{"id":6374,"date":"2014-09-08T17:32:05","date_gmt":"2014-09-08T17:32:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6374"},"modified":"2014-09-08T17:35:56","modified_gmt":"2014-09-08T17:35:56","slug":"waitakubuli-a-trilha-de-longo-curso-de-dominica-que-decidiu-entrar-para-valer-na-economia-do-turismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/waitakubuli-a-trilha-de-longo-curso-de-dominica-que-decidiu-entrar-para-valer-na-economia-do-turismo\/","title":{"rendered":"Waitakubuli: a trilha de longo curso de Dominica, que decidiu entrar para valer na economia do turismo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"Vale vulc\u00e2nico. Fotos: Pedro da Cunha e Menezes\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/vale-vulcanico.jpg\" alt=\"vale-vulcanico\" width=\"630\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>Vale vulc\u00e2nico. Fotos: Pedro da Cunha e Menezes<\/p>\n<p>Sol, praia e mergulhos. \u00c9 assim que o Caribe se vende para o mundo. O arquip\u00e9lago das Cara\u00edbas \u00e9 composto por 13 pa\u00edses e outros 17 territ\u00f3rios com governos aut\u00f4nomos, a exemplo de Guadalupe, Porto Rico e Cura\u00e7ao, que dependem respectivamente de Fran\u00e7a, Estados Unidos e Holanda apenas para assuntos de defesa e pol\u00edtica externa. Essa mir\u00edade de ilhas fala diversas l\u00ednguas e tem culturas, arquiteturas e culin\u00e1rias que variam de lugar para lugar. Um fator, contudo, os une: o turismo receptivo como principal fonte de renda.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra a tr\u00edade sol, praia e mergulhos. Punta Cana, Sint Maarten, Bonaire, Barbados, Varadero e Saint Barths disputam entre si quem oferece os melhores &#8220;resorts&#8221;, as areias, mais brancas ou a maior variedade de peixes e corais. Tudo isso para atrair os turistas norte-americanos e europeus, que lotam suas praias de janeiro a janeiro.<\/p>\n<p>\u00c9 uma luta que faz sentido. O turismo \u00e9 o principal gerador de emprego e renda do Caribe. Segundo a Caribbean Tourism Organization, em 2013 a regi\u00e3o recebeu 25 milh\u00f5es de visitas. Embora esse afluxo de visitantes tenha sido um grande est\u00edmulo para a economia regional, pois injetou US$ 28,1 bilh\u00f5es nos mercados locais, existem exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra. Nem todos os pa\u00edses do Caribe s\u00e3o beneficiados pelos gastos dos viajantes. Um deles, a pequenina Dominica (n\u00e3o confundir com Rep\u00fablica Dominicana) est\u00e1 virtualmente exclu\u00edda do circuito, e em 2013 recebeu apenas 230 mil visitantes. A maioria, contudo n\u00e3o chega sequer a se hospedar, s\u00e3o passageiros de enormes navios de cruzeiro, que desembarcam em turbas no p\u00eder da capital Roseau e passam somente algumas horas na ilha. Gastam muito pouco e aportam menos ainda para o desenvolvimento local. Ano passado, apenas 78,277 turistas estrangeiros pernoitaram pelo menos uma noite em uma acomoda\u00e7\u00e3o comercial dominiquense.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/vale-do-vulcao.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>Vale do Vulc\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de entusiasmo dos prospectivos h\u00f3spedes estrangeiros tem explica\u00e7\u00e3o. Dominica tem forma\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica recente. No calend\u00e1rio geol\u00f3gico isso se traduz em falta de tempo para que as intemp\u00e9ries naturais tenham podido agir com intensidade suficiente para erodir suas encostas e recortar seu litoral. O resultado \u00e9 um terreno muito montanhoso, cujas escarpas mergulham diretamente nas \u00e1guas do mar, sem formar praticamente nenhuma praia. Com efeito, a falta sistem\u00e1tica de plan\u00edcies n\u00e3o deixou espa\u00e7o sequer para a constru\u00e7\u00e3o de uma pista aeroportu\u00e1ria longa o bastante para receber a aterrissagem de grandes jatos comerciais.