{"id":64333,"date":"2017-04-23T10:45:16","date_gmt":"2017-04-23T13:45:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64333"},"modified":"2017-04-23T10:45:17","modified_gmt":"2017-04-23T13:45:17","slug":"cronica-de-uma-russa-que-descobriu-o-caminho-da-mata-atlantica-atraves-do-trabalho-voluntario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cronica-de-uma-russa-que-descobriu-o-caminho-da-mata-atlantica-atraves-do-trabalho-voluntario\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica de uma russa que descobriu o Caminho da Mata Atl\u00e2ntica atrav\u00e9s do trabalho volunt\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"author_alias\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cronica-de-uma-russa-que-descobriu-o-caminho-da-mata-atlantica-atraves-do-trabalho-voluntario\/mata_atlantica-11\/\" rel=\"attachment wp-att-64334\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64334\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Irina Letyagina*<\/span><\/p>\n<p>O mundo se move cada vez mais r\u00e1pido e, cada vez mais, precisamos buscar o equil\u00edbrio em lugares que permitem um ritmo diferente de viver, onde n\u00e3o existem m\u00e1quinas, press\u00f5es e o progresso \u00e9 o barulho de uma engrenagem distante. O <a href=\"http:\/\/movimentoboranda.org\/conheca-o-caminho-da-mata-atlantica\/\">Caminho da Mata Atl\u00e2ntica<\/a> ser\u00e1 um desses lugares no Brasil. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o cantor da banda Steppenwolf que \u201cnasceu para ser selvagem\u201d (\u201c<i>born to be wild<\/i>\u201d). Muitas pessoas gostam de \u201cser selvagem\u201d de vez em quando.<\/p>\n<p>Para estas pessoas que preferem as \u00e1rvores aos pr\u00e9dios, existem oportunidades para se conectar mais profundamente com a natureza exuberante do Brasil. Uma delas \u00e9 o trabalho volunt\u00e1rio no manejo da trilha de longo curso que atravessa a Floresta Atl\u00e2ntica pela da costa brasileira, de Santa Catarina at\u00e9 o Rio de Janeiro. O <a href=\"http:\/\/movimentoboranda.org\/\">Movimento Borand\u00e1<\/a>, criado pela ONG WWF, oferece essa oportunidade para os verdadeiros amantes da natureza. Borand\u00e1 \u00e9 um neologismo que combina as palavras \u201cbora\u201d \u2013 que significa vamos \u2013 e \u201cand\u00e1\u201d, ou seja, andar. O principal objetivo do movimento \u00e9 conectar diversas \u00e1reas protegidas atrav\u00e9s de uma trilha com mais de 2.000 quil\u00f4metros. O Caminho da Mata Atl\u00e2ntica ir\u00e1 passar por 70 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) atrav\u00e9s de quatro estados: Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Eu decidi fazer parte desse trabalho volunt\u00e1rio em duas frentes, no Rio (RJ) e em Florian\u00f3polis (SC), porque esse \u00e9 o meu tipo favorito de viagem.<\/p>\n<p>O motivo?<\/p>\n<p>Trabalhar na trilha \u00e9 uma oportunidade de passar os finais de semana no cora\u00e7\u00e3o da floresta, conhecer pessoas interessantes apaixonadas por natureza e preparar o caminho &#8211; literalmente &#8211; para outros viajantes.<\/p>\n<p><b>No<\/b> <b>Rio de Janeiro:<\/b><\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o time respons\u00e1vel pela<a href=\"http:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Trilha_Transcarioca\"> Trilha Transcarioca<\/a> organiza eventos todo final de semana. O trabalho de sinaliza\u00e7\u00e3o e manejo nos trechos \u00e9 constante. Normalmente esses eventos re\u00fanem grupos de 4 a 8 pessoas. O processo de sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante ao de trilhar, mas com tintas, esponjas e moldes com a pegada que se tornou o logo da Transcarioca. Voc\u00ea faz a marca e segue adiante. Os melhores lugares s\u00e3o \u00e1rvores e pedras grandes, porque s\u00e3o est\u00e1ticos e impedem a sinaliza\u00e7\u00e3o seja alterada. Com bom clima e bom humor \u00e9 poss\u00edvel sinalizar entre 5 e 8 quil\u00f4metros de trilha em um dia. Por esse motivo, tamb\u00e9m \u00e9 importante saber como usar o sistema de coordenadas que posteriormente podem ser carregadas no <i>Google Maps<\/i> para que outras pessoas possam seguir o caminho que voc\u00ea preparou.<\/p>\n<div id=\"attachment_52886\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 650px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-52886\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/parna-tijuca-peterson-1024x662.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/parna-tijuca-peterson-1024x662.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/parna-tijuca-peterson-300x194.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/parna-tijuca-peterson-600x388.jpg 600w\" alt=\"Foto: Exuber\u00e2ncia verde na Mata Atl\u00e2ntica dentro do Parque Nacional da Tijuca (RJ). Peterson de Almeida (WikiParques)\" width=\"640\" height=\"414\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Exuber\u00e2ncia verde na Mata Atl\u00e2ntica dentro do Parque Nacional da Tijuca (RJ). Peterson de Almeida (WikiParques)<\/p>\n<\/div>\n<p>Durante o meu trabalho volunt\u00e1rio no Rio de Janeiro, eu descobri muitos lugares interessantes que eu n\u00e3o teria conhecido por conta pr\u00f3pria. Por exemplo, passei por um grande jequitib\u00e1 com 700 anos de idade que comportava com folga eu e outros nove volunt\u00e1rios. Vi cachoeiras convidativas ao banho depois de um dia duro de trabalho sob o calor tropical. Tentei coletar algumas jacas \u2013 imensas! -, mas elas ainda estavam verdes e n\u00e3o t\u00e3o atraentes para o consumo. Cruzei rios no meio da floresta e bebi \u00e1gua direto da fonte. Descobri mirantes de tirar o f\u00f4lego. O Rio de Janeiro se entregou sob os meus p\u00e9s com uma paisagem colorida, com sol e nuvens, veleiros e pontes, pr\u00e9dios e avi\u00f5es, praias e montanhas. E ningu\u00e9m estava por perto, nenhum turista com suas c\u00e2meras e barulhos, somente o nosso grupo e a beleza da natureza presente no momento.