{"id":6327,"date":"2014-09-07T18:41:20","date_gmt":"2014-09-07T18:41:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6327"},"modified":"2014-09-07T18:41:20","modified_gmt":"2014-09-07T18:41:20","slug":"paraiso-de-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paraiso-de-ninguem\/","title":{"rendered":"Para\u00edso de ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><img src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357560-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Para\u00edso de ningu\u00e9m \" \/><\/p>\n<p>Um dos lugares mais vigiados da hist\u00f3ria, a Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias \u2013 um corredor de 4 km de largura por 250 km de extens\u00e3o \u2013 virou um ref\u00fagio ecol\u00f3gico exuberante.<\/p>\n<p><span class=\"by\">Por Johnny Mazzilli<\/span><\/p>\n<p>A fronteira ao longo do \u201cParalelo 38\u201d, que separa\u00a0a Coreia do Norte da Coreia do Sul,\u00a0\u00e9 toda ocupada pela Zona Desmilitarizada\u00a0(DMZ, em ingl\u00eas), um dos mais dram\u00e1ticos\u00a0marcos da Guerra Fria. Quando, em 27\u00a0de julho de 1953, o Armist\u00edcio de Panmunjom\u00a0suspendeu a guerra fratricida (1950-1953) entre\u00a0os dois pa\u00edses, os dois Ex\u00e9rcitos e seus aliados recuaram\u00a0dois quil\u00f4metros cada um, criando uma vasta\u00a0terra de ningu\u00e9m: um corredor de 4 quil\u00f4metros\u00a0de largura e 248 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, com quase\u00a0mil km2 de \u00e1rea. Entrar nesse territ\u00f3rio disputado por\u00a0quase 1,5 milh\u00e3o de soldados \u00e9 absolutamente proibido,\u00a0sob o risco de ser alvejado por ambos os lados.\u00a0Depois de 60 anos de exclus\u00e3o essa faixa virou uma\u00a0das mais improv\u00e1veis e espetaculares \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o\u00a0do mundo.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357561-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Milhares de gar\u00e7as e aves migrat\u00f3rias encontram seguran\u00e7a entre as cercas de arame da Zona Desmilitarizada.\" \/><\/p>\n<p>Sem medo das minas enterradas,\u00a0esp\u00e9cies j\u00e1 extintas na \u00c1sia\u00a0vivem livremente na \u00e1rea.\u00a0Algumas plantas t\u00edpicas da\u00a0pen\u00ednsula coreana atualmente s\u00f3\u00a0s\u00e3o encontradas na DMZ. Duas\u00a0esp\u00e9cies de gar\u00e7as migrat\u00f3rias sobrevivem\u00a0e se multiplicam no territ\u00f3rio, que oferece\u00a0\u00e1rea segura de reprodu\u00e7\u00e3o. O tigre coreano\u00a0e o leopardo de Amur, quase extintos,\u00a0ressurgiram no corredor preservado, assim\u00a0como o urso-negro-asi\u00e1tico, j\u00e1 desaparecido\u00a0no continente.<\/p>\n<p>Os ec\u00f3logos estimam a exist\u00eancia de\u00a02.900 esp\u00e9cies de plantas, 70 de mam\u00edferos\u00a0e 320 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros na DMZ. A\u00a0variada geografia cortada pela faixa militarizada\u00a0explica a alta biodiversidade: montanhas,\u00a0florestas, pradarias, p\u00e2ntanos e restingas.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357562-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"V\u00e1rias esp\u00e9cies de mam\u00edferos reocupam a faixa protegida.\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que ec\u00f3logos e\u00a0escritores como o bi\u00f3logo Edward Wilson,\u00a0fundador da sociobiologia, e o poeta\u00a0norte-americano Robert Hass propuseram\u00a0a transforma\u00e7\u00e3o da DMZ em um\u00a0parque internacional, com apoio de ambos\u00a0os lados. Em 2010, a Coreia do Sul\u00a0deu um passo concreto e prop\u00f4s \u00e0 Unesco\u00a0a cria\u00e7\u00e3o de uma Reserva da Biosfera\u00a0em 435 km2 do seu territ\u00f3rio, por\u00e9m o\u00a0governo norte-coreano vetou. Em 2012,\u00a0uma reuni\u00e3o do Conselho da Biosfera da\u00a0Unesco, em Paris, arquivou\u00a0a proposta, mas os ecologistas\u00a0est\u00e3o longe de desistir.