{"id":59395,"date":"2017-02-07T09:15:38","date_gmt":"2017-02-07T12:15:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=59395"},"modified":"2017-02-07T09:15:40","modified_gmt":"2017-02-07T12:15:40","slug":"estruturas-no-acre-mostram-que-indios-ja-faziam-manejo-da-terra-ha-2-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estruturas-no-acre-mostram-que-indios-ja-faziam-manejo-da-terra-ha-2-mil-anos\/","title":{"rendered":"Estruturas no Acre mostram que \u00edndios j\u00e1 faziam manejo da terra h\u00e1 2 mil anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estruturas-no-acre-mostram-que-indios-ja-faziam-manejo-da-terra-ha-2-mil-anos\/geoglifos-2\/\" rel=\"attachment wp-att-59396\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-59396\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Devido ao intenso desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica, geoglifos que passaram s\u00e9culos escondidos pela vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo descobertos numa regi\u00e3o do Acre. Os primeiros foram identificados no fim da d\u00e9cada de 1970 e, desde ent\u00e3o, mais de 450 j\u00e1 foram localizados. A presen\u00e7a dessas grandes estruturas geom\u00e9tricas constru\u00eddas por antigas popula\u00e7\u00f5es desafia a ideia de que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um ecossistema intocado. Um novo estudo, publicado ontem no peri\u00f3dico \u201cProceedings of the National Academy of Sciences\u201d (PNAS), mostra que os povos que habitavam a \u00e1rea j\u00e1 realizavam o manejo florestal h\u00e1 pelo menos 2 mil anos.<\/p>\n<p>\u2014 O que n\u00f3s mostramos com essa pesquisa \u00e9 como era a vegeta\u00e7\u00e3o antes, durante e ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o dos geoglifos \u2014 diz Jennifer Watling, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnografia da Universidade de S\u00e3o Paulo, que estudou a regi\u00e3o durante doutorado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido. \u2014 Nessa regi\u00e3o, que algumas pessoas pensavam ser intocada, existia uma grande popula\u00e7\u00e3o e o ambiente era bastante alterado. Eles faziam queimadas e plantavam esp\u00e9cies \u00fateis, como as palmeiras.<\/p>\n<p>Os geoglifos encontrados no Acre s\u00e3o imensas marca\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas, cada uma medindo at\u00e9 350 metros de di\u00e2metro, que se estendem por uma \u00e1rea de 13 mil quil\u00f4metros quadrados. As teorias mais aceitas indicam que esses locais eram utilizados ocasionalmente para a celebra\u00e7\u00e3o de rituais, n\u00e3o ocupados de forma permanente por assentamentos ou aldeias, j\u00e1 que foram encontrados poucos artefatos. Escava\u00e7\u00f5es mostram que eles foram constru\u00eddos e utilizados entre 2 mil e 650 anos atr\u00e1s, sendo que alguns podem ter sido criados h\u00e1 3,5 mil anos. Mas ainda h\u00e1 muito a ser descoberto sobre as origens dessas estruturas, como quais foram os povos que as constru\u00edram e por que s\u00e3o t\u00e3o numerosas.<\/p>\n<p><strong>Florestas de bambu<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa liderada por Jennifer analisou amostras de solo colhidas at\u00e9 1,5 metro de profundidade, dentro e nas proximidades de dois destes geoglifos. Dessa forma, foi poss\u00edvel identificar quais esp\u00e9cies de plantas existiam em diferentes per\u00edodos hist\u00f3ricos ao longo dos \u00faltimos 6 mil anos. A presen\u00e7a de carv\u00e3o indica o uso do fogo para o manejo da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s imediatamente quisemos saber se a regi\u00e3o j\u00e1 estava desmatada quando os geoglifos foram criados, e qual a extens\u00e3o do impacto dessas pessoas na paisagem para a constru\u00e7\u00e3o dessas estruturas de terra \u2014 conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>De acordo com as an\u00e1lises, esses locais eram cobertos por florestas de bambu, que foram profundamente alteradas pelos povos que habitaram a regi\u00e3o nos \u00faltimos 4 mil anos. Para a constru\u00e7\u00e3o dos geoglifos, clareiras tempor\u00e1rias foram criadas.