<\/p>\n<p>No trabalho volunt\u00e1rio eu tive a chance de conversar com muitos profissionais que atuam na prote\u00e7\u00e3o da natureza. N\u00f3s discutimos de tudo, desde o aumento dos eucaliptos australianos ao estilo de vida tradicional dos \u00edndios e os projetos marinhos no Brasil. Foram diversas informa\u00e7\u00f5es \u00fateis que me permitiram entender a realidade brasileira muito melhor do que atrav\u00e9s de exposi\u00e7\u00f5es ou artigos.<\/p>\n<p><b>Em Florian\u00f3polis:<\/b><\/p>\n<p>Em Florian\u00f3polis existem muitas trilhas diferentes para serem descobertas e conectadas. Os trechos pela costa s\u00e3o os melhores para apreciar as ondas e a imensid\u00e3o do oceano; os trechos feitos em barcos atrav\u00e9s de lagoas s\u00e3o incr\u00edveis para descobrir o modo de vida dos pescadores; e os trechos nas montanhas garantem lindas vistas do topo. Tudo junto cria uma atmosfera m\u00e1gica que est\u00e1 bem pr\u00f3xima da cidade com seus bares, hot\u00e9is, casas e escolas de surfe. Em Florian\u00f3polis eu senti que natureza e civiliza\u00e7\u00e3o podem existir em harmonia, em complemento uma \u00e0 outra, sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>L\u00e1, o trabalho de sinaliza\u00e7\u00e3o foi mais interessante porque a maioria das trilhas nunca havia sido marcada. Isso nos deu a chance de sermos verdadeiros pioneiros, descobrindo trilhas e ajudando a achar o melhor caminho para desbravar o estado de Santa Catarina atrav\u00e9s dessa grande trilha.<\/p>\n<div id=\"attachment_52887\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-52887\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/caminhos-mata-atlantica-mapa.jpg\" sizes=\"(max-width: 539px) 100vw, 539px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/caminhos-mata-atlantica-mapa.jpg 539w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/caminhos-mata-atlantica-mapa-300x208.jpg 300w\" alt=\"O Caminho da Mata Atl\u00e2ntica, 2.000 quil\u00f4metros que v\u00e3o de Santa Catarina at\u00e9 o Rio de Janeiro. Infogr\u00e1fico de divulga\u00e7\u00e3o do Movimento Borand\u00e1.\" width=\"639\" height=\"442\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O Caminho da Mata Atl\u00e2ntica, 2.000 quil\u00f4metros que v\u00e3o de Santa Catarina at\u00e9 o Rio de Janeiro. Infogr\u00e1fico de divulga\u00e7\u00e3o do Movimento Borand\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>Uma das coisas mais marcantes foi ter contato com os pescadores das vilas que moram em Santa Catarina. \u00c9 poss\u00edvel observar o seu modo tradicional de vida, que resiste h\u00e1 centenas de anos. Por exemplo, quando o filho de um pescador vem ao mundo, seu pai planta uma \u00e1rvore. Quando o filho completa 18 anos de idade, o pescador corta a \u00e1rvore e faz uma canoa a partir do tronco para presente\u00e1-lo por atingir a maioridade.<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, comunidades ind\u00edgenas ainda existem. Os \u00edndios cuidam das abelhas selvagens, fazem mel, pescam, e n\u00e3o falam portugu\u00eas, mas o seu pr\u00f3prio dialeto local. Esse tipo de vida, completamente diferente do jeito urbano de viver, \u00e9 capaz de ensinar muito, principalmente valores como a calma e a simplicidade, assim como a viver em harmonia com a natureza e consigo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Visuais de outro mundo como o do C\u00e2nion Espraiado, no<a href=\"http:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_de_S%C3%A3o_Joaquim\"> Parque Nacional S\u00e3o Joaquim<\/a>, ir\u00e3o inspirar voc\u00ea rumo \u00e0 pr\u00f3xima descoberta na natureza selvagem. O Brasil \u00e9 realmente rico, belo e repleto de verdadeiros presentes aos olhos. A maioria dos parques naturais est\u00e1 aberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, basta um pouco de coragem e estar disposto a se aventurar que muitos caminhos ir\u00e3o se abrir para voc\u00ea.<\/p>\n<p><b>E a\u00ed? Borand\u00e1?<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Escrito por Irina Letyagina, volunt\u00e1ria russa no Movimento Borand\u00e1. Traduzido por Duda Menegassi.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Irina Letyagina* O mundo se move cada vez mais r\u00e1pido e, cada vez mais,<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":64334,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mata_atlantica-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Irina Letyagina* O mundo se move cada vez mais r\u00e1pido e, cada vez mais,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64333"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64333\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}