{"id":60299,"date":"2017-02-20T10:00:18","date_gmt":"2017-02-20T13:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=60299"},"modified":"2017-02-20T09:11:14","modified_gmt":"2017-02-20T12:11:14","slug":"desmatamento-ilegal-vira-atividade-lucrativa-e-organizada-em-labrea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-ilegal-vira-atividade-lucrativa-e-organizada-em-labrea\/","title":{"rendered":"Desmatamento ilegal vira atividade lucrativa e organizada em L\u00e1brea"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=60300\" rel=\"attachment wp-att-60300\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-60300\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Depois de v\u00e1rios anos de queda, o desmatamento voltou a subir na Amaz\u00f4nia no ano passado e em alguns lugares a situa\u00e7\u00e3o foi grave. O Globo Rural mostrou como funciona a engrenagem das derrubadas em L\u00e1brea, o munic\u00edpio que mais destr\u00f3i a floresta em todo o estado do Amazonas.<\/p>\n<p>Localizado \u00e0s margens do Rio Purus, no sul do estado do Amazonas, o munic\u00edpio de L\u00e1brea tem cerca de 40 mil habitantes. A cidade \u00e9 cercada por \u00e1reas de floresta fechada e fazendas de gado, t\u00edpicas da regi\u00e3o. Mas, desde 2008, L\u00e1brea faz parte da lista negra do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, que identifica os munic\u00edpios que mais destroem a floresta. S\u00f3 em 2015, foram mais de 24 mil hectares de derrubadas.<\/p>\n<p>A maior parte dos problemas vem de uma regi\u00e3o distante, no sul do munic\u00edpio. O desmatamento no sul de L\u00e1brea cresce constantemente nos \u00faltimos cinco anos. Quase todas as \u00e1reas se destinam a fazendas de pecu\u00e1ria. Nos locais onde havia com floresta fechada, hoje tem pasto e gado.<\/p>\n<p>Atualmente, a regi\u00e3o concentra mais de 450 mil cabe\u00e7as de gado. As \u00e1reas com mais derrubadas ficam perto da divisa com Rond\u00f4nia e Acre.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio est\u00e1 oficialmente em L\u00e1brea, mas na pr\u00e1tica fica isolado da sede do munic\u00edpio e tem mais liga\u00e7\u00e3o com os estados vizinhos. A cidade possui mais de 68 mil quil\u00f4metros quadrados, o equivalente a uma vez e meia do territ\u00f3rio de um estado como o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Na paisagem, o que n\u00e3o falta \u00e9 desmatamento recente. Ao sobrevoar o territ\u00f3rio ind\u00edgena Kaxarari, a equipe de reportagem flagrou a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira dentro da reserva.<\/p>\n<p>Em outra opera\u00e7\u00e3o, por terra, os fiscais chegaram a uma fazenda onde ocorreram o desmatamento e a queima sem autoriza\u00e7\u00e3o ambiental. Cerca de dois mil hectares foram derrubados e devorados pelo fogo. Na sede, a casa parecia habitada, com utens\u00edlios e roupas no varal, mas as portas e janelas estavam trancadas. Na varanda, tinha um r\u00e1dio ainda ligado. Na \u00e1rea de floresta destru\u00edda havia troncos e galhos carbonizados, cinzas pelo ch\u00e3o, fuma\u00e7a e at\u00e9 fogo em certos lugares.<\/p>\n<p>Segundo o IBAMA, a fazenda est\u00e1 registrada em nome de Wladimir Rigo Martins. O pecuarista n\u00e3o tem o t\u00edtulo da terra, mas entrou com processo para regularizar a \u00e1rea em um programa p\u00fablico chamado Terra Legal. Ele ser\u00e1 multado e ter\u00e1 que responder \u00e0 Justi\u00e7a.<br \/>\nA equipe de reportagem conseguiu localizar Martins a mais 300 quil\u00f4metros de L\u00e1brea, em Rio Branco, no Acre.<\/p>\n<p>O pecuarista contou que \u00e9 ex-caminhoneiro e que hoje trabalha principalmente como comerciante. Ele disse que comprou a fazenda de posseiros que ocupavam a \u00e1rea h\u00e1 muito tempo, em um neg\u00f3cio informal, sem t\u00edtulo ou escritura da terra e que passou a terra para outra pessoa. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s multas, o pecuarista afirma que vai se defender na Justi\u00e7a. Ele n\u00e3o se arrepende de ter se aventurado no sul de L\u00e1brea.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o de terras, sem documenta\u00e7\u00e3o, se repete em v\u00e1rios pontos da Amaz\u00f4nia. Um caso t\u00edpico \u00e9 o de pessoas que invadem \u00e1reas que s\u00e3o p\u00fablicas, propriedades da Uni\u00e3o. Os invasores desmatam uma parte da gleba e, em seguida, revendem a posse da \u00e1rea para pecuaristas, madeireiros ou outros atravessadores. Uma engrenagem que associa invas\u00e3o de terras p\u00fablicas e desmatamento ilegal, como explica o engenheiro florestal Paulo Barreto, do Imazon, uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG) que \u00e9 refer\u00eancia em pesquisas sobre Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a chamada grilagem. A ocupa\u00e7\u00e3o de terra p\u00fablica e a forma dele dizer que ele \u00e9 dono daquela \u00e1rea \u00e9 ele desmatar. Al\u00e9m de um problema ambiental, \u00e9 um problema social muito grave. Ent\u00e3o, \u00e9 um sinal muito claro de que as pessoas est\u00e3o confiantes na impunidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que \u00e9 poss\u00edvel criar gado ou fazer agricultura na Amaz\u00f4nia de maneira legal. Para isso, o produtor precisa ter t\u00edtulo da terra e seguir o C\u00f3digo Florestal, que estabelece, por exemplo, que cada fazenda tenha pelo menos 80% da \u00e1rea como reserva legal.<\/p>\n<p>Mas, at\u00e9 o prefeito de L\u00e1brea, Evaldo Gomes, reconhece que, na pr\u00e1tica, poucas pessoas cumprem essas regras no sul do munic\u00edpio. Segundo ele, como a economia da regi\u00e3o \u00e9 quase toda clandestina, ela n\u00e3o gera impostos ou benef\u00edcios para o munic\u00edpio. \u201cO munic\u00edpio de L\u00e1brea tem mais perdido do que ganho\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de v\u00e1rios anos de queda, o desmatamento voltou a subir na Amaz\u00f4nia no ano<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":60300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/desmatamento_ilegal.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Depois de v\u00e1rios anos de queda, o desmatamento voltou a subir na Amaz\u00f4nia no ano","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60299"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}