{"id":64513,"date":"2017-04-26T10:00:16","date_gmt":"2017-04-26T13:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64513"},"modified":"2017-04-26T08:16:30","modified_gmt":"2017-04-26T11:16:30","slug":"fiocruz-cria-aplicativo-para-pesquisar-doencas-e-monitorar-animais-silvestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fiocruz-cria-aplicativo-para-pesquisar-doencas-e-monitorar-animais-silvestres\/","title":{"rendered":"Fiocruz cria aplicativo para pesquisar doen\u00e7as e monitorar animais silvestres"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=64514\" rel=\"attachment wp-att-64514\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64514\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em tempo de uso crescente da tecnologia para solu\u00e7\u00f5es de problemas da sociedade, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) conta com a popula\u00e7\u00e3o para ajudar no combate de doen\u00e7as no Brasil e na coleta de informa\u00e7\u00f5es por meio do uso de um aplicativo gratuito e dispon\u00edvel no Google Play.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga M\u00e1rcia Chame, que est\u00e1 \u00e0 frente de um projeto de biodiversidade da Fiocruz, informou que, para ampliar a base de dados utilizados nas pesquisas, \u00e9 preciso aumentar os meios de monitoramento das informa\u00e7\u00f5es. Com o aplicativo, os especialistas recebem os dados regionais diretamente das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a sociedade \u00e9 parte do processo. Por isso, desde 2005 come\u00e7amos a desenvolver um aplicativo em que qualquer pessoa no pa\u00eds pode nos ajudar no monitoramento de animais silvestres. N\u00e3o s\u00f3 macacos, mas carn\u00edvoros, roedores e todo tipo de animais\u201d, disse.<\/p>\n<p>O aplicativo permite receber uma s\u00e9rie de registros, inclusive fotos. \u201cEle funciona <em>off line<\/em>, de modo que no meio do campo h\u00e1 um georreferenciamento. As pessoas podem checar seus dados no mapa dispon\u00edvel e atr\u00e1s dessas informa\u00e7\u00f5es temos esses modelos.\u201d<\/p>\n<figure class=\"default\"><img loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__95523 img__view_mode__default attr__format__default\" title=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/vacina_contra_febre_amarela.jpg\" alt=\"Vacina contra febre amarela \" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a que veio da \u00c1frica h\u00e1 muito tempo e hoje alarma a popula\u00e7\u00e3o do Brasil<span class=\"author\">Divulga\u00e7\u00e3o\/Prefeitura de Pitangueiras (SP)<\/span><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>A professora acrescentou que, embora exista a sensa\u00e7\u00e3o de que a febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a nova no Brasil, ela veio da \u00c1frica h\u00e1 muito tempo e hoje alarma a popula\u00e7\u00e3o. Assim como a febre amarela veio de fora, a movimenta\u00e7\u00e3o atual de pessoas no mundo pode levar o v\u00edrus para diversos lugares.<\/p>\n<p><strong>Vetores<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm 24 horas, uma pessoa pode sair da China, pousar em Paris e depois seguir para o Brasil\u201d, comentou a bi\u00f3loga sobre o que classificou de compartilhamento de doen\u00e7as e de agentes infecciosos com outros animais. \u201cIsso faz parte da biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou ainda que existem altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de vetores e parasitas e, com isso, todos os organismos v\u00e3o se adaptando. A din\u00e2mica, conhecida h\u00e1 20 anos, hoje pode ser completamente diferente. M\u00e1rcia descartou que o Brasil esteja atravessando uma epidemia de febre amarela.<\/p>\n<p>Conforme a especialista, o que ocorre s\u00e3o surtos distribu\u00eddos. Ela afirmou que os macacos s\u00e3o hospedeiros extremamente favor\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a. Com 118 esp\u00e9cies do animal, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais tem esp\u00e9cies de primatas no mundo. &#8220;Todas as nossas esp\u00e9cies s\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 febre amarela. Isso m\u00e3o significa que n\u00e3o exista febre amarela v\u00edrus em outras esp\u00e9cies. Precisamos estudar mais isso.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com M\u00e1rcia Chame, o que se v\u00ea hoje no Brasil \u00e9 um ciclo silvestre. Ela analisou o cen\u00e1rio do local onde morava o homem que morreu da doen\u00e7a em Casimiro de Abreu, munic\u00edpio do Rio de Janeiro, e constatou que a paisagem \u00e9 uma clareira no meio da floresta.\u00a0\u201c\u00c9 uma \u00e1rea quase circular, onde foi feita uma planta\u00e7\u00e3o. Para o mosquito \u00e9 uma \u00e1rea natural. Com uma diferen\u00e7a, havia uma oferta de sangue humano da fam\u00edlia que morava ali.