{"id":65368,"date":"2017-05-09T11:00:54","date_gmt":"2017-05-09T14:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65368"},"modified":"2017-05-08T18:28:40","modified_gmt":"2017-05-08T21:28:40","slug":"gordofobia-por-que-esse-preconceito-e-mais-grave-do-que-voce-pensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/gordofobia-por-que-esse-preconceito-e-mais-grave-do-que-voce-pensa\/","title":{"rendered":"Gordofobia: por que esse preconceito \u00e9 mais grave do que voc\u00ea pensa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=65369\" rel=\"attachment wp-att-65369\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65369\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O<\/span> homem que casar com uma mulher gorda vai preferir trabalhar dobrado, ficar na rua, qualquer coisa, menos voltar para casa e encontrar uma mulher gorda\u201d, disse o l\u00edder de uma institui\u00e7\u00e3o religiosa em um encontro de jovens entre 17 e 25 anos de idade. Na plateia, Evelyn Daisy pareceu ser a \u00fanica a se importar. \u201cTodos no sal\u00e3o aceitaram. Eu me senti mal, mas abri meus olhos e entendi que era preconceito\u201d, conta ela, que se define como \u201cpreta, gorda, evang\u00e9lica e feminista\u201d e criou uma marca de roupas justamente com o objetivo de empoderar mulheres gordas e negras que, como ela, usam manequim al\u00e9m do n\u00famero 52.<\/p>\n<p>Estudos indicam que, apesar dos esfor\u00e7os de conscientiza\u00e7\u00e3o, atitudes preconceituosas expl\u00edcitas contra gordos aumentaram consideravelmente entre 2001 e 2010. Ainda \u00e9 mais comum, no entanto, que o preconceito apare\u00e7a travestido de elogio ou preocupa\u00e7\u00e3o. Frases como <strong>\u201cvoc\u00ea tem o rosto t\u00e3o bonito, por que n\u00e3o emagrece?\u201d<\/strong>, \u201cnossa, eu que sou mais magra que voc\u00ea n\u00e3o tenho coragem de usar biqu\u00edni\u201d ou \u201cseu marido \u00e9 t\u00e3o magro e voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o gorda, d\u00e1 certo?\u201d s\u00e3o ouvidas por mulheres como Evelyn dia sim, outro tamb\u00e9m. Elas s\u00e3o reflexo da chamada<strong> gordofobia<\/strong>, o preconceito ou intoler\u00e2ncia contra pessoas gordas.<\/p>\n<p>Enquanto inj\u00faria racial e viol\u00eancia contra a mulher s\u00e3o consideradas crime no Brasil,<strong> o preconceito com pessoas gordas n\u00e3o apenas passa batido como \u00e9 at\u00e9 encorajado por \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade p\u00fablica e campanhas de publicidade<\/strong>, especialmente durante o ver\u00e3o, quando os corpos est\u00e3o mais \u00e0 mostra. Mas por que, afinal, h\u00e1 tamanha intoler\u00e2ncia com o corpo gordo?<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/YKUkdPAIKyMAenliZVLVcqvW43w=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/2.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"640\" height=\"960\" \/><br \/>\n<label class=\"foto-legenda\">&#8220;O corpo de praia \u00e9 o corpo que quer ir \u00e0 praia. Eu adoro praia, ent\u00e3o o meu corpo \u00e9 definitivamente um corpo de praia&#8221;, afirma Evelyn Daisy (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>Tortura Medieval<\/strong><\/em><br \/>\nPara come\u00e7o de conversa, essa discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade. No entendimento judaico-crist\u00e3o cl\u00e1ssico, a gula \u00e9 um dos sete pecados capitais e, portanto, uma demonstra\u00e7\u00e3o de fracasso moral. Durante o per\u00edodo medieval, o jejum era uma pr\u00e1tica constante que valorizava a espiritualidade em detrimento do corpo. Mais tarde, com o desenvolvimento da medicina, pesquisadores e charlat\u00f5es propuseram as mais variadas solu\u00e7\u00f5es para o suposto problema, <strong>de ovos de parasitas a engenhocas para eliminar a gordura e exerc\u00edcios que mais pareciam tortura<\/strong>\u2026 Tudo em v\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos tentando h\u00e1 centenas de anos encontrar a solu\u00e7\u00e3o da corpul\u00eancia, mas nunca conseguimos. A partir do momento em que as primeiras rela\u00e7\u00f5es entre problemas de sa\u00fade e gordura corporal come\u00e7aram a ser publicadas, <strong>o gordo passou a responder por tripla acusa\u00e7\u00e3o: falta de formosura, falta de retid\u00e3o de esp\u00edrito e falta de capacidade para gerenciar a pr\u00f3pria sa\u00fade<\/strong>\u201d, diz a nutricionista Paola Altheia. Criadora do blog <em>N\u00e3o Sou Exposi\u00e7\u00e3o<\/em>, Altheia notabilizou-se por desconstruir os mitos de emagrecimento e questiona os padr\u00f5es de beleza: \u201cEst\u00e1 mais do que na hora de compreendermos que o corpo gordo n\u00e3o \u00e9 um erro, um pecado ou um crime\u201d.<\/p>\n<p>Muitos dos mitos relacionados com o peso t\u00eam a ver com a ideia de que a obesidade \u00e9 control\u00e1vel \u2014 portanto, representa neglig\u00eancia. Mas o excesso de peso n\u00e3o \u00e9 necessariamente resultado de comer demais. V\u00e1rios outros fatores podem contribuir, como f<strong>alta de sono, condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, medicamentos, desequil\u00edbrio hormonal, gen\u00e9tica, problemas de sa\u00fade mental e at\u00e9 mesmo a polui\u00e7\u00e3o do ar<\/strong>. Ou seja, segundo Altheia, dizer que uma pessoa \u00e9 obesa porque ela come demais e n\u00e3o se exercita muito \u00e9 fazer uma generaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro mito comum \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que pessoas gordas n\u00e3o s\u00e3o saud\u00e1veis apenas por serem gordas. Hoje, a obesidade \u00e9 identificada com o c\u00e1lculo do \u00cdndice de Massa Corporal (IMC), um n\u00famero obtido por meio da rela\u00e7\u00e3o entre altura e peso. O \u00cdndice de Massa Corporal \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o da antropometria, um segmento da antropologia que mede o corpo humano e suas partes, e come\u00e7ou a ser usado a partir do s\u00e9culo 19 como forma de estabelecer normas sociais e definir o que seria um \u201ccorpo humano normal\u201d.<\/p>\n<p>Essas tentativas de definir e categorizar pessoas entre normais e anormais est\u00e3o fortemente associadas \u00e0 <strong>eugenia<\/strong>, ci\u00eancia que tenta determinar quais seriam os seres humanos com o melhor patrim\u00f4nio gen\u00e9tico \u2014 e<strong> que j\u00e1 serviu de justificativa para genoc\u00eddio, escravid\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um termo para isso na chamada \u201csociologia da obesidade\u201d: healthism (ou higiomania, em portugu\u00eas), que \u00e9 um julgamento moral sobre algu\u00e9m com base em sua sa\u00fade ou preocupa\u00e7\u00e3o em excesso com a sa\u00fade. De acordo com esse estudo, <strong>quem n\u00e3o \u00e9 considerado saud\u00e1vel ou que faz coisas contr\u00e1rias ao que \u00e9 tido como tipicamente saud\u00e1vel acaba sendo visto como uma pessoa ruim ou com moral negativa<\/strong>. \u201cCada vez mais aumentamos nossas expectativas sobre as pessoas em termos de sa\u00fade e comportamentos saud\u00e1veis, e \u00e9 uma expectativa disseminada, que permeia a vida social, profissional e educacional dos indiv\u00edduos\u201d, diz Michaela Null, professora de Sociologia da Universidade de Wisconsin-Fond du Lac.<\/p>\n<p>\u201cO estudo do healthism n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 sa\u00fade, apenas questiona como entendemos a sa\u00fade, quem responsabilizamos pela sa\u00fade, como ela est\u00e1 relacionada a sistemas de poder e a crescente press\u00e3o para que as pessoas aparentem sa\u00fade.\u201d Segundo Null, cuja especialidade \u00e9 sociologia da obesidade, essa \u00e1rea do conhecimento se dedica a pensar criticamente sobre como o peso de algu\u00e9m \u00e9 frequentemente usado como indicador de sa\u00fade e como a ideia de ser magro resulta em proje\u00e7\u00f5es sobre a qualidade de algu\u00e9m como pessoa.