{"id":64404,"date":"2017-04-24T12:23:41","date_gmt":"2017-04-24T15:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64404"},"modified":"2017-04-24T12:23:42","modified_gmt":"2017-04-24T15:23:42","slug":"a-madalena-de-proust-ou-por-que-somos-capazes-de-lembrar-dos-cheiros-da-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-madalena-de-proust-ou-por-que-somos-capazes-de-lembrar-dos-cheiros-da-infancia\/","title":{"rendered":"A madalena de Proust, ou por que somos capazes de lembrar dos cheiros da inf\u00e2ncia?"},"content":{"rendered":"<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"boton_twitter\"> <a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-madalena-de-proust-ou-por-que-somos-capazes-de-lembrar-dos-cheiros-da-infancia\/cheiro\/\" rel=\"attachment wp-att-64405\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64405\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cheiro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cheiro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cheiro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>*Andrew Johnson \/ **Andrew Moss <\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O olfato \u00e9 um sentido poderoso. Pode fazer com que se fique mais alerta, reduzir a ansiedade e influenciar sobre a confian\u00e7a da pessoa. Alguns cheiros podem inclusive induzir a pessoa a ter precau\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Os odores enriquecem nossa percep\u00e7\u00e3o do mundo. Mas, apesar da onipresen\u00e7a dos cheiros, conhecemos menos a mem\u00f3ria olfativa que a visual e a auditiva.<\/p>\n<p>O exemplo cl\u00e1ssico de mem\u00f3ria olfativa \u00e9 o que se conhece como mem\u00f3ria proustiana (ou mem\u00f3ria involunt\u00e1ria). Mediante esse fen\u00f4meno, a mera exposi\u00e7\u00e3o a um est\u00edmulo desencadeia automaticamente uma lembran\u00e7a intensa do passado. Para Proust, era uma madalena molhada no ch\u00e1 que evocava uma lembran\u00e7a detalhada da casa de sua tia.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Como pesquisador da mem\u00f3ria olfativa, as pessoas costumam me contar hist\u00f3rias sobre cheiros que evocam mem\u00f3rias v\u00edvidas autobiogr\u00e1ficas. Pode tratar-se do cheiro da comida de hospital, de uma determinada bebida alco\u00f3lica ou do shampoo de um antigo namorado. Acredita-se que essa estreita rela\u00e7\u00e3o entre o odor e as emo\u00e7\u00f5es se deve ao fato de que a zona do c\u00e9rebro que interv\u00e9m no processamento dos odores est\u00e1 situada no interior do sistema l\u00edmbico (uma zona cerebral ligada \u00e0s emo\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<h3>Analisar a mem\u00f3ria olfativa de curto prazo<\/h3>\n<p>No entanto, nem todos os cheiros s\u00e3o armazenados na mem\u00f3ria de longo prazo. Alguns ficam guardados mem\u00f3ria s\u00f3 durante certos per\u00edodos. Imagine que voc\u00ea sai para comprar uma nova col\u00f4nia ou lo\u00e7\u00e3o de barbear. N\u00e3o vai cheirar dois produtos ao mesmo tempo, pois teria dificuldade de diferenciar entre um e outro. Para decidir qual prefere, ter\u00e1 de cheirar um e depois o outro. Isso significa que precisar\u00e1 armazenar temporariamente um odor e depois record\u00e1-lo para compar\u00e1-lo com o segundo. Analisamos o modo em que as pessoas armazenam os cheiros na mem\u00f3ria de curto prazo e a medida em que o funcionamento da mem\u00f3ria olfativa difere do de outros tipos de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o mais simples \u00e9 que as tarefas relacionadas com a mem\u00f3ria olfativa s\u00e3o realizadas rotulando-se verbalmente os odores (por exemplo, \u201ctem cheiro de queijo\u201d). Mas o uso desse tipo de estrat\u00e9gia verbal faz com que o trabalho seja um teste de mem\u00f3ria verbal mais do que olfativa, j\u00e1 que armazenamos a palavra \u201cqueijo\u201d na mem\u00f3ria verbal, n\u00e3o o cheiro de queijo na mem\u00f3ria olfativa. Como pesquisadores, podemos limitar o uso dessa estrat\u00e9gia selecionando odores dif\u00edceis de nomear. Por exemplo, os que n\u00e3o s\u00e3o relacionados com a comida costumam ser dif\u00edceis de rotular.