{"id":61080,"date":"2017-03-04T13:29:01","date_gmt":"2017-03-04T16:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=61080"},"modified":"2017-03-04T13:29:01","modified_gmt":"2017-03-04T16:29:01","slug":"onde-se-escondem-as-300-oncas-pintadas-que-sobraram-na-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/onde-se-escondem-as-300-oncas-pintadas-que-sobraram-na-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Onde se escondem as 300 on\u00e7as-pintadas que sobraram na Mata Atl\u00e2ntica?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/onde-se-escondem-as-300-oncas-pintadas-que-sobraram-na-mata-atlantica\/onca_pintada-9\/\" rel=\"attachment wp-att-61081\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-61081\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Restam apenas cerca de 300 on\u00e7as-pintadas (Panthera onca) na Mata Atl\u00e2ntica. \u00c9 muito, muito pouco. S\u00e3o in\u00fameras as raz\u00f5es para o desaparecimento iminente do maior felino das Am\u00e9ricas ao longo do bioma que um dia se estendia desde o norte da Argentina, passando pelo Paraguai e Uruguai, at\u00e9 o Nordeste brasileiro.<\/p>\n<p>A primeira e mais \u00f3bvia raz\u00e3o \u00e9 que s\u00f3 restam 7% da Mata Atl\u00e2ntica original. A segunda, uma consequ\u00eancia direta, \u00e9 que o pouco que sobrou \u00e9 composto por \u00e1reas muito fragmentadas. Ou seja, <strong>as on\u00e7as remanescentes precisam percorrer \u00e1reas muito maiores do que suas cong\u00eaneres da Amaz\u00f4nia ou do Pantanal<\/strong>, por exemplo, para encontrar ca\u00e7a ou achar parceiros para cruzamento.<\/p>\n<p>E como as \u00e1reas s\u00e3o muito fragmentadas, as andan\u00e7as das on\u00e7as na Mata Atl\u00e2ntica envolvem riscos cada vez mais frequentes de contato com humanos \u2013 o que envolve todo um leque de consequ\u00eancias letais para os grandes felinos. <strong>Elas viram alvo de ca\u00e7adores, s\u00e3o atropeladas, s\u00e3o v\u00edtima da retalia\u00e7\u00e3o por parte de fazendeiros e pecuaristas ou perseguidas pela popula\u00e7\u00e3o em geral, que tem medo desses bichos<\/strong>.<\/p>\n<p>Todas essas conclus\u00f5es foram publicadas em novembro em um grande estudo internacional na Scientific Reports, da Nature. Entre os pesquisadores envolvidos no trabalho est\u00e1 o conservacionista Ronaldo Gon\u00e7alves Morato, do ICMBio.<\/p>\n<p>Em outro artigo, publicado no fim de dezembro, Morato e colaboradores v\u00e3o al\u00e9m das conclus\u00f5es do trabalho sobre as on\u00e7as da Mata Atl\u00e2ntica para come\u00e7ar a compor um retrato dos padr\u00f5es de deslocamento das on\u00e7as-pintadas em cinco grandes biomas brasileiros \u2013 e os riscos que elas correm em cada um deles. O artigo foi publicado na revista PLoS ONE.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/c3\/2016\/12\/07\/parque-nacional-do-pau-brasil-ba---localizado-na-bahia-este-parque-nacional-foi-criado-em-1999-para-preservar-o-pau-brasil-arvore-que-alem-de-dar-nome-ao-parque-e-nativa-da-mata-atlantica-no-mesmo-1481137919202_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Restam apenas cerca de 300 on\u00e7as-pintadas na Mata Atl\u00e2ntica<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;O objetivo da pesquisa foi verificar as condi\u00e7\u00f5es de deslocamento e o tamanho da \u00e1rea de vida das on\u00e7as-pintadas em cada um desses biomas brasileiros: Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Amaz\u00f4nia, e tamb\u00e9m no norte da Argentina&#8221;, disse Morato.<\/p>\n<p>Para a obten\u00e7\u00e3o dos dados de deslocamento, entre 1998 e 2016 foram monitorados 21 indiv\u00edduos no Pantanal, 12 na Mata Atl\u00e2ntica, oito na Amaz\u00f4nia, um no Cerrado e dois na Caatinga. Foram amostrados 22 machos e 22 f\u00eameas. As idades estimadas variaram de 18 meses at\u00e9 10 anos, sendo que a maioria das on\u00e7as (41) era adulta, com mais de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>&#8220;Os <strong>colares tinham baterias capazes de durar cerca de 500 dias de uso<\/strong>. Mas bem antes disso, geralmente com 400 dias de monitoramento, acionamos um dispositivo que permite a soltura autom\u00e1tica do colar do pesco\u00e7o do animal&#8221;, disse Morato.