{"id":65341,"date":"2017-05-09T08:00:48","date_gmt":"2017-05-09T11:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=65341"},"modified":"2017-05-08T11:19:57","modified_gmt":"2017-05-08T14:19:57","slug":"inventario-de-fauna-e-flora-em-sao-paulo-surpreende-pela-alta-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/inventario-de-fauna-e-flora-em-sao-paulo-surpreende-pela-alta-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Invent\u00e1rio de fauna e flora em S\u00e3o Paulo surpreende pela alta biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-65342\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Em uma determinada \u00e1rea, do tamanho de 140 mil campos de futebol, \u00e9 poss\u00edvel encontrar tucanos-toco (<i>Ramphastos toco<\/i>) do Cerrado, o muriqui-do-sul (<i>Brachyteles arachnoides<\/i>) \u2013 o maior primata brasileiro \u2013 e o sagui-da-serra-escuro (<i>Callithrix aurita<\/i>), animal end\u00eamico da Mata Atl\u00e2ntica e em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda seis esp\u00e9cies de plantas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas pela ci\u00eancia, al\u00e9m de carism\u00e1ticas capivaras (<i>Hydrochoerus hydrochaeris<\/i>), su\u00e7uaranas (<i>Puma concolor capricornensis<\/i>) e at\u00e9 mesmo uma on\u00e7a-pintada (<i>Panthera onca<\/i>), o maior felino das Am\u00e9ricas, contabilizando um total de 1.113 esp\u00e9cies da fauna e 4.768 da flora.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o surpreendentes, principalmente se for levado em conta que a \u00e1rea em quest\u00e3o est\u00e1 no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. H\u00e1 uma biodiversidade latente entre o cimento, o asfalto e as poucas \u00e1reas verdes, sobretudo nos cintur\u00f5es verdes do Norte e do Sul da cidade. \u00c9 o que concluiu o mais recente invent\u00e1rio de fauna e flora do munic\u00edpio, divulgado pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA).<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de fazer um invent\u00e1rio da biodiversidade da capital paulista reuniu servidores da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, institui\u00e7\u00e3o parceira do Programa BIOTA-FAPESP com o Projeto Atlas Ambiental.<\/p>\n<p>O levantamento da fauna silvestre \u00e9 feito desde 1993 e em 2016 foram inclu\u00eddos dados sobre a flora pela primeira vez. A equipe obt\u00e9m os dados a partir do levantamento prim\u00e1rio em mais de 100 localidades (136 localidades em 2016) e por meio do atendimento de animais silvestres entregues \u00e0 Divis\u00e3o T\u00e9cnica de Medicina Veterin\u00e1ria e Manejo da Fauna Silvestre da prefeitura. Os resultados incluem ainda registros cumulativos de mais de 20 anos de trabalho e alguns estudos realizados por pesquisadores parceiros.<\/p>\n<p>No caso das plantas, foi feita uma compila\u00e7\u00e3o de diferentes fontes de dados, incluindo amostras de plantas herborizadas documentadas no Herb\u00e1rio Municipal, relat\u00f3rios de vistorias t\u00e9cnicas do Herb\u00e1rio Municipal e refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas como levantamentos flor\u00edsticos ou fitossociol\u00f3gicos realizados no munic\u00edpio desde 1911.<\/p>\n<p>O que impressiona \u00e9 a possibilidade de encontrar esp\u00e9cies novas e a resist\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 de esp\u00e9cies pouco exigentes ecologicamente, como as capivaras do rio Pinheiros, como daquelas que precisam de um ecossistema equilibrado para sobreviver.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de uma on\u00e7a-pintada de quase 100 quilos que teve tranquilo andar captado, em janeiro de 2016, enquanto passeava pelo N\u00facleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar, limite sul da capital paulista. O flagrante foi feito por armadilhas fotogr\u00e1ficas do Instituto Pr\u00f3-Carn\u00edvoros, um parceiro do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTanto o muriqui-do-sul, que ainda n\u00e3o tinha registro recente no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, quanto o sagui e a on\u00e7a-pintada s\u00e3o esp\u00e9cies exigentes ecologicamente. A presen\u00e7a deles indica uma cadeia preservada, j\u00e1 que n\u00e3o suportam altera\u00e7\u00f5es ambientais. \u00c9 surpreendente e, sem d\u00favida, uma boa not\u00edcia\u201d, disse Anelisa Magalh\u00e3es, servidora da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente que coordenou a parte de fauna do <b><i>Invent\u00e1rio da Biodiversidade do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo \u2013 2016<\/i><\/b>, \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Logo na estreia da pesquisa de flora no invent\u00e1rio foram registradas seis esp\u00e9cies desconhecidas pelos pesquisadores. H\u00e1 ainda mais uma \u2013 \u00e1rvore da fam\u00edlia Lauraceae \u2013 sendo analisada como provavelmente nova. Todas elas est\u00e3o relacionadas aos esfor\u00e7os de coleta realizados durante o projeto <b>\u201cFlora Fanerog\u00e2mica do Estado de S\u00e3o Paulo\u201d<\/b>, financiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA <i>Leandra lapae<\/i> D\u2019El Rei Souza &amp; Baumgratz, um arbusto da fam\u00edlia Melastomataceae, s\u00f3 foi registrada at\u00e9 o presente momento a partir de uma coleta realizada em uma mata ao lado de Parelheiros\u201d, disse Ricardo Garcia, curador do Herb\u00e1rio Municipal e respons\u00e1vel pela parte de flora do invent\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Cerrado na metr\u00f3pole<\/b><\/p>\n<p>Fazer o levantamento da biodiversidade de uma megal\u00f3pole