{"id":63879,"date":"2017-04-16T14:00:30","date_gmt":"2017-04-16T17:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=63879"},"modified":"2017-04-16T11:18:11","modified_gmt":"2017-04-16T14:18:11","slug":"gravidez-causa-mudancas-duradouras-no-cerebro-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/gravidez-causa-mudancas-duradouras-no-cerebro-da-mulher\/","title":{"rendered":"Gravidez causa mudan\u00e7as duradouras no c\u00e9rebro da mulher"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=63880\" rel=\"attachment wp-att-63880\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-63880\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/remodelacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/remodelacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/remodelacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ter um ser humano crescendo dentro da pr\u00f3pria barriga n\u00e3o \u00e9 algo corriqueiro. Os horm\u00f4nios proliferam e o corpo sofre uma enorme transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Mas as mudan\u00e7as n\u00e3o terminam a\u00ed.\u00a0Um estudo publicado na Nature Neuroscience\u00a0revela que durante a gravidez as mulheres sofrem uma remodela\u00e7\u00e3o significativa no c\u00e9rebro \u2013 e o mais intrigante: essa altera\u00e7\u00e3o persiste por pelo menos dois anos ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea.\u00a0O estudo oferece tamb\u00e9m evid\u00eancias preliminares de que essa remodela\u00e7\u00e3o pode desempenhar um papel importante em ajudar as mulheres na transi\u00e7\u00e3o para a maternidade.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma equipe de pesquisa da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona, liderada pela neurocientista Elseline Hoekzema, da Universidade de Leiden, realizou exames cerebrais em mulheres antes e depois da gravidez. Os cientistas encontraram mudan\u00e7as significativas nas regi\u00f5es cerebrais cinzentas (onde h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios) associadas \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o, em especial \u00e0s percep\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es sociais e \u00e0 capacidade emp\u00e1tica de se colocar no lugar do outro e imaginar o que se passa na mente alheia. Essas \u00e1reas foram ativadas quando as mulheres olhavam fotos de seus beb\u00eas.<\/p>\n<p class=\"p3\">As mudan\u00e7as, que ainda estavam presentes dois anos ap\u00f3s o nascimento, se mostraram em altas pontua\u00e7\u00f5es obtidas pelas volunt\u00e1rias em testes de apego materno. Curiosamente, eram t\u00e3o claras que um algoritmo de computador poderia us\u00e1-las para identificar quais mulheres estavam gr\u00e1vidas ou tinham tido filhos nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma das caracter\u00edsticas da gravidez \u00e9 um enorme aumento nos horm\u00f4nios sexuais, como a progesterona e o estrog\u00eanio, que ajudam o corpo feminino a se preparar para a chegada da crian\u00e7a.\u00a0H\u00e1 apenas outra ocasi\u00e3o em que nosso corpo produz quantidades grandes similarmente dessas subst\u00e2ncias: durante a puberdade. Pesquisas anteriores j\u00e1 haviam mostrado que, nessa fase, os horm\u00f4nios causam mudan\u00e7as estruturais e organizacionais significativas no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p class=\"p3\">Durante a adolesc\u00eancia, tanto os meninos quanto as meninas perdem a subst\u00e2ncia cinzenta, j\u00e1 que as conex\u00f5es cerebrais das quais n\u00e3o precisam s\u00e3o podadas e seu c\u00e9rebro \u00e9 esculpido em sua forma adulta.\u00a0No entanto, poucas pesquisas t\u00eam se concentrado nas altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas cerebrais durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Hoekzema e seus colegas realizaram exames neurol\u00f3gicos detalhados da anatomia de um grupo de mulheres que estavam tentando engravidar pela primeira vez.\u00a0As 25 volunt\u00e1rias que engravidaram foram examinadas logo ap\u00f3s o parto, e 11 delas passaram por um exame de neuroimagem dois anos depois. Para estabelecer compara\u00e7\u00e3o, os pesquisadores escanearam tamb\u00e9m o c\u00e9rebro de homens e mulheres que n\u00e3o estavam tentando nem pretendiam ter filhos, assim como o de pais de primeira viagem.<\/p>\n<p class=\"p3\">Durante o per\u00edodo p\u00f3s-parto, os pesquisadores realizaram tamb\u00e9m exames no c\u00e9rebro das novas m\u00e3es enquanto elas olhavam para fotos de seu beb\u00ea.\u00a0Os cientistas usaram uma escala-padr\u00e3o para avaliar a intensidade do apego das mulheres. Eles descobriram que as novas m\u00e3es experimentaram redu\u00e7\u00f5es de mat\u00e9ria cinzenta que durou pelo menos 24 meses ap\u00f3s o nascimento.