{"id":60675,"date":"2017-02-25T12:47:39","date_gmt":"2017-02-25T15:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=60675"},"modified":"2017-02-25T12:47:39","modified_gmt":"2017-02-25T15:47:39","slug":"alunos-do-ensino-medio-no-ceara-criam-lei-municipal-para-valorizar-a-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alunos-do-ensino-medio-no-ceara-criam-lei-municipal-para-valorizar-a-caatinga\/","title":{"rendered":"Alunos do ensino m\u00e9dio no Cear\u00e1 criam lei municipal para valorizar a caatinga"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-60676\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Um grupo de estudantes do Cear\u00e1 come\u00e7ou um conjunto de a\u00e7\u00f5es para valorizar a caatinga em seu munic\u00edpio. Os meninos conseguiram n\u00e3o s\u00f3 transformar a educa\u00e7\u00e3o ambiental dentro da escola. Eles ajudaram a criar leis e a mudar a forma como a cidade lida com o ecossistema.<\/p>\n<p>A iniciativa nasceu h\u00e1 tr\u00eas anos a partir de uma aula de geografia na Escola Estadual de Educa\u00e7\u00e3o Profissional Lucas Emmanuel Lima Pinheiro, no munic\u00edpio de Iguatu, no interior do Cear\u00e1. A professora deveria apresentar os principais biomas do Brasil. Mas o livro did\u00e1tico adotado na escola n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00e3o aprofundada sobre a caatinga. Isso chamou a aten\u00e7\u00e3o do aluno Mois\u00e9s Breno Barbosa de Souza, que estava ent\u00e3o no 1\u00ba ano do ensino m\u00e9dio. \u201cA professora tinha de buscar material por conta pr\u00f3pria para abordar a caatinga. O livro n\u00e3o trazia o que era necess\u00e1rio\u201d, diz. \u201cAli come\u00e7amos a questionar: como a gente vai preservar o que n\u00e3o conhece?\u201d<\/p>\n<p>Mois\u00e9s se juntou com outros colegas e come\u00e7ou, com orienta\u00e7\u00e3o da professora de geografia, a pensar em como melhorar a educa\u00e7\u00e3o sobre a caatinga. O grupo cresceu com os colegas Carlos Miguel da Silva Moura, Dailton Rolim da Silva, Miqueias Breno Barbosa e Silas Vinicius Silva. Eles visitaram outras escolas do munic\u00edpio para ver como era o ensino da caatinga. Fizeram visitas a \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o para entender melhor o bioma.<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es do grupo foi realizar uma pesquisa com o material did\u00e1tico e a percep\u00e7\u00e3o dos alunos de 1\u00ba ano das sete escolas de Iguatu. Primeiro, os alunos pediram para as escolas mandarem amostras do material did\u00e1tico. Em todas, a situa\u00e7\u00e3o era a mesma. Os livros n\u00e3o traziam informa\u00e7\u00f5es sobre o ecossistema onde os alunos viviam.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pelos alunos do grupo com um question\u00e1rio revelou o desconhecimento dos estudantes do munic\u00edpio. Uma das perguntas pedia aos estudantes para citar animais nativos da caatinga. Cerca de 80% responderam que era a vaca. Um desconhecimento. O gado bovino foi trazido pelos colonizadores. S\u00f3 ocupa a paisagem depois do desmatamento da vegeta\u00e7\u00e3o nativa para abertura de pastagens. Os estudantes n\u00e3o lembraram nem de esp\u00e9cies relativamente famosas como a jaguatirica, o tatu-bola (a mascote Fuleco da Copa do Mundo), o sapo-cururu (estrela de uma cantiga popular), o urubu-rei ou a ararinha-azul (geograficamente deslocada para a Mata Atl\u00e2ntica carioca no desenho <em>Rio<\/em>) e a asa-branca (do cl\u00e1ssico de Luiz Gonzaga).<\/p>\n<p>O grupo continuou suas pesquisas e decidiu criar a\u00e7\u00f5es para mudar a situa\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o geral. \u201cEles perceberam que n\u00e3o conheciam a caatinga. Que havia mais informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre outros biomas, como a Floresta Amaz\u00f4nica ou a Mata Atl\u00e2ntica\u201d, diz a professora Adriana Silva Oliveira, que orientou o grupo.