{"id":60130,"date":"2017-02-18T09:07:24","date_gmt":"2017-02-18T12:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=60130"},"modified":"2017-02-18T09:07:24","modified_gmt":"2017-02-18T12:07:24","slug":"pesquisadores-do-clinicas-dao-detalhes-sobre-estudo-que-pode-mudar-tratamento-da-hipertensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-do-clinicas-dao-detalhes-sobre-estudo-que-pode-mudar-tratamento-da-hipertensao\/","title":{"rendered":"Pesquisadores do Cl\u00ednicas d\u00e3o detalhes sobre estudo que pode mudar tratamento da hipertens\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"materia-subtitulo\">Trabalho cient\u00edfico mostrou resultados que comprovam que a combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos \u00e9 mais eficaz do que o medicamento mais prescrito para controlar a hipertens\u00e3o<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pesquisadores do Cl\u00ednicas d\u00e3o detalhes sobre estudo que pode mudar tratamento da hipertens\u00e3o Divulga\u00e7\u00e3o\/\" src=\"http:\/\/zh.rbsdirect.com.br\/imagesrc\/23049217.jpg?w=640\" alt=\"Pesquisadores do Cl\u00ednicas d\u00e3o detalhes sobre estudo que pode mudar tratamento da hipertens\u00e3o Divulga\u00e7\u00e3o\/\" width=\"638\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, o Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre apresentou um estudo sobre hipertens\u00e3o que pode, inclusive, trazer mudan\u00e7as no tratamento de uma das principais causas de morte no mundo.<\/p>\n<p>Coordenado pelos professores da Faculdade de Medicina da UFRGS Fl\u00e1vio e Sandra Fuchs, o Estudo Prever demonstrou maior efic\u00e1cia da combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos no combate \u00e0 press\u00e3o alta do que a losartana, medicamento mais usado pelo SUS. O estudo, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de 21 centros de pesquisa do Brasil, ainda levantou quest\u00f5es quanto \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da hipertens\u00e3o e \u00e0 chamada pr\u00e9-hipertens\u00e3o. Confira a entrevista com os pesquisadores.<\/p>\n<p><b>O estudo Prever Tratamento mostrou que a combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos \u00e9 mais eficaz que o principal rem\u00e9dio oferecido pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Os pacientes poder\u00e3o, a partir disso, solicitar mudan\u00e7a de medica\u00e7\u00e3o a seus m\u00e9dicos?<\/b><br \/>\nO estudo mostrou resultados que comprovam que a combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos \u00e9 mais eficaz do que o medicamento mais prescrito para controlar a hipertens\u00e3o (press\u00e3o alta). Os pacientes poder\u00e3o conversar com seus m\u00e9dicos sobre o emprego da combina\u00e7\u00e3o de diur\u00e9ticos. Contudo, essa combina\u00e7\u00e3o de diur\u00e9ticos ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel pelo Programa da Farm\u00e1cia Popular, e os pacientes ter\u00e3o de comprar o medicamento.<\/p>\n<p><b>Pelo estudo, e por outras pesquisas, j\u00e1 observou-se risco \u00e0 sa\u00fade, ainda que baixo, em valores de press\u00e3o arterial 12 por 8? Quem tem essa press\u00e3o arterial pode ser considerado um pr\u00e9-hipertenso?<\/b><br \/>\nO Prever Preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o mostrou o risco de press\u00e3o a partir de 12 por 8. Ele mostrou que \u00e9 poss\u00edvel prevenir o desenvolvimento de hipertens\u00e3o. Outros estudos mostraram que o risco da press\u00e3o elevada inicia em 12 por 8. O estudo mais poderoso, publicado em 2002, na revista Lancet, mostrou que h\u00e1 risco a partir de 115\/75 em an\u00e1lise que contou com 1 milh\u00e3o de participantes. No estudo Sprint, publicado no final de 2015 em outra revista importante (New England of Medicine), os pacientes com hipertens\u00e3o que n\u00e3o conseguiram reduzir a press\u00e3o mais alta para menos do que 120, tiveram 25% mais mortalidade e doen\u00e7a cardiovascular do que os que reduziram para menos do que 140. A 7\u00aa Diretriz Norte-Americana estabeleceu valores de pr\u00e9-hipertens\u00e3o entre 120-139 (press\u00e3o mais alta) e 80-89 (press\u00e3o mais baixa). De acordo com essa diretriz, 12 por 8 \u00e9 o in\u00edcio da pr\u00e9-hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Em que situa\u00e7\u00e3o uma dieta equilibrada, com pouco sal, e atividades f\u00edsicas, s\u00e3o capazes de reduzir a press\u00e3o arterial, sem uso de rem\u00e9dios?