<\/p>\n<p>Por outro lado, como \u00e9 comum em ilhas isoladas, a biodiversidade e o endemismo em Dominica s\u00e3o muito altos, o que tem resultado em press\u00e3o internacional sobre o Governo local para evitar desmatamento com vistas a aumentar a \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, sobretudo de banana, produto respons\u00e1vel por 50% das exporta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de c\u00edtricos, coco e cacau.<\/p>\n<p>Segundo dados do Programa Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), 70% do territ\u00f3rio dominiquense est\u00e1 preservado. Dominica abriga onze ecossistemas terrestres e tr\u00eas marinhos. Considerando que a ilha s\u00f3 tem 750 km\u00b2 (o Distrito Federal, a menor Unidade da Federa\u00e7\u00e3o do Brasil, tem 5.802 km2), trata-se de uma diversidade espantosa, classificada pelo PNUMA como de Muito Alta import\u00e2ncia para conserva\u00e7\u00e3o mundial. Em Dominica, entre outros indicadores, foram catalogadas mil esp\u00e9cies de plantas (oito end\u00eamicas), 53 esp\u00e9cies de borboletas, duas esp\u00e9cies end\u00eamicas de r\u00e9pteis, 166 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros (dois end\u00eamicos) e 12 esp\u00e9cies de morcegos.<\/p>\n<p><strong>Uma ideia arrojada<\/strong><\/p>\n<p>Sem poder aumentar a \u00e1rea da explora\u00e7\u00e3o de suas encostas para produzir bananas e carente de praias para seduzir os turistas, n\u00e3o sobraram muitas alternativas econ\u00f4micas para os 70 mil habitantes de Dominica. Como, ent\u00e3o, sobreviver dignamente? Encontrar respostas demandou do Governo local muitas rodadas de debates calcadas em diversos estudos. V\u00e1rias alternativas se apresentaram em diversos campos do conhecimento, como para\u00edso fiscal para investimento offshore e isen\u00e7\u00e3o de impostos para o estabelecimento de universidades norte-americanas. Uma delas diz respeito \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade em bases sustent\u00e1veis. Embora no Brasil ainda configure algo novo e virtualmente inexplorado, esta \u00e9 uma ferramenta que j\u00e1 existe h\u00e1 praticamente cem anos e que j\u00e1 foi testada com sucesso em diversos pa\u00edses de todo o mundo.<\/p>\n<p>Dominica decidiu entrar para valer na economia do turismo. Buscou, contudo, um nicho ainda inexplorado na Am\u00e9rica Central e no Caribe. Resolveu abrir e operar a primeira trilha de longo curso da regi\u00e3o: a Waitukubili National Trail.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/vista-no-primeiro-dia-da-Wiatukubuli.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"468\" \/><br \/>\nVista no primeiro dia em Wiatukubuli National Trail<br \/>\n<img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/Logo-no-aeroporto-encontramos-um-cartaz-com-o-mapa-da-Waitukubuli.jpg\" alt=\"Logo-no-aeroporto-encontramos-um-cartaz-com-o-mapa-da-Waitukubuli\" width=\"625\" height=\"837\" \/><\/p>\n<p>Logo no aeroporto encontramos um cartaz com o mapa da Waitukubuli<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/waitukubuli.JPG\" alt=\"waitukubuli\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00f5es em Waitukubuli<\/p>\n<p>O projeto, sem grandes custos financeiros, contou com o apoio da Uni\u00e3o Europeia e do Governo Aut\u00f4nomo da Martinica. Foi realizado com duas premissas b\u00e1sicas:<\/p>\n<ul>\n<li>Criar um corredor ecol\u00f3gico entre as \u00e1reas protegidas da Ilha, garantindo uma liga\u00e7\u00e3o entre elas;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Gerar emprego e renda em bases sustent\u00e1veis.