<\/p>\n<p>Um aspecto interessante da percep\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e9 que eles enxergavam a caatinga apenas como uma paisagem seca e morta. Numa das pesquisas, pediram aos alunos das escolas para desenharem a caatinga. Os desenhos mostravam plantas secas e animais mortos. \u201cEles s\u00f3 enxergavam a caatinga como a paisagem da \u00e9poca da estiagem. N\u00e3o reconheciam a vegeta\u00e7\u00e3o que brota no per\u00edodo das chuvas\u201d, conta Adriana. Tradicionalmente, a caatinga se protege da seca de julho a dezembro e rebrota com for\u00e7a com as chuvas, de janeiro a junho. O ciclo, no entanto, est\u00e1 alterado. \u201cEstamos no quinto ano de uma grande seca\u201d, diz. Com isso, a chuva cai mesmo de janeiro a mar\u00e7o. \u201cOs alunos est\u00e3o com menos oportunidade de ver a caatinga exuberante\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Da esquerda para a direita, a vereadora Cida Albuquerque, os alunos Carlos Miguel da Silva Moura e Mois\u00e9s Breno Barbosa,o presidente da C\u00e2mara Rubenildo Caldeira e a professora Adriana Silva Oliveira (Foto: divulga\u00e7\u00e3o )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/o1Lt5iGuUvDgagzxBtBMLZaUShw=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/02\/22\/fotos_iguatu_caatinga_24.jpg\" alt=\"Da esquerda para a direita, a vereadora Cida Albuquerque, os alunos Carlos Miguel da Silva Moura e Mois\u00e9s Breno Barbosa,o presidente da C\u00e2mara Rubenildo Caldeira e a professora Adriana Silva Oliveira (Foto: divulga\u00e7\u00e3o )\" width=\"640\" height=\"400\" \/><label class=\"foto-legenda\">Da esquerda para a direita, a vereadora Cida Albuquerque, os alunos Carlos Miguel da Silva Moura e Mois\u00e9s Breno Barbosa, o presidente da C\u00e2mara, Rubenildo Caldeira, e a professora Adriana Silva Oliveira (Foto: divulga\u00e7\u00e3o )<\/label><\/div>\n<p>Os alunos resolveram agir pela boa pol\u00edtica. Prepararam um projeto de lei e fizeram uma campanha na C\u00e2mara de Vereadores. O projeto, apresentado em dezembro de 2015, foi aprovado em mar\u00e7o de 2016. A nova lei diz que a cidade deve ser arborizada com esp\u00e9cies nativas. Estabelece que a oitica, \u00e1rvore t\u00edpica da caatinga, vira o s\u00edmbolo de Iguatu. Tamb\u00e9m cria um simp\u00f3sio anual sobre o bioma no dia 28 de abril, dia da caatinga. Os pr\u00f3prios alunos foram acompanhar o plantio das \u00e1rvores. Colocaram nelas placas com o nome das esp\u00e9cies \u2013 ip\u00ea, juazeiro, oiticica \u2013 al\u00e9m do n\u00famero da lei. \u201cA gente espera desenvolver uma nova identidade das pessoas com a caatinga\u201d, diz Adriana. \u201cPrecisamos disso como estrat\u00e9gia de desenvolvimento. Com a car\u00eancia de \u00e1gua, precisamos usar a caatinga sem degrad\u00e1-la.\u201d<\/p>\n<p>Na escola, organizaram um jardim de esp\u00e9cies end\u00eamicas da caatinga, como xiquexique, palma e mandacaru.<\/p>\n<p>O trabalho deles foi um dos premiados no projeto nacional Criativos na Escola, promovido pelo Instituto Alana. Tamb\u00e9m foi um dos destaques da Mostratec, feira de ci\u00eancia e tecnologia realizada anualmente pela Funda\u00e7\u00e3o Liberato, na cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>\u201cOs professores est\u00e3o mudando a did\u00e1tica. Dando mais \u00eanfase \u00e0 caatinga\u201d, diz Mois\u00e9s. Hoje com 17 anos e terminando o ensino m\u00e9dio, ele e seus colegas est\u00e3o fazendo a transi\u00e7\u00e3o do projeto para os outros alunos. \u201cEstamos capacitando a turma do 2\u00ba ano de eletrot\u00e9cnica para dar continuidade\u201d, afirma. \u201cO projeto n\u00e3o \u00e9 nosso. \u00c9 de todos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de estudantes do Cear\u00e1 come\u00e7ou um conjunto de a\u00e7\u00f5es para valorizar a caatinga<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":60676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/alunos_caatinga.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo de estudantes do Cear\u00e1 come\u00e7ou um conjunto de a\u00e7\u00f5es para valorizar a caatinga","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60675\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}