{"id":6364,"date":"2014-09-08T16:00:36","date_gmt":"2014-09-08T16:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6364"},"modified":"2014-09-08T15:59:13","modified_gmt":"2014-09-08T15:59:13","slug":"uma-visao-economica-da-mudanca-climatica-provocada-pelo-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-visao-economica-da-mudanca-climatica-provocada-pelo-homem\/","title":{"rendered":"Uma vis\u00e3o econ\u00f4mica da mudan\u00e7a clim\u00e1tica provocada pelo homem"},"content":{"rendered":"<p><small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif;\"><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6365\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Roberto Castello Branco<\/i><\/small><\/p>\n<p>A pesquisa cient\u00edfica revela a ocorr\u00eancia de consider\u00e1veis flutua\u00e7\u00f5es de temperatura durante 100.000 anos, alternando-se fases de intenso calor e frio. Nos \u00faltimos sete mil anos houve, contudo, not\u00e1vel estabilidade, o que teria contribu\u00eddo para viabilizar o desenvolvimento de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 entre 1900 e 2010 a temperatura m\u00e9dia da Terra se elevou em 0,8 graus cent\u00edgrados.<\/p>\n<p>Enquanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas passadas teriam sido causadas por fen\u00f4menos naturais, a mudan\u00e7a recente est\u00e1 sendo crescentemente provocada pelo homem.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera passou de 280 partes por milh\u00e3o (ppm) em 1750 para 390 ppm nos dias de hoje. Se nada for feito para conter a escalada os modelos projetam de 700 a 900 ppm para o final deste s\u00e9culo, o que resultaria em eleva\u00e7\u00e3o da temperatura m\u00e9dia na Terra em 3 a 5 graus centigrados. Refletindo o grau de incerteza existente, estimativas apontam perdas que variam de 1 a 10% do PIB global em 2100 \u2013 cerca de US$ 870 bilh\u00f5es a US$ 8,7 trilh\u00f5es a valores atuais.<\/p>\n<p>A fonte primordial da mudan\u00e7a clim\u00e1tica ou aquecimento global \u00e9 a queima de combust\u00edveis fosseis, baseados em carbono, que conduz \u00e0 emiss\u00e3o de CO, respons\u00e1vel por 77% dos gases de efeito estufa (GEEs). Estes se acumulam na atmosfera e devido \u00e0 lenta absor\u00e7\u00e3o l\u00e1 permanecem por muitos anos.<\/p>\n<p>O aquecimento global \u00e9 provocado pelo estoque acumulado de GEEs e n\u00e3o pelos fluxos correntes de emiss\u00f5es. Enquanto os pa\u00edses desenvolvidos produziram no passado 80% dos gases acumulados, hoje a maior parte das emiss\u00f5es vem de economias emergentes, que muito provavelmente ser\u00e3o respons\u00e1veis por parcelas crescentes no futuro.<\/p>\n<p>O aumento da concentra\u00e7\u00e3o de GEEs na atmosfera leva ao aquecimento da terra e dos mares. Tais efeitos acabam se retroalimentando na atmosfera, oceanos, geleiras e sistemas biol\u00f3gicos. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o consenso \u00e9 que profundos impactos nas atividades biol\u00f3gicas e humanas sens\u00edveis ao clima podem vir a se manifestar no longo prazo.<\/p>\n<p>O problema do aquecimento global n\u00e3o deve ser dramatizado, nem tampouco tratado com barreiras ao investimento e crescimento econ\u00f4mico. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica come\u00e7a e termina com as atividades do ser humano. A concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas eficientes para mitig\u00e1-la est\u00e1 nas ci\u00eancias sociais, dependendo essencialmente da boa compreens\u00e3o de seus aspectos econ\u00f4micos e do papel dos mercados.<\/p>\n<p>Fundamentalmente, o aquecimento global tem origem no problema que os economistas batizaram de externalidade: os emissores de GEEs n\u00e3o pagam pelos custos ambientais gerados, que acabam sendo compartilhados pelo resto do mundo. Isto surge porque um recurso \u2013 o meio ambiente \u2013 n\u00e3o \u00e9 precificado e consequentemente usado em excesso.<\/p>\n<p>A prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecer um imposto sobre a emiss\u00e3o de carbono que iguale os benef\u00edcios de emiss\u00f5es adicionais, que ocorrem no presente, aos seus custos, que se manifestam ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo implementada em v\u00e1rios pa\u00edses atrav\u00e9s de dois instrumentos principais: a taxa\u00e7\u00e3o do carbono e as chamadas \u201ccap-and-trade policies\u201d. Estas compreendem a fixa\u00e7\u00e3o de limites para emiss\u00f5es e permiss\u00f5es para quem os excedeu compr\u00e1-los de quem emitiu menos.<\/p>\n<p>Outras iniciativas incluem padr\u00f5es de efici\u00eancia energ\u00e9tica para ve\u00edculos, pr\u00e9dios e instala\u00e7\u00f5es industriais, subs\u00eddios para o desenvolvimento de fontes de energia renov\u00e1vel e incentivos para o reflorestamento.<\/p>\n<p>A simplicidade conceitual mascara a complexidade da solu\u00e7\u00e3o. O desenho e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de mitiga\u00e7\u00e3o do aquecimento global enfrenta muitos desafios e quest\u00f5es ainda n\u00e3o resolvidas.<\/p>\n<p>Como convencer as gera\u00e7\u00f5es presentes em investir recursos que beneficiar\u00e3o majoritariamente gera\u00e7\u00f5es futuras? Como descontar os fluxos de retornos futuros para compar\u00e1-los com os custos dos investimentos? Como a incerteza a respeito da magnitude de danos ambientais futuros afeta as estrat\u00e9gias hoje adotadas? Como estimular a pesquisa e o ritmo de progresso tecnol\u00f3gico em fontes energ\u00e9ticas alternativas?