{"id":5968,"date":"2014-09-02T12:00:12","date_gmt":"2014-09-02T12:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5968"},"modified":"2014-09-02T11:59:03","modified_gmt":"2014-09-02T11:59:03","slug":"brasil-produz-mais-de-180-mil-toneladas-de-residuos-por-dia-incluindo-perdas-de-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-produz-mais-de-180-mil-toneladas-de-residuos-por-dia-incluindo-perdas-de-alimentos\/","title":{"rendered":"Brasil produz mais de 180 mil toneladas de res\u00edduos por dia, incluindo perdas de alimentos"},"content":{"rendered":"<p><small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif;\"><i>P<a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5973\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>or Luciano Gallas, do IHu On-Line<\/i><\/small><\/p>\n<p><em>\u201cO desperd\u00edcio se refere aos alimentos que foram descartados por serem mantidos al\u00e9m do prazo de validade, por terem estragado ou simplesmente por n\u00e3o terem sido consumidos\u201d, pontua o economista agr\u00edcola, Paulo Waquil.<\/em><\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, h\u00e1 estimativas da produ\u00e7\u00e3o de mais de 180 mil toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos por dia, dos quais mais da metade \u00e9 de res\u00edduos org\u00e2nicos, compreendendo principalmente as perdas e desperd\u00edcios de alimentos. Estes res\u00edduos, al\u00e9m dos aspectos econ\u00f4micos envolvidos, causam s\u00e9rios danos ambientais e, portanto, requerem maior aten\u00e7\u00e3o\u201d, alerta o economista agr\u00edcola Paulo Waquil nesta entrevista, concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line.<\/p>\n<p>Na entrevista, ele aborda o consumo sustent\u00e1vel de alimentos, a necessidade de redu\u00e7\u00e3o destes res\u00edduos gerados por perdas ou desperd\u00edcio, a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de impor restri\u00e7\u00f5es a estas pr\u00e1ticas e facilitar a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos que seriam descartados, o papel do Estado como regulador de mercados e ente garantidor de pre\u00e7os e qualidade dos produtos consumidos, entre outros pontos.<\/p>\n<p>Waquil ressalta que a ado\u00e7\u00e3o de uma postura ecol\u00f3gica e economicamente sustent\u00e1vel que privilegie o aproveitamento dos alimentos por seus aspectos nutricionais, e n\u00e3o apenas est\u00e9ticos, pressup\u00f5e uma mudan\u00e7a comportamental significativa. \u201cAs mudan\u00e7as no comportamento dos consumidores n\u00e3o s\u00e3o r\u00e1pidas, e geralmente requerem incentivos. A maior conscientiza\u00e7\u00e3o dos consumidores e a ado\u00e7\u00e3o de metas por alguns governos j\u00e1 t\u00eam trazido alguns resultados. Por exemplo, o Reino Unido j\u00e1 possui regulamenta\u00e7\u00e3o com este prop\u00f3sito desde o ano 2000. Outros pa\u00edses europeus, como a Holanda, a Fran\u00e7a, a \u00c1ustria e a Su\u00e9cia, e asi\u00e1ticos, como o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul, tamb\u00e9m seguiram o mesmo exemplo. Al\u00e9m do est\u00edmulo ao consumo consciente e sustent\u00e1vel, regras punitivas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos tamb\u00e9m t\u00eam sido adotadas, como um sistema de pagamentos progressivos, atrav\u00e9s da eleva\u00e7\u00e3o do valor pago pela maior gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.\u201d<\/p>\n<p>Paulo Dabdab Waquil \u00e9 graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul \u2013 UFRGS, possui mestrado em Economia Rural pela mesma institui\u00e7\u00e3o e doutorado em Economia Agr\u00edcola pela University of Wisconsin, Madison \u2013 Estados Unidos. Atualmente \u00e9 professor associado da UFRGS. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Economia, com \u00eanfase em Economia Agr\u00e1ria, e pesquisa principalmente os temas desenvolvimento rural, pol\u00edtica agr\u00edcola, mercados agr\u00edcolas, comercializa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e cadeias agroindustriais.