{"id":6083,"date":"2014-09-04T15:00:39","date_gmt":"2014-09-04T15:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=6083"},"modified":"2014-09-04T13:38:13","modified_gmt":"2014-09-04T13:38:13","slug":"quanto-custa-preservar-as-funcionalidades-essenciais-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quanto-custa-preservar-as-funcionalidades-essenciais-da-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Quanto custa preservar as funcionalidades essenciais da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif;\"><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6084\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Maria Guimar\u00e3es, da Ag\u00eancia Fapesp<\/i><\/small><\/p>\n<div class=\"size-full wp-image-120353\" title=\"Quanto custa preservar a Mata Atl\u00e2ntica\">Pagar taxas para que propriet\u00e1rios em zonas rurais preservem uma por\u00e7\u00e3o maior de terras do que \u00e9 obrigat\u00f3rio por lei parece ser uma forma vi\u00e1vel de evitar a perda de servi\u00e7os prestados pela Mata Atl\u00e2ntica, como impedir a dissemina\u00e7\u00e3o de pragas e garantir a qualidade das \u00e1guas.\u00c9 o que indica um estudo publicado na edi\u00e7\u00e3o da semana de 29 de agosto da revista Science, liderado pela bi\u00f3loga brasileira Cristina Banks-Leite, professora do Imperial College de Londres, na Inglaterra, e professora visitante na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).\u201cO pagamento por servi\u00e7os ambientais est\u00e1 em andamento no Brasil\u201d, conta a pesquisadora. Mas isso costuma acontecer em escala mais local, por iniciativa de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) e de munic\u00edpios. Sua proposta \u00e9 ampliar essa iniciativa para a escala nacional, em que o governo faria um programa para selecionar \u00e1reas priorit\u00e1rias e propor pagamentos aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o sairia caro: de acordo com o estudo, o investimento para se atingir 30% de cobertura vegetal em 37 mil \u00e1reas priorit\u00e1rias ao longo de toda a Mata Atl\u00e2ntica custaria, por ano, cerca de R$ 445 milh\u00f5es. Isso representa menos de 0,01% do PIB anual brasileiro, ou 6,5% do que \u00e9 pago em subs\u00eddios agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a \u00e1rea extra alocada \u00e0 floresta causaria um preju\u00edzo pequeno \u00e0 produtividade (0,61% do PIB agr\u00edcola produzido nesses munic\u00edpios) e nem afetaria, de fato, os ganhos dos agricultores, j\u00e1 que estariam recebendo pagamento por seu empenho na manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema, com o benef\u00edcio de assegurar a preserva\u00e7\u00e3o desse hotspot de biodiversidade em que muitas esp\u00e9cies est\u00e3o em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros partem de projetos de longo prazo dos bi\u00f3logos Jean Paul Metzger e Renata Pardini, da USP, que avaliaram os efeitos da fragmenta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica paulista na diversidade de anf\u00edbios, aves e mam\u00edferos.<\/p>\n<p>O estudo de uma das \u00e1reas foi o doutorado de Cristina, conclu\u00eddo em 2009 sob orienta\u00e7\u00e3o de Metzger. Os resultados indicam que \u00e9 preciso preservar pelo menos 30% da floresta para que seja mantida a integridade das comunidades de vertebrados essenciais ao funcionamento do ecossistema.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Florestal exige que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa seja mantida em 20% de cada propriedade, de maneira que seria necess\u00e1rio ampliar essa \u00e1rea sem utiliza\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria por meio de pagamentos.<\/p>\n<p>Segundo Cristina, uma das perguntas iniciais do projeto era avaliar o m\u00ednimo de mata necess\u00e1ria para manter a floresta. \u201cAt\u00e9 agora ningu\u00e9m tinha conseguido um resultado consistente\u201d, afirma a pesquisadora. Para se aprofundar nas an\u00e1lises ecol\u00f3gicas, ela sentiu falta de mais conhecimento matem\u00e1tico e est\u00e1 cursando uma gradua\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia na \u00e1rea, pela Open University. Com essa vis\u00e3o, ela trouxe o olhar econ\u00f4mico para o artigo publicado na Science.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-120353 size-full\" title=\"Quanto custa preservar a Mata Atl\u00e2ntica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/MataAtlantica.jpg\" alt=\"MataAtlantica Quanto custa preservar a Mata Atl\u00e2ntica\" width=\"290\" height=\"217\" \/><\/p>\n<p>A partir dos dados sobre a fauna de vertebrados residente no Estado de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores ampliaram a estimativa para a Mata Atl\u00e2ntica inteira seguindo princ\u00edpios ancorados na realidade. \u201cN\u00e3o podemos delimitar uma por\u00e7\u00e3o da avenida Paulista e dizer que ali precisa ser floresta\u201d, brinca Cristina. A piada \u00e9 s\u00e9ria; afinal, as maiores cidades brasileiras foram erguidas em plena Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>As 37 mil \u00e1reas priorit\u00e1rias selecionadas pelo grupo s\u00e3o, na verdade, propriedades rurais em que os donos j\u00e1 seguem a lei e mant\u00eam 20% da \u00e1rea preservada. \u201cJ\u00e1 h\u00e1 uma certa quantidade de animais e plantas vivendo ali, de maneira que a recupera\u00e7\u00e3o seria mais simples.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a conta feita pelo grupo, seria necess\u00e1rio restaurar 424 mil hectares para chegar ao objetivo de 30% de cobertura nessas \u00e1reas. A propor\u00e7\u00e3o do PIB que estimam ser o custo, menos de 0,01%, vale s\u00f3 para os primeiros tr\u00eas anos, quando parte da floresta precisaria passar por medidas de recupera\u00e7\u00e3o ativa. Depois disso, o custo deveria cair para 0,0026% do PIB.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma vis\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o mais voltada \u00e0 pr\u00e1tica, que se concentra em evitar que se percam servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que de fato melhoram a vida das pessoas que moram no entorno. \u201cN\u00e3o tem a ver com a perda de esp\u00e9cies: algumas v\u00e3o ser perdidas, outras, mais generalistas, aparecer\u00e3o\u201d, diz Cristina. Ela acredita que o trabalho seja um primeiro passo importante no sentido de p\u00f4r em pr\u00e1tica a sua proposta.<\/p>\n<p>\u201cExiste agora um interesse do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, al\u00e9m das secretarias correspondentes em alguns estados e de ONGs, mas faltava ter um valor e dizer quanto e onde preservar.\u201d Segundo ela, o dinheiro existe, o momento \u00e9 prop\u00edcio e os contatos que o grupo tem no governo indicam que a iniciativa \u00e9 vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Guimar\u00e3es, da Ag\u00eancia Fapesp Pagar taxas para que propriet\u00e1rios em zonas rurais preservem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6084,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/mata_atlantica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Maria Guimar\u00e3es, da Ag\u00eancia Fapesp Pagar taxas para que propriet\u00e1rios em zonas rurais preservem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6083"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6083\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}