{"id":64258,"date":"2017-04-22T08:45:50","date_gmt":"2017-04-22T11:45:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64258"},"modified":"2017-04-22T08:45:50","modified_gmt":"2017-04-22T11:45:50","slug":"crise-hidrica-ou-nova-relacao-com-recursos-hidricos-artigo-de-roberto-naime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/crise-hidrica-ou-nova-relacao-com-recursos-hidricos-artigo-de-roberto-naime\/","title":{"rendered":"Crise h\u00eddrica ou nova rela\u00e7\u00e3o com recursos h\u00eddricos, artigo de Roberto Naime"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-74005\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/20170420-seca2.jpg\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" srcset=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/20170420-seca2.jpg 610w, https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/20170420-seca2-141x92.jpg 141w, https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/20170420-seca2-430x281.jpg 430w, https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/20170420-seca2-600x391.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"417\" \/><\/p>\n<p>Na verdade n\u00e3o se vive crise de recursos h\u00eddricos. A situa\u00e7\u00e3o demonstra claramente que \u00e9 necess\u00e1ria nova atitude e nova rela\u00e7\u00e3o com todos os fatores ambientais. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o desmatamento ou a mudan\u00e7a clim\u00e1tica que reduzem as chuvas e provocam crises.<\/p>\n<p>\u00c9 a necessidade de uma nova postura frente a todas as interven\u00e7\u00f5es ambientais. Criar e manter unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs) da natureza nas \u00e1reas urbanas pode ser uma resposta para a falta de \u00e1gua, que deflagrou a crise h\u00eddrica no Sudeste do Brasil. Mas atitudes fragmentadas ou isoladas n\u00e3o resolvem a quest\u00e3o, embora possam patrocinar atenua\u00e7\u00f5es e atenuantes.<\/p>\n<p>Se torna imprescind\u00edvel refletir sobre concep\u00e7\u00f5es ambientais. Meio ambiente \u00e9 o conjunto de rela\u00e7\u00f5es entre os meios f\u00edsico, biol\u00f3gico e antr\u00f3pico. Podemos dizer que meio ambiente \u00e9 como a confian\u00e7a ou o casamento. A confian\u00e7a \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de integridade entre 2 pessoas. E o casamento tamb\u00e9m. \u00c9 intang\u00edvel, n\u00e3o d\u00e1 pra gente tocar e pegar.<\/p>\n<p>O meio ambiente \u00e9 assim. \u00c9 intang\u00edvel. N\u00e3o d\u00e1 pra gente tocar e pegar. Tocar numa pedra, na \u00e1gua ou no solo \u00e9 tocar num elemento ambiental do meio f\u00edsico. Tocar uma planta, um animal, \u00e9 tocar num elemento do meio biol\u00f3gico. Tocar numa planta\u00e7\u00e3o, num produto industrializado ou num dep\u00f3sito de res\u00edduos s\u00f3lidos \u00e9 tocar num elemento do meio antr\u00f3pico ou socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>Os principais constituintes do meio f\u00edsico s\u00e3o as rochas, solos, \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas, geomorfologia e climas. No meio biol\u00f3gico, os constituintes s\u00e3o a flora e a fauna. E no meio antr\u00f3pico ou socioecon\u00f4mico s\u00e3o todas as atividades do homem, nos setores prim\u00e1rio, secund\u00e1rio, terci\u00e1rio e at\u00e9 quatern\u00e1rio, conforme os autores mais modernos.<\/p>\n<p>Mas afinal o que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es? Quando algu\u00e9m preserva um bioma, protegendo, evitando inc\u00eandios, impedindo ca\u00e7a e pesca predat\u00f3rias, est\u00e1 construindo um tipo de rela\u00e7\u00e3o com o bioma. Quando algu\u00e9m vai l\u00e1 e incendeia um peda\u00e7o de cerrado est\u00e1 estabelecendo uma outra rela\u00e7\u00e3o entre o homem e o bioma.<\/p>\n<p>Biomas que s\u00e3o constitu\u00eddos por elementos f\u00edsicos e biol\u00f3gicos al\u00e9m do antr\u00f3pico, que interagem entre si dentro de uma rela\u00e7\u00e3o sist\u00eamica hierarquizada por v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p>Mas a escassez est\u00e1 associada a v\u00e1rios fatores, como a car\u00eancia de planejamento dos assentamentos urbanos, os equ\u00edvocos no manejo do uso do mineral, a utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos urbanos de distribui\u00e7\u00e3o ineficientes e respons\u00e1veis por enormes desperd\u00edcios, e a pouca consci\u00eancia do brasileiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escassez deste recurso.