\u201d<\/p>\n<p><strong>Estudos<\/strong><\/p>\n<p>Para a\u00a0pesquisadora, as \u00e1reas de declives determinam andares diferenciados de florestas e as esp\u00e9cies se distribuem nos andares. H\u00e1 macacos que ficam mais no alto das \u00e1rvores e outros em n\u00edveis mais baixos. Os mosquitos acompanham esses n\u00edveis. Com isso, as pessoas acabam sendo alvo dos mosquitos infectados e levam os v\u00edrus para outros locais. \u201cAs pessoas entram nas florestas e cada vez mais as popula\u00e7\u00f5es avan\u00e7am nessas \u00e1reas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rcia Chame, s\u00e3o muitos os fatores para o surgimento da febre amarela, porque os ciclos s\u00e3o complexos, especialmente pela variedade nas esp\u00e9cies de macacos e mosquitos. Os estudos mostram que, desde 1980, a cada sete anos surge um ciclo novo de febre amarela.<\/p>\n<p>\u201cO que se tem de dados \u00e9 que os ciclos coincidem com o restabelecimento das popula\u00e7\u00f5es de bugios [macacos]. A febre amarela entra em determinado lugar e mata os bugios suscet\u00edveis. Os que conseguem resistir ficam imunes, como as pessoas. Para que tenha uma nova popula\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos suscet\u00edveis, essa popula\u00e7\u00e3o tem de se repopular. Isso vai demorar uns sete anos.\u201d<\/p>\n<figure class=\"default\"><img loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__98878 img__view_mode__default attr__format__default\" title=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/vacina_0.jpg\" alt=\"Cerca de 3,5 milh\u00f5es de doses de vacina contra a febre amarela foram enviadas ao Brasil pelo Grupo de Coordena\u00e7\u00e3o Internacional para Fornecimento de Vacinas\" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption>Para os pesquisadores, a febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a do dia<span class=\"author\">OMS\/ONU<\/span><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>M\u00e1rcia Chame informou que a Fiocruz trabalha com uma base de dados relativa ao per\u00edodo entre 2000 e 2016, com an\u00e1lise de 620 casos, utilizando um cruzamento de informa\u00e7\u00f5es de diversos \u00f3rg\u00e3os.\u00a0Os estudos tamb\u00e9m mostraram que um per\u00edodo importante de seca, antes do in\u00edcio das chuvas, favorece um n\u00famero maior de mosquitos. \u201c\u00c9 como se todos os ovos dos mosquitos estivessem esperando uma chuva favor\u00e1vel [para eclodir]\u201d. Depois dessa etapa, eles se dispersam e acabam atacando macacos, que, por causa da seca, fugiram para outras regi\u00f5es a procura de alimentos.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o do mosquitos<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor Ricardo Louren\u00e7o, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), os principais transmissores de febre amarela s\u00e3o os mosquitos <em>Haemagogus leucocelaenus, <\/em>que t\u00eam\u00a0o corpo preto e patas em listras, e o <em>Haemagogus janthinomys, <\/em>com<em>\u00a0<\/em>corpo brilhoso e colorido e patas sem listras. Louren\u00e7o revelou ainda que eles n\u00e3o atuam \u00e0 noite.<\/p>\n<p>\u201cFebre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a do dia. Mosquitos n\u00e3o picam \u00e0 noite. S\u00e3o brilhosos e se orientam pelo reflexo da luz nas escamas brilhosas. S\u00e3o mosquitos diurnos e transmitem [a doen\u00e7a] durante o dia. Podem picar humanos dentro da floresta ou fora dela\u201d.<\/p>\n<p>O professor esclareceu que normalmente somente as f\u00eameas transmitem a doen\u00e7a, mas pode ocorrer a transmiss\u00e3o por machos nascidos de f\u00eameas infectadas.<\/p>\n<p>Louren\u00e7o afirmou que equipes da Fiocruz est\u00e3o fazendo controle de mosquitos com a instala\u00e7\u00e3o de armadilhas nas \u00e1rvores de Casimiro de Abreu. O material \u00e9 coletado e analisado no laborat\u00f3rio do IOC por uma equipe de 42 pessoas. Com as an\u00e1lises, \u00e9 poss\u00edvel identificar os tipos de mosquito da regi\u00e3o e checar ainda a quantidade de mosquitos com a distin\u00e7\u00e3o entre machos e f\u00eameas.<\/p>\n<p><strong>Infec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O professor Andr\u00e9 Siqueira, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, informou que, no caso da febre amarela, pode haver o registro de pessoas infectadas com quadro bem leve. Segundo Siqueira, a partir da infec\u00e7\u00e3o h\u00e1 o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o de tr\u00eas a seis dias em que o v\u00edrus est\u00e1 no organismo, mas ainda n\u00e3o se manifestou. Depois tem o per\u00edodo de infec\u00e7\u00e3o em igual per\u00edodo quando o v\u00edrus est\u00e1 se replicando no organismo em grande quantidade.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que surge a febre acima de 40 graus, associada \u00e0s dore de cabe\u00e7a, costas e tonturas. Em seguida, o paciente pode passar por um tempo de melhora entre duas a 24 horas. Ap\u00f3s essa etapa, podem surgir complica\u00e7\u00f5es com as infec\u00e7\u00f5es no f\u00edgado, a dor no est\u00f4mago que podem evoluir at\u00e9 a morte em algumas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempo de uso crescente da tecnologia para solu\u00e7\u00f5es de problemas da sociedade, a Funda\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":64514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/fio_cruz.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em tempo de uso crescente da tecnologia para solu\u00e7\u00f5es de problemas da sociedade, a Funda\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64513\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}