{"id":65415,"date":"2017-05-10T09:00:11","date_gmt":"2017-05-10T12:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65415"},"modified":"2017-05-09T21:28:25","modified_gmt":"2017-05-10T00:28:25","slug":"a-amazonia-segundo-os-ruralistas-indios-e-populacoes-tradicionais-na-contramao-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-amazonia-segundo-os-ruralistas-indios-e-populacoes-tradicionais-na-contramao-do-pais\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia segundo os ruralistas: \u00edndios e popula\u00e7\u00f5es tradicionais na contram\u00e3o do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=65416\" rel=\"attachment wp-att-65416\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65416\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao assumir o comando do Congresso e do Planalto, a ditadura ruralista avan\u00e7a no Brasil com a chuva de medidas provis\u00f3rias editadas pelo governo Temer e ratificadas pelo Congresso Nacional, em um duro golpe para o maior patrim\u00f4nio ambiental do pa\u00eds: a Amaz\u00f4nia. Recheada de cinismo e cobi\u00e7a, a escalada de a\u00e7\u00f5es para diminuir as \u00e1reas protegidas da maior floresta tropical do planeta passou a andar de m\u00e3o dadas com a decis\u00e3o hist\u00f3rica de impedir a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas que, ap\u00f3s 29 anos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, ainda n\u00e3o foram reconhecidas pelo Estado brasileiro \u2013 \u00a0muitas delas sequer identificadas e delimitadas, colocando em risco a sobreviv\u00eancia cultural desses povos.<\/p>\n<p>Criado para proteger o mar de floresta que envolve a famosa estrada que liga Cuiab\u00e1 \u00e0 cidade de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, o Mosaico da BR-163 vem sendo desfigurado para atender \u00e0 incessante demanda do agroneg\u00f3cio brasileiro por mais terra, embora o setor continue enchendo o peito para alardear sua produtividade e sua capacidade de ampliar a produ\u00e7\u00e3o sem a necessidade de destruir nem mais um palmo de floresta.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 11 de abril, a Comiss\u00e3o Mista que re\u00fane senadores e deputados aprovou as MPs 756 e 758. As duas medidas seguem agora para\u00a0aprova\u00e7\u00e3o do plen\u00e1rio da C\u00e2mara. Se aprovadas, o mosaico de \u00e1reas protegidas da BR-163 deve perder\u00a0mais de 1 milh\u00e3o de hectares \u2013 beneficiando \u00e1reas griladas que poder\u00e3o ser regularizadas. Se depender da vontade da famigerada bancada ruralista que domina o Congresso, \u00e9 certo o avan\u00e7o sobre a Floresta Nacional do Jamanxim, a Reserva Biol\u00f3gica Nascentes da Serra do Caximbo, o Parque Nacional do Jamanxim e a Floresta Nacional Itaituba II.<\/p>\n<p>Embora muitos incautos acreditem na propaganda oficial de que o agroneg\u00f3cio \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o do Brasil, o sistem\u00e1tico e coordenado ataque dos ruralistas sobre as terras p\u00fablicas no Brasil ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos anos e evidencia a decis\u00e3o do Estado brasileiro de entregar as \u00e1reas protegidas da Amaz\u00f4nia aos interesses do agroneg\u00f3cio, do setor florestal e da minera\u00e7\u00e3o; ignorando os direitos de popula\u00e7\u00f5es tradicionais e povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, ou mesmo os tratados internacionais de prote\u00e7\u00e3o ambiental, a exemplo da Conven\u00e7\u00e3o de Biodiversidade e do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>O motivador econ\u00f4mico dos ruralistas fica ainda mais evidente quando se analisa a proposta de redu\u00e7\u00e3o da Floresta Nacional Itaituba II em 169 mil hectares, para a cria\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Trair\u00e3o. Os limites da nova Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o seguem fielmente as estradas ilegais abertas para a explora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ilegal de madeira no norte da Floresta Nacional Itaituba IIal\u00e9m de se sobrepor a 16.000 hectares da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, identificada e delimitada pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) em 19 de abril de 2016, ap\u00f3s 15 anos de luta do povo Munduruku.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/Sawre_Muybu_Trairao-.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"451\" \/><\/p>\n<p>Em sobrevoo realizado pelo Greenpeace em 17\/06\/2016, foi poss\u00edvel confirmar \u00a0uma s\u00e9rie de estradas ilegais que davam suporte a extra\u00e7\u00e3o ilegal no interior da Floresta Nacional de Itaituba II, conforme demonstram a fotos a seguir.<\/p>\n<p>Embora constitucional, o direito origin\u00e1rio do povo Munduruku aos 178.000 hectares do territ\u00f3rio de Sawr\u00e9 Muybu continua sendo ignorado pelo Estado brasileiro \u2013 o mesmo Estado que, do dia para a noite, resolve dar de presente 169.000 hectares a grileiros e madeireiros. Com isso, o governo reafirma sua prefer\u00eancia em proteger os interesses ruralistas em vez de cumprir seu dever constitucional de compensar \u00e0queles que historicamente foram privados dos seus territ\u00f3rios tradicionais.<\/p>\n<p>O intenso esfor\u00e7o do governo Michel Temer e da bancada ruralista para entregar a Amaz\u00f4nia e seus povos aos interesses do agroneg\u00f3cio nacional revela a vis\u00e3o tacanha de pa\u00eds, calcada no desprezo pela natureza e pelo conhecimento sobre ela, no esbulho de direitos tradicionais em fun\u00e7\u00e3o de interesses econ\u00f4micos imediatos, na ignor\u00e2ncia sobre a diversidade cultural e na leni\u00eancia quanto \u00e0 pr\u00f3pria identidade nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao assumir o comando do Congresso e do Planalto, a ditadura ruralista avan\u00e7a no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65416,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ataques_ruralistas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ao assumir o comando do Congresso e do Planalto, a ditadura ruralista avan\u00e7a no Brasil","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65415\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}