<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 muito relevante pois estamos tratando de uma externalidade global, j\u00e1 que em termos de impacto sobre o meio ambiente tanto faz uma tonelada de carbono emitida no Brasil quanto na \u00cdndia. O fato de que o custo da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es \u00e9 incorrido totalmente pelo pa\u00eds que investe e os retornos s\u00e3o compartilhados com o resto do mundo dificulta a coordena\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es .<\/p>\n<p>Outro elemento complicador reside no que os economistas chamam de incentivos para o \u201cfree rider: os benef\u00edcios do consumo de combust\u00edveis fosseis s\u00e3o imediatos e concentrados enquanto que os custos sociais tendem a se manifestar num futuro distante e s\u00e3o amplamente dispersos. Todo mundo gosta de uma carona de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Os custos sociais do aquecimento global e os benef\u00edcios de sua mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o uniformes, o que leva a diferentes percep\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses sobre o valor dos investimentos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas de mitiga\u00e7\u00e3o oferecem combina\u00e7\u00f5es de risco-retorno para economias emergentes \u2013 cuja prioridade n\u00famero um \u00e9 compreensivelmente o crescimento da renda \u2013 distintas daquelas para pa\u00edses desenvolvidos. Em consequ\u00eancia, a emiss\u00e3o de GEEs por d\u00f3lar de PIB na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e EUA \u00e9 bem inferior \u00e0s dos BRICs, sendo o Brasil o mais bem comportado neste grupo de emergentes.<\/p>\n<p>A costumeira ado\u00e7\u00e3o por governos de economias emergentes \u2013 entre eles o do o Brasil \u2013 de subs\u00eddios aos pre\u00e7os de derivados de petr\u00f3leo, como a gasolina, para maximizar ganhos pol\u00edticos de curto prazo t\u00eam entre outras contrapartidas negativas o est\u00edmulo direto \u00e0 emiss\u00e3o de CO2, ao baratear artificialmente o pre\u00e7o de um combust\u00edvel f\u00f3ssil. Isso evidencia tamb\u00e9m qu\u00e3o mal\u00e9fica pode ser a interven\u00e7\u00e3o estatal na quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Estima-se que entre 1900 e 2010 as emiss\u00f5es globais de carbono se expandiram \u00e0 taxa m\u00e9dia anual de 2,6%. Dado que a economia global cresceu \u00e0 taxa m\u00e9dia de 3,7% ao ano, houve redu\u00e7\u00e3o da quantidade de CO2 por d\u00f3lar de PIB ao ritmo de 1,1% ao ano, fen\u00f4meno conhecido como descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida expans\u00e3o de economias emergentes e a crescente demanda por energia da\u00ed decorrente concorrem para o aquecimento global. Por outro lado, o aumento da renda e da riqueza nessas economias tende a elevar o valor atribu\u00eddo \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Isso se reflete na modifica\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o da China traduzida recentemente na prioriza\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 polui\u00e7\u00e3o ambiental e o uso mais intensivo de energia e\u00f3lica e solar.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as estruturais associadas \u00e0 din\u00e2mica do crescimento econ\u00f4mico elevam a participa\u00e7\u00e3o na atividade econ\u00f4mica de setores menos intensivos em energia \u2013 como a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7os como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e finan\u00e7as \u2013 relativamente \u00e0 ind\u00fastria manufatureira tradicional, se apresentando como fonte relevante de descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica do crescimento econ\u00f4mico est\u00e1 associada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de ganhos de efici\u00eancia que implicam no uso de menor quantidade de energia por unidade de produto.<\/p>\n<p>Finalmente, a descarboniza\u00e7\u00e3o \u00e9 provocada por mudan\u00e7as nas fontes de energia para combust\u00edveis menos intensivos em carbono, como o g\u00e1s natural, e fontes renov\u00e1veis e n\u00e3o fosseis (hidr\u00e1ulica, nuclear, e\u00f3lica, solar, biomassa, geot\u00e9rmica).<\/p>\n<p>No \u00e2mbito corporativo, o desafio \u00e9 conciliar investimentos em projetos que reduzam emiss\u00f5es de GEEs com o objetivo de maximiza\u00e7\u00e3o de lucros para os acionistas. Um caso de sucesso \u00e9 o processamento a seco do min\u00e9rio de ferro, que diminui simultaneamente custos de investimento e operacionais e a emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>A precifica\u00e7\u00e3o do carbono \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o de mercado para induzir mudan\u00e7as substantivas na matriz energ\u00e9tica global. O homem reage a incentivos e os avan\u00e7os na tecnologia t\u00eam produzido feitos extraordin\u00e1rios nos \u00faltimos 150 anos. O bom uso do instrumental de teoria econ\u00f4mica proporcionar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos capazes de gerar respostas efetivas ao aquecimento global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Roberto Castello Branco A pesquisa cient\u00edfica revela a ocorr\u00eancia de consider\u00e1veis flutua\u00e7\u00f5es de temperatura<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6365,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/vsao_economica_mudanca_climatica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Roberto Castello Branco A pesquisa cient\u00edfica revela a ocorr\u00eancia de consider\u00e1veis flutua\u00e7\u00f5es de temperatura","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6364"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6364"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6364\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}