<\/p>\n<p>Outro truque que usamos consiste em pedir aos participantes que repitam palavras n\u00e3o relacionadas com a tarefa durante o teste. Esse processo, conhecido como \u201carticula\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea\u201d, interfere na capacidade da pessoa de nomear os odores e procurar em sil\u00eancio os nomes durante o teste. Por exemplo, se algu\u00e9m repete \u201co, o, o\u201d enquanto cheira algo que faz lembrar a grama rec\u00e9m-cortada, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de armazenar as palavras \u201cgrama rec\u00e9m-cortada\u201d na mem\u00f3ria verbal. \u00c9 como tentar ler um livro enquanto escuta as not\u00edcias.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Se algu\u00e9m repete \u201co, o, o\u201d enquanto cheira algo que faz lembrar a grama rec\u00e9m-cortada, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de armazenar as palavras \u201cgrama rec\u00e9m-cortada\u201d na mem\u00f3ria verbal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>J\u00e1 ficou provado que as pessoas podem ativar a mem\u00f3ria olfativa de curto prazo quando os cheiros s\u00e3o dif\u00edceis de nomear e quando realizam uma articula\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea. Essas descobertas indicam que, embora o r\u00f3tulo verbal melhore a lembran\u00e7a de um cheiro, as pessoas tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de armazenar o pr\u00f3prio cheiro na mem\u00f3ria. Esse fato \u00e9 apoiado por um estudo indicando que a regi\u00e3o do c\u00e9rebro ativada quando recordamos cheiros f\u00e1ceis de nomear \u00e9 diferente da que se ativa quando os cheiros s\u00e3o dif\u00edceis de nomear. Respectivamente, o giro frontal inferior e o c\u00f3rtex piriforme.<\/p>\n<p>Um m\u00e9todo que foi utilizado para comparar a mem\u00f3ria olfativa de curto prazo com outras classes de mem\u00f3ria \u00e9 a medida em que as pessoas s\u00e3o capazes de recordar uma lista de cheiros. Dependendo das caracter\u00edsticas espec\u00edficas da tarefa, costumamos ser bons para recordar o primeiro e o \u00faltimo elementos da lista (fen\u00f4meno denominado primazia e atualidade). Existem provas de que, no caso de algumas tarefas, a mem\u00f3ria olfativa gera efeitos de primazia e atualidade diferentes de outros est\u00edmulos. Essas diferen\u00e7as indicariam que a mem\u00f3ria olfativa n\u00e3o funciona do mesmo modo que outras classes de mem\u00f3ria.<\/p>\n<h3>Mem\u00f3ria olfativa como ferramenta de diagn\u00f3stico<\/h3>\n<p>Seria bastante razo\u00e1vel perguntar por que dever\u00edamos ter interesse na an\u00e1lise da mem\u00f3ria olfativa, dado que, na maior parte do tempo, usamos a percep\u00e7\u00e3o olfativa para julgar os odores (para dizer que algo cheira bem ou muito mal). No entanto, um estudo comprovou que uma mem\u00f3ria olfativa defeituosa predisp\u00f5e ao aparecimento de dem\u00eancia.<\/p>\n<p>De fato, as pessoas que t\u00eam o gene ApoE (um fator de risco para o Alzheimer) e n\u00e3o mostram sinais de dem\u00eancia apresentam uma identifica\u00e7\u00e3o defeituosa dos odores. Essas descobertas indicam que os testes de mem\u00f3ria olfativa poderiam fazer parte do arsenal de ferramentas para detectar a dem\u00eancia em suas etapas iniciais. A detec\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 importante porque, quanto mais cedo for a interven\u00e7\u00e3o, melhor ser\u00e1 o resultado.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\">*Andrew Johnson \u00e9 professor superior de Psicologia na Universidade de Bournemouth.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\">**Andrew Moss \u00e9 estudante de doutorado em Psicologia Cognitiva na Universidade de Bournemouth.<\/p>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p class=\"nota_pie\">Este artigo foi publicado originalmente em ingl\u00eas no site <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/\">The Conversation.<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Andrew Johnson \/ **Andrew Moss O olfato \u00e9 um sentido poderoso. 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