\u00a0O empres\u00e1rio Ted Turner,\u00a0dono da rede de tev\u00ea\u00a0CNN, j\u00e1 ofereceu apoio financeiro\u00a0\u00e0 reserva.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357563-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"V\u00e1rias esp\u00e9cies de mam\u00edferos reocupam a faixa protegida, entre elas o urso-negro-asi\u00e1tico, j\u00e1 desaparecido no resto do continente.\" \/><\/p>\n<p><strong>Luta fratricida<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1910 e 1945, a Coreia\u00a0foi dominada pelo Jap\u00e3o,\u00a0cuja rendi\u00e7\u00e3o \u00e0s tropas\u00a0aliadas marcou o fim da Segunda\u00a0Guerra Mundial. A\u00a0Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica desarmou\u00a0os contingentes japoneses\u00a0do norte e os Estados Unidos\u00a0renderam os japoneses do sul. O acordo\u00a0de divis\u00e3o entre as duas superpot\u00eancias\u00a0resultou na forma\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica da Coreia\u00a0do Sul, sob influ\u00eancia dos EUA, e da\u00a0Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia\u00a0do Norte, apoiada por URSS e China.<\/p>\n<p>A Guerra Fria e a ascens\u00e3o do Partido\u00a0Comunista Chin\u00eas, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o\u00a0Chinesa de 1949, geraram hostilidades\u00a0m\u00fatuas entre as duas metades. Em 1949,\u00a0a maior parte dos efetivos militares aliados\u00a0j\u00e1 havia deixado os dois pa\u00edses, mas as\u00a0tens\u00f5es aumentavam na regi\u00e3o. Em junho\u00a0de 1950, a Coreia do Norte invadiu a Coreia\u00a0do Sul, numa tentativa for\u00e7ada de reunificar\u00a0o pa\u00eds.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357604-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"O slogan escrito no monumento \u00e0 esquerda diz: \u201cO grande l\u00edder, camarada Kim Il-sung, est\u00e1 vivo para sempre na nossa mente\u201d.\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s 48 horas de luta, Harry Truman,\u00a0presidente dos EUA, enviou tropas para\u00a0lutar ao lado da Coreia do Sul, apoiado por\u00a015 pa\u00edses. O conflito se aprofundou com a\u00a0interven\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da\u00a0ONU contra os norte-coreanos, o que arrastou\u00a0a URSS e o Ex\u00e9rcito da China para\u00a0a defesa da Coreia do Norte. A guerra extrapolou\u00a0a geopol\u00edtica da pen\u00ednsula e adquiriu\u00a0um simbolismo extraordin\u00e1rio, demonstrando\u00a0a ru\u00edna das esperan\u00e7as de paz\u00a0e uma nova bipolariza\u00e7\u00e3o do mundo sob\u00a0EUA e URSS.<\/p>\n<p>Duas vezes, Seul foi tomada pelos comunistas.\u00a0Pyongyang tamb\u00e9m foi tomada\u00a0pelas tropas da ONU lideradas pelo general\u00a0Douglas MacArthur. Por pouco o conflito\u00a0n\u00e3o virou uma guerra\u00a0nuclear. Em tr\u00eas anos\u00a0morreram 1,5 milh\u00e3o de\u00a0soldados coreanos, americanos,\u00a0chineses e civis das\u00a0duas Coreias, um mortic\u00ednio\u00a0congelado pelo armist\u00edcio\u00a0de Panmunjom, que\u00a0suspendeu a guerra, mas\u00a0n\u00e3o a encerrou. Tecnicamente,\u00a0as Coreias est\u00e3o em\u00a0tr\u00e9gua, e n\u00e3o em paz.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357568-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Fitas com mensagens desejando a reunifica\u00e7\u00e3o das duas Coreias decoram a cerca militar perto da cidade fronteiri\u00e7a de Paju.\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o conflito, cada\u00a0pa\u00eds adotou seu rumo. A\u00a0Coreia do Norte, governada\u00a0pelo Partido Comunista,\u00a0passou a ser governada pela chamada \u201cDinastia Kim\u201d, que j\u00e1 teve av\u00f4, pai e filho no poder \u2013 a \u00fanica dinastia comunista do mundo. Kim Il-sung, l\u00edder guerreiro e governante de 1945 a 1994, foi sucedido pelo filho, Kim Jong-il, que ao morrer, em 2011, passou o poder ao filho de 31 anos, Kim Jong-un.