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quando visitei a ilha, nas f\u00e9rias de 2012, a Trilha tinha sido rec\u00e9m-inaugurada. Meu objetivo era aprender como um pa\u00eds mais pobre que o Brasil, mas com caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas e de relevo similares \u00e0s da maioria de nossos parques nacionais e estaduais localizados na Serra do Mar, tinha implementado um projeto dessa dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o desde o aeroporto<\/strong><\/p>\n<p>O que vi me deixou muito bem impressionado e, por que n\u00e3o dizer, com um pouco de vergonha do atraso da gest\u00e3o do ecoturismo em nossas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. A Waitukubuli corta ou, melhor dizendo, costura, o pa\u00eds de norte a sul. S\u00e3o 184 km divididos em 14 trechos, que come\u00e7am junto ao mar, no Soufriere\/Scott&#8217;s Head Marine Reserve e terminam na pen\u00ednsula de Cabrits, dentro do Parque Nacional do mesmo nome. Em seu tra\u00e7ado a Waitukubuli liga os Parques Nacionais de Morne Trois Pitons (Patrim\u00f4nio Mundial da Humanidade) e Diablotin, as Reservas Florestais Central e do Norte e a Reserva Primeva do Papagaio Sindicato. Esta \u00faltima protege a ave end\u00eamica do mesmo nome. No caminho ainda atravessa a Reserva \u00cdndigena Kalinago, que protege os \u00faltimos tr\u00eas mil \u00edndios caribes de Dominica.<\/p>\n<p>J\u00e1 ao desembarcar de seu turbo-h\u00e9lice no aeroporto internacional de Melville-Hall o turista depara com um enorme banner da Trilha Waitakubuli dando-lhe as boas vindas \u00e0 &#8220;Primeira Trilha de Longo Curso do Caribe&#8221;. Caso n\u00e3o tenha planejado sua caminhada com anteced\u00eancia, ali mesmo no sagu\u00e3o do desembarque o caminhante vai encontrar um pequeno quiosque com uma funcion\u00e1ria treinada para ajud\u00e1-lo a montar seu passeio.<\/p>\n<p>No meu caso, j\u00e1 tinha estudado bem a trilha e, com a ajuda de uma listagem fornecida pelo Minist\u00e9rio da Agriculrura e Floresta, j\u00e1 havia inclusive feito reserva em acomoda\u00e7\u00f5es localizadas no fim de cada trecho.<\/p>\n<p>A Waitukubuli foi projetada de forma a, no fim de cada trecho, deixar o caminhante pr\u00f3ximo a alguma pequena comunidade. Em cada um desses vilarejos o Governo deu treinamento e incentivos financeiros para a constru\u00e7\u00e3o de pousadas e albergues com um padr\u00e3o m\u00ednimo de qualidade pr\u00e9-estabelecido. No primeiro dia, o trecho \u00e9 propositalmente curto para incentivar os trilheiros a explorarem a Reserva Marinha Soufriere\/Scott&#8217;s Head antes de cabritarem. N\u00e3o hesitei em morder a isca. Me extasiei a manh\u00e3 inteira mergulhando entre os corais e cardumes coloridos das \u00e1guas transparentes daquela parte do Caribe.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"A antiga fazenda de caf\u00e9 est\u00e1 sendo convertida em pousada para os trilheiros.\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/Antiga-fazenda-de-cafe-sendo-convertida-em-pousada-para-os-trilheiros.jpg\" alt=\"Antiga-fazenda-de-cafe-sendo-convertida-em-pousada-para-os-trilheiros\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>A antiga fazenda de caf\u00e9 est\u00e1 sendo convertida em pousada para os trilheiros<\/p>\n<p>Somente ao meio dia e meia, depois de comer um lanche, iniciei a jornada de sete quil\u00f4metros, quase todos de subida em dire\u00e7\u00e3o ao vilarejo de Soufri\u00e8re-Sulphur Springs. No trajeto passei por uma antiga fazenda de caf\u00e9, que estava sendo reformada por uma fam\u00edlia com o intuito de oferecer uma acomoda\u00e7\u00e3o charmosa em um pr\u00e9dio hist\u00f3rico aos transeuntes da Waitukubuli. Achei a fazenda linda e o local muito aconchegante, mas ser\u00e1 que vale o investimento?<\/p>\n<p>Em Soufri\u00e8re-Sulphur Springs obtive a resposta. A aldeia j\u00e1 tem tr\u00eas estabelecimentos que vivem dos usu\u00e1rios da Waitukubuli. Me hospedei na Rodneys Wellness Retreat. O lugar \u00e9 tudo que um trilheiro pode querer, amplo, boa comida, com redes espalhadas pelo jardim. Para dormir, Rodney montou permanentemente cinco barracas de lona em seu terreno. Decorou-as por dentro com simplicidade e bom gosto e dotou-as do mais importante: camas confort\u00e1veis e com len\u00e7\u00f3is limpos.