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/XsIMeTFyAhG5CwG87H8gMmG7aoE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/3.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"640\" height=\"960\" \/><br \/>\n<label class=\"foto-legenda\">&#8220;A partir do momento em que a sua mente entende que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com voc\u00ea, voc\u00ea tem o corpo ideal&#8221;, diz o rapper M\u00e9qui (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><strong><em>Sa\u00fade? Isso \u00e9 relativo<\/em><\/strong><br \/>\nEstudo recente encabe\u00e7ado por psic\u00f3logos da Universidade de Los Angeles (Ucla) apontou que usar o IMC para determinar \u00edndice de sa\u00fade levou \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o incorreta de 54 milh\u00f5es de americanos saud\u00e1veis como \u201cdoentes\u201d. De acordo com a pesquisa, que cruzou dados de IMC com os de exames laboratoriais, <strong>quase metade dos norte-americanos considerados acima do peso conforme seus \u00edndices de massa corporal s\u00e3o saud\u00e1veis, assim como aproximadamente 20 milh\u00f5es de obesos. <\/strong>Al\u00e9m disso, mais de 30% das pessoas com o IMC considerado normal na verdade n\u00e3o est\u00e3o saud\u00e1veis. Conclus\u00e3o? Obesidade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de doen\u00e7a, assim como magreza n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Algo que j\u00e1 sabia Luciane Barros, criadora do Africa Plus Size Fashion Week, um projeto pioneiro no Brasil que faz desfiles de moda e cria pe\u00e7as para mulheres gordas e negras com a miss\u00e3o de valorizar a beleza de diferentes tons e tamanhos. Durante mais de oito anos, Luciane praticou boxe profissionalmente, inclusive treinando para competi\u00e7\u00f5es. O manequim 48 n\u00e3o foi empecilho para ela, cujos exames de sa\u00fade n\u00e3o apontavam qualquer problema com colesterol ou diabetes<strong>. Barros era gorda, saud\u00e1vel e lutadora de boxe.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPerceber que ser gordo ou magro n\u00e3o define sa\u00fade foi o que me impulsionou a criar o Africa Plus Size Fashion Week. Por preconceito, foi pregado que o gordo n\u00e3o tem sa\u00fade. E isso n\u00e3o \u00e9 verdade, comecei a perceber que isso n\u00e3o me definia\u201d, explica. Na realidade, conforme pesquisa publicada no peri\u00f3dico Archives of Internal Medicine, uma em cada quatro pessoas magras sofre dos riscos associados \u00e0 obesidade. Ao mesmo tempo, 15% dos norte-americanos que s\u00e3o considerados \u201cmuito obesos\u201d de acordo com seu IMC (o que equivale a mais de 2 milh\u00f5es de pessoas), est\u00e3o, de fato, saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>O problema \u00e9 que o IMC n\u00e3o traz dados sobre h\u00e1bitos saud\u00e1veis, horm\u00f4nios, taxas de colesterol e triglicer\u00eddeos<\/strong>, al\u00e9m de outros fatores que s\u00e3o detectados por meio de exames laboratoriais e dizem muito mais respeito \u00e0 sa\u00fade de algu\u00e9m do que o tamanho de um corpo.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/s_TBtGR86EP9xTb8GJXayO2-P8k=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/8.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"640\" height=\"846\" \/><label class=\"foto-legenda\">&#8220;Todos os corpos devem e merecem estar em qualquer lugar, inclusive na praia&#8221;, afirma Luciane Barros, criadora do \u00c1frica Plus Size (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>Corpos pol\u00edticos<\/strong><\/em><br \/>\nEm geral, quando as pessoas trocam suas fotos de perfil nas redes sociais, recebem dezenas de coment\u00e1rios excessivamente elogiosos feitos por amigos. Mas n\u00e3o foi isso que aconteceu quando, em fevereiro de 2015, a youtuber Jessica Tauane decidiu postar na sua p\u00e1gina uma foto comum, em que aparecia sorrindo. \u201cVolta pro mar, baleia jubarte.