{"id":59261,"date":"2017-02-05T09:00:28","date_gmt":"2017-02-05T12:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=59261"},"modified":"2017-02-05T09:19:38","modified_gmt":"2017-02-05T12:19:38","slug":"pesca-e-floresta-garantem-renda-a-ribeirinhos-das-ilhas-do-rio-tocantins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesca-e-floresta-garantem-renda-a-ribeirinhos-das-ilhas-do-rio-tocantins\/","title":{"rendered":"Pesca e floresta garantem renda a ribeirinhos das ilhas do rio Tocantins"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesca-e-floresta-garantem-renda-a-ribeirinhos-das-ilhas-do-rio-tocantins\/mapara-2\/\" rel=\"attachment wp-att-59262\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59262 alignleft\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>O Globo Rural visita as ilhas do Rio Tocantins, no Par\u00e1, uma regi\u00e3o exuberante da Amaz\u00f4nia. Um lugar onde os ribeirinhos vivem dos frutos da floresta e da pesca de um peixe delicioso, o mapar\u00e1.<\/p>\n<p>Localizada \u00e0s margens do rio Tocantins, no nordeste do Par\u00e1, Camet\u00e1 foi fundada no s\u00e9culo 17 e ainda abriga casas e igrejas do per\u00edodo colonial. Hoje, com mais de 100 mil habitantes e um porto movimentado, a cidade \u00e9 o principal polo econ\u00f4mico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das principais atra\u00e7\u00f5es de Camet\u00e1 \u00e9 o mercado municipal que funciona todos os dias no per\u00edodo da manh\u00e3. No lugar tem tudo o que \u00e9 tipo de produto regional. O destaque \u00e9 para os peixes do rio Tocantins, como tucunar\u00e9, filhote, tambaqui, caratinga, camar\u00e3o de \u00e1gua doce e mapar\u00e1, o peixe mais importante da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Parente do filhote e da dourada, o mapar\u00e1 \u00e9 um peixe de couro, sem escamas. Existem tr\u00eas esp\u00e9cies na Amaz\u00f4nia. A mais comum no Tocantins \u00e9 a <em>hypophthalmus marginatus. <\/em>A carne \u00e9 clara e tem poucas espinhas.<\/p>\n<p>Com 2,4 mil quil\u00f4metros de comprimento, o Tocantins \u00e9 um dos maiores rios do Brasil. Ele nasce em Goi\u00e1s, corta o estado de Tocantins, fazendo divisa com o Maranh\u00e3o, e atravessa parte do Par\u00e1 at\u00e9 chegar ao sul da ilha de Maraj\u00f3.<\/p>\n<p>No trecho final, chamado de baixo Tocantins, o rio atravessa munic\u00edpios paraenses como Bai\u00e3o, Mocajuba, Limoeiro do Ajur\u00fa e Camet\u00e1. Em muitos pontos, o leito \u00e9 largo, com barcos passando o tempo todo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser movimentado e gigantesco, o baixo Tocantins \u00e9 marcado por ilhas e ilhotas de diversos tipos de forma e tamanho. Mas para quem viaja de barco na altura do rio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil identificar o contorno das ilhas nem a dimens\u00e3o do arquip\u00e9lago. Para se ter uma ideia mais clara da geografia da regi\u00e3o, o melhor \u00e9 ver tudo do alto.<\/p>\n<p>De cima, o primeiro aspecto que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a quantidade de ilhas. S\u00f3 no munic\u00edpio de Camet\u00e1 h\u00e1 105 grandes, al\u00e9m de dezenas de ilhotas menores. O conjunto forma desenhos bonitos e um labirinto canais e passagens. Um tra\u00e7o central das ilhas \u00e9 que s\u00e3o baixas, com muitas v\u00e1rzeas e poucas \u00e1reas de terra firme.