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cA perda, no entanto, n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim e a localiza\u00e7\u00e3o dessas \u2018podas neurais\u2019 chamou bastante aten\u00e7\u00e3o\u201d, observou Hoekzema. O fen\u00f4meno ocorreu em regi\u00f5es cerebrais envolvidas na cogni\u00e7\u00e3o social, particularmente na rede dedicada \u00e0 teoria da mente, que nos ajuda a pensar sobre o que est\u00e1 acontecendo com outra pessoa. E essas \u00e1reas tiveram a resposta mais forte justamente quando as m\u00e3es olharam as imagens de seus filhos. As altera\u00e7\u00f5es cerebrais podem ser usadas tamb\u00e9m para prever como as m\u00e3es pontuaram na escala de inser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os pesquisadores utilizaram um algoritmo de computador para identificar que mulheres eram novas m\u00e3es com base unicamente nos seus padr\u00f5es de perda de mat\u00e9ria cinzenta. Esse processo n\u00e3o foi observado em homens em geral, fossem eles pais recentes ou n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ainda n\u00e3o est\u00e1 inteiramente claro para os cientistas por que as mulheres perdem subst\u00e2ncia cinzenta durante a gravidez, mas Hoekzema sup\u00f5e que pode ser porque seu c\u00e9rebro est\u00e1 se tornando mais especializado em formas que v\u00e3o ajud\u00e1-las a se adaptar \u00e0 maternidade e a responder \u00e0s necessidades de seus beb\u00eas.\u00a0A pesquisa oferece algumas evid\u00eancias preliminares para apoiar essa ideia.\u00a0Considerando que o estudo se concentra principalmente em documentar as altera\u00e7\u00f5es cerebrais durante a gravidez, ela espera que o trabalho de acompanhamento aborde quest\u00f5es mais aplicadas, como a forma como as altera\u00e7\u00f5es cerebrais se relacionam com depress\u00e3o p\u00f3s-parto ou dificuldades de cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo entre m\u00e3e e filho.<\/p>\n<p class=\"p3\">O neurocientista Ronald Dahl, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, que n\u00e3o participou do trabalho, comentou ter sido surpreendido pelo resultado do estudo. \u201cEsta \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental, que n\u00e3o s\u00f3 documenta altera\u00e7\u00f5es cerebrais estruturais ligadas \u00e0 gravidez, mas o faz de forma convincente, oferecendo evid\u00eancias que sugerem que elas representam mudan\u00e7as adaptativas\u201d, escreveu.<\/p>\n<p class=\"p3\">O psic\u00f3logo evolucionista Mel Rutherford, da Universidade McMaster, em Ont\u00e1rio, tamb\u00e9m mostrou entusiasmo com o uso da neuroimagem para acompanhar as altera\u00e7\u00f5es cerebrais durante a gravidez.\u00a0Os resultados corroboram a pesquisa desenvolvida por Rutherford sobre as mudan\u00e7as cognitivas durante a gravidez, que ele aborda de uma perspectiva evolutiva.\u00a0\u201cComo pais, passamos a ter a incumb\u00eancia de resolver problemas adaptativos e cognitivos ligeiramente diferentes aos quais est\u00e1vamos acostumados antes de ter filhos\u201d, diz. \u201cAs pessoas passam a ter outras tarefas e prioridades, e seu c\u00e9rebro muda para acompanhar essas demandas.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\"><strong>CHEIRINHO DE BEB\u00ca<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Quando as circunst\u00e2ncias exigem, o c\u00e9rebro dos mam\u00edferos \u2013 incluindo os humanos \u2013 apresenta uma incr\u00edvel capacidade de promover mudan\u00e7as. Nos \u00faltimos anos, pesquisas com os roedores t\u00eam nos ajudado muito a conhecer melhor as altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas que ocorrem em futuras mam\u00e3es. Durante a gesta\u00e7\u00e3o de uma rata, por exemplo, o sistema olfativo come\u00e7a a produzir novos neur\u00f4nios rapidamente. Pelo menos na teoria, essas c\u00e9lulas adicionais devem permitir que as m\u00e3es se tornem mais competentes em reconhecer as pistas escondidas nos odores dos filhotes. Evidentemente, a forma como elas reagem diante dos cheiros que reconhecem diverge bastante. Para ratas virgens, os rec\u00e9m-nascidos s\u00e3o malcheirosos, mas quando elas ficam prenhes esses mesmos odores se tornam atraentes para elas. Segundo a psic\u00f3loga Alison Fleming, da Universidade de Toronto-Mississauga, no Canad\u00e1, isso tamb\u00e9m \u00e9 observado em mulheres que tiveram beb\u00eas. A pesquisadora descobriu que a probabilidade de as m\u00e3es recentes considerarem agrad\u00e1veis os cheiros de beb\u00eas \u00e9 muito maior, em compara\u00e7\u00e3o com mulheres sem filhos.<\/p>\n<p class=\"p2\">Para transformar a percep\u00e7\u00e3o dos odores nas mulheres, o sistema olfativo utilizaria uma regi\u00e3o conhecida como am\u00edgdala medial. \u201cEssa \u00e1rea do c\u00e9rebro pode agir como um centro para o sistema olfativo, transformando a informa\u00e7\u00e3o que entra em conte\u00fado emocional\u201d, afirma o neurobi\u00f3logo Michael Numan, da Universidade de Boston. Ele ressalta que os est\u00edmulos olfativos podem ajudar na consolida\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo m\u00e3e-filho tornando atraentes os aromas exalados pelo beb\u00ea. N\u00e3o s\u00e3o raros os casos de mulheres que antes de terem o primeiro filho evitavam os odores de crian\u00e7as de colo mesmo as da fam\u00edlia. Mas ap\u00f3s dar \u00e0 luz descobrem que n\u00e3o t\u00eam problemas de aproximar o nariz das fraldas de uma crian\u00e7a para saber se precisam ser trocadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter um ser humano crescendo dentro da pr\u00f3pria barriga n\u00e3o \u00e9 algo corriqueiro. 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