{"id":63870,"date":"2017-04-16T15:00:49","date_gmt":"2017-04-16T18:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=63870"},"modified":"2017-04-16T11:04:47","modified_gmt":"2017-04-16T14:04:47","slug":"terapia-celular-2-0-reprogramando-as-celulas-do-proprio-cerebro-para-o-tratamento-de-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/terapia-celular-2-0-reprogramando-as-celulas-do-proprio-cerebro-para-o-tratamento-de-parkinson\/","title":{"rendered":"Terapia celular 2.0: reprogramando as c\u00e9lulas do pr\u00f3prio c\u00e9rebro para o tratamento de Parkinson"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=63871\" rel=\"attachment wp-att-63871\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-63871\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, drogas farmac\u00eauticas como a levodopa foram o padr\u00e3o-ouro no tratamento da doen\u00e7a de Parkinson. Essas medica\u00e7\u00f5es aliviam os sintomas motores, mas nenhuma consegue cur\u00e1-los. Pacientes com Parkinson continuam perdendo neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos cr\u00edticos para o funcionamento dos centros de controle motor do c\u00e9rebro. Com o tempo, as drogas se tornam in\u00f3cuas e os tremores dos pacientes pioram. Eles experimentam perda de equil\u00edbrio e uma rigidez toma conta de suas pernas.<\/p>\n<p>Para substituir os neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos perdidos, alguns cientistas come\u00e7aram a investigar a terapia com c\u00e9lulas-tronco como um potencial tratamento, ou mesmo para fins de cura. Por\u00e9m, a experi\u00eancia mostrou que \u00e9 dif\u00edcil preparar c\u00e9lulas embrion\u00e1rias e c\u00e9lulas-tronco adultas e transplant\u00e1-las para o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Agora, um estudo do Instituto Karolinska, em Estocolmo, mostra que \u00e9 poss\u00edvel influenciar os astr\u00f3citos do pr\u00f3prio c\u00e9rebro &#8211; c\u00e9lulas que tipicamente ajudam e nutrem os neur\u00f4nios &#8211; a produzir uma nova gera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos. Essas c\u00e9lulas reprogramadas mostram diversas propriedades e fun\u00e7\u00f5es de neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos nativos e podem alterar o curso do Parkinson, de acordo com os pesquisadores. \u201cVoc\u00ea pode programar diretamente uma c\u00e9lula que j\u00e1 est\u00e1 dentro do c\u00e9rebro e mudar sua fun\u00e7\u00e3o de tal forma que seja poss\u00edvel melhorar os sintomas neurol\u00f3gicos\u201d, diz o autor s\u00eanior Ernest Arenas, professor de bioqu\u00edmica m\u00e9dica no Instituto. Anteriormente, cientistas tiveram que for\u00e7ar c\u00e9lulas especializadas, como neur\u00f4nios, a se tornarem c\u00e9lulas pluripotentes antes de conseguirem transform\u00e1-las num tipo diferente de c\u00e9lula especializada, segundo Arenas. Era como apagar todas as instru\u00e7\u00f5es de como a c\u00e9lula deveria se desenvolver e qual trabalho deveria fazer, e reescrev\u00ea-las depois. Contudo, Arenas e sua equipe descobriram uma forma de converter as instru\u00e7\u00f5es em um conjunto diferente de comandos sem apag\u00e1-las.<\/p>\n<p>Ao adicionar um coquetel de tr\u00eas genes e uma pequena mol\u00e9cula de RNA &#8211; NEUROD1, ASCL1, LMX1A e miR-218, respectivamente &#8211; os pesquisadores for\u00e7aram os astr\u00f3citos a se transformarem diretamente em neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos. Uma vez que os astr\u00f3citos humanos eram reprogramados com sucesso por esse m\u00e9todo, eles se pareciam e agiam como neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos normais do mesenc\u00e9falo. As c\u00e9lulas reprogramadas desenvolveram ax\u00f4nios, as longas fibras que fazem conex\u00e3o com outros neur\u00f4nios, dispararam sinais el\u00e9tricos e liberaram dopamina.