<\/p>\n<p>De manh\u00e3, j\u00e1 despertei com um espl\u00eandido caf\u00e9 da manh\u00e3 \u00e0 minha espera. Enquanto comia, um dos filhos de Rodney se aproximou t\u00edmido. Ofereceu levar minha mochila cargueira de carro at\u00e9 a pousada onde marquei o pernoite ao fim do segundo trecho. N\u00e3o era caro. Do alto dos meus quase cinquenta anos de vida, analisei a proposta: &#8220;ser\u00e1 que n\u00e3o carregar minha mochila cargueira reduzir\u00e1 minha sensa\u00e7\u00e3o de estar fazendo uma longa travessia? Serei menos montanhista por isso? N\u00e3o \u00e9 estragar a experi\u00eancia, pagar para algu\u00e9m levar meu peso?&#8221; Venceu a tenta\u00e7\u00e3o. \u00c0s 11h, depois de um banho nas \u00e1guas termais de Sulphur Springs, parti livre, leve e solto rumo \u00e0 Bellevue Chopin.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/lag.JPG\" alt=\"lag\" width=\"625\" height=\"832\" \/><\/p>\n<p>Lago em Sulphur Springs<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/lago.JPG\" alt=\"lago\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>Lago em ebuli\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>T\u00e3o logo deixei a pequena vila de Sulphur Springs para tr\u00e1s, adentrei uma ramagem espessa e vi\u00e7osa muito semelhante \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica que me lembrou as trilhas da Floresta da Tijuca e da Ilha Grande. Muita umidade, subidas \u00edngremes, descidas escorregadias.<\/p>\n<p>Com menos treze quilos no lombo, pude gastar tempo aproveitando as paisagens desabridas. N\u00e3o transferi o peso das costas para a consci\u00eancia. Cheguei ao fim do segundo trecho absolutamente satisfeito com a decis\u00e3o de me desfazer da minha mala. At\u00e9 cunhei uma m\u00e1xima para aplacar minha consci\u00eancia &#8220;sou ca\u00e7ador de paisagens, n\u00e3o sou besta de carga&#8221;.<\/p>\n<p><strong>As v\u00e1rias formas de percurso<\/strong><\/p>\n<p>O trecho seguinte, entre Bellevue Chopin e Wotten Waven era mais pesado. Dessa vez fui eu quem perguntou se a pousada poderia fazer o carreto da minha mochila. A propriet\u00e1ria se espantou com a solicita\u00e7\u00e3o. Nunca tinha pensado na possibilidade. Chamou um t\u00e1xi. Negociamos um pre\u00e7o honesto e l\u00e1 fui eu, de novo leve como um beija flor, e com a consci\u00eancia limpinha de quem est\u00e1 gerando emprego e renda para as comunidades do entorno.<\/p>\n<p>Gerar emprego e renda, afinal \u00e9 um dos dois pilares b\u00e1sicos da Waitukubuli. A trilha foi projetada com esse objetivo. A ideia \u00e9 vender Dominica como o para\u00edso das trilhas do Caribe. Nesse contexto, os quatorze trechos da trilha foram pensados para poderem formar diversos produtos diferentes ainda que complementares.<\/p>\n<ul>\n<li>Podem ser percorridos como quatorze trilhas independentes. Assim o turista tem a op\u00e7\u00e3o de escolher os dois ou tr\u00eas trechos que lhe interessam mais e percorr\u00ea-los durante sua estada na Ilha;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Podem ser sete travessias a serem feitas em sete fins de semana diferentes. Esse modelo visa atrair sobretudo os trilheiros franceses residentes nas ilhas vizinhas de Martinica e Guadalupe, mercados que s\u00e3o respons\u00e1veis por 28,6% dos visitantes de Dominica. Em um v\u00f4o com a dura\u00e7\u00e3o de meia hora est\u00e3o em Roseau. Ao longo de um longo per\u00edodo podem completar a trilha inteira, fazendo dois trechos em cada visita. Ao dividir a trilha dessa forma, cria-se um est\u00edmulo para que o turista retorne diversas vezes a Dominica at\u00e9 completar a Waitukubuli.