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A partir dos resultados constatados pela pesquisa em conjunto realizada entre o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Rural \u2013 PGDR da Universidade Federal do Rio Grande do Sul \u2013 UFRGS e o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada \u2013 IPEA, o que pode ser dito sobre a agroind\u00fastria no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil &#8211;<\/strong> O projeto que realizamos atrav\u00e9s de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre IPEA, Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE e UFRGS teve como objetivo geral um conjunto de an\u00e1lises aprofundadas sobre os dados do \u00faltimo Censo Agropecu\u00e1rio e culminou com a publica\u00e7\u00e3o do livro Aspectos Multidimensionais da Agricultura Brasileira: diferentes vis\u00f5es do Censo Agropecu\u00e1rio 2006, editado pelo IPEA neste ano de 2014. Um dos estudos realizados tratou do perfil da agroind\u00fastria rural no pa\u00eds, e aqui \u00e9 fundamental compreender o conceito de agroind\u00fastria rural adotado pelo IBGE: refere-se \u201c\u00e0s atividades de transforma\u00e7\u00e3o e beneficiamento de produtos de origem animal ou vegetal, em instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, comunit\u00e1rias ou de terceiros, com mat\u00e9rias-primas produzidas no pr\u00f3prio estabelecimento ou adquiridas de terceiros, desde que a destina\u00e7\u00e3o final seja dada pelo pr\u00f3prio produtor\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, o projeto n\u00e3o tratou da agroind\u00fastria como um todo, das grandes cadeias ou das empresas que atuam no setor, n\u00e3o focou nas rela\u00e7\u00f5es setoriais entre agricultura, ind\u00fastria e distribui\u00e7\u00e3o, em seus encadeamentos e rela\u00e7\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o. O projeto tratou especificamente da an\u00e1lise das atividades de transforma\u00e7\u00e3o e beneficiamento realizadas nas unidades de produ\u00e7\u00e3o, geralmente em pequena escala, com a finalidade de conservar alimentos, reduzir perdas, agregar valor, gerar renda complementar, ou at\u00e9 mesmo criar mercados alternativos.<\/p>\n<p>Sobre o perfil desta agroind\u00fastria rural, percebe-se uma grande diversidade de situa\u00e7\u00f5es, com diferencia\u00e7\u00f5es regionais, de produtos, de escala, al\u00e9m de diferen\u00e7as marcantes entre os estabelecimentos familiares e n\u00e3o familiares. A maioria destas atividades ocorre inicialmente na informalidade, com a transforma\u00e7\u00e3o e beneficiamento de pequenos excedentes de produ\u00e7\u00e3o e o armazenamento para consumo pela fam\u00edlia ao longo do ano ou a coloca\u00e7\u00e3o em mercados locais. Em v\u00e1rios casos, na medida em que estes produtos beneficiados s\u00e3o reconhecidos e valorizados, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliada e passa a atender outros mercados. Um exemplo \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de frutas colhidas no per\u00edodo de safra, processadas na forma de doces e geleias, para conserva\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o por um per\u00edodo mais longo, seja pela pr\u00f3pria fam\u00edlia ou atrav\u00e9s da comercializa\u00e7\u00e3o nos mercados pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Assim, o perfil tra\u00e7ado \u00e9 de um n\u00famero bastante significativo compondo uma grande diversidade de situa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o Censo oferece informa\u00e7\u00f5es sobre 32 produtos beneficiados nos estabelecimentos rurais que apresentam express\u00e3o nas cinco grandes regi\u00f5es brasileiras. De acordo com os dados censit\u00e1rios, 16,7% dos aproximadamente 5,1 milh\u00f5es de estabelecimentos rurais no Brasil transformaram ou beneficiaram alguma mat\u00e9ria-prima. Entretanto, estas atividades predominam nas Regi\u00f5es Sul e Nordeste, onde a agricultura familiar tem maior import\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que diferen\u00e7as regionais podem ser apontadas neste