<\/p>\n<p>\u2014 Apesar do grande n\u00famero e da densidade dos geoglifos na regi\u00e3o, n\u00f3s podemos afirmar que as florestas do Acre nunca foram desmatadas de forma t\u00e3o extensiva, ou por tanto tempo, como nos anos recentes \u2014 explica Jennifer. \u2014 Nossa evid\u00eancia de que a Floresta Amaz\u00f4nica foi manejada por povos ind\u00edgenas muito antes do contato europeu n\u00e3o deve ser citada como justificativa para o uso destrutivo e n\u00e3o sustent\u00e1vel praticado hoje. Na verdade, deve servir para destacar a engenhosidade de regimes de subsist\u00eancia anteriores que n\u00e3o levavam \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal, al\u00e9m da import\u00e2ncia do conhecimento ind\u00edgena para a descoberta de alternativas mais sustent\u00e1veis para o uso da terra.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, os povos do passado faziam o manejo da vegeta\u00e7\u00e3o com t\u00e9cnicas conhecidas hoje como sistemas agroflorestais. Em vez do desmatamento, com o plantio de uma \u00fanica esp\u00e9cie em grande escala, eles criavam mosaicos com diferentes tipos de plantas \u00fateis, em combina\u00e7\u00e3o com a floresta original. Algo como um \u201csupermercado pr\u00e9-hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Eles tinham campos de milho e ab\u00f3bora dentro da floresta, al\u00e9m de palmeiras e outras plantas \u00fateis \u2014 diz Jennifer. \u2014 Quando essas \u00e1reas foram abandonadas, estas esp\u00e9cies se tornaram menos abundantes nas paisagens, mas mesmo as florestas de hoje t\u00eam tra\u00e7os de manejo pr\u00e9vio, com castanheiras, cedro e outras esp\u00e9cies \u00fateis.<\/p>\n<p>E foi esse tipo de manejo que permitiu a subsist\u00eancia de grandes popula\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. At\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo, cientistas argumentavam que o Sudoeste da Amaz\u00f4nia n\u00e3o poderia sustentar povos numerosos pela inexist\u00eancia de solos adequados para a agricultura e de fontes abundantes de prote\u00edna. Com o sistema agroflorestal, os ind\u00edgenas usavam os restos da pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o para a fertiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie explorada com maior preval\u00eancia durante o per\u00edodo dos construtores dos geoglifos era a palmeira. De acordo com o estudo, o resultado era esperado, j\u00e1 que a planta \u00e9 uma das mais importantes da Amaz\u00f4nia. Por quilo, os frutos da palmeira fornecem mais prote\u00ednas e carboidratos que o milho, al\u00e9m de ser fonte de combust\u00edvel, rem\u00e9dios e materiais de constru\u00e7\u00e3o. Evid\u00eancias diretas do consumo desse fruto foram encontradas em res\u00edduos na cer\u00e2mica de um dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos estudados pela equipe.<\/p>\n<p>\u2014 Alguns arque\u00f3logos acreditam que, para sustentar muitas pessoas, os povos do passado estavam desmatando por todos os lados. N\u00e3o, eles usavam t\u00e9cnicas de manejo que n\u00e3o a queimada \u2014 conclui a pesquisadora. \u2014 O Acre teve uma floresta fechada na maior parte da Hist\u00f3ria. As amostras indicam que apenas nas \u00faltimas d\u00e9cadas ela foi completamente desmatada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido ao intenso desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica, geoglifos que passaram s\u00e9culos escondidos pela vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":59396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/geoglifos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Devido ao intenso desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica, geoglifos que passaram s\u00e9culos escondidos pela vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59395"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}