{"id":59983,"date":"2017-02-15T14:30:03","date_gmt":"2017-02-15T17:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=59983"},"modified":"2017-02-14T20:46:58","modified_gmt":"2017-02-14T23:46:58","slug":"rio-de-janeiro-e-mais-quente-do-que-piramides-de-luxor-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-de-janeiro-e-mais-quente-do-que-piramides-de-luxor-no-egito\/","title":{"rendered":"Rio de Janeiro \u00e9 mais quente do que pir\u00e2mides de Luxor, no Egito"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=59984\" rel=\"attachment wp-att-59984\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-59984\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/quente-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/quente-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/quente.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao apresentar o clima do Rio, a marchinha \u201cAlala\u00f4\u201d menciona o des\u00e9rtico Egito. N\u00e3o \u00e9 exagero. M\u00e9dias de temperatura da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) mostram que em sete meses do ano (entre outubro e abril) a cidade \u00e9 mais quente do que a regi\u00e3o das pir\u00e2mides de Luxor. E o calor s\u00f3 aumenta. Este primeiro bimestre de 2017 deve ser mais quente do que o do ano passado, quando o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno que aumenta a temperatura global, estava aqui.<\/p>\n<p>Os dados da OMM s\u00e3o relativos a uma m\u00e9dia hist\u00f3rica, usada para medi\u00e7\u00f5es e previs\u00f5es, que considera as temperaturas registradas entre 1961 e 1990. Desde ent\u00e3o, o aquecimento global se manifesta de formas diferentes em cada regi\u00e3o. A comunidade cient\u00edfica reivindica que a temperatura m\u00e9dia do planeta n\u00e3o aumente mais do que 2 graus Celsius, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edveis pr\u00e9-industriais. No Brasil, por\u00e9m, o avan\u00e7o dos term\u00f4metros pode seguir um ritmo mais ligeiro do que em muitos pa\u00edses. Estima-se que a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura supere a marca de 10 graus Celsius em diferentes localidades.<\/p>\n<p>\u2014 O Rio tornou-se um caso emblem\u00e1tico no estudo sobre os \u00faltimos tr\u00eas anos, em que a temperatura global bateu recordes consecutivos. As transforma\u00e7\u00f5es em seu territ\u00f3rio superam as observadas em Luxor, cuja paisagem se manteve mais est\u00e1vel nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2014 explica Carlos Rittl, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima. \u2014 Passamos por ver\u00f5es cada vez mais quentes devido ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o desordenado da cidade. H\u00e1 fatores globais, como a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, combinados a locais, como a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes. O aumento da temperatura e da sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica t\u00eam um impacto severo sobre a popula\u00e7\u00e3o, principalmente em crian\u00e7as e idosos, e podemos registrar cada vez mais casos de diversas doen\u00e7as, como as cardiovasculares.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia das temperaturas m\u00e1ximas em janeiro de 2017 foi de 34 graus Celsius \u2014 em 2016, em pleno El Ni\u00f1o, o \u00edndice registrado foi de 31,1 graus Celsius. A baixa pluviosidade tamb\u00e9m foi um destaque do m\u00eas passado. Em janeiro, o Centro de Opera\u00e7\u00f5es da Prefeitura registrou 110,4 mil\u00edmetros de chuvas, volume 37,5% menor que a m\u00e9dia hist\u00f3rica do m\u00eas, que \u00e9 de 176,6 mil\u00edmetros. E a tend\u00eancia \u00e9 que fevereiro tamb\u00e9m seja mais seco.<\/p>\n<p>\u2014 Uma zona de alta press\u00e3o deve se manter no Rio nos pr\u00f3ximos dez dias, mantendo o tempo mais seco e aberto, inibindo a forma\u00e7\u00e3o de nuvens e reduzindo a pluviosidade \u2014 descreve Marcos Vianna, meteorologista do Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos (CPTec-Inpe). \u2014 A m\u00e9dia hist\u00f3rica de chuvas na cidade em fevereiro \u00e9 de 130,4 mil\u00edmetros. Nos primeiros dez dias do m\u00eas, no entanto, choveu apenas 14,2 mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>Climatologista do Grupo de Previs\u00e3o Clim\u00e1tica do CPTec-Inpe, Renata Tedeschi n\u00e3o esconde a surpresa com o calor registrado na esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Todos esperavam que este ano seria menos quente do que o ano passado, j\u00e1 que desta vez n\u00e3o h\u00e1 El Ni\u00f1o \u2014 revela. \u2014 Ainda precisamos estudar o que contribuiu para este panorama. Uma possibilidade \u00e9 ligada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da quantidade de chuvas, o que influenciou a entrada de radia\u00e7\u00e3o no planeta.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9lia Pegorim, meteorologista do Climatempo, houve um desvio no corredor de umidade que deveria vir da Amaz\u00f4nia para o Rio. A chuva que deveria chegar \u00e0 cidade est\u00e1 sendo levada a S\u00e3o Paulo e ao Norte do Paran\u00e1:<\/p>\n<p>\u2014 A circula\u00e7\u00e3o dos ventos na atmosfera ficou mais concentrada em S\u00e3o Paulo. As frentes frias n\u00e3o conseguiram chegar ao Rio \u2014 explica. \u2014 Como choveu muito pouco em fevereiro e a seca deve se manter nos pr\u00f3ximos dias, \u00e9 prov\u00e1vel que este m\u00eas tamb\u00e9m termine mais quente do que o do ano passado.<\/p>\n<p>Andrea Santos, secret\u00e1ria-executiva do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, destaca que a temperatura m\u00e9dia global est\u00e1 crescendo 0,17 grau Celsius por d\u00e9cada. Al\u00e9m do aumento da temperatura global, as cidades enfrentam os efeitos das ilhas de calor.<\/p>\n<p>\u2014 A La Ni\u00f1a, que deveria contribuir para amenizar a temperatura do ver\u00e3o, desapareceu rapidamente \u2014 assinala Andrea, que tamb\u00e9m \u00e9 gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. \u2014 Mesmo a proximidade com as florestas e o mar n\u00e3o est\u00e3o freando o aumento da temperatura no Rio. A cidade se expandiu sem planejamento e faltam \u00e1rvores em muitos bairros.<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o, segundo a climatologista, contribuiu com apenas 10% do aumento da temperatura do planeta no ano passado. Por isso, os pr\u00f3ximos anos podem bater recorde de temperatura mesmo sem a presen\u00e7a deste fen\u00f4meno clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>Egipt\u00f3logo do Museu Nacional, Antonio Brancaglion reveza-se entre Rio e Luxor, onde integra uma equipe internacional que escava tumbas de 1.330 a.C. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Egito \u00e9 quase ameno, comparado \u00e0s temperaturas cariocas.<\/p>\n<p>\u2014 O problema do Rio \u00e9 a alta umidade. No Egito, onde \u00e9 muito seco, n\u00e3o percebo o calor. O morma\u00e7o carioca \u00e9 cansativo \u2014 conta o pesquisador, que participa regularmente de escava\u00e7\u00f5es desde 2000. \u2014 O curioso \u00e9 que n\u00e3o gosto de tempo quente e escolhi estes dois lugares para trabalhar.<\/p>\n<div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao apresentar o clima do Rio, a marchinha \u201cAlala\u00f4\u201d menciona o des\u00e9rtico Egito. 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