perfil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil &#8211;<\/strong> As varia\u00e7\u00f5es regionais podem estar ligadas \u00e0s diferen\u00e7as na oferta de mat\u00e9rias-primas, influenciadas por condi\u00e7\u00f5es de solo e clima, mas principalmente s\u00e3o compreendidas por diferen\u00e7as de h\u00e1bitos alimentares, cultura e tradi\u00e7\u00e3o. Por exemplo, produtos derivados da cana-de-a\u00e7\u00facar, como cacha\u00e7a e rapadura, e da mandioca, como a farinha e a tapioca, s\u00e3o muito mais presentes na Regi\u00e3o Nordeste; 67% dos estabelecimentos rurais que elaboraram farinha de mandioca s\u00e3o do Nordeste do Brasil. Por outro lado, produtos como doces e geleias elaborados a partir de frutas e embutidos, como lingui\u00e7as, copas e salames, s\u00e3o muito mais presentes na Regi\u00e3o Sul; nestes casos, 78% dos estabelecimentos que produziram doces e geleias e 98% dos estabelecimentos que produziram embutidos est\u00e3o na Regi\u00e3o Sul. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de queijos tamb\u00e9m tem grande import\u00e2ncia, mas ocorre de forma mais desconcentrada, em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um ponto comum \u00e9 a predomin\u00e2ncia da utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas pr\u00f3prias, com pouca utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas adquiridas de terceiros. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o ocorre em pequena escala e o direcionamento da produ\u00e7\u00e3o se d\u00e1 principalmente para o consumo da fam\u00edlia ou venda direta ao consumidor, eliminando ou reduzindo a presen\u00e7a de intermedi\u00e1rios no processo de comercializa\u00e7\u00e3o. Entretanto, em alguns casos onde ocorre maior concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, como no caso da farinha de mandioca no Norte e Nordeste, a participa\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios ainda \u00e9 marcante, fazendo o escoamento para outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante a destacar, e que tem sido foco de estudo por parte de alguns pesquisadores, \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, do \u201csaber-fazer\u201d, mas que ocorre paralelo a um processo de inova\u00e7\u00e3o neste segmento, processo este que leva a uma maior diferencia\u00e7\u00e3o de produtos regionais ou coloniais que chegam aos mercados.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o pequeno produtor e a agricultura familiar se inserem na agroind\u00fastria brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil<\/strong> \u2013 Nas \u00faltimas d\u00e9cadas se consolidou um forte sistema agroindustrial, passando por v\u00e1rios elos desde o fornecimento de insumos, a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, o processamento ou industrializa\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o no atacado e no varejo, at\u00e9 chegar ao consumidor final. Neste sistema, existem cadeias que se caracterizam por forte concentra\u00e7\u00e3o, dominadas por grandes empresas, geralmente nos elos da industrializa\u00e7\u00e3o e do varejo, que criam rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e de subordina\u00e7\u00e3o dos agricultores familiares. Exemplos dessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as cadeias de aves, su\u00ednos e tabaco na Regi\u00e3o Sul, que estabelecem rela\u00e7\u00f5es contratuais com os agricultores, os quais recebem os insumos, seguem pacotes tecnol\u00f3gicos, t\u00eam acompanhamento t\u00e9cnico e garantia para coloca\u00e7\u00e3o de seus produtos no mercado. Por estas rela\u00e7\u00f5es contratuais, as incertezas s\u00e3o reduzidas, mas as margens de ganho dos agricultores s\u00e3o pequenas, o que \u00e9 apresentado na literatura como o \u201csquezze\u201d da agricultura.