{"id":59171,"date":"2017-02-03T14:30:12","date_gmt":"2017-02-03T17:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=59171"},"modified":"2017-02-03T09:43:01","modified_gmt":"2017-02-03T12:43:01","slug":"pesquisa-analisa-dispersao-de-parasitas-por-aves-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-analisa-dispersao-de-parasitas-por-aves-nas-americas\/","title":{"rendered":"Pesquisa analisa dispers\u00e3o de parasitas por aves nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=59172\" rel=\"attachment wp-att-59172\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-59172\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Monitorar e entender a dispers\u00e3o de microrganismos com potencial patol\u00f3gico \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o constante das autoridades sanit\u00e1rias e epidemiol\u00f3gicas em todo o mundo. Os riscos envolvidos s\u00e3o evidentes, devido \u00e0 possibilidade da eclos\u00e3o de surtos de doen\u00e7as emergentes em humanos ou em animais dom\u00e9sticos e de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de agentes patol\u00f3gicos por fronteiras pode ocorrer por meio da mobilidade humana, mas tamb\u00e9m pelo tr\u00e2nsito de animais silvestres. Um dos principais suspeitos a serem monitorados s\u00e3o as aves migrat\u00f3rias, que transportam parasitas por longas dist\u00e2ncias. Mas pouco se sabe sobre a transfer\u00eancia desses parasitas para as popula\u00e7\u00f5es de aves residentes nos locais de invernagem ou de procria\u00e7\u00e3o das aves migrat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Recentemente foi publicado no <b><a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jbi.12928\/abstract\" target=\"_blank\"><i>Journal of Biogeography<\/i><\/a><\/b> um estudo internacional pioneiro feito a partir da an\u00e1lise para parasitas da mal\u00e1ria nas amostras de sangue coletadas em mais de 24 mil aves migrat\u00f3rias e residentes de 23 pa\u00edses dos dois hemisf\u00e9rios americanos.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se do maior estudo j\u00e1 feito sobre a parasitologia de aves migrat\u00f3rias das Am\u00e9ricas\u201d, disse a bi\u00f3loga Maria Svensson-Coelho, pesquisadora no Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Nascida na Su\u00e9cia, Svensson-Coelho foi a respons\u00e1vel pelo processamento de parte das amostras e conta com <b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/93069\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a><\/b> por meio de um Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Jovem Pesquisador no \u00e2mbito do programa BIOTA.<\/p>\n<p>\u201cA cada ano, centenas de esp\u00e9cies de aves deixam as suas \u00e1reas de invernagem tropicais ou subtropicais para passar o ver\u00e3o nas \u00e1reas de acasalamento em altas latitudes, retornando \u00e0s baixas latitudes no final da esta\u00e7\u00e3o de acasalamento. Essas esp\u00e9cies est\u00e3o expostas a diferentes parasitas nas suas \u00e1reas de acasalamento boreais ou temperadas e nas \u00e1reas de invernagem tropicais ou subtropicais. Potencialmente, podem espalhar parasitas nessass regi\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Conhecer como as popula\u00e7\u00f5es de pat\u00f3genos se distribuem em vastas \u00e1reas geogr\u00e1ficas \u00e9 essencial para o entendimento da epidemiologia dos parasitas, seus padr\u00f5es locais de virul\u00eancia e a evolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia nos portadores.<\/p>\n<p>Em 2007, foi feito <b><a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1365-294X.2007.03227.x\/full\" target=\"_blank\">um levantamento<\/a><\/b> entre 259 linhagens de parasitas em aves distribu\u00eddas entre a Europa e a \u00c1frica. Descobriu-se que 31 linhagens que infectam aves migrat\u00f3rias podem ser transmitidas a aves residentes locais. \u201cO objetivo do nosso trabalho \u00e9 fazer o mesmo tipo de levantamento entre as aves do Novo Mundo\u201d, disse Svensson-Coelho.<\/p>\n<p>No Brasil, a coleta de amostras de sangue das aves migrat\u00f3rias e residentes foi realizada na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de \u00c1guas Emendadas em Bras\u00edlia e, no Tocantins, no Parque Estadual do Cant\u00e3o e no Parque Estadual do Lajeado. Alan Fecchio, da Universidade Federal da Bahia, foi o respons\u00e1vel pelas coletas no Cerrado.