{"id":5998,"date":"2014-09-02T14:16:50","date_gmt":"2014-09-02T14:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5998"},"modified":"2014-09-02T14:16:50","modified_gmt":"2014-09-02T14:16:50","slug":"moleculas-da-peconha-de-vespas-sao-capazes-de-frear-o-avanco-da-doenca-de-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/moleculas-da-peconha-de-vespas-sao-capazes-de-frear-o-avanco-da-doenca-de-parkinson\/","title":{"rendered":"Mol\u00e9culas da pe\u00e7onha de vespas s\u00e3o capazes de frear o avan\u00e7o da doen\u00e7a de Parkinson"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6002\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Do doloroso veneno da vespa pode vir a esperan\u00e7a de tratamento para duas doen\u00e7as neurol\u00f3gicas ainda incur\u00e1veis: a epilepsia e o mal de Parkinson. Pesquisadores brasileiros extra\u00edram, da pe\u00e7onha desse inseto perigoso, mol\u00e9culas que se mostraram eficientes em testes com animais para impedir o avan\u00e7o de ambas as enfermidades.<\/p>\n<p>As pesquisas, apresentadas durante a <span class=\"link-external\">29\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental<\/span>, realizada na semana passada em Caxambu (MG), s\u00e3o fruto de 10 anos do trabalho com vespas sociais feito pela bi\u00f3loga Marcia Mortari e sua equipe na Universidade de Bras\u00edlia (Unb). Em laborat\u00f3rio, o grupo extrai pept\u00eddeos do veneno desses insetos e os analisa em busca de algum que tenha efeito ben\u00e9fico para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Recentemente, depois de estudar cerca de 40 subst\u00e2ncias do veneno, os pesquisadores se depararam com uma mol\u00e9cula natural que parece ter potencial no combate \u00e0 doen\u00e7a de Parkinson, desordem neurogenerativa que afeta a regi\u00e3o do c\u00e9rebro ligada ao controle fino de movimentos. Batizada de fraternina, a subst\u00e2ncia foi capaz de impedir o avan\u00e7o da doen\u00e7a em animais em pequenas doses.<\/p>\n<p>A inje\u00e7\u00e3o de quatro doses de 10 microgramas de fraternina em camundongos protegeu os neur\u00f4nios do c\u00e9rebro dos animais, que tiveram uma les\u00e3o progressiva intencionalmente provocada para simular o Parkinson. A subst\u00e2ncia impediu que as c\u00e9lulas cerebrais fossem destru\u00eddas pela doen\u00e7a. \u201cEssa subst\u00e2ncia mostrou a\u00e7\u00e3o imediata e capacidade de impedir a morte dos neur\u00f4nios em qualquer n\u00edvel da doen\u00e7a\u201d, diz Mortari. \u201cSe administrada em um paciente com diagn\u00f3stico precoce, poderia coibir as sequelas motoras.\u201d<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" style=\"cursor: pointer;\" title=\"Vespa\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2014\/09\/imagens\/venenoquecura02.jpg\/image_preview\" alt=\"Vespa\" width=\"531\" height=\"372\" \/><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\" style=\"width: 400px;\">Os pesquisadores extra\u00edram o veneno do ferr\u00e3o da vespa e o analisaram em laborat\u00f3rio em busca de mol\u00e9culas que tenham efeito ben\u00e9fico para a sa\u00fade. (foto: Priscilla Galante)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes da fraternina, havia sido identificada por cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, uma <span class=\"link-external\">subst\u00e2ncia igualmente potente<\/span> no veneno da lesma-do-mar, mas sua extra\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil e ela n\u00e3o consegue romper a barreira da corrente sangu\u00ednea e chegar ao c\u00e9rebro. Por isso, os cientistas estudam agora uma complexa forma de administra\u00e7\u00e3o do composto por meio do implante de uma bolsa para entregar a droga diretamente na regi\u00e3o lesionada pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mortari aposta em uma forma de administra\u00e7\u00e3o da fraternina mais amig\u00e1vel: por meio de um <em>spray<\/em> nasal. \u201cEstamos estudando esse m\u00e9todo porque seria mais adequado ao paciente de Parkinson do que comprimidos ou inje\u00e7\u00f5es e o efeito poderia ser at\u00e9 mais r\u00e1pido, devido \u00e0 proximidade do c\u00e9rebro\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga, seu laborat\u00f3rio \u00e9 capaz de produzir a fraternina sint\u00e9tica em grande quantidade sem necessidade de coletar vespas. A patente de uso da subst\u00e2ncia est\u00e1 sendo redigida e ser\u00e1 depositada at\u00e9 o final do ano. A pesquisadora ressalta que ainda \u00e9 preciso realizar v\u00e1rios testes com animais e humanos e estima que o f\u00e1rmaco possa estar pronto para uso em 10 anos.<\/p>\n<h3>Fim das convuls\u00f5es<\/h3>\n<p>O mesmo prazo se aplica a uma mol\u00e9cula testada pelo grupo de Mortari para combater as convuls\u00f5es da epilepsia. A neurovespina foi criada em laborat\u00f3rio pela equipe a partir de altera\u00e7\u00f5es em um composto natural do veneno de vespa.<\/p>\n<p>Testada em camundongos, ela conferiu 100% de prote\u00e7\u00e3o contra convuls\u00f5es quando administrada em doses semelhantes \u00e0s dos medicamentos de epilepsia tradicionais. A subst\u00e2ncia tem a vantagem de n\u00e3o ter apresentado, at\u00e9 o momento, efeitos colaterais graves e de funcionar no tratamento de epilepsias resistentes, que n\u00e3o respondem aos medicamentos dispon\u00edveis no mercado.<\/p>\n<p>A epilepsia, segunda doen\u00e7a neurol\u00f3gica mais comum, afeta 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial, sendo que 80% dessas pessoas vivem em pa\u00edses em desenvolvimento, como o Brasil. Existem mais de 100 tipos diferentes da doen\u00e7a e cerca de 30% dos pacientes adultos possuem a forma resistente. Mesmo entre as varia\u00e7\u00f5es de epilepsia para as quais existe rem\u00e9dio, os efeitos colaterais dessas drogas s\u00e3o expressivos, incluindo perda de mem\u00f3ria, seda\u00e7\u00e3o e obesidade.<\/p>\n<p>\u201cO tratamento hoje \u00e9 feito com antiepil\u00e9pticos tomados por toda a vida, n\u00e3o h\u00e1 cura, \u00e9 um controle sintom\u00e1tico\u201d, comenta Mortari. \u201cN\u00f3s focamos em uma subst\u00e2ncia com muito mais efetividade e que pode garantir uma melhor qualidade de vida.\u201d<\/p>\n<p>A neurovespina j\u00e1 foi patenteada e a cientista diz que existem algumas empresas farmac\u00eauticas interessadas em fazer parcerias para financiar os estudos com humanos e lan\u00e7ar o composto como medicamento. A pesquisa chega em um momento em que a <span class=\"link-external\">sociedade civil faz press\u00e3o para que a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) aprove<\/span> o uso de um composto tamb\u00e9m n\u00e3o plenamente testado \u2013 o canabidiol, encontrado na maconha \u2013 para conter convuls\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do doloroso veneno da vespa pode vir a esperan\u00e7a de tratamento para duas doen\u00e7as neurol\u00f3gicas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6002,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/veneno-que-cura01.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Do doloroso veneno da vespa pode vir a esperan\u00e7a de tratamento para duas doen\u00e7as neurol\u00f3gicas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}