-protecao-ambiental\/parque-3\/\" rel=\"attachment wp-att-65426\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65426\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ocupa\u00e7\u00e3o irregular de terras, desmatamento, falta de estrutura e de demarca\u00e7\u00e3o foram alguns dos problemas encontrados, em tr\u00eas anos de pesquisa da <a href=\"http:\/\/www.fundaj.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2524&amp;Itemid=800\" target=\"_blank\">Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco (Fundaj)<\/a>, em 14 unidades de Conserva\u00e7\u00e3o federais de prote\u00e7\u00e3o integral, localizadas no bioma Caatinga brasileira. O Atlas das Caatingas re\u00fane em detalhes informa\u00e7\u00f5es fundi\u00e1rias e da flora de cada uma das \u00e1reas estudadas, e virou tamb\u00e9m document\u00e1rio, pr\u00e9-lan\u00e7ado na ter\u00e7a-feira, 9 de maio, no Recife.<\/p>\n<p>Um dos biomas brasileiros menos estudados no pa\u00eds, a Caatinga se estende por dez estados e compreende 10% do territ\u00f3rio nacional, com 844 mil quil\u00f4metros quadrados. \u00c9 o \u00fanico bioma encontrado exclusivamente no Brasil e \u00e9 lembrado geralmente pelo visual na \u00e9poca de seca, quando as \u00e1rvores perdem as folhas e a mata se torna cinzenta e quebradi\u00e7a. A pesquisa mapeou cerca de 1% desse territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o estudo foi feito entre dezembro de 2013 e dezembro de 2016. Os pesquisadores percorreram mais de 22 mil quil\u00f4metros nas 14 unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, todas geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Nelas, n\u00e3o \u00e9 permitida qualquer atividade econ\u00f4mica ou mesmo o uso sustent\u00e1vel, exceto o turismo e a pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<div class=\"olho\">O maior problema das unidades, segundo o pesquisador, est\u00e1 em Pernambuco, o Parque Nacional do Catimbau<\/div>\n<p>Para montar o diagn\u00f3stico foram entrevistados todos os chefes das unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de funcion\u00e1rios do ICMBio, moradores da regi\u00e3o, professores que desenvolvem estudos nesses locais, entre outros. Segundo Neison Freire, pesquisador titular da Fundaj que coordenou a pesquisa, cada unidade tem problemas espec\u00edficos, mas a falta de recursos humanos e financeiros \u00e9 uma constante e acaba agravando as dificuldades locais.<\/p>\n<p>Ele cita desde a falta de combust\u00edvel para ve\u00edculos de fiscaliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 a indisponibilidade dos pr\u00f3prios carros e da falta de dinheiro para consertar uma bomba d&#8217;\u00e1gua, impedindo que um espa\u00e7o dispon\u00edvel para receber alunos e professores de escolas p\u00fablicas seja utilizado. \u201cTodas t\u00eam problemas de gest\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 local. O problema est\u00e1 em n\u00edvel federal, na pouca aten\u00e7\u00e3o dada a esse bioma, o \u00fanico exclusivamente brasileiro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A sociedade tamb\u00e9m contribui para amea\u00e7ar esses espa\u00e7os protegidos. Como as unidades de Conserva\u00e7\u00e3o pesquisadas n\u00e3o podem ter atividade econ\u00f4mica, as popula\u00e7\u00f5es que ainda residiam ou tinham alguma atividade na \u00e1rea, quando elas foram criadas, deveriam ser indenizadas e remanejadas. Al\u00e9m de comunidades de povos tradicionais, como ind\u00edgenas e quilombolas, resistirem \u00e0 mudan\u00e7a, fazendeiros \u2013 incluindo pequenos propriet\u00e1rios \u2013 permanecem nos locais proibidos. \u201cAlguns foram indenizados e n\u00e3o querem sair e outros est\u00e3o especulando para ter maior valoriza\u00e7\u00e3o da terra para se retirar, o que gera muitos problemas para a gest\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o das unidades\u201d, informa Freire.<\/p>\n<p><strong>Catimbau e Chapada Diamantina<\/strong><br \/>\nO maior problema das unidades, segundo o pesquisador, est\u00e1 em Pernambuco, o Parque Nacional do Catimbau. Ele n\u00e3o tem nem mesmo um escrit\u00f3rio do ICMBio, e a sua demarca\u00e7\u00e3o nunca foi feita. Al\u00e9m disso, h\u00e1 conflitos fundi\u00e1rios, corte de madeira e atividade econ\u00f4mica dentro da \u00e1rea. Outra unidade onde foram encontrados problemas \u00e9 um dos cart\u00f5es postais brasileiros: O Parque Nacional da Chapada Diamantina.