\u201d \u201cSapat\u00e3o lixo.\u201d \u201cGorda feia.\u201d Foram mais de 420 coment\u00e1rios, boa parte deles<strong> xingando Jessica por ser gorda e l\u00e9sbica<\/strong>. Criadora do Canal das Bee, um canal do YouTube com quase 300 mil inscritos, Jessica \u00e9 conhecida por falar sobre preconceitos, especialmente homofobia.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei por que causaram tanto naquilo, mas ningu\u00e9m conseguiu fazer eu me sentir ofendida de verdade \u2014 por exemplo, me chamando de desonesta. Porque o que importa n\u00e3o \u00e9 a sua apar\u00eancia, mas o que voc\u00ea faz. Desonestos s\u00e3o eles, que n\u00e3o aceitam as pessoas sendo felizes\u201d, afirma. Jessica conta ter demorado para entender como funciona a gordofobia, j\u00e1 que nunca sofreu press\u00e3o para emagrecer dentro de casa, diferentemente de conhecidas suas que s\u00e3o insultadas pelos familiares todos os dias \u2014 <strong>uma chegou at\u00e9 a ser levada para realizar uma cirurgia bari\u00e1trica pela pr\u00f3pria m\u00e3e sem seu conhecimento.<\/strong><\/p>\n<p>Ao criar o Canal das Bee e ganhar notoriedade, Jessica passou a ser atacada por sua apar\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o sexual, e ent\u00e3o entendeu como as opress\u00f5es est\u00e3o conectadas. \u201cFoi uma aula de interseccionalidade; comecei a ver que existem muitas coisas que n\u00e3o s\u00e3o aceitas. Nosso corpo \u00e9 muito pol\u00edtico porque tem corpos que s\u00e3o aceitos e outros n\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Os corpos que n\u00e3o s\u00e3o aceitos sofrem uma esp\u00e9cie de patrulha, com um bombardeio de coment\u00e1rios.<\/strong> E, ao contr\u00e1rio daquilo em que acredita aquela tia cheia de \u201cboas inten\u00e7\u00f5es\u201d que sempre tem algo a dizer sobre a silhueta do restante da fam\u00edlia, falar sobre o corpo do outro n\u00e3o colabora em nada com a sua sa\u00fade, apenas prejudica seu estado emocional. Um estudo recente do Instituto de Psicologia da Universidade de Liverpool indicou que, quanto mais pessoas obesas reconhecem sua obesidade e pensam a respeito disso, maior a tend\u00eancia de comerem al\u00e9m da saciedade para buscar conforto emocional.<\/p>\n<p>Em outras palavras,<strong> chamar a aten\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m para seu peso e sua alimenta\u00e7\u00e3o deixa a pessoa mais propensa a comer compulsivamente.<\/strong> \u201cAs pessoas que sofrem de compuls\u00e3o alimentar, depress\u00e3o e baixa autoestima agravar\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o cada vez mais, \u00e0 medida que forem discriminadas\u201d, diz a nutricionista Paola Altheia. \u201cUm corpo gordo sempre atrai um time de \u2018paladinos da sa\u00fade\u2019. O que verdadeiramente incomoda \u00e9 a apar\u00eancia do gordo, que, para muitos, \u00e9 repulsiva. E \u00e9 disso que se trata.\u201d<\/p>\n<p>Rejeitar a obesidade com a justificativa da sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica recente na nossa cultura<strong>. As primeiras dietas voltadas a controlar o peso e reduzir medidas datam de mais de 2,4 mil anos atr\u00e1s<\/strong> \u2014 uma das mais famosas foi criada justamente por um dos primeiros m\u00e9dicos de que se tem not\u00edcia, Hip\u00f3crates (qualquer trocadilho com o nome \u00e9 mera coincid\u00eancia). Na tradi\u00e7\u00e3o greco-romana cl\u00e1ssica, regida pelo mote \u201ccorpo s\u00e3o, mente s\u00e3\u201d, ter corpo magro e musculoso significava o dom\u00ednio da racionalidade, a modera\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos. Da mesma forma, ser \u201ccorpulento\u201d significava exatamente o oposto, a entrega demasiada aos prazeres. Para Plat\u00e3o, um dos fil\u00f3sofos mais influentes sobre o pensamento europeu, a gula era moralmente conden\u00e1vel porque prejudicaria o desenvolvimento pleno do intelecto.