{"id":60818,"date":"2017-02-27T15:40:43","date_gmt":"2017-02-27T18:40:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=60818"},"modified":"2017-02-27T15:40:43","modified_gmt":"2017-02-27T18:40:43","slug":"comida-brasil-joga-fora-mais-do-que-o-necessario-para-combater-a-inseguranca-alimentar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/comida-brasil-joga-fora-mais-do-que-o-necessario-para-combater-a-inseguranca-alimentar-2\/","title":{"rendered":"Comida: Brasil joga fora mais do que o necess\u00e1rio para combater a inseguran\u00e7a alimentar"},"content":{"rendered":"<div id=\"main\" class=\"clearfix\">\n<div class=\"inner-wrap clearfix\">\n<div id=\"primary\">\n<div id=\"content\" class=\"clearfix\">\n<article id=\"post-41321\" class=\"post-41321 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-artigos category-colunas-e-artigos tag-banco-de-alimentos tag-bolsa-familia tag-campanha tag-consumidor tag-desperdicio-de-alimentos tag-embrapa tag-fao tag-gustavo-porpino tag-inserguranca-alimentar tag-mesa-brasil tag-wwf-brasil\">\n<div class=\"featured-image\">\n<figure class=\"wp-caption\" style=\"width: 650px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-colormag-featured-image  wp-post-image\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/502155430_4e6402872e_o-800x445.jpg\" alt=\"jbloom\/Flickr Creative Commons\" width=\"640\" height=\"356\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><span class=\"byline\"><span class=\"author vcard\">Gustavo Porpino*<\/span><\/span><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"article-content clearfix\">\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p><em>A fam\u00edlia brasileira t\u00edpica gosta de fartura na despensa e na mesa. Quando esse gosto pela abund\u00e2ncia \u00e9 combinado com a prefer\u00eancia pela comida fresquinha, temos um cen\u00e1rio prop\u00edcio a gerar elevado desperd\u00edcio<\/em><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um caso peculiar quanto \u00e0s perdas e ao desperd\u00edcio de alimentos. Temos tanto fatores que nos aproximam dos pa\u00edses em desenvolvimento, caracterizados por elevadas perdas p\u00f3s-colheita e durante o escoamento da safra, quanto caracter\u00edsticas de pa\u00edses mais ricos, nos quais o desperd\u00edcio \u00e9 elevado na etapa final em fun\u00e7\u00e3o do comportamento do consumidor. Enquanto a redu\u00e7\u00e3o das perdas demanda investimentos em infraestrutura para modernizarmos nossa capacidade de escoar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, o enfrentamento do desperd\u00edcio envolve mais mudan\u00e7as comportamentais.<\/p>\n<p>Reduzir o desperd\u00edcio de alimentos no Brasil deve ser prioridade dos agentes p\u00fablicos e setor produtivo por raz\u00f5es econ\u00f4micas, ambientais e sociais. Do ponto de vista econ\u00f4mico, n\u00e3o faz sentido um gigante do setor agropecu\u00e1rio perder em torno de R$3,5 bilh\u00f5es ao ano no escoamento da safra de soja e milho em fun\u00e7\u00e3o das defici\u00eancias log\u00edsticas, conforme estima a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte. Desperdi\u00e7ar comida significa tamb\u00e9m ocupa\u00e7\u00e3o em v\u00e3o de terra e consumo desnecess\u00e1rio de \u00e1gua e outros recursos naturais escassos.<\/p>\n<p>O dilema moral do desperd\u00edcio diante da fome de muitos tamb\u00e9m \u00e9 n\u00edtido. Enquanto o Brasil joga fora mais do que o necess\u00e1rio para neutralizar a inseguran\u00e7a alimentar no Pa\u00eds, apenas um quarto do desperd\u00edcio agregado dos EUA e Europa \u00e9 suficiente para alimentar as 795 milh\u00f5es de pessoas que ainda passam fome no mundo. O Brasil, gra\u00e7as a esfor\u00e7os de pesquisa agropecu\u00e1ria e a programas sociais como o Bolsa Fam\u00edlia, saiu do mapa da fome da Organiza\u00e7\u00e3o das Nac\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), mas \u00e9 preciso ir al\u00e9m. A inseguran\u00e7a alimentar grave foi reduzida de 7%, em 2004, para 3% segundo o \u00faltimo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2013. Por outro lado, ainda temos 22% da popula\u00e7\u00e3o enfrentando algum est\u00e1gio de inseguran\u00e7a alimentar, dado que ressalta o paradoxo do desperd\u00edcio em meio \u00e0 incapacidade de ofertar a quantidade apropriada de nutrientes para quase um em cada quatro brasileiros.