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de unidades de conserva\u00e7\u00e3o dentro e no entorno das cidades ajudaria na estabiliza\u00e7\u00e3o do regime de precipita\u00e7\u00e3o de chuvas e reteria \u00e1gua no subsolo e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Pois os desmatamento e a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo fazem com que a \u00e1gua da chuva chegue mais r\u00e1pido aos cursos d\u2019\u00e1gua e ao mar, al\u00e9m de modificar o regime de precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem vive no Nordeste tem uma percep\u00e7\u00e3o mais realista sobre a necessidade de se poupar o recurso. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o do Nordeste, as demais regi\u00f5es n\u00e3o t\u00eam essa consci\u00eancia acerca da escassez de \u00e1gua. Espa\u00e7os para UCs, que ajudam na reserva e provimento de \u00e1gua, como ocorre em cidades planejadas como Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>As UCs favorecem a recarga de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios. Em \u00e1reas desflorestadas e asfaltadas, a \u00e1gua que cai no ch\u00e3o impermeabilizado, sem vegeta\u00e7\u00e3o nativa ou com pasto, corre muito r\u00e1pido para dentro dos corpos h\u00eddricos, escorre e vai embora, em dire\u00e7\u00e3o a alguma bacia hidrogr\u00e1fica e segue para o mar, ou pode cair num reservat\u00f3rio, que tem superf\u00edcie muito grande e onde muita \u00e1gua se perde por evapora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As UCs s\u00e3o espa\u00e7os especialmente protegidos e a principal estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Quando delimitada, \u00e9 usada como fonte e reserva de recurso natural, al\u00e9m de preservar a paisagem.<\/p>\n<p>O conceito de Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o surgiu no Brasil ainda na d\u00e9cada de 1930, ganhando for\u00e7a no final dos anos 1970 e novamente nos anos 1990 e 2000 na Amaz\u00f4nia. A quest\u00e3o \u00e9 que a maior parte das \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade est\u00e1 localizada na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, fora das \u00e1reas urbanas e distantes da popula\u00e7\u00e3o, em ambiente rural ou remoto, como na pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>No caso da crise h\u00eddrica, o fim da resili\u00eancia ou capacidade de se adaptar ou evoluir na adversidade est\u00e1 associado ao fim das \u00e1reas naturais e a altera\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do ambiente que poderia armazenar \u00e1gua da chuva<\/p>\n<p>A crise vivida hoje por S\u00e3o Paulo deve-se \u00e0 falta de planejamento e de conserva\u00e7\u00e3o dos mananciais, al\u00e9m das mudan\u00e7as no padr\u00e3o clim\u00e1tico global, em processos acirrados. Este padr\u00e3o demonstra que o clima est\u00e1 ficando cada vez mais vari\u00e1vel e com mais extremos de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o, mudando a din\u00e2mica da floresta amaz\u00f4nica, pois o desmatamento ali registrado, desde dez, quinze anos atr\u00e1s, comprometeu parte da floresta.<\/p>\n<p>O mau planejamento das cidades, a aus\u00eancia de \u00e1reas protegidas que garantam a captura desse recurso e melhora na resili\u00eancia do ambiente, resulta numa crise como esta, que j\u00e1 vinha se anunciando h\u00e1 algum tempo. Vamos ver se ocorre consci\u00eancia pr\u00e9via dos demais cen\u00e1rios ou ser\u00e1 preciso buscar atenua\u00e7\u00f5es ap\u00f3s as trag\u00e9dias ocorrerem. Com os agrot\u00f3xicos, onde existem grandes interesses econ\u00f4micos, parece que ser\u00e1 com trag\u00e9dia primeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na verdade n\u00e3o se vive crise de recursos h\u00eddricos. 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