{"id":63771,"date":"2017-04-15T11:30:43","date_gmt":"2017-04-15T14:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=63771"},"modified":"2017-04-15T11:30:43","modified_gmt":"2017-04-15T14:30:43","slug":"febre-amarela-provoca-uma-das-piores-mortandades-de-primatas-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/febre-amarela-provoca-uma-das-piores-mortandades-de-primatas-da-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Febre amarela provoca uma das piores mortandades de primatas da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/febre-amarela-provoca-uma-das-piores-mortandades-de-primatas-da-mata-atlantica\/macaco-18\/\" rel=\"attachment wp-att-63772\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-63772\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por <em>S\u00e9rgio Lucena Mendes<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 o final de mar\u00e7o deste ano, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou 187 casos de \u00f3bitos em humanos causados pela febre amarela. No mesmo per\u00edodo, 4.240 mortes de macacos foram confirmadas e associadas \u00e0 febre amarela no Brasil, s\u00f3 no Esp\u00edrito Santo j\u00e1 foram cerca de 1.200. A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 grave em Minas Gerais e h\u00e1 registros de mortes de macacos confirmadas para a febre em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Goi\u00e1s, Distrito Federal, Par\u00e1 e Roraima. Considerado um desastre ambiental grave, esse surto representa uma das maiores mortandades de primatas da hist\u00f3ria da <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/06\/vai-sobrar-floresta-para-contar-historia.html\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar de ocorrer ciclicamente no Brasil, geralmente nas esta\u00e7\u00f5es mais quentes, a febre amarela avan\u00e7ou de forma nunca antes vista. Sua chegada ao litoral do pa\u00eds \u00e9 algo considerado in\u00e9dito e que pode acarretar perdas irrepar\u00e1veis. Em contato com o v\u00edrus, os bugios (<em>Alouatta guariba<\/em>) morrem em massa, mas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. Esp\u00e9cies como o sau\u00e1 (<em>Callicebus personatus<\/em>), os saguis do g\u00eanero <em>Callithrix <\/em>e os macacos-pregos (<em>Supajus sp<\/em>) tamb\u00e9m foram afetadas. O muriqui-do-norte (<em>Brachyteles hypoxanthus<\/em>), maior primata das Am\u00e9ricas e criticamente em perigo de extin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m corre riscos. A chegada da febre amarela \u00e0 regi\u00e3o de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, acende um novo sinal de alerta. O local \u00e9 o \u00faltimo ref\u00fagio do mico-le\u00e3o-dourado (<em>Leontopithecus rosalia<\/em>), que sofreu com o desmatamento e o tr\u00e1fico de animais, e agora enfrenta um novo inimigo invis\u00edvel e mortal.<\/p>\n<p>Apesar de a doen\u00e7a que aflige homens e primatas ser a mesma, h\u00e1 dois tipos de ciclos: o silvestre e o urbano. A diferen\u00e7a est\u00e1 no transmissor: o ciclo silvestre \u00e9 transmitido por dois tipos de mosquito (dos g\u00eaneros <em>Haemagogus<\/em> e <em>Sabethes<\/em>) restritos \u00e0 \u00e1rea de florestas. O ciclo urbano \u00e9 causado pelo velho conhecido <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2016\/05\/aedes-aegypti.html\"><em>Aedes aegypti<\/em><\/a>, transmissor tamb\u00e9m de viroses como dengue, chikungunya e zika. O ciclo urbano pode se estabelecer caso uma pessoa n\u00e3o imunizada se contamine numa \u00e1rea de floresta e depois seja picada na cidade pelo <em>Aedes aegypti<\/em> e este vier a se infectar. Os macacos, evidentemente, s\u00e3o apenas v\u00edtimas da doen\u00e7a, e n\u00e3o seus transmissores.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da doen\u00e7a \u00e9 facilitado pela redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas silvestres e consequente avan\u00e7o das cidades. Quando adicionamos outros fatores, como mudan\u00e7a clim\u00e1tica, por exemplo, a equa\u00e7\u00e3o se torna ainda mais complicada. Desde a d\u00e9cada de 1980, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade registra aumento no n\u00famero de casos de febre amarela e acredita-se que o crescimento da popula\u00e7\u00e3o urbana, com maior mobilidade global, e as altera\u00e7\u00f5es no clima do planeta sejam poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para o fato. Da mesma forma que a doen\u00e7a que aflige homens e macacos \u00e9 a mesma, as causas e suas consequ\u00eancias tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser dissociadas.<\/p>\n<p>O alerta e o controle do surto atual foram extremamente tardios e antiquados para todos os envolvidos. Houve descaso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras mortes de macacos reportadas em Montes Claros, Minas Gerais, e somente quando centenas deles estavam morrendo no leste de Minas Gerais \u00e9 que se decidiu tomar alguma atitude. O Esp\u00edrito Santo se alarmou com a situa\u00e7\u00e3o do estado vizinho e adiantou a vacina\u00e7\u00e3o em humanos. No Rio de Janeiro, houve um bloqueio vacinal nas fronteiras do estado, o que simplesmente n\u00e3o funciona. Al\u00e9m de n\u00e3o impedir o surto silvestre, j\u00e1 que macacos n\u00e3o participam da vacina\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o resolve o surto urbano, pois pessoas v\u00e3o e v\u00eam de diferentes \u00e1reas a todo momento. \u00c9 imposs\u00edvel lidar com situa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas como essa utilizando m\u00e9todos que j\u00e1 eram duvidosos h\u00e1 quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ver o surto com um olhar ecol\u00f3gico, al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade humana. Para controlar a febre amarela, \u00e9 preciso, necessariamente, preservar os h\u00e1bitats e suas esp\u00e9cies nativas. Desflorestar e matar macacos n\u00e3o impede a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da doen\u00e7a e pode at\u00e9 piorar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>* S\u00e9rgio Lucena Mendes \u00e9 bi\u00f3logo, professor de zoologia e membro da Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por S\u00e9rgio Lucena Mendes At\u00e9 o final de mar\u00e7o deste ano, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":63772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/macaco-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por S\u00e9rgio Lucena Mendes At\u00e9 o final de mar\u00e7o deste ano, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63771"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63771"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63771\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}