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Podem ser duas travessias de cinco dias e uma de quatro. Essa subdivis\u00e3o est\u00e1 voltada para o mercado norte-americano, para onde h\u00e1 conex\u00f5es a\u00e9reas com dura\u00e7\u00e3o inferior a seis horas e onde \u00e9 comum o trabalhador tirar f\u00e9rias de uma semana (um dia para ir, um para voltar e cinco para percorrer a trilha). Tamb\u00e9m aqui, essa divis\u00e3o visa a encorajar o turista a voltar ao pa\u00eds at\u00e9 completar a Waitukubuli.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Podem ser duas travessias de sete dias. Esse pacote foi pensado com o turista do continente europeu em mente. Ele toma em considera\u00e7\u00e3o f\u00e9rias de quinze dias, divididos em duas semanas. Uma delas ficaria reservada \u00e0 praia e mergulho e a outra a uma atividade de trekking em Dominica. A parte de praia pode at\u00e9 ser feita em uma ilha vizinha. Mais uma vez, h\u00e1 o objetivo de cativar o turista para que volte para completar a metade restante da trilha.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Por fim, a trilha pode ser toda percorrida de um s\u00f3 estir\u00e3o, no contexto de um per\u00edodo longo de f\u00e9rias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Foi uma ben\u00e7\u00e3o ter enviado minha mochila cargueira \u00e0 frente. Com meia hora trilha adentro o c\u00e9u adensou-se de nuvens negras, o ar ficou pesado com uma umidade que quase dava para segurar entre as m\u00e3os. N\u00e3o demorou para que trov\u00f5es ensurdecedores ribombassem pela ab\u00f3boda e que um dil\u00favio desabasse. Rios se formaram fluindo pelo leito da Waitukubuli e enchendo a trilha acima dos meus tornozelos. Chafurdei, escorreguei, ca\u00ed e me enlameei todo por cinco penosas horas at\u00e9 desaguar em Wotten Waven.<\/p>\n<p>Pernoitei na casa de uma fam\u00edlia rastaf\u00e1ri que preparou dois quartos para receber trilheiros da Waitukubuli. Logo \u00e0 entrada ganhei uma toalha limpinha e uma barra de sabonete. Depois de um relaxante banho quente, sentei-me \u00e0 mesa para jantar. Compartilhei uma saborosa refei\u00e7\u00e3o vegetariana com pai, m\u00e3e, filho e a namorada dele. Quase n\u00e3o falei. Ouvi e aprendi muito sobre a religi\u00e3o e o modo de vida alternativo dos rastaf\u00e1ris, um movimento sobre eu qual eu tinha apenas algumas no\u00e7\u00f5es, quase todas cheias de pr\u00e9-conceitos.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, durante o desjejum, a fam\u00edlia reuniu-se novamente em torno da mesa. Dessa vez o assunto foi a Trilha Waitukubuli. Oliver, o patriarca, falava com orgulho: &#8220;a Trilha \u00e9 um Patrim\u00f4nio Nacional que todo dominiquense deve percorrer de ponta a ponta pelo menos uma vez em sua vida&#8221;. Mostrou predile\u00e7\u00e3o especial pelos trechos 3 e 4, mais pr\u00f3ximos de sua casa, segundo ele, &#8220;os mais belos do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Oliver e sua esposa Oyane, a inaugura\u00e7\u00e3o da trilha deu refor\u00e7o no or\u00e7amento mensal da fam\u00edlia. Recebem em m\u00e9dia cinco turistas por semana, em regime de meia pens\u00e3o. Alguns tamb\u00e9m pedem para que sua roupa seja lavada, o que resulta em mais uns trocados. O casal espera que a trilha efetivamente d\u00ea certo e que a quantidade de trilheiros se multipliquem. J\u00e1 fazem planos de abrir um camping e talvez uma pousada separada da casa. Mas o homem n\u00e3o vive s\u00f3 de p\u00e3o. O que o casal mais gosta da trilha \u00e9 contato que ela proporcionou com estrangeiros de v\u00e1rias nacionalidades e culturas: &#8220;depois da inaugura\u00e7\u00e3o da Waitukubuli sou um homem mais consciente do mundo \u00e0 minha volta e das diferentes gentes que aqui cohabitam&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"A sinaliza\u00e7\u00e3o da Waitukubuli segue o modelo europeu. \u00c9 pintada em rochas.\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/a-sinalizacao-da-Waitukubuli-segue-o-modelo-europeu.-E-pintada-em-rocahs.jpg\" alt=\"a-sinalizacao-da-Waitukubuli-segue-o-modelo-europeu.