<\/p>\n<p>Professor da Universidade Federal do Par\u00e1, o ge\u00f3grafo Rosivanderson Corr\u00eaa fez mestrado e est\u00e1 fazendo um doutorado sobre a regi\u00e3o. \u201c\u00c9 uma das maravilhas da Amaz\u00f4nia, onde voc\u00ea tem a presen\u00e7a do homem amaz\u00f4nida, com o seu modo de vida peculiar, com a sua identidade e vivendo a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mica, mas afetiva com o rio\u201d, diz C\u00f4rrea.<\/p>\n<p>Para conhecer melhor essa civiliza\u00e7\u00e3o das ilhas, o Globo Rural visitou uma comunidade de ribeirinhos. O destino \u00e9 a ilha de Sarac\u00e1. Nascida e criada em Sarac\u00e1, Maria de Jesus Ferreira \u00e9 uma das l\u00edderes da ilha. Ela explica que Sarac\u00e1 tem 610 habitantes. Alguns moram em casinhas isoladas, mas a maior parte das pessoas vive em povoados. As casas ficam suspensas por pilares e todas s\u00e3o ligadas por pontes de madeira.<\/p>\n<p>Na ilha de Sarac\u00e1, o sustento dos moradores vem de produtos da mata como cacau, buriti e, principalmente, do a\u00e7a\u00ed, que \u00e9 abundante na regi\u00e3o. A aposentadoria rural e os programas sociais como Bolsa Fam\u00edlia tamb\u00e9m s\u00e3o fontes de renda fundamentais, al\u00e9m da pesca artesanal. Aos 85 anos, seu Dorcelino Costa, o seu Tet\u00e9, j\u00e1 pegou muitos peixes no Tocantins.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do volume de mapar\u00e1 no baixo Tocantins \u00e9 uma realidade que preocupa o povo das ilhas. Muitos ribeirinhos n\u00e3o respeitam o defeso, per\u00edodo oficial de suspens\u00e3o da pesca, que vai de novembro a fevereiro. Apesar dos problemas, o mapar\u00e1 continua sendo fundamental para a renda e para a alimenta\u00e7\u00e3o dos ribeirinhos. A abertura da pesca, quando acaba o defeso \u00e9 sempre um momento marcante para as comunidades.<\/p>\n<p>Em Sarac\u00e1, os preparativos come\u00e7am na v\u00e9spera da abertura com uma reuni\u00e3o dos pescadores. Terminada a reuni\u00e3o de trabalho, as mulheres entram em cena cantando o siri\u00e1, um tipo de m\u00fasica tradicional dessa regi\u00e3o do Par\u00e1. No centro da roda ficam objetos ligados aos principais produtos das ilhas: uma peneira, usada para coar a\u00e7a\u00ed; a armadilha, para pegar camar\u00e3o; e uma rede de pesca.<\/p>\n<p>Enquanto a cantoria continua no barrac\u00e3o, outro grupo j\u00e1 come\u00e7a a embarcar o material que ser\u00e1 usado para a pesca do mapar\u00e1. O pescador Raimundo Ferreira explica que a rede precisa ser forte porque um certo visitante pode aparecer no meio dos peixes. \u201cA rede sendo fina, se o boto pegar, ele rasga\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em seguida, j\u00e1 na igrejinha, ocorre uma cerim\u00f4nia cat\u00f3lica. O objetivo \u00e9 pedir prote\u00e7\u00e3o, fartura na pesca e respeito \u00e0 natureza. A m\u00fasica que encerra o encontro foi criada pelos pr\u00f3prios ribeirinhos.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de mar\u00e7o, data da abertura da pesca, o sol vai raiando pregui\u00e7oso e o pessoal de Sarac\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 na ativa. O trabalho de pesca come\u00e7a com um servi\u00e7o complicado: procurar os cardumes de mapar\u00e1 na imensid\u00e3o do rio. Para isso, os pescadores contam com uma equipe especializada, comandada pelo taleiro, personagem fundamental dessa atividade.<\/p>\n<p>Experiente, o pescador Jos\u00e9 Barra, o seu Zequinha, vai na frente da canoa mergulhando a vara comprida, chamada de tala. Enquanto os taleiros tentam localizar os cardumes de mapar\u00e1, os outros pescadores do grupo ficam no aguardo, prontos para entrar em a\u00e7\u00e3o. A espera pode levar horas.