<\/b><br \/>\nUma dieta saud\u00e1vel do tipo Dash (sigla em ingl\u00eas para Abordagens Diet\u00e9ticas para Parar a Hipertens\u00e3o) \u00e9 baseada no consumo aumentado de frutas, legumes, vegetais de folhas verdes, latic\u00ednios (leite, iogurte) diet\u00e9ticos, queijo magro, gr\u00e3os integrais. Em paralelo, deve haver consumo moderado\/reduzido de \u00f3leos e gorduras no preparo da comida (exceto \u00f3leo de oliva), carne vermelha, carnes embutidas (lingui\u00e7a, salsicha&#8230;) e de doces. Essa dieta pode reduzir a press\u00e3o de indiv\u00edduos com hipertens\u00e3o, pr\u00e9-hipertens\u00e3o e mesmo naqueles com press\u00e3o normal. Esse efeito de redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o \u00e9 ainda mais intenso se houver redu\u00e7\u00e3o de sal ou consumo muito baixo. O desafio \u00e9 adotar essa dieta sempre, todos os dias e em todas as refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Pode-se reverter o quadro de pr\u00e9-hipertens\u00e3o sem rem\u00e9dios?<\/b><br \/>\nO quadro de pr\u00e9-hipertens\u00e3o pode ser revertido com a mudan\u00e7a de estilo de vida. Al\u00e9m de consumir uma dieta saud\u00e1vel tipo Dash, sem sal ou com muito pouco sal, manter peso normal, circunfer\u00eancia da cintura normal, parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alco\u00f3licas e praticar atividade f\u00edsica regularmente \u2014 principalmente atividades moderadas, 150 minutos por semana, na maior parte dos dias. Essas mudan\u00e7as de estilo de vida podem reverter a pr\u00e9-hipertens\u00e3o e a pr\u00f3pria hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Como s\u00e3o definidos os par\u00e2metros de &#8220;press\u00e3o ideal&#8221;? Algumas pessoas costumam dizer que isso &#8220;depende de cada um&#8221; e at\u00e9 relatam que vivem muito bem com uma press\u00e3o est\u00e1vel em 14 por 9, alguns gostam de rebater novos estudos com a m\u00e1xima &#8220;antigamente, ningu\u00e9m media a press\u00e3o e vivia muito&#8221;. Como os senhores rebatem essas afirma\u00e7\u00f5es populares?<\/b><br \/>\nA ideia de que cada indiv\u00edduo possui uma press\u00e3o ideal n\u00e3o \u00e9 embasada cientificamente. Costumamos falar em press\u00e3o ideal para valores de press\u00e3o no qual n\u00e3o h\u00e1 riscos para a sa\u00fade. O fato de a press\u00e3o alta ser &#8220;silenciosa&#8221;, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 sintomas at\u00e9 que a press\u00e3o esteja muito elevada, faz com que as pessoas n\u00e3o sintam nada e achem que est\u00e3o bem. A lembran\u00e7a de pessoas que tinham press\u00e3o alta e morreram j\u00e1 bem idosas se contrap\u00f5e \u00e0quelas que n\u00e3o lembramos, mas que morreram muito jovens, &#8220;de repente&#8221;, ou que tiveram um &#8220;derrame&#8221; e ficaram com defici\u00eancia para falar, caminhar ou mesmo perderam a possibilidade de se cuidarem sem ajuda. Nossa mem\u00f3ria \u00e9 seletiva. Antigamente, n\u00e3o se media a press\u00e3o, os alimentos n\u00e3o tinham prazo de validade, as pessoas fumavam muito, mas tamb\u00e9m eram magras caminhavam para se locomover e muitas outras coisas eram diferente. Muitas pessoas morreram devido a c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, nem tiveram oportunidade de viver por tempo suficiente para morrer por doen\u00e7a cardiovascular. Quando se avalia uma pessoa individualmente, sem quantificar adequadamente os riscos aos quais ela est\u00e1 exposta, e sem comparar com um grupo-controle, as conclus\u00f5es geralmente s\u00e3o incorretas. Apenas fazendo compara\u00e7\u00f5es com grupo-controle \u00e9 que podemos quantificar risco de adoecer, morrer e mesmo o benef\u00edcio da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Pr\u00e9-hipertensos necessariamente ser\u00e3o hipertensos?