{"id":64279,"date":"2017-04-22T10:00:10","date_gmt":"2017-04-22T13:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64279"},"modified":"2017-04-22T10:00:10","modified_gmt":"2017-04-22T13:00:10","slug":"estranho-rio-estranha-terra-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estranho-rio-estranha-terra-2\/","title":{"rendered":"Estranho rio, estranha terra"},"content":{"rendered":"<p><strong>ESTRANHO RIO, ESTRANHA TERRA<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-lIzH9_HroyQ\/V-1pv0BSbzI\/AAAAAAAATDE\/_cEBM1sLC0wLk35maEPK6DzBLQkQB2-nQCLcB\/s640\/voo%2Bverde.jpg\" width=\"632\" height=\"407\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>O peixe nadava tranquilamente pela rodovia, quando veio um carro e&#8230; Mas como? Um peixe no meio da rodovia? Sorte que era uma motorista precavida, e que enxergava bem: viu o saquinho de peixes ca\u00eddo no asfalto, parou, brecou como p\u00f4de \u2013 bruscamente. E a\u00ed a sorte virou azar: mais quatro carros vinham logo em seguida e n\u00e3o conseguiram brecar a tempo, o que resultou no engavetamento de cinco carros, e os seus ocupantes ficando feridos, ainda bem que levemente. O peixe nadava tranquilamente, eu escrevi. N\u00e3o deveria, mas foi a imagem que me ocorreu. Soube que havia um peixe na estrada, portanto deveria estar nadando. N\u00e3o imaginaria que se tratava de um saquinho de peixes; que os ditos peixinhos nadavam dentro do saquinho, em seguran\u00e7a, at\u00e9 serem atropelados \u2013 ou queimados pelo sol.<\/p>\n<p>Agora fico imaginando quem foi o imprevidente que derrubou o saquinho bem no meio da estrada. Se sabia que tinha tais atribui\u00e7\u00f5es \u2013 porque um imprevidente deveria saber que \u00e9 imprevidente \u2013 por que n\u00e3o deixou o saquinho em casa ou na loja? Por que n\u00e3o deixou os peixinhos no aqu\u00e1rio, que \u00e9 o lugar deles? Mas se fosse mais previdente, n\u00e3o tiraria os peixinhos do lugar real deles, do seu habitat natural: o rio, talvez o mar. \u00c9 isso que d\u00e1 mexermos com a natureza. Em lugar de deixarmos as coisas seguirem seu curso, as \u00e1guas a caminho do mar, os peixes dentro das \u00e1guas e n\u00e3o vivendo uma vida artificial como n\u00f3s vivemos. Resultado: quase v\u00e1rias pessoas morrem. Porque agimos contra a natureza. N\u00e3o foram os peixinhos que estavam nadando na estrada. Foram os homens que os levaram l\u00e1, para morrer e matar. \u00c9 o \u00f3bvio, mas \u00e9 preciso lembrar dessa autoacusa\u00e7\u00e3o. Sempre s\u00e3o os homens que agem contra a natureza. Somos n\u00f3s os culpados.<\/p>\n<p>Estou comentando um caso menor, acontecido numa estrada da Alemanha, mas que pode acontecer em qualquer lugar do mundo e pode assumir propor\u00e7\u00f5es gigantescas. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas o fato de cinco ou seis pessoas ficarem hospitalizadas, por um leve acidente. O problema \u00e9 a agress\u00e3o contra a natureza, representada por esse saquinho de peixes jogado na estrada. Os peixinhos n\u00e3o estavam nadando tranquilamente na rodovia, nem est\u00e3o em tranquilidade soltos nos rios ou nos mares. S\u00e3o as v\u00edtimas do progresso, como n\u00f3s. Mas n\u00f3s somos v\u00edtimas e agentes do progresso. Quando olharmos para tr\u00e1s ser\u00e1 tarde. Teremos engavetado todas as ideias saud\u00e1veis, todos os projetos que poderiam conduzir-nos para um mundo melhor, justamente em nome de um mundo melhor. Enforcamo-nos para testar a melhor corda para um enforcamento. (Dizem que alhures alguns corruptos se enforcam.) Testamos a melhor forma de acabar com a humanidade, querendo lev\u00e1-la ao para\u00edso das del\u00edcias terrestres. Em nome do bem-estar, preparamos a destrui\u00e7\u00e3o da terra em que vivemos.<\/p>\n<p>Freud escreveu sobre o mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 esqueceu-se de que n\u00e3o era fil\u00f3sofo? Lembrou-se de que era humano, demasiado humano. N\u00e3o estava procurando chifres em cabe\u00e7a de cavalo. Estava constatando: estamos t\u00e3o empenhados em ser felizes, procuramos tanto o bem-estar, que acabamos encontrando s\u00f3 o mal-estar. Ou podemos ser felizes com uma vida artificial? N\u00e3o estamos embalados em saquinhos de pl\u00e1stico como os peixinhos da rodovia alem\u00e3? Ou seremos atropelados ou morreremos sufocados pelo pl\u00e1stico que nos envolve. Mal-estar existencial que h\u00e1 cem anos Freud j\u00e1 n\u00e3o explicava. Estranho rio, o asfalto dos peixinhos. Estranha terra a nossa, a bolha de oz\u00f4nio e o aquecimento acelerado. Muito estranha, a nossa vida de pl\u00e1stico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESTRANHO RIO, ESTRANHA TERRA O peixe nadava tranquilamente pela rodovia, quando veio um carro e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"ESTRANHO RIO, ESTRANHA TERRA O peixe nadava tranquilamente pela rodovia, quando veio um carro e&#8230;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64279\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}