<\/p>\n<p>\u201cTemos, de um lado, o agroneg\u00f3cio, que usa muitos fertilizantes, que v\u00e3o contaminar rios e corpos d&#8217;\u00e1gua, e, do outro lado, uma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria muito forte. Em Len\u00e7\u00f3is j\u00e1 come\u00e7am a surgir favelas. Fora uma fragmenta\u00e7\u00e3o das \u00e1reas para a constru\u00e7\u00e3o de pousadas, um neg\u00f3cio que n\u00e3o \u00e9 feito pela comunidade local, mas por empres\u00e1rios da parte Sul do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Apesar das quest\u00f5es negativas, os pesquisadores tamb\u00e9m citaram \u201cefeitos n\u00e3o esperados\u201d nas expedi\u00e7\u00f5es, como a influ\u00eancia do Bolsa Fam\u00edlia na recupera\u00e7\u00e3o da fauna do Vale do Catimbau. \u00c9 que, de acordo com o pesquisador da Fundaj, a comunidade do entorno costumava ca\u00e7ar as aves nativas para complementar a alimenta\u00e7\u00e3o. Com o recurso federal, houve a redu\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a. \u201cOutro aspecto no Vale do Catimbau s\u00e3o as esp\u00e9cies introduzidas, como a aroeira. Elas t\u00eam alto poder de fogo, lenha, ent\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es passaram a cortar essa esp\u00e9cie, em vez de esp\u00e9cies end\u00eamicas, pr\u00f3prias da Caatinga, permitindo que essa vegeta\u00e7\u00e3o se recuperasse\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mais recursos e demarca\u00e7\u00e3o de terras<\/strong><br \/>\nO Atlas das Caatingas inclui recomenda\u00e7\u00f5es para uma prote\u00e7\u00e3o efetiva \u00e0s \u00e1reas estudadas. Entre as propostas est\u00e3o a abertura de concurso p\u00fablico e mais recursos financeiros, conforme explicou Neison Freire. Al\u00e9m disso, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas voltadas a cada problema encontrado nas unidades. \u201c[\u00c9 preciso fazer a] demarca\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de forma urgente, a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria para que 100% fiquem em posse da Uni\u00e3o. Mapeamentos sistem\u00e1ticos com o uso de drones, torres de observa\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o de brigadistas, principalmente no per\u00edodo seco para combater inc\u00eandios\u201d, sugere.<\/p>\n<p>O analista ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Jo\u00e3o Seyffarth, esteve presente no pr\u00e9-lan\u00e7amento do filme. Atuante no combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, problema ambiental encontrado na Caatinga com alto grau de degrada\u00e7\u00e3o, Seyffarth diz que os recursos arrecadados com a visita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas protegidas podem ser usados para melhorar a gest\u00e3o. \u201cA gente sabe que as unidades de Conserva\u00e7\u00e3o brasileiras geram muitos recursos, mas, em geral, eles v\u00e3o para o Tesouro Nacional. \u00c9 preciso encontrar uma maneira para que os recursos gerados sejam usados na gest\u00e3o das unidades\u201d, defende.<\/p>\n<p><strong>Instituto responde<\/strong><br \/>\nEm nota, o ICMBio diz que ainda n\u00e3o teve conhecimento da pesquisa de modo oficial, portanto n\u00e3o seria poss\u00edvel responder aos questionamentos em detalhe. \u201cNo geral, o instituto tem se esfor\u00e7ado para dotar as unidades de Conserva\u00e7\u00e3o federais da Caatinga de todos os instrumentos de gest\u00e3o, como planos de manejo, conselhos gestores e estrutura para abrigar servidores e pesquisadores e receber visitantes\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es, o \u00f3rg\u00e3o cita as fiscaliza\u00e7\u00f5es para coibir crimes ambientais, a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental para orientar comunidades locais e um \u201cesfor\u00e7o no sentido de regularizar a situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria\u201d. Sobre a realiza\u00e7\u00e3o de concurso p\u00fablico para refor\u00e7ar o n\u00famero de funcion\u00e1rios das unidades pesquisadas, o ICMBio respondeu que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Filme e pesquisa na internet<\/strong><br \/>\nA pesquisa completa est\u00e1 dispon\u00edvel no site da<a href=\"http:\/\/www.fundaj.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2524&amp;Itemid=800\" target=\"_blank\"> Fundaj<\/a>, junto com imagens e mapas produzidos ao longo dos tr\u00eas anos de trabalho. O document\u00e1rio, com uma hora de dura\u00e7\u00e3o e feito com imagens amadoras captadas pela pr\u00f3pria equipe de cientistas, deve ser disponibilizado na p\u00e1gina \u201cnos pr\u00f3ximo 30 dias\u201d, segundo Neison. Ele tamb\u00e9m ser\u00e1 exibido em comunidades e locais pesquisados. As cidades j\u00e1 agendadas s\u00e3o Campina Grande (PB) e Petrolina (PE).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ocupa\u00e7\u00e3o irregular de terras, desmatamento, falta de estrutura e de demarca\u00e7\u00e3o foram alguns dos problemas<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/parque.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ocupa\u00e7\u00e3o irregular de terras, desmatamento, falta de estrutura e de demarca\u00e7\u00e3o foram alguns dos problemas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65425"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}