-E-pintada-em-rocahs\" width=\"641\" height=\"480\" \/><\/p>\n<p>A sinaliza\u00e7\u00e3o da Waitukubuli segue o modelo europeu. \u00c9 pintada em rochas<\/p>\n<p>A Waitukubuli \u00e9 uma trilha completamente sinalizada. N\u00e3o \u00e9 preciso contratar guias para percorr\u00ea-la. A sua sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 intensiva, seguindo o padr\u00e3o adotado nas trilhas europeias. De uma sinaliza\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 poss\u00edvel ver a pr\u00f3xima, tornado praticamente imposs\u00edvel que algu\u00e9m se perca nas matas que a margeiam.<\/p>\n<p><strong>Sem necessidade de guia<\/strong><\/p>\n<p>A n\u00e3o obrigatoriedade de contratar guias, infelizmente ainda incomum no Brasil, n\u00e3o significa que a trilha n\u00e3o gere emprego e renda. Todo caminhante tem que comprar um passe para trilhar em Dominica. O passe custa US$ 12 (R$ 27) por dia ou US$ 40 (R$ 95) pelo per\u00edodo de quatorze dias. Todo o montante arrecadado \u00e9 reinvestido na Waitukubuli, possibilitando, entre outros benef\u00edcios, a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra para fazer a manuten\u00e7\u00e3o da trilha e de sua sinaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi-me explicado que as autoridades locais recomendam a contrata\u00e7\u00e3o de guias, mas n\u00e3o a obrigam. Com efeito, Dominica buscou fugir do modelo adotado por alguns pa\u00edses do Terceiro Mundo, onde a contrata\u00e7\u00e3o de guias \u00e9 obrigat\u00f3ria. Decidiram seguir o modelo vigente em quase todos os pa\u00edses do mundo, onde as trilhas recebem farta sinaliza\u00e7\u00e3o e s\u00e3o auto-guiadas. Segundo me explicou a representante da trilha: &#8220;preferimos dar liberdade de escolha ao turista. H\u00e1 outras formas de gerar emprego e renda com a trilha tais como com hospedagem, transporte de bagagens e os pr\u00f3prios trabalhos de manuten\u00e7\u00e3o da trilha. Al\u00e9m disso temos percebido que h\u00e1 alta taxa de retorno a Dominica entre os usu\u00e1rios da Waitakabuli, o que se traduz em aumento de ingressos de moeda estrangeira na economia nacional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/sinalizacao-pintada-em-arvores.jpg\" alt=\"sinalizacao-pintada-em-arvores\" width=\"625\" height=\"468\" \/><br \/>\nSinaliza\u00e7\u00e3o pintada em \u00e1rvores<br \/>\n<img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/entrando-no-Parque-Nacional.jpg\" alt=\"entrando-no-Parque-Nacional\" width=\"625\" height=\"468\" \/><br \/>\nEntrando no Parque Nacional \u00e9 imposs\u00edvel se perder<\/p>\n<p>O segmento quatro da trilha foi praticamente feito todo dentro do Parque Nacional Morne Trois Pitons. Apesar da chuva que insistiu em cair, foi o trecho mais bonito da trilha, que acabou me tomando dois dias de caminhada, j\u00e1 que tem muitas op\u00e7\u00f5es, todas imperd\u00edveis. Incluindo duas grandes cachoeiras e um lago cujas \u00e1guas cor prata est\u00e3o em permanente ebuli\u00e7\u00e3o dentro de uma cratera vulc\u00e2nica. O pernoite tamb\u00e9m foi em um local especial. Um quarto de h\u00f3spedes em uma casa colonial soberbamente decorada no alto da serra.<\/p>\n<p>O Centro de Visitantes e o pr\u00e9dio da administra\u00e7\u00e3o da Waitukubi est\u00e3o dentro da parte inicial do segmento cinco. A equipe respons\u00e1vel pelo manejo, divulga\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da trilha fica toda ali. Al\u00e9m do complexo administrativo, em est\u00e1gio avan\u00e7ado de constru\u00e7\u00e3o estava um dormit\u00f3rio para os trilheiros, um pequeno mercado e restaurante a ser concessionado e uma \u00e1rea para acampamentos. O conjunto de pr\u00e9dios \u00e9 constru\u00eddo com bom gosto, utilizando madeira ex\u00f3tica, e n\u00e3o destoa da natureza em volta. Conversei tr\u00eas horas com a equipe, tirei minhas d\u00favidas, juntei farta documenta\u00e7\u00e3o e aprendi muitas coisas que poderiam ser facilmente replicadas no Brasil (algumas ideias j\u00e1 foram aproveitadas na Trilha Transcarioca).