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o com a URSS garantiu\u00a0\u00e0 Coreia do Norte ajuda militar e econ\u00f4mica.\u00a0Mas com o fim da URSS, em 1991,\u00a0a fonte secou, e a economia entrou em decl\u00ednio,\u00a0agravado pela falta de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais significativas com qualquer outro pa\u00eds. Atualmente, as despesas militares consomem 40% do PIB. A produ\u00e7\u00e3o industrial e de energia est\u00e1 estagnada e a escassez de alimentos \u00e9 geral, devido \u00e0 falta de terras cultiv\u00e1veis, \u00e0 coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e \u00e0 escassez de ve\u00edculos e de combust\u00edvel. A popula\u00e7\u00e3o sofre com m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida e at\u00e9 subnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970 as duas Coreias\u00a0possu\u00edam \u00edndices econ\u00f4micos semelhantes,\u00a0mas hoje a economia do norte tem 5%\u00a0do tamanho da do vizinho. Por sua vez, a\u00a0Coreia do Sul acumulou governos ditatoriais \u00a0e corruptos, sofreu sucessivos golpes\u00a0militares e s\u00f3 alcan\u00e7ou estabilidade econ\u00f4mica\u00a0nos anos 1990, gra\u00e7as ao aux\u00edlio\u00a0econ\u00f4mico dos EUA, que impulsionou o\u00a0desenvolvimento.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357565-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as sul-coreanas num posto de fronteira miram de telesc\u00f3pio a cidade comunista de Kijong-dong.\" \/><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, a Coreia\u00a0do Sul virou um pa\u00eds moderno e industrializado,\u00a0com uma economia de exporta\u00e7\u00e3o\u00a0de bens manufaturados e de alta\u00a0tecnologia. Se na d\u00e9cada de 1960 seu PIB\u00a0per capita era compar\u00e1vel ao das na\u00e7\u00f5es\u00a0pobres da \u00c1frica, hoje o pa\u00eds est\u00e1 entre\u00a0as dez maiores economias do mundo, e\u00a0o seu sistema educacional, entre os cinco\u00a0melhores. Em 1997 e 1998, os sul-coreanos\u00a0sofreram o impacto da crise financeira\u00a0mundial, mas mantiveram a exporta\u00e7\u00e3o\u00a0de eletr\u00f4nicos, pe\u00e7as para computadores\u00a0e autom\u00f3veis. Com a crise financeira de\u00a02008, o PIB desacelerou, mas no ano seguinte\u00a0voltou a crescer.<\/p>\n<p><strong>Cotidiano tenso<\/strong><\/p>\n<p>Se no interior da Zona Desmilitarizada a vida selvagem ressurge pela n\u00e3o interfer\u00eancia humana, ambos os lados da zona de exclus\u00e3o exibem impressionantes aparatos defensivos, instala\u00e7\u00f5es militares, centenas de quil\u00f4metros de cercas duplas e eletrifi cadas, milhares de rolos de arame farpado, sensores, alarmes e c\u00e2meras de seguran\u00e7a. A cada 300 metros, postos militares abrigam soldados de prontid\u00e3o. Na parte sul da DMZ, 28 mil soldados norte-americanos est\u00e3o estacionados.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357567-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Voyeurismo m\u00fatuo \nSoldados norte-coreanos observam seus advers\u00e1rios na fronteira, enquanto, do outro lado, norte-americanos e sul-coreanos fazem o mesmo.\" \/><\/p>\n<p>Ao norte de Seul, capital da Coreia do Sul, pode-se visitar Panmunjom,\u00a0cuja \u00e1rea cont\u00edgua da DMZ abriga os edif\u00edcios da \u00c1rea de Seguran-\u00e7a Conjunta, constru\u00edda pela ONU, onde o armist\u00edcio de 1953 foi negociado. A instala\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 ocupada por ambos os pa\u00edses simultaneamente. Quando um lado termina de usar, em geral com visitas de pol\u00edticos, diplomatas, civis ou turistas, abre-se o lado oposto, e os que saem trancam a porta. Com escolta militar e autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, civis de ambos os lados s\u00e3o autorizados a entrar no pr\u00e9dio, mas os visitantes do sul assinam um documento responsabilizando-se pelo risco de entrar em zona de guerra. A fronteira f\u00edsica \u00e9 uma pequena linha de concreto que atravessa a constru\u00e7\u00e3o ao meio. No lado norte, soldados permanecem \u00e0 espreita observando com bin\u00f3culos.