<\/b><br \/>\nSim. De cada cinco indiv\u00edduos pr\u00e9-hipertensos entre 40 e 49 anos, quatro desenvolver\u00e3o hipertens\u00e3o em 10 anos. Essa afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada em um estudo realizado em Porto Alegre, no qual indiv\u00edduos adultos foram avaliados no in\u00edcio e reavaliados seis anos depois (publicado no International Journal of Cardiology, em 2003). Resultados muito semelhantes foram documentados em estudos realizados no Jap\u00e3o, por exemplo. Um deles mostrou que, entre indiv\u00edduos com pr\u00e9-hipertens\u00e3o, 58% a 70% desenvolveram acidente vascular cerebral (AVC) em 20 anos.<\/p>\n<p><b>A hipertens\u00e3o \u00e9 silenciosa, mas em que idade ela \u00e9 mais detectada? Quando constatada, \u00e9 poss\u00edvel reverter o quadro somente com mudan\u00e7a de h\u00e1bitos? Crian\u00e7as podem ser hipertensas?<\/b><br \/>\nA hipertens\u00e3o n\u00e3o causa sintomas como sangramento nasal, cefaleia etc. Em dois estudos, mostramos que sangramento nasal e cefaleia s\u00e3o mais frequentes em pessoas com press\u00e3o normal. Algumas pessoas podem ter sintomas quando a press\u00e3o est\u00e1 muito alta, na chamada crise hipertensiva. A press\u00e3o elevada aumenta com a idade, quanto mais idoso, maior a probabilidade de ter press\u00e3o alta. Em adultos jovens, menos de 14% apresentam press\u00e3o elevada, aos 40 anos, cerca de 40%, e aos 55 anos, aproximadamente 66% t\u00eam hipertens\u00e3o. Crian\u00e7as tamb\u00e9m podem ter press\u00e3o elevada, mas n\u00e3o \u00e9 frequente. Em qualquer fase da vida \u00e9 poss\u00edvel reduzir a press\u00e3o com ado\u00e7\u00e3o de um estilo de vida saud\u00e1vel e, frequentemente, \u00e9 poss\u00edvel reverter, mas quanto mais alta a press\u00e3o mais dif\u00edcil \u00e9 reverter a hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Em que percentual a hipertens\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria?<br \/>\n<\/b>Pessoas com pr\u00e9-hipertens\u00e3o podem se manter ao longo da vida sem desenvolver hipertens\u00e3o porque h\u00e1 outros fatores, como a hist\u00f3ria familiar, que tamb\u00e9m \u00e9 importante. A gen\u00e9tica pode aumentar o risco (entre os que t\u00eam hist\u00f3ria familiar positiva), bem como proteger (para os que n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria familiar da doen\u00e7a). A contribui\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica para desenvolver hipertens\u00e3o n\u00e3o representa um n\u00famero exato, pode variar porque depende de v\u00e1rios gens e de sua intera\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, a principal causa n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria, \u00e9 ambiental.<\/p>\n<p><b>Considerando o estilo de vida moderno, o que seria uma press\u00e3o arterial &#8220;tranquilizadora&#8221;? Quantas vezes dever\u00edamos medir a press\u00e3o? H\u00e1 fatores que podem exigir mais aferi\u00e7\u00f5es?<\/b><br \/>\nPessoas adultas com press\u00e3o inferior a 12 por 8 podem se tranquilizar quanto \u00e0 hipertens\u00e3o, principalmente se mantiverem um estilo de vida saud\u00e1vel. De qualquer forma, medidas peri\u00f3dicas \u2014 uma vez ao ano \u2014 s\u00e3o indicadas para pessoas com press\u00e3o superior a 12 por 8. Mas se a pessoa tiver press\u00e3o inferior a 12 por 8 pode medir a cada dois anos. Quem apresenta apneia do sono, diabetes mellitus, ou que teve infarto do mioc\u00e1rdio ou acidente vascular cerebral deveria realizar medidas de press\u00e3o mais frequentemente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho cient\u00edfico mostrou resultados que comprovam que a combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos \u00e9 mais eficaz<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Trabalho cient\u00edfico mostrou resultados que comprovam que a combina\u00e7\u00e3o de dois diur\u00e9ticos \u00e9 mais eficaz","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60130"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60130\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}