<\/p>\n<p>Outra situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de cadeias menos consolidadas, onde as rela\u00e7\u00f5es contratuais s\u00e3o mais fr\u00e1geis ou inexistentes, e as transa\u00e7\u00f5es ocorrem atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es de mercado. Aqui as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de longo prazo, e as incertezas s\u00e3o maiores. Mas os agricultores podem ter mais op\u00e7\u00f5es, reduzindo a condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia. Exemplos dessa outra situa\u00e7\u00e3o podem ser tomados nas cadeias de gr\u00e3os ou de frutas.<\/p>\n<p>Mas, retomando o foco do nosso projeto citado na primeira pergunta, existem as cadeias curtas, que reassumem import\u00e2ncia maior, como alternativa de comercializa\u00e7\u00e3o. Estas cadeias envolvem a maior aproxima\u00e7\u00e3o entre produtores e consumidores, diferentemente das situa\u00e7\u00f5es apontadas acima, o que n\u00e3o \u00e9 algo novo, mas que tem sido revalorizado. Devido \u00e0 press\u00e3o que muitos agricultores t\u00eam sofrido, particularmente atrav\u00e9s dos elevados custos de produ\u00e7\u00e3o e dos reduzidos pre\u00e7os recebidos pelos seus produtos, a busca por alternativas tem sido de grande import\u00e2ncia. O papel das agroind\u00fastrias rurais familiares, visando \u00e0 agrega\u00e7\u00e3o de valor aos produtos, \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novos mercados \u00e9 uma tend\u00eancia percebida em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em cada situa\u00e7\u00e3o, o papel do Estado deve ser pensado para atender tais peculiaridades, seja na regula\u00e7\u00e3o dos mercados e das rela\u00e7\u00f5es contratuais, no acompanhamento e garantia de pre\u00e7os satisfat\u00f3rios, no estabelecimento de normas sanit\u00e1rias e ambientais compat\u00edveis com a realidade destes agricultores, no fomento e apoio t\u00e9cnico ou financeiro, ou mesmo na cria\u00e7\u00e3o de mercados institucionais. Podemos citar alguns programas implementados no Brasil que visam atender este p\u00fablico, como o PRONAF Agroind\u00fastria , o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos da Agricultura Familiar \u2013 PAA e o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar \u2013 PNAE.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que informa\u00e7\u00f5es a pesquisa revela sobre perdas e desperd\u00edcio de alimentos no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> A pesquisa n\u00e3o tratou especificamente do tema das perdas e desperd\u00edcios de alimentos, mas sem d\u00favida alguma est\u00e1 relacionada a ele. Atualmente estou orientando um trabalho de mestrado sobre estas perdas e desperd\u00edcios, e h\u00e1 evid\u00eancias de uma situa\u00e7\u00e3o preocupante em todo o mundo. Em primeiro lugar, \u00e9 importante distinguir os dois termos. Perdas se referem \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da massa (quantidade) ou do valor nutricional (qualidade) dos alimentos, causadas por inefici\u00eancias ao longo das cadeias de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o desperd\u00edcio se refere \u00e0queles alimentos que estavam apropriados para o consumo, mas que foram descartados por serem mantidos al\u00e9m do prazo de validade, por terem estragado ap\u00f3s o preparo, ou simplesmente por n\u00e3o terem sido consumidos.<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 estimativas da produ\u00e7\u00e3o de mais de 180 mil toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos por dia, dos quais mais da metade \u00e9 de res\u00edduos org\u00e2nicos, compreendendo principalmente estas perdas e desperd\u00edcios de alimentos. Estes res\u00edduos, al\u00e9m dos aspectos econ\u00f4micos envolvidos, causam s\u00e9rios danos ambientais e, portanto, requerem maior aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em geral, os trabalhos que abordam o tema das perdas e desperd\u00edcios de alimentos enfatizam, em ordem decrescente de import\u00e2ncia: a necessidade de redu\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos; a facilita\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de alimentos descartados que ainda sejam comest\u00edveis, por exemplo, por meio de bancos de alimentos; a destina\u00e7\u00e3o