{"id":64821,"date":"2017-04-30T16:56:31","date_gmt":"2017-04-30T19:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64821"},"modified":"2017-04-30T16:56:33","modified_gmt":"2017-04-30T19:56:33","slug":"pesquisa-da-usp-em-ribeirao-preto-produz-plastico-100-biodegradavel-com-residuos-da-agroindustria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-da-usp-em-ribeirao-preto-produz-plastico-100-biodegradavel-com-residuos-da-agroindustria\/","title":{"rendered":"Pesquisa da USP em Ribeir\u00e3o Preto produz pl\u00e1stico 100% biodegrad\u00e1vel com res\u00edduos da agroind\u00fastria"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-da-usp-em-ribeirao-preto-produz-plastico-100-biodegradavel-com-residuos-da-agroindustria\/plastico_biodegradavel-2\/\" rel=\"attachment wp-att-64822\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64822\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisas da USP em\u00a0Ribeir\u00e3o Preto avan\u00e7am na busca de pl\u00e1stico 100% biodegrad\u00e1vel e competitivo com o pl\u00e1stico comum. Testes que re\u00fanem na f\u00f3rmula res\u00edduos agroindustriais resultaram num produto com qualidades t\u00e9cnicas e econ\u00f4micas promissoras.<\/p>\n<p>A boa nova saiu dos laborat\u00f3rios do Departamento de Qu\u00edmica da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP) da USP. A\u00a0qu\u00edmica Bianca Chieregato Maniglia desenvolveu filmes pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis a partir de matrizes de amido presentes em res\u00edduos agroindustriais de c\u00farcuma, baba\u00e7u e urucum.<\/p>\n<p>O fato do novo material ser totalmente desenvolvido a partir de\u00a0descartes da agroind\u00fastria faz toda diferen\u00e7a. Ao mesmo tempo, recicla res\u00edduos; \u00e9 biodegrad\u00e1vel; \u00e9 produzido com fontes renov\u00e1veis que n\u00e3o se esgotam como o petr\u00f3leo (de onde sai o pl\u00e1stico comum) e cultivadas em qualquer lugar do mundo. Bianca lembra de mais predicados de seu produto: mat\u00e9ria-prima barata, que n\u00e3o compete com o mercado aliment\u00edcio e ainda \u201ccont\u00e9m composi\u00e7\u00e3o interessante com a presen\u00e7a de ativos antioxidantes\u201d.<\/p>\n<p>Essa f\u00f3rmula com compostos antioxidantes, lembra a pesquisadora, pode ser ainda mais interessante no desenvolvimento de \u201cembalagens ativas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Uma embalagem ativa interage com o produto que envolve, sendo capaz de melhorar a qualidade e seguran\u00e7a para acondicionamento de frutas e legumes frescos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os estudos parecem indicar o caminho certo para a obten\u00e7\u00e3o de um pl\u00e1stico, ou pelo menos um filme pl\u00e1stico, totalmente biodegrad\u00e1vel. Os pesquisadores da FFCLRP conseguiram produzir filmes pl\u00e1sticos com boa apar\u00eancia, boas propriedades mec\u00e2nicas, funcionais e ativas, o que os torna mais eficientes na conserva\u00e7\u00e3o de hortifr\u00fatis. O grupo de pesquisa tamb\u00e9m tem trabalhado com a aplica\u00e7\u00e3o de aditivos como a palha de soja tratada, outro res\u00edduo agroindustrial, para melhorar as propriedades destes filmes. A meta \u00e9 o ganho de maior resist\u00eancia mec\u00e2nica e menor capacidade de absorver e reter \u00e1gua.<\/p>\n<p>Bianca, por\u00e9m, acredita que ainda demande mais pesquisa e teste para os 100% biodegrad\u00e1veis chegarem ao mercado. Em perspectiva mais recente, comenta, \u201cesse tipo de pl\u00e1stico deve atuar como alternativa ao comum\u201d. Apesar de n\u00e3o substituir o tipo comum, pode ser aplicado a diversos tipos do produto, como j\u00e1 ocorre nas misturas de mat\u00e9rias-primas renov\u00e1veis com pol\u00edmeros n\u00e3o renov\u00e1veis, formando as chamadas\u00a0\u201cblendas\u201d. \u201cTemos as boas propriedades dos pl\u00e1sticos comuns com parcial biodegradabilidade\u201d, comenta.<\/p>\n<h3>Pl\u00e1sticos (n\u00e3o t\u00e3o) \u201cverdes\u201d<\/h3>\n<p>O\u00a0pl\u00e1stico comum, que \u00e9 produzido com derivado do petr\u00f3leo (mat\u00e9ria-prima n\u00e3o renov\u00e1vel, cuja composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 metabolizada por microrganismos), leva at\u00e9 500 anos para desaparecer.<\/p>\n<p>J\u00e1 o\u00a0pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel desenvolvido na USP \u00e9 feito de material biol\u00f3gico, e por isso \u00e9 atacado, na natureza, por outros agentes biol\u00f3gicos \u2013 bact\u00e9rias, fungos e algas \u2013 e se transformam em \u00e1gua, CO2 e mat\u00e9ria org\u00e2nica.