{"id":6220,"date":"2014-09-07T15:00:58","date_gmt":"2014-09-07T15:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6220"},"modified":"2014-09-07T00:58:20","modified_gmt":"2014-09-07T00:58:20","slug":"depressao-infantil-ela-existe-e-esta-aumentando-em-todo-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/depressao-infantil-ela-existe-e-esta-aumentando-em-todo-o-mundo\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o infantil: ela existe e est\u00e1 aumentando em todo o mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/depressao_infantil.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6221\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/depressao_infantil.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Um astronauta acaba de se deparar com a imensid\u00e3o do espa\u00e7o. Por algum motivo, suas amarras de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o desfeitas e ele n\u00e3o v\u00ea alternativas para voltar \u00e0 nave, menos ainda para voltar \u00e0 Terra. Ele agora est\u00e1 \u00e0 deriva na imensid\u00e3o do espa\u00e7o. O qu\u00e3o desesperador isso lhe parece? Esta met\u00e1fora foi usada pelo psic\u00f3logo americano Douglas Riley para definir a sensa\u00e7\u00e3o depressiva de uma crian\u00e7a. No livro <em>The Depressed Child: A Parent\u2019s Guide for Rescuing Kids<\/em> (Crian\u00e7a Deprimida: um Guia para Pais Resgatarem os Filhos, em tradu\u00e7\u00e3o livre), o especialista explica que pensamentos negativos, como \u201cningu\u00e9m gosta de mim\u201d, \u201csou inferior\u201d e \u201ca morte \u00e9 a melhor sa\u00edda\u201d n\u00e3o s\u00e3o restritos aos adultos.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a <strong>depress\u00e3o<\/strong> em crian\u00e7as e adolescentes tem aumentado consideravelmente em todo o mundo, como mostram dados m\u00e9dicos recentemente divulgados. Um guia do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), no Reino Unido, alertou: j\u00e1 s\u00e3o mais de 80 mil crian\u00e7as da regi\u00e3o diagnosticadas anualmente, 8 mil delas menores de 10 anos. Em maio, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) revelou que o transtorno depressivo \u00e9 a principal causa de incapacidade de realiza\u00e7\u00e3o das tarefas do dia a dia entre jovens de 10 a 19 anos. No Brasil, n\u00e3o \u00e9 diferente. Embora n\u00e3o haja dados estat\u00edsticos, estima-se que a incid\u00eancia do dist\u00farbio gire em torno de 1 a 3% da popula\u00e7\u00e3o entre 0 a 17 anos, o que significa, mais ou menos, 8 milh\u00f5es de jovens.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa epidemia?<\/strong> Os transtornos mentais podem ser acionados por qualquer gatilho &#8211; leia-se, situa\u00e7\u00e3o ou experi\u00eancia frustrante que a crian\u00e7a tenha enfrentado -, como separa\u00e7\u00e3o dos pais, morte de um parente, bullying na escola, abandono, abusos f\u00edsicos ou psicol\u00f3gicos, mudan\u00e7as bruscas e altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o de vida. No entanto, o estilo de vida que levamos pode favorecer a manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, como explica Marco Ant\u00f4nio Bessa, psiquiatra do Hospital Pequeno Pr\u00edncipe (PR): \u201cMuitas crian\u00e7as est\u00e3o com a agenda lotada de compromissos, o que eleva o grau de estresse, dormem mais tarde, ficam fechadas em ambientes como apartamentos e shoppings, usam aparelhos eletr\u00f4nicos excessivamente, sob risco de aumento de ansiedade e restri\u00e7\u00e3o do contato social, e convivem menos com seus pais\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, um fator gen\u00e9tico que exerce influ\u00eancia. A ci\u00eancia j\u00e1 comprovou que, quando h\u00e1 epis\u00f3dios de depress\u00e3o na fam\u00edlia, a probabilidade de a crian\u00e7a desenvolver algum transtorno mental aumenta consideravelmente. Se as v\u00edtimas forem m\u00e3e ou pai, as chances podem ser at\u00e9 cinco vezes maiores. Al\u00e9m disso, um dist\u00farbio psiqui\u00e1trico \u2013 os mais comuns em crian\u00e7as s\u00e3o de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (TDAH), de conduta e de ansiedade &#8211; pode abrir precedente para outro. Estudos conduzidos em 2012 pelo Hospital das Cl\u00ednicas (SP) mostram que mais de 50% das crian\u00e7as ansiosas experimentar\u00e3o, pelo menos, um epis\u00f3dio de depress\u00e3o ao longo da vida.