para a alimenta\u00e7\u00e3o animal; a utiliza\u00e7\u00e3o como adubo ou fonte para a gera\u00e7\u00e3o de energia; e, finalmente, a destina\u00e7\u00e3o final em aterros sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o nosso projeto sobre as agroind\u00fastrias rurais, possibilitando aos produtores a transforma\u00e7\u00e3o e beneficiamento de produtos de origem animal ou vegetal nos estabelecimentos rurais e particularmente a conserva\u00e7\u00e3o dos produtos para consumo ao longo de um per\u00edodo mais extenso, pode ter impacto relevante j\u00e1 no primeiro aspecto citado acima, reduzindo as perdas de mat\u00e9rias-primas agr\u00edcolas e a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos, al\u00e9m dos pontos j\u00e1 abordados anteriormente como a agrega\u00e7\u00e3o de valor, gera\u00e7\u00e3o de renda e cria\u00e7\u00e3o de mercados.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 H\u00e1, em termos mundiais, um crescimento no movimento de compra de alimentos que seriam descartados devido \u00e0 sua apar\u00eancia ou tamanho, baseado no consumo sustent\u00e1vel? Em que regi\u00f5es este movimento mais se destaca?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Os dados sobre a produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos e seus impactos econ\u00f4micos e ambientais s\u00e3o alarmantes em todo o mundo, mas as estimativas s\u00e3o muito vari\u00e1veis. Em geral, nos pa\u00edses mais desenvolvidos, os desperd\u00edcios de alimentos s\u00e3o maiores, mas \u00e9 justamente nestes pa\u00edses onde iniciativas como estas t\u00eam sido adotadas.<\/p>\n<p>Tais iniciativas se enquadram no segundo aspecto citado na quest\u00e3o anterior, referente \u00e0 facilita\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de alimentos descartados. S\u00e3o iniciativas de grande import\u00e2ncia, que requerem mudan\u00e7as comportamentais. S\u00e3o iniciativas que consideram a valoriza\u00e7\u00e3o dos aspectos nutricionais e da sanidade dos produtos, em vez de dar maior import\u00e2ncia \u00e0 apar\u00eancia ou tamanho. S\u00f3 que as mudan\u00e7as no comportamento dos consumidores n\u00e3o s\u00e3o r\u00e1pidas, e geralmente requerem incentivos.<\/p>\n<p>A maior conscientiza\u00e7\u00e3o dos consumidores e a ado\u00e7\u00e3o de metas por alguns governos j\u00e1 t\u00eam trazido alguns resultados. Por exemplo, o Reino Unido j\u00e1 possui regulamenta\u00e7\u00e3o com este prop\u00f3sito desde o ano 2000. Outros pa\u00edses europeus, como a Holanda, a Fran\u00e7a, a \u00c1ustria e a Su\u00e9cia, e asi\u00e1ticos, como o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul, tamb\u00e9m seguiram o mesmo exemplo. Al\u00e9m do est\u00edmulo ao consumo consciente e sustent\u00e1vel, regras punitivas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos tamb\u00e9m t\u00eam sido adotadas, como um sistema de pagamentos progressivos, atrav\u00e9s da eleva\u00e7\u00e3o do valor pago pela maior gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O atual modelo de agricultura industrial desperdi\u00e7a anualmente um ter\u00e7o dos alimentos produzidos para consumo humano, algo em torno de 1,3 bilh\u00e3o de toneladas anuais, conforme a FAO. O relat\u00f3rio Alimentos e mudan\u00e7a clim\u00e1tica: o elo esquecido, da organiza\u00e7\u00e3o Grain, estima que entre 44% e 55% dos gases de efeito estufa s\u00e3o provocados pelo sistema agroalimentar global, com a soma das emiss\u00f5es decorrentes do desmatamento, da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em si, do processamento, transporte e empacotamento dos alimentos e dos desperd\u00edcios gerados pela cadeia. O que pode ser dito sobre estes dados?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Eu n\u00e3o gosto destes r\u00f3tulos que contrap\u00f5em dois tipos de agricultura, uma boa e outra m\u00e1, uma focada nos mercados locais e outra globalizada. Eu considero que sempre tivemos uma grande heterogeneidade na agricultura, que se mant\u00e9m. E os distintos sistemas produtivos, as diferentes escalas de produ\u00e7\u00e3o, os diversos canais de comercializa\u00e7\u00e3o, todos s\u00e3o importantes e necess\u00e1rios para atender as demandas hoje existentes, mas todos t\u00eam seus problemas e desafios.