{"id":64944,"date":"2017-05-02T08:28:31","date_gmt":"2017-05-02T11:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64944"},"modified":"2017-05-02T08:28:32","modified_gmt":"2017-05-02T11:28:32","slug":"mudancas-climaticas-podem-fomentar-crescimento-de-florestas-tropicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-podem-fomentar-crescimento-de-florestas-tropicais\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem fomentar crescimento de florestas tropicais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-podem-fomentar-crescimento-de-florestas-tropicais\/mata-4\/\" rel=\"attachment wp-att-64945\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64945\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mata-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mata-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mata.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As florestas tropicais s\u00e3o frequentemente descritas como os \u201cpulm\u00f5es da Terra\u201d por sua prodigiosa capacidade de inspirar di\u00f3xido de carbono (CO2) e exalar oxig\u00eanio. Assim, quanto mais r\u00e1pido elas crescerem, mais poder\u00e3o ajudar a combater o aquecimento global ao absorverem grandes quantidades de CO2, justamente o que \u00e9 apontado como principal g\u00e1s do efeito estufa emitido pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o se sabe como elas reagir\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com previs\u00f5es de temperaturas mais altas e mais chuvas. At\u00e9 agora, os cientistas acreditavam que a eleva\u00e7\u00e3o nas precipita\u00e7\u00f5es iria como que \u201cafogar\u201d as plantas, atrapalhando significativamente seu crescimento. Mas um novo estudo que compilou e revisou dados de mais de 150 florestas localizadas nas regi\u00f5es tropicais do planeta, entre os 23,5 graus de latitude Norte e Sul, colocou de pernas pro ar esta no\u00e7\u00e3o, indicando justamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2014 Nossos dados sugerem que, \u00e0 medida que os padr\u00f5es clim\u00e1ticos mudam nos tr\u00f3picos, e alguns locais ficam mais \u00famidos e quentes, as florestas v\u00e3o acelerar seu crescimento, o que \u00e9 bom para remover carbono da atmosfera \u2014 diz Philip Taylor, cientista do Instituto de Pesquisas \u00c1rticas e Alpinas da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e l\u00edder do estudo, publicado recentemente no peri\u00f3dico cient\u00edfico \u201cEcology Letters\u201d. \u2014 De certa forma, isso \u00e9 uma boa not\u00edcia, pois podemos esperar uma maior absor\u00e7\u00e3o de CO2 nas regi\u00f5es tropicais onde as precipita\u00e7\u00f5es dever\u00e3o aumentar. Mas h\u00e1 muitas ressalvas.<\/p>\n<p><strong>Suposi\u00e7\u00e3o posta em d\u00favida<\/strong><\/p>\n<p>Os ecologistas h\u00e1 tempos pensam que o crescimento das florestas tropicais segue uma curva em forma de \u201ccorcova\u201d quando relacionada com as precipita\u00e7\u00f5es: at\u00e9 certo ponto, quanto mais chuva, maior o crescimento. Mas depois de algo como 2.400 mil\u00edmetros em temporais por ano, achava-se que o excesso de \u00e1gua inundaria o ecossistema, freando a taxa de crescimento das florestas. Mas, enquanto trabalhava na selva da Pen\u00ednsula de Osa, na Costa Rica, Taylor come\u00e7ou a duvidar desta suposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Aqui est\u00e1vamos em um lugar onde chove 4.800 mil\u00edmetros por ano e era uma das florestas mais produtivas e ricas em carbono da Terra. Isso claramente quebrou esta linha de racioc\u00ednio tradicional \u2014 lembra Taylor.<\/p>\n<p>Intrigado, o pesquisador passou os quatro anos seguintes reunindo dados dispon\u00edveis na literatura cient\u00edfica e em outras fontes sobre a temperatura, precipita\u00e7\u00e3o, crescimento das \u00e1rvores e composi\u00e7\u00e3o do solo de mais de 150 florestas tropicais espalhadas por mais de 43 pa\u00edses, compilando o que Taylor acredita ser o maior banco de dados pantropical j\u00e1 produzido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Analisando as informa\u00e7\u00f5es, Taylor e colegas descobriram que nas florestas tropicais mais \u201cfrias\u201d, com temperaturas m\u00e9dias anuais abaixo de 20 graus Celsius, em geral localizadas em regi\u00f5es montanhosas e que constituem apenas 5% do total dos biomas do tipo no planeta, o crescimento de fato seguia a curva em forma de \u201ccorcova\u201d. Mas nas florestas mais \u201cquentes\u201d, que comp\u00f5em a imensa maioria restante e incluem biomas como a Amaz\u00f4nia brasileira, a Mata Atl\u00e2ntica e o Cerrado, isso n\u00e3o acontecia.<\/p>\n<p>\u2014 O modelo antigo (da resposta \u00e0s chuvas) foi montado com uma falta de dados sobre as florestas tropicais mais quentes \u2014 conta Taylor. \u2014 Nas florestas tropicais que realizam a grande maioria da \u201crespira\u00e7\u00e3o\u201d do planeta a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 invertida. No lugar de a \u00e1gua (em excesso das chuvas) frear o crescimento, ela na verdade o acelera.<\/p>\n<p>Taylor, por\u00e9m, alerta que isto n\u00e3o significa que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o ter\u00e3o um impacto negativo nas florestas tropicais. No curto prazo, mostra a pesquisa, as duas grandes secas na Bacia Amaz\u00f4nica registradas nos anos de j\u00e1 levaram a uma morte disseminada de plantas e a uma queda de 30% na acumula\u00e7\u00e3o de carbono s\u00f3 na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u2014 Muito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 acontecendo em um ritmo bem mais r\u00e1pido do que nosso estudo contempla \u2014 destaca o cientista. \u2014 Nossa pesquisa diz o que podemos esperar das florestas em per\u00edodos de centenas de anos.<\/p>\n<p><strong>Impacto dif\u00edcil de ser calculado<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como o ciclo de carbono da Terra \u00e9 muito complexo, com as florestas tamb\u00e9m liberando o elemento na atmosfera \u00e0 medida que as plantas morrem, ainda \u00e9 imposs\u00edvel dizer qual ser\u00e1 o impacto l\u00edquido que o clima mais \u00famido poder\u00e1 ter na capacidade das selvas em \u201csequestrar\u201d carbono, ressalta Alan Townsend, professor de estudos ambientais da universidade americana e autor s\u00eanior do estudo.<\/p>\n<p>\u2014 As implica\u00e7\u00f5es das mudan\u00e7as (clim\u00e1ticas) ainda precisam ser mais bem entendidas, mas o que podemos dizer \u00e9 que as florestas respondem \u00e0s altera\u00e7\u00f5es na precipita\u00e7\u00e3o de forma bem diferente do que tem sido a pressuposta h\u00e1 muito tempo \u2014 resume Townsend.<\/p>\n<p>Assim, pensando mais \u00e0 frente, ambos autores esperam que suas descobertas levem a uma revis\u00e3o das premissas usadas por outros cientistas e mesmo educadores.<\/p>\n<p>\u2014 Nossos achados mudam fundamentalmente a vis\u00e3o sobre o ciclo de carbono das florestas que h\u00e1 anos tem sido publicada em livros e incorporada nos modelos sobre o futuro das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 conclui Taylor. \u2014 Diante de como estas florestas s\u00e3o importantes para o clima, esta nova rela\u00e7\u00e3o precisa fazer parte das futuras avalia\u00e7\u00f5es sobre o clima tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As florestas tropicais s\u00e3o frequentemente descritas como os \u201cpulm\u00f5es da Terra\u201d por sua prodigiosa 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