<\/p>\n<p>Em estudos com ratos, os pesquisadores inicialmente destru\u00edram os neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos de uma parte do c\u00e9rebro para produzir um modelo de Parkinson. Ent\u00e3o, injetaram o coquetel de genes nos c\u00e9rebros dos animais e observaram como os ratos andavam por uma pequena esteira. Em cinco semanas, eles come\u00e7aram a andar mais retos, seus movimentos ficaram mais coordenados e suas posturas melhoraram.<\/p>\n<p>Os resultados, que foram publicados na revista cient\u00edfica <em>Nature Biotechnology<\/em> ontem, dia 10 de abril, abrem as portas para uma nova abordagem terap\u00eautica para o Parkinson. Converter diretamente astr\u00f3citos j\u00e1 presentes no c\u00e9rebro do paciente pode eliminar a necessidade de procurar por doadores de c\u00e9lulas, al\u00e9m de evitar o risco de imunossupress\u00e3o de c\u00e9lulas transplantadas. O tratamento tamb\u00e9m poderia produzir prote\u00ednas envolvidas em processos celulares normais, o que o tornaria, portanto, menos propenso a causar efeitos colaterais em compara\u00e7\u00e3o aos medicamentos atuais. \u201cIsso \u00e9 como uma c\u00e9lula-tronco 2.0. \u00c9 a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de tratamentos com c\u00e9lulas-tronco e medicina regenerativa\u201d, diz James Breck, vice-presidente de assuntos cient\u00edficos da Funda\u00e7\u00e3o do Mal de Parkinson, que n\u00e3o possui fins lucrativos, e que n\u00e3o esteve envolvido na pesquisa. Estima-se que mais de dez milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo vivam com Parkinson. Substituir seus neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos perdidos por c\u00e9lulas cerebrais reprogramadas poderia facilitar o gerenciamento dos seus sintomas motores, ele observa. Em vez de precisar tomar oito ou mais p\u00edlulas por dia nos est\u00e1gios mais avan\u00e7ados da doen\u00e7a, as pessoas poderiam reduzir a quantidade de medicamentos, talvez at\u00e9 mesmo para zero.<\/p>\n<p>Contudo, h\u00e1 algumas ressalvas: \u201cInfelizmente, isso n\u00e3o vai interromper o curso do Parkinson\u201d, Beck avisa. Se os pacientes perderem mais neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos \u00e0 medida que a doen\u00e7a progride, cientistas e m\u00e9dicos talvez precisem repetir o processo de reprogramar as c\u00e9lulas substitutas. Al\u00e9m disso, a doen\u00e7a frequentemente afeta mais do que esses neur\u00f4nios apenas. H\u00e1 uma s\u00e9rie de sintomas n\u00e3o-motores que acompanham o Parkinson, incluindo comprometimento cognitivo, depress\u00e3o, complica\u00e7\u00f5es gastrointestinais e disfun\u00e7\u00e3o auton\u00f4mica. &#8220;A melhoria motora \u00e9 apenas metade da batalha&#8221;, segundo Beck.<\/p>\n<p>Agora, os pesquisadores precisam assegurar com testes adicionais que o coquetel de genes adicionados seja padronizado e produza c\u00e9lulas robustas. Eles tamb\u00e9m precisar\u00e3o verificar se o processo n\u00e3o altera outras c\u00e9lulas no c\u00e9rebro antes que ele esteja pronto para testes cl\u00ednicos em humanos. Apenas alguns experimentos pequenos de enxerto de c\u00e9lulas fetais e c\u00e9lulas-tronco foram conduzidos at\u00e9 agora &#8211; e com resultados confusos, segundo Beck. Por\u00e9m, embora essa t\u00e9cnica de reprograma\u00e7\u00e3o direta esteja sendo desenvolvida em paralelo com terapias baseadas em c\u00e9lulas-tronco, o m\u00e9todo pode trazer novos conhecimentos e melhorar a partir de testes cl\u00ednicos, eventualmente substituindo a terapia com c\u00e9lulas-tronco na pr\u00f3xima d\u00e9cada, ele acrescenta. \u201c\u00c9 uma vis\u00e3o de como ser\u00e1 o futuro do tratamento do Parkinson.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, drogas farmac\u00eauticas como a levodopa foram o padr\u00e3o-ouro no tratamento da<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":63871,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/celulas_reprogramadas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, drogas farmac\u00eauticas como a levodopa foram o padr\u00e3o-ouro no tratamento da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63870"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}