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os agricultores familiares que operam em pequena escala, mas tamb\u00e9m fazem parte de grandes cadeias com inser\u00e7\u00e3o global. S\u00e3o muitos os agricultores familiares que demandam pr\u00e1ticas e tecnologias apropriadas para um novo contexto de maior escassez de m\u00e3o de obra no campo e de restri\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Cada situa\u00e7\u00e3o merece an\u00e1lise, um bom diagn\u00f3stico e recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. H\u00e1 estudos que demonstram que uma agricultura em maior escala, ou mais tecnificada, utiliza agrot\u00f3xicos de forma mais intensiva; por outro lado, uma agricultura desenvolvida em \u00e1reas marginais pode provocar maior desmatamento, eros\u00e3o e perda de solo, ou deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua. Uma s\u00e9rie de estudos demonstra estas rela\u00e7\u00f5es amb\u00edguas entre tecnifica\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o ou entre escala e degrada\u00e7\u00e3o. Por isso, considero fundamental compreender os problemas e desafios que cada situa\u00e7\u00e3o nos imp\u00f5e. Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que permitem a redu\u00e7\u00e3o no uso de insumos, como, por exemplo, o controle biol\u00f3gico de pragas e a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio pela inocula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias fixadoras em leguminosas s\u00e3o recomenda\u00e7\u00f5es j\u00e1 amplamente utilizadas no Brasil, possibilitando a redu\u00e7\u00e3o no uso de agrot\u00f3xicos e fertilizantes.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o considero que a escolha seja simplesmente um modelo ou outro; nos mais diversos modelos \u00e9 imprescind\u00edvel pensar nas diversas dimens\u00f5es da sustentabilidade, o que pode come\u00e7ar pela redu\u00e7\u00e3o das perdas e desperd\u00edcios \u2014 como v\u00ednhamos discutindo nas quest\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A ONU tem publicado relat\u00f3rios em que reconhece, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, a maior produtividade de uma agricultura ecol\u00f3gica estruturada na proximidade entre os locais de produ\u00e7\u00e3o e de consumo na compara\u00e7\u00e3o com a agricultura industrial intensiva, devido, justamente, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o em termos de perdas de alimentos. Como interpretar essa informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Novamente, estes dados s\u00e3o muito controversos. H\u00e1 estudos que validam tais diferen\u00e7as, outros que as refutam. H\u00e1 estudos que mostram maior produtividade da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, outros que apontam que, mesmo com menor produtividade, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o menor impacto ambiental. Outro ponto importante \u00e9 que maior produtividade n\u00e3o \u00e9, necessariamente, indica\u00e7\u00e3o de maior rentabilidade. Portanto, acho que n\u00e3o devemos tomar friamente alguns n\u00fameros, sem entender dimens\u00f5es mais amplas destes processos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve comparar a produtividade da terra ou da m\u00e3o de obra simplesmente em termos da produ\u00e7\u00e3o ou da renda gerada por hectare ou por trabalhador, pois os sistemas de produ\u00e7\u00e3o e os produtos gerados podem diferir substancialmente. Mais do que a simples compara\u00e7\u00e3o, o importante \u00e9 ressaltar que os sistemas de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica v\u00eam se consolidando, v\u00eam recebendo maior aten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, v\u00eam sendo cada vez mais valorizados pelos consumidores. Atualmente, h\u00e1 produtores que convertem seus sistemas produtivos para sistemas org\u00e2nicos pelas mais variadas motiva\u00e7\u00f5es, seja pela redu\u00e7\u00e3o de custos, pela menor depend\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos, pela amplia\u00e7\u00e3o do mercado, pela possibilidade de obten\u00e7\u00e3o de renda satisfat\u00f3ria ou pela consci\u00eancia ambiental.