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357566-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Voyeurismo m\u00fatuo \nSoldados norte-coreanos observam seus advers\u00e1rios na fronteira, enquanto, do outro lado, norte-americanos e sul-coreanos fazem o mesmo.\" \/><\/p>\n<p>Do posto de observa\u00e7\u00e3o sulcoreano\u00a0pode-se ver a cidade de\u00a0Kijong-dong, apelidada de \u201cPropaganda\u00a0Village\u201d, quase deserta\u00a0e constru\u00edda para ser vista. Segundo\u00a0os sul-coreanos, o governo\u00a0nortista transferiu habitantes para\u00a0o lugar compulsoriamente. Por telesc\u00f3pios, percebe-se que o pr\u00e9dio mais alto, com 15 andares, n\u00e3o possui elevador. As janelas tampouco t\u00eam vidros.<\/p>\n<p>Perto do posto desemboca um dos quatro t\u00faneis\u00a0que o norte construiu para invadir o sul, h\u00e1 d\u00e9cadas.\u00a0Os dutos foram descobertos a tempo e as invas\u00f5es,\u00a0abortadas. \u00c9 poss\u00edvel descer por um deles at\u00e9 um corredor\u00a0bloqueado por uma grande laje de concreto, a\u00a080 metros da fronteira. A DMZ \u00e9 obsessivamente vigiada\u00a0por guardas e holofotes. O clima \u00e9 tenso.<\/p>\n<p><strong>Paz prec\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Tem sido assim h\u00e1 60 anos. Desde a suspens\u00e3o do conflito, a Coreia do Norte amea\u00e7a e provoca o sul, enquanto chantageia por ajuda humanit\u00e1ria em alimento, dinheiro e petr\u00f3leo. Ao mesmo tempo, viola acordos de coopera\u00e7\u00e3o, dispara m\u00edsseis e efetua testes nucleares. Indiscutivelmente, os norte-coreanos s\u00e3o mais agressivos. Mas avi\u00f5es e helic\u00f3pteros norte-americanos tamb\u00e9m invadem o espa\u00e7o a\u00e9reo comunista. Em 2010, o norte bombardeou a ilha de Yeonpyeong, no Mar Amarelo. Proj\u00e9teis da artilharia mataram dois militares e dois civis e deixaram mais de 20 feridos.<\/p>\n<p><img class=\"active\" style=\"display: inline;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/20\/img-357564-paraiso-de-ninguem.jpg\" alt=\"Acima, o jovem presidente, Kim Jong-un, numa solenidade do Ex\u00e9rcito norte-coreano em Pyongyang.\" \/><\/p>\n<p>Recentemente, as tropas sulcoreanas\u00a0refor\u00e7aram a vigil\u00e2ncia,\u00a0ap\u00f3s testes de m\u00edsseis programados\u00a0para coincidir com as manobras\u00a0militares conjuntas entre Coreia\u00a0do Sul e EUA. Pyongyang\u00a0considera esses exerc\u00edcios o prel\u00fadio\u00a0de uma invas\u00e3o e esbraveja\u00a0sempre. Em mar\u00e7o de 2013, em\u00a0resposta a san\u00e7\u00f5es da ONU contra\u00a0o seu regime, o pa\u00eds decretou nulo\u00a0o armist\u00edcio de 1953.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos em\u00a0Seul defendem o\u00a0desenvolvimento\u00a0pr\u00f3prio de um\u00a0programa nuclear.\u00a0Numa confer\u00eancia\u00a0sobre o\u00a0tema, em Washington,\u00a0o membro\u00a0do Parlamento\u00a0e empres\u00e1rio\u00a0Chung Mong-\u00a0Joon, do grupo\u00a0industrial Hyundai,\u00a0afirmou que\u00a0\u201c\u00e9 chegada a hora\u00a0de nos retirarmos\u00a0do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o\u00a0Nuclear e entrar no jogo do vizinho\u00a0do norte\u201d. Os sul-coreanos\u00a0possuem 20 reatores nucleares em\u00a0opera\u00e7\u00e3o e podem enriquecer ur\u00e2nio\u00a0e se tornar um Estado nuclear.\u00a0J\u00e1 o governo norte-coreano disp\u00f5e\u00a0do reator nuclear de Yongbyon, de\u00a0tecnologia sovi\u00e9tica, capaz de enriquecer\u00a0plut\u00f4nio.