\u00a0Ele se degrada em no m\u00e1ximo 120 dias.<\/p>\n<p>Atualmente, existem no mercado outros tipos de\u00a0pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel. S\u00e3o feitos a partir de fontes renov\u00e1veis \u2013 milho, mandioca, beterraba e cana-de-a\u00e7\u00facar. Por\u00e9m, estas fontes servem como mat\u00e9rias-primas para produzir um composto (\u00e1cido l\u00e1ctico) do qual se pode sintetizar o pol\u00edmero (PLA \u2013 \u00e1cido polil\u00e1tico). \u201cDevido ao fato destes pl\u00e1sticos n\u00e3o serem produzidos com pol\u00edmeros naturais, como prote\u00edna e carboidratos, por exemplo, o\u00a0material apresenta estrutura mais complexa e s\u00f3 se biodegrada corretamente em usinas de compostagem, onde h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es adequadas de luz, umidade e temperatura, al\u00e9m da quantidade correta de microrganismos\u201d, lembra Bianca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_80864\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<figure class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/20170426_00_cana-de-acucar.jpg\" alt=\"Alguns pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis j\u00e1 comercializados e os chamados pl\u00e1sticos \u201cverdes\u201d tamb\u00e9m apresentam problemas para o meio ambiente\" width=\"640\" height=\"336\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Alguns pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis j\u00e1 comercializados e os chamados pl\u00e1sticos \u201cverdes\u201d tamb\u00e9m apresentam problemas para o meio ambiente \u2013 Foto: Mayke Toscano\/Gcom-MT<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de caros, os pl\u00e1sticos produzidos por fontes renov\u00e1veis hoje comercializados ainda deixam a desejar em rela\u00e7\u00e3o a\u00a0algumas propriedades mec\u00e2nicas e funcionais se comparados\u00a0aos pl\u00e1sticos produzidos com fontes n\u00e3o renov\u00e1veis, e tamb\u00e9m demandam outros custos para n\u00e3o polu\u00edrem o meio ambiente.<\/p>\n<p>Outro pl\u00e1stico muito divulgado na busca por maior sustentabilidade \u00e9 o \u201cpl\u00e1stico verde\u201d. No entanto, a pesquisadora faz um alerta sobre este tipo de pl\u00e1stico. \u00c9 feito de cana-de-a\u00e7\u00facar, mas n\u00e3o \u00e9 biodegrad\u00e1vel. A partir da cana, \u00e9 produzido o polietileno igual ao obtido do petr\u00f3leo, assim o tempo de decomposi\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico verde \u00e9 o mesmo do pl\u00e1stico comum. \u201cVai continuar a causar problemas nas cidades e na natureza.\u201d<\/p>\n<p>Bianca defende que a aceita\u00e7\u00e3o e demanda por pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis dependam mais de consci\u00eancia ambiental, legisla\u00e7\u00e3o e vontade pol\u00edtica que de fatores econ\u00f4micos. Avalia que, em perspectiva global, quando se incluem custos indiretos, como gera\u00e7\u00e3o de lixo, polui\u00e7\u00e3o e outros impactos \u00e0 sa\u00fade e meio ambiente, \u201cos biodegrad\u00e1veis assumem posi\u00e7\u00f5es economicamente mais favor\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Falando em economia, os custos de produ\u00e7\u00e3o desses materiais podem ficar bem menores que os atuais. E isso se deve \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos agroindustriais, como o produto agora desenvolvido na USP, cujos componentes n\u00e3o competem no mercado com a ind\u00fastria de alimentos.<\/p>\n<p>Os resultados desse estudo foram apresentados em mar\u00e7o deste ano \u00e0 FFCLRP na tese de doutorado de Bianca, que trabalhou sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Delia Rita Tapia Bl\u00e1cido.<\/p>\n<p><em>Por Rita Stella e Paulo Henrique Moreno, de Ribeir\u00e3o Preto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas da USP em\u00a0Ribeir\u00e3o Preto avan\u00e7am na busca de pl\u00e1stico 100% biodegrad\u00e1vel e competitivo com<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":64822,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plastico_biodegradavel.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisas da USP em\u00a0Ribeir\u00e3o Preto avan\u00e7am na busca de pl\u00e1stico 100% biodegrad\u00e1vel e competitivo com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}