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre qualidade do alimento e dist\u00e2ncia percorrida do campo at\u00e9 a mesa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Quanto menor a dist\u00e2ncia, menor a necessidade de pontos de controle e monitoramento. Geralmente, nas cadeias curtas citadas no in\u00edcio desta entrevista, que se inserem nos chamados mercados de proximidade, as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o do tipo \u201cface-to-face\u201d entre produtores e consumidores. Isso implica em conhecimento e confian\u00e7a constru\u00eddos ao longo do tempo. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es recorrentes, mas cada vez menos frequentes nos grandes centros urbanos. Algumas feiras de produtores ainda ilustram a import\u00e2ncia destes mercados de proximidade.<\/p>\n<p>Nos grandes centros, em vista das mudan\u00e7as no ritmo de vida e nos padr\u00f5es de consumo, cada vez mais s\u00e3o demandados produtos prontos, ou pr\u00e9-prontos para o consumo, produtos pr\u00e1ticos e convenientes, produtos que passam por longas cadeias de produ\u00e7\u00e3o. Por exemplo, nestes centros urbanos, o consumo de laranjas in natura tem mostrado sinais de redu\u00e7\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o com o aumento no consumo de sucos prontos (ou na verdade n\u00e9ctar, para usar o termo correto, j\u00e1 que s\u00e3o reconstitu\u00eddos a partir de suco concentrado e adicionados de estabilizantes, corantes e aromatizantes).<\/p>\n<p>Os exemplos de fraudes no setor leiteiro, amplamente divulgados no Rio Grande do Sul nos \u00faltimos anos, refor\u00e7am a import\u00e2ncia dos pontos de controle e monitoramento. Aqui \u00e9 muito importante destacar o papel do Estado n\u00e3o apenas no fomento ao setor produtivo, atrav\u00e9s do cr\u00e9dito, da pesquisa e da assist\u00eancia t\u00e9cnica, como tradicionalmente atuava. \u00c9 fundamental compreender os novos pap\u00e9is do Estado, na regula\u00e7\u00e3o dos mercados, na garantia de pre\u00e7os e, principalmente, da qualidade dos produtos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica destinada a mercados locais \u00e9 a alternativa econ\u00f4mica mais apropriada para o pequeno produtor rural?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> \u00c9 certo que uma produ\u00e7\u00e3o de base ecol\u00f3gica pode ser mais adequada, n\u00e3o apenas como alternativa econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m ambiental. E digo que n\u00e3o somente para os pequenos, mas tamb\u00e9m para m\u00e9dios e, porque n\u00e3o, para os grandes produtores. Se o produtor puder evitar o uso de inseticidas, aplicando armadilhas luminosas ou o controle biol\u00f3gico para reduzir danos causados por insetos, ser\u00e1 \u00f3timo do ponto de vista ambiental e de redu\u00e7\u00e3o de custos; mas \u00e9 necess\u00e1rio informa\u00e7\u00e3o e recursos para sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o considero como um modelo \u00fanico e generaliz\u00e1vel para todos os produtores. E alguns cuidados temos de ter, no sentido de evitar rotulagens sobre o que \u00e9 bom ou ruim.<\/p>\n<p>Enquanto na produ\u00e7\u00e3o convencional a contamina\u00e7\u00e3o pode ocorrer pelo uso excessivo de agrot\u00f3xicos ou pelo desrespeito dos prazos de car\u00eancia, na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de contamina\u00e7\u00e3o, por exemplo, por uso excessivo de cama de avi\u00e1rio. Eu entendo que o problema n\u00e3o est\u00e1 num modelo ou noutro, mas nas condi\u00e7\u00f5es em que eles s\u00e3o implementados. Aspectos como os recursos dispon\u00edveis, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e acompanhamento t\u00e9cnico, impactos ambientais, custos incorridos, a renda gerada e a acesso a mercados, s\u00e3o de grande import\u00e2ncia. E, fundamentalmente, os produtores precisam ter direito \u00e0 escolha.