como S\u00e3o Paulo de forma peri\u00f3dica tem justamente a fun\u00e7\u00e3o de acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies no munic\u00edpio, assim como para servir de embasamento cient\u00edfico de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cCom esse trabalho, ficamos sabendo tanto de esp\u00e9cies que eram documentadas historicamente em alguns locais da cidade e que desapareceram, como aquelas que surgiram. Isso ocorre por causa das intensas mudan\u00e7as ambientais promovidas pela urbaniza\u00e7\u00e3o\u201d, disse Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio mostra que tanto a flora como a fauna do Cerrado est\u00e3o se tornando mais presentes. \u201cO tucano-toco, por exemplo, \u00e9 uma esp\u00e9cie comum no Cerrado e que est\u00e1 sendo registrada agora com maior frequ\u00eancia aqui\u201d, disse.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a pomba asa-branca (<i>Patagioenas picazuro<\/i>) \u00e9 um exemplo de coloniza\u00e7\u00e3o do ambiente urbano. Na d\u00e9cada de 1990, ela era vista poucas vezes e em poucas \u00e9pocas do ano, atualmente o animal se estabeleceu em toda a cidade. \u201cQuando os <i>habitats<\/i> s\u00e3o reduzidos pela urbaniza\u00e7\u00e3o e atividades humanas muitas esp\u00e9cies v\u00e3o desaparecer enquanto outras v\u00e3o se adaptar e aumentar suas popula\u00e7\u00f5es\u201d, disse Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Com a flora n\u00e3o \u00e9 diferente. Do total, 47 esp\u00e9cies foram registradas pela primeira vez na cidade depois de mais de 50 anos sem coletas. S\u00e3o, portanto, esp\u00e9cies que poderiam ser consideradas extintas, mas que foram reencontradas.<\/p>\n<p>\u201cIsto pode indicar tanto falta de coletas nesse intervalo de tempo como, tamb\u00e9m, que por\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio est\u00e3o sendo reocupadas por esp\u00e9cies campestres, dadas as atuais condi\u00e7\u00f5es ambientais. Dentre estas, 20 esp\u00e9cies ocorrem nos biomas Mata Atl\u00e2ntica e Cerrado\u201d, disse Garcia.<\/p>\n<p>Originalmente, os campos cerrados, matas, vegeta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rzea e campos alto-montanos eram os tipos de vegeta\u00e7\u00e3o que cobriam o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Apenas na \u00e1rea do Centro Hist\u00f3rico \u00e9 que predominavam os campos mais secos (nos morros) e vegeta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rzea nas baixadas. Hoje, essas vegeta\u00e7\u00f5es originais foram quase extintas por completo. Por\u00e9m, observou-se uma intensifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da flora t\u00edpica do Cerrado nos \u00faltimos anos. No conjunto das 3.474 esp\u00e9cies vasculares nativas no munic\u00edpio, 18 s\u00e3o consideradas como exclusivas do bioma Cerrado, sendo que cinco delas possuem registros recentes em ambientes naturais (n\u00e3o foram cultivadas).<\/p>\n<p>O levantamento possibilitou outra constata\u00e7\u00e3o importante: os parques da cidade de S\u00e3o Paulo t\u00eam fun\u00e7\u00e3o essencial ao servirem como ponto de parada para aves. \u201cEles d\u00e3o suporte para alimenta\u00e7\u00e3o e descanso durante os deslocamentos das aves entre os fragmentos de mata. \u00c9 o caso do Parque Ibirapuera, do Parque da Aclima\u00e7\u00e3o e do Parque Buenos Aires, que recebem a visita da araponga [<i>Procnias nudicolis<\/i>] durante a primavera, por exemplo. A malha de parques municipais, com sua miscel\u00e2nea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e ex\u00f3tica, tem maior relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica para as aves florestais e migrat\u00f3rias do que se supunha\u201d, disse Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga explica que, al\u00e9m da import\u00e2ncia dos parques ser confirmada, h\u00e1 ainda necessidade de acompanhar a arboriza\u00e7\u00e3o urbana. \u201cO que voc\u00ea escolhe para plantar na sua cidade vai influenciar na biodiversidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ao longo dos 20 anos de realiza\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio, ele j\u00e1 serviu de base para compensa\u00e7\u00e3o ambiental de grandes obras. \u201c No fim, isso tudo depende de decis\u00f5es pol\u00edticas, mas com o invent\u00e1rio podemos instrumentalizar as decis\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Magalh\u00e3es conta que nas obras do Rodoanel, trecho sul, por exemplo, foram criados por compensa\u00e7\u00e3o ambiental quatro parques naturais, com base nas informa\u00e7\u00f5es do invent\u00e1rio de fauna e flora. O mesmo ocorreu com a altera\u00e7\u00e3o da fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da Eletropaulo, em \u00e1reas rurais, para um menor risco para a fauna, baseado nos casos de eletrocuss\u00e3o relatados pela Divis\u00e3o de Fauna.<\/p>\n<p>\u201cIsso porque conseguimos provar que havia impacto e que animais estavam morrendo eletrocutados. Caso contr\u00e1rio, poderiam sempre falar que em S\u00e3o Paulo n\u00e3o tem bicho nem planta\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma determinada \u00e1rea, do tamanho de 140 mil campos de futebol, \u00e9 poss\u00edvel encontrar<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":65342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fauna.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em uma determinada \u00e1rea, do tamanho de 140 mil campos de futebol, \u00e9 poss\u00edvel encontrar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65341"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}