<\/p>\n<p>A poucos quil\u00f4metros ao norte\u00a0de Panmunjom, no territ\u00f3rio\u00a0norte-coreano, situa-se o complexo\u00a0industrial Kaesong. Essa cidade\u00a0de 200 mil habitantes, ex-capital\u00a0da Coreia unificada, abriga o \u00fanico\u00a0projeto intercoreano vigente, no\u00a0qual 123 companhias sul-coreanas fabricam produtos com a m\u00e3o de obra nortista. Mas a cada amea\u00e7a ou desentendimento o governo do norte fecha o complexo e acusa o sul de intromiss\u00e3o. Em 2007, num momento de distens\u00e3o, os dois pa\u00edses criaram uma ferrovia, a Donghae Bukbu, unindo os dois lados \u00e0 regi\u00e3o do Monte Kumgang. Mais de 1 milh\u00e3o de visitantes sul-coreanos cruzaram a DMZ pela estrada at\u00e9 um turista ser morto a tiros num incidente em 2008. Desde ent\u00e3o a ferrovia est\u00e1 fechada.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, o norte vem mostrando\u00a0maior modera\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es com Seul parecem\u00a0ter melhorado um pouco. As maiores v\u00edtimas da\u00a0tens\u00e3o continuam a ser os parentes separados pela\u00a0fronteira. \u201cRealizei o sonho de me encontrar com\u00a0minha fam\u00edlia, agora posso morrer em paz\u201d, \u00e9 uma\u00a0das frases mais repetidas no Monte Kumgang, local\u00a0de encontro de sul-coreanos com parentes do norte\u00a0ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 3 de abril passado, 700 familiares de ambos\u00a0os lados reuniram-se por seis dias numa reuni\u00e3o\u00a0pontuada por relatos emocionantes, como o de Nam\u00a0Gung Bong-ja, de 61 anos, sul-coreana que reencontrou\u00a0o pai vivo na Coreia do Norte, aos 86 anos.\u00a0A maioria das reuni\u00f5es acontece\u00a0entre irm\u00e3os, como o de Park\u00a0Jong-song, de 88 anos, recruta do\u00a0Ex\u00e9rcito da Coreia do Norte na\u00a0guerra, e a sulista Park Jong-soon,\u00a0de 68.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o encontro, as fronteiras\u00a0s\u00e3o rigorosamente fechadas. Desde\u00a01985, 19 reuni\u00f5es de fam\u00edlias\u00a0divididas pelo confronto foram\u00a0organizadas. Milhares de idosos\u00a0de ambos os lados seguem em\u00a0listas de espera, aguardando a vez\u00a0para reencontrar familiares que\u00a0n\u00e3o veem h\u00e1 seis d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s esp\u00e9cies do ref\u00fagio\u00a0ecol\u00f3gico da DMZ, ironicamente,\u00a0o \u00fanico risco de a reserva inusitada\u00a0desaparecer \u00e9 os dois pa\u00edses\u00a0fazerem as pazes e buscarem\u00a0a reunifica\u00e7\u00e3o \u2013 o que provavelmente \u00a0acontecer\u00e1 um dia. Ent\u00e3o,\u00a0o aparato b\u00e9lico que mant\u00e9m intacto\u00a0a o para\u00edso de ningu\u00e9m ser\u00e1\u00a0removido e toda a \u00e1rea voltar\u00e1 a\u00a0ser rapidamente povoada.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357600-tudo-isso-vira-plastico.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357599-paraiso-de-ninguem.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357602-paraiso-de-ninguem.png\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"433\" \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<img style=\"width: 243px; height: 291px;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357601-paraiso-de-ninguem.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357597-paraiso-de-ninguem.png\" alt=\"\" \/><img src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2014\/06\/30\/img-357598-paraiso-de-ninguem.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Fonte: Revista Planeta<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos lugares mais vigiados da hist\u00f3ria, a Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um dos lugares mais vigiados da hist\u00f3ria, a Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias \u2013","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6327"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}