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos se o animal morreu quando o sinal do GPS permanece na mesma localiza\u00e7\u00e3o por 24 horas. Neste caso, dispara um sinal autom\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Morato, cerca de 80% dos animais residiam na regi\u00e3o de monitoramento. Os demais apresentaram padr\u00f5es de deslocamento n\u00f4mades ou estavam em dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>Os <strong>machos exibiram as maiores \u00e1reas de vida \u2013 o territ\u00f3rio ocupado durante a vida de cada animal<\/strong>. \u00c9 um resultado compat\u00edvel com a hip\u00f3tese de que a necessidade de maiores \u00e1reas por parte dos machos de esp\u00e9cies carn\u00edvoras est\u00e1 ligada \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das f\u00eameas e \u00e0 necessidade de maximizar as oportunidades reprodutivas.<\/p>\n<p><cite>As on\u00e7as com a maior \u00e1rea de vida foram as da Mata Atl\u00e2ntica, que muitas vezes precisam se aventurar por pastagens e campos cultivados para passar de um fragmento de floresta ao outro, correndo o risco de contato com humanos.&#8221;<\/cite><\/p>\n<h3>Mobilidade limitada<\/h3>\n<p>Entre todos os animais, o do Cerrado mostrou necessidade de maior \u00e1rea de vida (1.268 km\u00b2). <strong>No Brasil, a on\u00e7a com menor \u00e1rea de vida (36 km\u00b2) estava no Pantanal<\/strong>. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a ilha de Santa Catarina tem 424 km\u00b2.<\/p>\n<p>&#8220;Pela primeira vez conseguimos comparar os deslocamentos das on\u00e7as nos diversos biomas. O pr\u00f3ximo passo envolve saber como os animais se comportam nas diferentes estruturas e paisagens. Queremos verificar quais s\u00e3o os fatores que limitam a mobilidade das on\u00e7as em cada bioma&#8221;, disse Morato.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, \u00e9 importante saber o que limita os deslocamentos das on\u00e7as, uma vez que a sa\u00fade do animal depende da sua variabilidade gen\u00e9tica, que por sua vez depende da capacidade de os indiv\u00edduos encontrarem parceiros sexuais de outros grupos que n\u00e3o os familiares. \u00c9 a mesma l\u00f3gica que n\u00e3o indica o casamento entre primos, por exemplo.<\/p>\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\">\n<div id=\"albumHTML1\">\n<div id=\"boxFullImage1\" class=\"boxFullImage \">\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" align=\"center\">\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/66\/2015\/07\/14\/14jul2015---uma-onca-pintada-foi-resgatada-por-agentes-do-ibama-instituto-brasileiro-do-meio-ambiente-e-dos-recursos-naturais-renovaveis-de-um-garimpo-do-para-o-animal-que-recebeu-o-nome-de-felipe-e-1436908576586_956x500.jpg\" width=\"639\" height=\"334\" border=\"0\" \/><\/p>\n<h3 class=\"tituloAlbum\">On\u00e7a resgatada de garimpo viaja 3.000 km para ser tratada<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<div class=\"legendaTexto\">Uma on\u00e7a-pintada foi resgatada por agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) de um garimpo do Par\u00e1. O animal recebeu o nome de Felipe. Ele era tratado como mascote no garimpo e mantido preso em uma corrente para que n\u00e3o comesse os animais dom\u00e9sticos do local. A on\u00e7a-pintada viajou 3.000 km para receber tratamento em Jundia\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo. Felipe ser\u00e1 monitorado e dever\u00e1 voltar a viver na natureza<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Restam apenas cerca de 300 on\u00e7as-pintadas (Panthera onca) na Mata Atl\u00e2ntica. \u00c9 muito, muito pouco.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":61081,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/onca_pintada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Restam apenas cerca de 300 on\u00e7as-pintadas (Panthera onca) na Mata Atl\u00e2ntica. \u00c9 muito, muito pouco.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61080"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61080\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}