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/1cYCp3kKUTMQwdbFJWE3j6NHb-U=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/4_bHJNOnX.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"639\" height=\"959\" \/><label class=\"foto-legenda\">&#8220;Ningu\u00e9m pagou a sua viagem \u00e0 praia, voc\u00ea n\u00e3o deve nada \u00e0 ningu\u00e9m. \u00c9 o seu corpo, v\u00e1 se divertir&#8221;, considera J\u00e9ssica \u00a0Tauane, criadora do Canal das Bee no YouTube (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>Padr\u00f5es que adoecem<\/strong><\/em><br \/>\nBernardo Costa sempre foi a \u00fanica pessoa gorda da fam\u00edlia, que o pressionava para emagrecer. Ao come\u00e7ar a frequentar a cena gay do Rio de Janeiro, sentiu vontade de se \u201cmontar\u201d como as drag queens que ele tanto admirava. Um dia, vestiu um mai\u00f4 preto brilhante, fez uma maquiagem elaborada e foi para a pista. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem vergonha de usar as roupas que usa com esse seu corpo?\u201d, ouviu de um conhecido. A verdade \u00e9 que n\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio. \u201cEu me monto e as pessoas me olham torto, \u00e0s vezes me pergunto se estou me expondo demais. Mas tem que ser na luta, dei minha cara a tapa \u2014 alguns gostaram, outros n\u00e3o\u201d, diz. \u201cA gente tem que se soltar. A vida \u00e9 muito curta, n\u00e3o podemos nos prender a preconceitos.\u201d Mas se soltar n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o f\u00e1cil: <strong>os efeitos da gordofobia tamb\u00e9m podem ser sentidos na vida emocional e s\u00e3o capazes de abalar o psicol\u00f3gico.<\/strong><\/p>\n<p>Tamara Greenberg, psic\u00f3loga especializada em trauma e sa\u00fade mental que atende pacientes em San Francisco (EUA), nota que pessoas estigmatizadas pelo seu peso muitas vezes passam a acreditar que n\u00e3o merecem ser amadas. \u201cPessoas com sobrepeso s\u00e3o extremamente estigmatizadas e estereotipadas. Eu vi mulheres obesas conclu\u00edrem que ningu\u00e9m se sentiria atra\u00eddo por elas por causa de seu peso, mas isso simplesmente n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, afirma \u00e0 GALILEU.<\/p>\n<p>\u201cElas adotaram essas ideias sobre quem merece aten\u00e7\u00e3o com base em ideais de beleza atuais, mas basta olhar uma pintura renascentista para ver como esses ideais mudam.\u201d Segundo Greenberg, a implic\u00e2ncia com a obesidade diz mais sobre as pessoas que fazem coment\u00e1rios desnecess\u00e1rios a respeito do corpo alheio do que sobre os pr\u00f3prios obesos. \u201cAqueles que t\u00eam problemas com indiv\u00edduos com sobrepeso possuem muitas ansiedades relacionadas a comida\u201d, destaca.<\/p>\n<p>De fato, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as pessoas obesas ou com sobrepeso que sofrem gordofobia. Qualquer um que n\u00e3o se encaixe nos padr\u00f5es de beleza pode se sentir estigmatizado e, como resultado, desenvolver doen\u00e7as como bulimia e anorexia, problemas comuns entre adolescentes.<strong> D<\/strong>e acordo com a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE) 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), <strong>uma a cada cinco meninas brasileiras com idade entre 13 e 15 anos se acha gorda ou muito gorda. <\/strong>Entre as entrevistadas, apesar de 21,8% se considerarem gordas ou muito gordas, o desejo de perder peso atinge 30,3% delas. \u00c9 uma ansiedade generalizada, que pode vitimar jovens que levam padr\u00f5es de beleza a s\u00e9rio demais.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, segundo pesquisa da Casa do Adolescente, da Secretaria de Estado da Sa\u00fade, 77% das adolescentes apresentam propens\u00e3o a desenvolver algum dist\u00farbio alimentar, seja anorexia, seja bulimia, seja compuls\u00e3o por comer. Entre as participantes do estudo, 85% acreditam que existe um padr\u00e3o de beleza imposto pela sociedade; 46% disseram que mulheres magras s\u00e3o mais felizes; e 55% adorariam simplesmente acordar magras. Outro balan\u00e7o do mesmo \u00f3rg\u00e3o apontou que, em m\u00e9dia, <strong>a cada dois dias uma pessoa \u00e9 internada por anorexia ou bulimia somente nos hospitais que atendem pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/xMRPOwSW-Erwj9GojONsV0lbVO0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/6.