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"Sede da Waitukubuli.\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/sede-da-Waitukubuli.jpg\" alt=\"sede-da-Waitukubuli\" width=\"625\" height=\"478\" \/><\/p>\n<p>Sede da Waitukubuli<\/p>\n<p>Saindo dali desci, de novo, sob forte aguaceiro, em dire\u00e7\u00e3o ao mar. A trilha em si, existe h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. Como muitos trechos da Trilha Transcarioca no Rio de Janeiro, essa parte da Waitukubuli \u00e9 toda em p\u00e9-de-moleque e remonta ao tempo em que havia escravos na regi\u00e3o. Fiquei intrigado com a semelhan\u00e7a entre essas antigas estradas de pedra dominiquenses e as da Floresta da Tijuca. Caminhando sozinho sob chuva torrencial desci pensando e cogitando. Por fim, lembrei-me que o saudoso Carlos Manes Bandeira em seu livro sobre a Floresta da Tijuca conta que os primeiros franceses a plantar caf\u00e9 no Rio eram oriundos da Rep\u00fablica Dominicana. Sempre estranhara essa informa\u00e7\u00e3o, pois a Rep\u00fablica Dominicana foi colonizada por espanh\u00f3is. Pensa daqui, raciocina dali, acabei tendo um estalo: ser\u00e1 que \u00e9 um problema de digita\u00e7\u00e3o e, na verdade, esses cafeicultores vieram de Dominica ap\u00f3s a ilha ter passado de m\u00e3os francesas para inglesas no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX? Quem sabe? O assunto merece mais pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Benef\u00edcios para os ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>Ao fim de muita descida e muita \u00e1gua, completamente ensopado cheguei \u00e0 Reserva Ind\u00edgena Kalinago, onde me hospedei. Os kalinagos s\u00e3o os \u00faltimos remanescentes dos \u00edndios caribes que habitavam a regi\u00e3o antes da chegada dos colonizadores europeus e dos escravos africanos. Foram virtualmente exterminados do arquip\u00e9lago. Hoje existem em pouqu\u00edssimas ilhas. Os kalinagos de Dominica s\u00e3o o maior n\u00facleo de toda a regi\u00e3o e orgulham-se de terem resistido, sem perder sua cultura nem sua dignidade. Durante muito tempo mantiveram-se apartados do resto dos dominiquenses, o que lhes valeu autonomia mas tamb\u00e9m pobreza, pois os deixou ao largo da economia nacional.<\/p>\n<p>Agora com o advento da Waitukubuli, come\u00e7a a haver um fluxo maior de turistas dentro da Reserva, que tem desde j\u00e1 estimulado uma pequena atividade econ\u00f4mica nos setores de hospedagem e restaura\u00e7\u00e3o, bem como no de artesanato.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do sexto dia, quando acordei, a chuva continuava a cair em c\u00e2ntaros, o ch\u00e3o empapado tinha \u00e1gua at\u00e9 os tornozelos, um vento desagrad\u00e1vel em rajadas horizontais derrubava folhas e at\u00e9 galhos inteiros. Respirei fundo, uma duas, tr\u00eas vezes e tomei uma decis\u00e3o sensata. Desisti de completar os quatorze dias da trilha. Me entoquei em um hotel e passei os dias seguintes colocando minha leitura em dia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aproveitei a chuva para, acompanhado pelo Embaixador do Brasil em Roseau, visitar o Minist\u00e9rio da Agricultura de Dominica, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela Waitukubuli. L\u00e1 aprendi que a trilha foi constru\u00edda em regime de frente de trabalho por trabalhadores desempregados (um bom exemplo para o Brasil). Segundo a coordenadora-geral da Waitukubuli, a maior parte das interven\u00e7\u00f5es foi de drenagem, poda, constru\u00e7\u00e3o de pontes, bancos, mirantes e degraus o que tornou f\u00e1cil a contrata\u00e7\u00e3o de gente com pouca qualifica\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/Visita-ao-Departamento-do-Governo-de-Dominica-responsavel-pela-Trilha-Waitukubuli.jpg\" alt=\"Visita-ao-Departamento-do-Governo-de-Dominica-responsavel-pela-Trilha-Waitukubuli\" width=\"625\" height=\"468\" \/><br \/>\nVisita ao Departamento do Governo de Dominica respons\u00e1vel pela Trilha Waitukubuli<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/ponte-construida-em-regime-de-frente-de-trabalho.jpg\" alt=\"ponte-construida-em-regime-de-frente-de-trabalho\" width=\"625\" height=\"835\" \/><br \/>\nPonte construida em regime de frente de trabalho<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/quiosque-construido-por-frente-de-trabalho-no-meio-da-trilha.jpg\" alt=\"quiosque-construido-por-frente-de-trabalho-no-meio-da-trilha\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>Quiosque construido por frente de trabalho no meio da trilha<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/set2014\/a-cada-10-km-da-trilha-ha-uma-mesa-com-bancos.jpg\" alt=\"a-cada-10-km-da-trilha-ha-uma-mesa-com-bancos\" width=\"625\" height=\"468\" \/><\/p>\n<p>A cada 10 km da trilha h\u00e1 uma mesa com bancos<\/p>\n<p>Ainda segundo ela, a parte da capacita\u00e7\u00e3o para hospedagem foi feita por meio de uma coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com a Fran\u00e7a. J\u00e1 o modelo adotado para a sinaliza\u00e7\u00e3o foi o mesmo proposto no Manual de Sinaliza\u00e7\u00e3o de ((o))eco, com marcas pintadas em \u00e1rvores e rochas intermediadas por tabuletas e placas-base com mapas e informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas: &#8220;a sinaliza\u00e7\u00e3o segue os princ\u00edpios em voga na Fran\u00e7a e no resto da Europa. \u00c9 barata e f\u00e1cil de fazer&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Um caso para acompanhar e aprender<\/strong><\/p>\n<p>Se tudo der certo, em dez anos a Waitukubuli pretende ser a principal atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica de Dominica. Parece estar no caminho certo. Hoje ela j\u00e1 \u00e9 muito frequentada pelos franceses que moram nas ilhas vizinhas de Martinica e Guadalupe. O pr\u00f3ximo alvo s\u00e3o os Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 mero sonho de uma noite de ver\u00e3o. O projeto da Waitukubuli como ferramenta de turismo segue uma estrat\u00e9gia muito bem feita por uma consultoria internacional, que estabelece a divulga\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura da Trilha em estreita coordena\u00e7\u00e3o com o aumento das capacidades de hospedagem, alimenta\u00e7\u00e3o e transporte em seus diversos pontos d e pernoite.<\/p>\n<p>Quando a chuva finalmente parou eu ainda tinha dois dias para passar em Dominica. Resolvi ent\u00e3o percorrer os derradeiros trechos da Waitukubuli. N\u00e3o me arrependi. O pen\u00faltimo segmento \u00e9 todo em fal\u00e9sias, encostas e praias, completamente diferente em tudo do que eu vira no in\u00edcio da trilha. J\u00e1 o \u00faltimo dia termina em uma bela fortaleza colonial Brit\u00e2nica Fort Shirley. Ali o turista caminha entre os canh\u00f5es de ferro postados nas antigas muralhas, v\u00ea a caserna, que abrigava a maior guarni\u00e7\u00e3o militar da regi\u00e3o, vai a um par de casamatas e, ainda tem a possibilidade de fechar sua expedi\u00e7\u00e3o com chave de ouro, imergindo em um mergulho entre os corais do mar do Caribe.<\/p>\n<p>Voltei ao Brasil impressionado com o que Dominica logrou fazer em t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo, com pouco dinheiro e muita vontade pol\u00edtica. Aliou a cria\u00e7\u00e3o de um corredor ecol\u00f3gico a um projeto gerador de emprego e renda, que ainda por cima melhora a imagem do pa\u00eds. Quem sabe um dia n\u00e3o aprendemos algumas li\u00e7\u00f5es com essa pequenina ilha. Na visita que fiz ao Minist\u00e9rio da Agricultura, a parte dominiquense mostrou-se \u00e1vida por estabelecer um interc\u00e2mbio para a troca de experi\u00eancias sobre manejo de trilhas com o Brasil. Seria um bom come\u00e7o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale vulc\u00e2nico. 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