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tristeza<\/div>\n<\/div>\n<p>O quadro depressivo de um adulto difere do de uma crian\u00e7a. Enquanto o adulto sofre com altera\u00e7\u00e3o de humor, falta de prazer em viver, de executar as tarefas, recolhimento, altera\u00e7\u00f5es de sono e de apetite, as crian\u00e7as nem sempre d\u00e3o sinais t\u00e3o caracter\u00edsticos. Como explica Ivete Gatt\u00e1s, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia da Unifesp, \u201c\u00e9 mais comum ela apresentar irritabilidade, agita\u00e7\u00e3o, explos\u00f5es de raiva e agressividade, tristeza, sensa\u00e7\u00e3o de culpa e de melancolia\u201d. N\u00e3o raro, a depress\u00e3o \u00e9 confundida com TDAH, por isso, \u00e9 fundamental que se procure um profissional especializado. \u201cErros de diagn\u00f3stico e de tratamento podem mascarar os sintomas e at\u00e9 mesmo agravar o quadro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, assim como n\u00f3s, a crian\u00e7a tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 imune \u00e0 tristeza, a acordar sem vontade de se relacionar com as pessoas ou ao mau humor. O que se aconselha \u00e9 tentar entender o contexto do seu filho, principalmente, observar a dura\u00e7\u00e3o desses sentimentos (mais de um m\u00eas j\u00e1 \u00e9 preocupante), a intensidade e de que maneira eles est\u00e3o afetando a vida. \u201cO pai que presta aten\u00e7\u00e3o em seu filho vai notar que algo mudou. Mesmo que ele n\u00e3o saiba exatamente o que \u00e9, j\u00e1 serve de sinal de alerta\u201d, diz a especialista.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">\u00c9 poss\u00edvel evitar, sim<\/div>\n<\/div>\n<p>Assim como existem fatores facilitadores do transtorno depressivo, h\u00e1 outros que s\u00e3o protetores. Isso significa que o aparecimento da doen\u00e7a est\u00e1 intimamente ligado a uma equa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio dessa balan\u00e7a. Mesmo que a crian\u00e7a tenha propens\u00e3o gen\u00e9tica e viva em um ambiente pouco favor\u00e1vel, ela pode n\u00e3o desenvolver o quadro e vice-versa.<br \/>\nUm bom funcionamento cognitivo, estabilidade e organiza\u00e7\u00e3o familiar, ambiente amoroso e aus\u00eancia de fatos estressantes na vida da crian\u00e7a contribuem com a preven\u00e7\u00e3o. Todos eles podem ser constru\u00eddos e refor\u00e7ados em casa, por voc\u00ea e por toda a fam\u00edlia. Lembre-se: a crian\u00e7a que cresce com amor, carinho, que recebe aten\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos pais, dificilmente vai enfrentar problemas de comportamento ou desenvolvimento. E, ainda que os enfrente, ser\u00e3o mais facilmente superados.<\/p>\n<p><strong>Para quem procura ajuda:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.abrata.org.br\/new\/\" target=\"_blank\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA)<\/a><\/p>\n<table style=\"height: 300px; width: 600px;\">\n<thead>\n<tr>\n<th>O preconceito ainda \u00e9 grande<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>A aus\u00eancia de sintomas cl\u00ednicos, por si s\u00f3, j\u00e1 dificulta a detec\u00e7\u00e3o do problema. Aliado a isso, o n\u00famero de m\u00e9dicos especializados no tratamento mental de crian\u00e7as e adolescentes ainda \u00e9 pequeno: pouco mais de 400 em todo o pa\u00eds, concentrados nas regi\u00f5es sudeste e sul. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso dizer que a depress\u00e3o, assim como outros transtornos mentais, carrega um estigma de \u201cfrescura\u201d, \u201cfase\u201d ou, pior, \u201cdoen\u00e7a de louco\u201d, o que dificulta o reconhecimento da doen\u00e7a por parte dos pais e a consequente busca por ajuda. \u201cAinda h\u00e1 reserva e desinforma\u00e7\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao especialista. Muitos pediatras preferem encaminhar a crian\u00e7a para outros tipos de tratamento. Os pais, por sua vez, ainda acham que o psiquiatra \u00e9 \u2018m\u00e9dico de louco\u2019. Tem tamb\u00e9m o medo em rela\u00e7\u00e3o ao uso de medicamentos, de que eles causem depend\u00eancia ou efeitos colaterais\u201d, explica Bessa. Vale saber que existem medicamentos e dosagens espec\u00edficas para cada faixa et\u00e1ria. Al\u00e9m disso, nem sempre a depress\u00e3o infantil vai ser tratada com rem\u00e9dios: quadros mais leves ou moderados podem ser contidos apenas com psicoterapia.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um astronauta acaba de se deparar com a imensid\u00e3o do espa\u00e7o. 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