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"639\" height=\"959\" \/><label class=\"foto-legenda\">\u00a0\u201cUma vez um conhecido me perguntou se eu n\u00e3o tinha vergonha de usar as roupas que usava tendo o meu corpo. E n\u00e3o, n\u00e3o tenho&#8221;, afirma Bernardo Costa, organizador da festa Baleia (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>De boas inten\u00e7\u00f5es&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\nN\u00e3o bastasse a discrimina\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, se voc\u00ea \u00e9 gordo h\u00e1 uma grande probabilidade de que o seu sal\u00e1rio seja menor s\u00f3 por causa de sua apar\u00eancia. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos em 2013 encontraram uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre obesidade e um sal\u00e1rio robusto, digamos. Conforme estudo da Universidade Cornell, <strong>quanto mais rico voc\u00ea for, maior a probabilidade de ser saud\u00e1vel.<\/strong> E, se voc\u00ea \u00e9 mulher e de alguma minoria racial ou \u00e9tnica, voc\u00ea \u00e9 mais propensa a ser obesa.<\/p>\n<p>Segundo John Cawley, professor de Cornell e respons\u00e1vel pela pesquisa que analisa os efeitos econ\u00f4micos da obesidade, a pobreza pode engordar algumas pessoas, mas a obesidade definitivamente empobrece as pessoas, em especial as mulheres. As obesas em geral t\u00eam 50% menos chances de frequentar o ensino superior, 20% menos chances de se casar, sete vez mais chances de ter depress\u00e3o e recebem 9% a menos que mulheres n\u00e3o obesas.<\/p>\n<p>Um outro estudo de 2015, desta vez da Universidade Vanderbilt, concluiu que mulheres obesas t\u00eam mais possibilidade de trabalhar em empregos com \u00eanfase em atividade bra\u00e7al em detrimento daqueles voltados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, uma tend\u00eancia n\u00e3o observada com homens obesos. Mesmo quando elas atuam em postos que exigem intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mulheres obesas recebem menos do que mulheres n\u00e3o obesas, que por si s\u00f3 j\u00e1 ganham, em m\u00e9dia, dois ter\u00e7os a menos do que os homens pelo mesmo servi\u00e7o nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para Luciane Barros, que sofreu na pele a rejei\u00e7\u00e3o por n\u00e3o se encaixar nos padr\u00f5es, trabalhar a autoconfian\u00e7a interna e coletivamente (em grupos de apoio, por exemplo) e parar de se preocupar com a opini\u00e3o dos outros \u00e9 uma maneira eficaz de lidar com a press\u00e3o social. \u201c<strong>O bem-estar, a liberdade, a beleza e a for\u00e7a de algu\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o na aprova\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo. <\/strong>Acredito muito nisso e na busca do seu bem-estar independentemente do que a sociedade prega como sendo o melhor.\u201d<\/p>\n<p>Quando era pequena e ia \u00e0 praia com a fam\u00edlia, Ariane Freitas se escondia embaixo do guarda-sol com a barriga dobrada para que ningu\u00e9m visse seu corpo. Seu av\u00f4 a chamava de \u201cminha gordinha\u201d, suas tias perguntavam quando ela ia emagrecer e sua m\u00e3e insistia que ela n\u00e3o \u201cera\u201d gorda, apenas \u201cestava\u201d gorda. <strong>Tudo muito bem intencionado, por\u00e9m opressor.