<\/p>\n<p>De repente, a calmaria se transforma em agita\u00e7\u00e3o. Esse momento \u00e9 decisivo. Os taleiros j\u00e1 deram o sinal, os cardumes j\u00e1 foram localizados e o grupo segue em fila para fazer o bloqueio do mapar\u00e1.<\/p>\n<p>O bloqueio, ou borqueio, como dizem na regi\u00e3o, nada mais \u00e9 do que cercar o cardume no rio. A rede \u00e9 lan\u00e7ada por dois barcos que v\u00e3o fazendo um grande c\u00edrculo. Quando os dois grupos se encontram, os ribeirinhos amarram as pontas da rede e o cercado est\u00e1 pronto. Com o mapar\u00e1 preso, os pescadores v\u00e3o fechando o c\u00edrculo e, aos poucos, deixando o peixe com menos espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o precisa do apoio de um time de mergulhadores. Al\u00e9m das boias em cima, a rede tem chumbo na parte de baixo. O bloqueio \u00e9 normalmente feito em \u00e1reas onde a profundidade do rio n\u00e3o passa de dez metros. Conforme o trabalho avan\u00e7a, v\u00e1rios barcos, com turistas e moradores da regi\u00e3o, se aproximam do bloqueio.<\/p>\n<p>Aos poucos, o bloqueio vai mudando de forma e o volume de curiosos aumenta. \u00c9 tanto barco e tanta gente tirando foto que a pol\u00edcia precisa ser acionada para evitar acidentes.<\/p>\n<p>Uma hora e meia depois do in\u00edcio do bloqueio, finalmente o trabalho vai chegando ao fim com a rede mais apertada e os barcos em volta. Em instantes, \u00e9 poss\u00edvel ver os peixes. Para retirar o cardume do rio, alguns dos pescadores entram no cercado e enchem os cestos.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 pesado e leva tempo. A produ\u00e7\u00e3o do dia, com mais de uma tonelada de peixe, \u00e9 despejada em um barco da comunidade. Com tanto mapar\u00e1, muitos visitantes ficam ouri\u00e7ados e fazem de tudo para conseguir um pouco. A doa\u00e7\u00e3o, em pequena quantidade, faz parte da tradi\u00e7\u00e3o. Mas a pol\u00edcia continua presente para evitar exageros.<\/p>\n<p>A agita\u00e7\u00e3o da abertura da pesca se repete, ao mesmo tempo, em v\u00e1rios pontos do rio Tocantins. Terminado o bloqueio, os barquinhos retornam para a ilha de Sarac\u00e1. O mapar\u00e1 \u00e9 dividido entre os pescadores e os membros da associa\u00e7\u00e3o de pesca. Cada fam\u00edlia da ilha tamb\u00e9m recebe um pouco de peixe para consumo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O pessoal de Sarac\u00e1 faz o bloqueio do mapar\u00e1 de duas ou tr\u00eas vezes por m\u00eas. O trabalho \u00e9 realizado sempre fora do per\u00edodo do defeso e com redes autorizadas por lei, evitando, por exemplo, o uso de malha fina para n\u00e3o pegar peixe pequeno.<\/p>\n<p>Com o peixe na brasa e uma boa conversa, as fam\u00edlias de Sarac\u00e1 comemoram o in\u00edcio de mais uma temporada de pesca do mapar\u00e1, uma fonte de renda e alimento para milhares de pessoas nas ilhas do baixo Tocantins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Globo Rural visita as ilhas do Rio Tocantins, no Par\u00e1, uma regi\u00e3o exuberante da<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":59262,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/mapara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Globo Rural visita as ilhas do Rio Tocantins, no Par\u00e1, uma regi\u00e3o exuberante da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59261"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59261"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59261\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}