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que medida o desperd\u00edcio de alimentos est\u00e1 relacionado com as prefer\u00eancias e o comportamento individual dos consumidores? Que a\u00e7\u00f5es os consumidores podem adotar para reduzir o desperd\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Como conceituado antes, as perdas ocorrem ao longo dos processos de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o dependem do comportamento dos consumidores. Mas o desperd\u00edcio sim, pois ocorre a partir dos alimentos descartados ap\u00f3s estarem prontos para o consumo. Mudan\u00e7as no comportamento n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis, nem r\u00e1pidas. A redu\u00e7\u00e3o no desperd\u00edcio pode ocorrer atrav\u00e9s do planejamento mais ajustado das compras feitas pela fam\u00edlia, de acordo com suas necessidades, evitando excessos que poderiam provocar desperd\u00edcios de produtos que perdem a validade ou que se tornam impr\u00f3prios para o consumo. A valoriza\u00e7\u00e3o dos aspectos nutricionais e da sanidade, em vez da apar\u00eancia, tamb\u00e9m \u00e9 uma medida a ser lembrada, j\u00e1 citada antes. Nem sempre a fruta mais bonita \u00e9 a mais saborosa. Ainda o aproveitamento das sobras na elabora\u00e7\u00e3o de novos pratos \u00e9 um h\u00e1bito a ser, cada vez mais, incentivado.<\/p>\n<p>Finalmente, agora n\u00e3o mais relacionado ao comportamento individual dos consumidores, conv\u00e9m retomar a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de est\u00edmulo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e ao manejo adequado dos mesmos. Se os alimentos n\u00e3o forem mais pr\u00f3prios para o consumo humano, a destina\u00e7\u00e3o para o consumo animal e para a produ\u00e7\u00e3o de energia certamente ajuda a reduzir os impactos ambientais.<\/p>\n<p>Em Porto Alegre, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana \u2013 DMLU coordena um projeto que aproxima restaurantes e suinocultores para a utiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos alimentares na alimenta\u00e7\u00e3o animal. \u00c9 um projeto vantajoso para todos, no sentido de reduzir o desperd\u00edcio, a taxa de coleta de res\u00edduos para os restaurantes, os custos de produ\u00e7\u00e3o (particularmente de alimenta\u00e7\u00e3o) para os suinocultores, a quantidade de res\u00edduos coletada pelo DMLU e os impactos ambientais. A\u00e7\u00f5es como estas podem ser vistas como exemplares na gest\u00e3o de res\u00edduos alimentares, mesmo com as dificuldades e desafios para o bom funcionamento do projeto. Este \u00e9 o tema da disserta\u00e7\u00e3o que citei no in\u00edcio da entrevista.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Gostaria de adicionar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Waquil \u2013<\/strong> Que este tema seja, cada vez mais, de interesse e motiva\u00e7\u00e3o dos jovens, em todas as \u00e1reas do conhecimento, em trabalhos multi ou interdisciplinares, conduzindo a trabalhos de conclus\u00e3o de curso, disserta\u00e7\u00f5es e teses que promovam cada vez mais a amplia\u00e7\u00e3o do debate e a busca por alternativas para enfrentar os desafios, que s\u00e3o enormes, seja na produ\u00e7\u00e3o ou agroindustrializa\u00e7\u00e3o de alimentos, na redu\u00e7\u00e3o de perdas e desperd\u00edcios ou na compreens\u00e3o do funcionamento dos mercados agroalimentares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luciano Gallas, do IHu On-Line \u201cO desperd\u00edcio se refere aos alimentos que foram descartados<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/desperdicio_alimentos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Luciano Gallas, do IHu On-Line \u201cO desperd\u00edcio se refere aos alimentos que foram descartados","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5968"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}