<\/strong> \u201cEu sempre me senti confort\u00e1vel com meu corpo; eu me sentia desconfort\u00e1vel com a vis\u00e3o dos outros sobre o meu corpo. A sensa\u00e7\u00e3o que eu tinha \u00e9 que as pessoas se importavam muito mais em patrulhar as outras do que em cuidar de si mesmas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, ela se formou em Comunica\u00e7\u00e3o e atualmente toca a Indiretas do Bem, uma comunidade online que conta com 7 milh\u00f5es de membros com o objetivo de espalhar mensagens positivas. \u201cAs pessoas v\u00eam atr\u00e1s de voc\u00ea e reclamam porque voc\u00ea est\u00e1 confort\u00e1vel em seu biqu\u00edni com seu corpo fora do padr\u00e3o e elas passaram o ano inteiro se preocupando, fazendo dieta, tentando entrar no padr\u00e3o, ent\u00e3o se sentem ofendidas por voc\u00ea estar tranquila sem se esfor\u00e7ar para entrar no padr\u00e3o delas\u201d, diz Freitas. \u201cA minha rela\u00e7\u00e3o com meu corpo hoje \u00e9 mais tranquila porque eu estou feliz e fa\u00e7o apologia de acreditar em quem voc\u00ea \u00e9, eu acho que o amor pr\u00f3prio \u00e9 o caminho para que isso aconte\u00e7a\u201d, destaca. Como dizem por a\u00ed: <strong>para ter um corpo de ver\u00e3o, basta ter um corpo.<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/zMzqQuEUbqr9FWAhyqdU9Ju31ME=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/12\/22\/5.jpg\" alt=\" (Foto: Julia Rodrigues)\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<label class=\"foto-legenda\">&#8220;Passei muito tempo morrende de vergonha de ir \u00e0 praia, me escondendo embaixo do guarda&#8211;sol, n\u00e3o porque eu n\u00e3o gostasse de ser como eu era, mas porque as pessoas falavam que gorda n\u00e3o pode usar biqu\u00edni&#8221;, diz Ariane Freitas, criadora da comunidade online Indiretas do Bem (Foto: Julia Rodrigues)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>Por que n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a<\/strong><\/em><br \/>\n<em>O sobrepeso n\u00e3o \u00e9 necessariamente resultado de comida em excesso ou falta de atividade f\u00edsica. Conhe\u00e7a alguns fatores comprovados cientificamente<\/em><\/p>\n<p><strong>Falta de sono<\/strong> &#8211; Segundo uma pesquisa do King\u2019s College London, pessoas que dormem menos de sete horas por dia consomem, em m\u00e9dia, 385 calorias di\u00e1rias a mais do que aquelas que dormem al\u00e9m disso.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas<\/strong> &#8211; Uma pesquisa desenvolvida pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontou que o excesso de peso est\u00e1 ligado \u00e0 escolaridade: 57,3% dos brasileiros com at\u00e9 oito anos de estudo est\u00e3o com excesso de peso, enquanto aqueles com mais de 12 anos de estudo fazem o \u00edndice cair para 48,4%.<\/p>\n<p><strong>Medicamentos<\/strong> &#8211; Alguns rem\u00e9dios e at\u00e9 anticoncepcionais formulados \u00e0 base de estr\u00f3geno colaboram no ganho de peso.<\/p>\n<p><strong>Desequil\u00edbrio hormonal <\/strong>&#8211; Um desequil\u00edbrio na gl\u00e2ndula tireoide pode causar o hipotireoidismo, que desacelera o metabolismo, o que dificulta o gasto de energia e ret\u00e9m sal e \u00e1gua, levando ao incha\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Gen\u00e9tica<\/strong> &#8211; Estudos realizados com g\u00eameos mostram que a gen\u00e9tica influencia nosso peso entre 40% e 70%. H\u00e1 inclusive genes associados ao ac\u00famulo de gordura, como o FTO \u2014 um levantamento recente publicado na revista Nature comprovou que ratos sem esse gene nunca ficam obesos, mesmo comendo muito e se movimentando pouco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem que casar com uma mulher gorda vai preferir trabalhar dobrado, ficar na rua,<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65369,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gordofobia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O homem que casar com uma mulher gorda vai preferir trabalhar dobrado, ficar na rua,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65368"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65368\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}