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio pode ser forte aliada para o combate \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar e tamb\u00e9m complementar a atua\u00e7\u00e3o dos programas sociais. Nesse aspecto, bancos de alimentos t\u00eam papel importante para que o excedente do varejo seja escoado a popula\u00e7\u00f5es carentes. O Brasil ainda disp\u00f5e de poucos bancos de alimentos se considerarmos a dimens\u00e3o do pa\u00eds. O programa Mesa Brasil, do Sesc, principal iniciativa brasileira, disp\u00f5e de 87 unidades. Como compara\u00e7\u00e3o, somente a rede <em>Feeding America<\/em>, dos EUA, disponibiliza 200 bancos de alimentos e 60 mil <em>food pantries<\/em> para a popula\u00e7\u00e3o americana. Enquanto os bancos americanos armazenam as doa\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria e\/ou varejo, as <em>pantries \u2013 <\/em>ou despensas, em tradu\u00e7\u00e3o literal \u2013 servem para distribuir os produtos aliment\u00edcios \u00e0s fam\u00edlias sem custos.<\/p>\n<p>A Rede Brasileira de Bancos de Alimentos, institu\u00edda neste m\u00eas de novembro, precisa atrair mais o interesse do setor privado. Para tanto, precisamos desburocratizar o processo de doa\u00e7\u00e3o de alimentos pr\u00f3ximos do vencimento, mas ainda apropriados para consumo. Os casos de sucesso brasileiros, como o Mesa Brasil e as a\u00e7\u00f5es da ONG Banco de Alimentos, por exemplo, podem ser fortalecidos se transpusermos alguns entraves legais e a baixa a\u00e7\u00e3o articulada dos agentes da cadeia alimentar. Os desafios v\u00e3o desde a morosidade do Legislativo, por onde a Lei do Bom Samaritano tramita desde 1998, at\u00e9 o relativo baixo alcance de programas de educa\u00e7\u00e3o nutricional. A base legal \u00e9 necess\u00e1ria para ampliar a contribui\u00e7\u00e3o dos varejistas e da ind\u00fastria no combate ao desperd\u00edcio, e sem a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiremos mudar a cultura do desperd\u00edcio que prevalece nas fam\u00edlias brasileiras, mesmo no contexto da classe m\u00e9dia baixa.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia brasileira t\u00edpica gosta de fartura na despensa e na mesa. Quando esse gosto pela abund\u00e2ncia \u00e9 combinado com a prefer\u00eancia pela comida fresquinha, temos um cen\u00e1rio prop\u00edcio a gerar elevado desperd\u00edcio. A mudan\u00e7a cultural demanda campanhas, como a <em>Love Food Hate Waste<\/em>, que tem alcan\u00e7ado bons resultados na Inglaterra. A iniciativa #SemDesperdicio (www.semdesperdicio.org), parceria entre Embrapa, WWF-Brasil e FAO, tamb\u00e9m \u00e9 salutar. Para ganhar mais impulso, novos parceiros da ind\u00fastria e varejo precisam abra\u00e7ar a causa. O desafio \u00e9 persuadir o consumidor sem acus\u00e1-lo de culpa. Precisamos educ\u00e1-los, apontar caminhos, e por que n\u00e3o, incluir a n\u00f3s mesmos como parte do problema e agentes de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Gustavo Porpino, 40, foi pesquisador visitante do Food and Brand Lab (Cornell University). \u00c9 analista da Embrapa e doutor em administra\u00e7\u00e3o pela FGV-Eaesp.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Porpino* A fam\u00edlia brasileira t\u00edpica gosta de fartura na despensa e na mesa. 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