{"id":64135,"date":"2017-04-20T09:00:19","date_gmt":"2017-04-20T12:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=64135"},"modified":"2017-04-19T20:27:33","modified_gmt":"2017-04-19T23:27:33","slug":"indigenas-na-cidade-indios-catadores-contam-a-angustia-de-viver-no-lixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indigenas-na-cidade-indios-catadores-contam-a-angustia-de-viver-no-lixao\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas na cidade: \u00edndios catadores contam a ang\u00fastia de viver no lix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=64136\" rel=\"attachment wp-att-64136\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64136\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cVendo lixo e n\u00e3o tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, viol\u00eancia, pobreza e roubar. Nasci pra sofrer, pode crer, pra cair, levantar, errar e aprender. A caminhada \u00e9 dura, tudo \u00e9 fase. Zona oeste \u00e9 meu lugar, nesse canto da cidade. Eu sou a <strong>voz ativa da perifa<\/strong>, a voz dos oprimidos, a voz dos loucos, das minas e dos bandidos, dos esquecidos pela sociedade, dos humildes que n\u00e3o t\u00eam vez aqui nessa cidade.\u201d<\/p>\n<p>A melodia e a letra notadamente urbanas do rap servem de canal para expressar as ang\u00fastias do <strong>catador de material recicl\u00e1vel<\/strong> e <strong>ind\u00edgena wapixana<\/strong> Charlesson da Silva, de 18 anos. Ele n\u00e3o tem vergonha de trabalhar como catador em Boa Vista, capital de Roraima, mas o que quer para o futuro est\u00e1 fora dos lix\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cMelhorar de vida, melhorar a vida da fam\u00edlia tamb\u00e9m. Voltei a estudar, n\u00e9? E quero me formar em direito. Tem o rap, mas tamb\u00e9m quero ter um trabalho assim, bacana\u201d, conta.<\/p>\n<p>O rapper \u00e9 o orgulho da m\u00e3e, Mara Wapixana. Ela tamb\u00e9m coleta material no lix\u00e3o, mas n\u00e3o vai ao local com frequ\u00eancia. \u201cN\u00e3o desejo isso aqui pra ningu\u00e9m, mas para n\u00e3o t\u00e1 pedindo nem t\u00e1 roubando por a\u00ed, a gente fica por aqui mesmo.\u201d<\/p>\n<p>A montanha de lixo \u00e0 beira da BR-174, os urubus e o forte cheiro do chorume fazem parte do ambiente de trabalho desses ind\u00edgenas. O lix\u00e3o acaba sendo a \u00faltima possibilidade na busca pela sobreviv\u00eancia, como conta o presidente da Organiza\u00e7\u00e3o dos Ind\u00edgenas da Cidade, em Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa. \u201cPara quem n\u00e3o aguenta mais estar naquela situa\u00e7\u00e3o de trabalho de explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, muitos n\u00e3o veem outra sa\u00edda para sair daquela situa\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o fazer a coleta seletiva no lixo. O fundo do po\u00e7o da quest\u00e3o ind\u00edgena urbana \u00e9 a presen\u00e7a no lix\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para buscar visibilidade e saber as principais demandas desses trabalhadores, o projeto <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PNCSA\" target=\"_blank\">Nova Cartografia Social da Amaz\u00f4nia<\/a> come\u00e7ou, em 2013, a atuar com os ind\u00edgenas coletores de material recicl\u00e1vel na capital de Roraima. A maioria dos \u00edndios demandava a regulariza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de catador e o acesso a documentos. A coordenadora da equipe de trabalho do projeto, Marineide Peres da Costa, conta que grande parte dos ind\u00edgenas \u00e9 formada por estrangeiros, principalmente da Guiana e, mais recentemente, da Venezuela. Para ela, o local \u00e9 desolador.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um ambiente muito pesado. T\u00e1 certo que \u00e9 uma classe trabalhadora, mas ela n\u00e3o \u00e9 valorizada. Elas n\u00e3o conseguem a sustentabilidade do pr\u00f3prio trabalho. \u00c9 muito desvalorizada, principalmente as mulheres que est\u00e3o ali em cima\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Funai<\/strong><\/p>\n<p>A Funai acompanha de forma t\u00edmida a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas catadores, como define o pr\u00f3prio coordenador da funda\u00e7\u00e3o em Boa Vista, Riley Mendes. \u201cQuando a gente come\u00e7ou a acompanhar, eles se dispersaram. Eles n\u00e3o queriam ser contados como catadores de lixo. Foi muito t\u00edmido ali no in\u00edcio. Mas eles n\u00e3o se identificavam como ind\u00edgenas. Eles n\u00e3o queriam ser identificados como ind\u00edgenas.\u201d<\/p>\n<p>Para alguns ind\u00edgenas, a melhora de vida pode vir com a adequa\u00e7\u00e3o do local \u00e0 Lei de Res\u00edduos S\u00f3lidos, com a atua\u00e7\u00e3o de cooperativas e de uma usina de reciclagem. O aterro sanit\u00e1rio de Boa Vista deve se adequar \u00e0 lei at\u00e9 meados de 2018, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista. Os catadores, de acordo com o secret\u00e1rio Daniel Peixoto, ser\u00e3o contemplados. Mas h\u00e1 um por\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a ind\u00edgenas estrangeiros.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o cabe a responsabilidade da prefeitura nesse sentido. Se ele estiver ilegal no pa\u00eds, eu n\u00e3o tenho como botar ele para trabalhar\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas a possibilidade de mudan\u00e7a no lix\u00e3o anima M\u00e1rcio Wapixana, que espera trabalhar com carteira assinada. \u201cVai ser carteira assinada, n\u00e9? A\u00ed vai ser bom agora. A vida vai melhorar, de muita gente. Ainda mais para o pessoal daqui, que precisa muito. V\u00e3o ser abertas tr\u00eas cooperativas, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0Talita Cavalcante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVendo lixo e n\u00e3o tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, viol\u00eancia, pobreza<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":64136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/lixao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cVendo lixo e n\u00e3o tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, viol\u00eancia, pobreza","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64135\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}