<\/p>\n<p>Ainda na Am\u00e9rica do Sul foi investigado material da Amaz\u00f4nia equatoriana e do semi\u00e1rido da Venezuela. Na Am\u00e9rica Central entraram o Panam\u00e1 e o M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O trabalho tamb\u00e9m foi realizado em nove estados do leste dos Estados Unidos (Alabama, Connecticut, Illinois, Indiana, Louisiana, Michigan, Missouri, Pensilv\u00e2nia e Tennessee) e em todas as Antilhas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Cuba (Ant\u00edgua, Bahamas, Barbados, Barbuda, Granada, Guadalupe, Ilhas Caiman, Ilhas Virgens, Jamaica, Martinica, Montserrat, Nevis, Porto Rico, Rep\u00fablica Dominicana, Saint Kitts, Santa L\u00facia, Saint Vincent, Trinidad e Tobago). N\u00e3o foram estudadas as aves cujas rotas migrat\u00f3rias seguem ao longo da costa do Pac\u00edfico, na vertente ocidental dos Andes.<\/p>\n<p>Entre as esp\u00e9cies de aves das quais foram extra\u00eddas amostras sangu\u00edneas s\u00e3o exemplos os pardais (<i>Passer domesticus<\/i>, <i>Passerella iliaca<\/i> e <i>Melospiza melodia<\/i>), sabi\u00e1s (<i>Turdus fumigatus<\/i>) e outros tordos (<i>Hylocichla mustelinae<\/i>, <i>Turdus grayi<\/i>, <i>T. lherminieri<\/i>, <i>T. migratorius<\/i>, <i>T. nudigenis<\/i> e <i>T. plumbeus<\/i>), o corrupi\u00e3o-laranja (<i>Icterus galbula<\/i>), a m\u00e3e-de-taoca-avermelhada (<i>Phlegopsis erythroptera<\/i>), a choquinha-de-cauda-ruiva (<i>Epinecrophylla erythrura<\/i>), a mariquita-de-mascarilha (<i>Geothlypis trichas<\/i>), as cambacicas ou mariquitas (<i>Coereba flaveola<\/i> e <i>Setophaga caerulescens<\/i>), os juncos (<i>Junco hyemalis<\/i>), as juruviaras (<i>Vireo olivaceus<\/i>), tr\u00eas esp\u00e9cies da fam\u00edlia do bem-te-vi (<i>T. migratorius<\/i>, <i>Melospiza melodia<\/i> e <i>Mimus polyglottis<\/i>) e as toutinegras (<i>Helmitheros vermivorus<\/i> e <i>Mniotilta varia<\/i>).<\/p>\n<p>Todas as amostras foram vasculhadas \u00e0 procura de DNA de parasitas da mal\u00e1ria por meio da tecnologia de rea\u00e7\u00e3o em cadeia da polimerase (PCR). Dentre as 24 mil amostras de sangue pesquisadas, foram identificadas cerca de 4,7 mil com infec\u00e7\u00f5es, representando 79 parasitas da mal\u00e1ria pertencentes \u00e0s linhagens de mal\u00e1ria aviana do g\u00eanero <i>Plasmodium spp.<\/i> (42 linhagens em 1.982 indiv\u00edduos hospedeiros) e tamb\u00e9m do parasita <i>Haemoproteus spp.<\/i> (37 linhagens em 2.022 indiv\u00edduos hospedeiros), um g\u00eanero de protozo\u00e1rios que parasita aves.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, a preval\u00eancia \u00e9 baixa. Na localidade que estudamos no Equador era de 21,6% (ou 539 em 2.488 p\u00e1ssaros infectados) e uma localidade com muitas amostras nos Estados Unidos apresentou 37% de preval\u00eancia (ou 271 em 726 p\u00e1ssaros infectados)\u201d, disse Svensson-Coelho.<\/p>\n<p>Segundo a cientista, \u00e9 preciso coletar muitas aves para se obter uma amostra de tamanho consider\u00e1vel de parasitas uma vez que, em geral, os parasitas s\u00f3 infectam uma fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de aves.<\/p>\n<p>\u201cA preval\u00eancia pode variar muito n\u00e3o s\u00f3 entre localidades, mas entre esp\u00e9cies dentro dessas localidades. Por exemplo, no Equador, apenas seis de 107 indiv\u00edduos (5,6%) de <i>Pipra filicauda<\/i> (Pipridae) tinham mal\u00e1ria, enquanto que 31 de 34 indiv\u00edduos (ou 91,2%) de <i>Formicarius colma<\/i> (Formicariidae) estavam infectados. Esses dados est\u00e3o no artigo publicado en 2013 no <b><a href=\"http:\/\/www.bioone.org\/doi\/abs\/10.1525\/om.2013.76.1.1\" target=\"_blank\"><i>Ornithological Monographs<\/i><\/a><\/b>\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os parasitas que causam mal\u00e1ria aviana (<i>Plasmodium spp.<\/i>) s\u00e3o respons\u00e1veis por sua transmiss\u00e3o em todos os continentes, menos o Ant\u00e1rtico. Cerca de 60 esp\u00e9cies da linhagem j\u00e1 foram descritas, de um total estimado de mais de 500.<\/p>\n<p>Nas Am\u00e9ricas, o sistema migrat\u00f3rio difere daquele entre a Europa e a \u00c1frica no sentido de que as rotas migrat\u00f3rias s\u00e3o mais curtas, especialmente nas Antilhas e Am\u00e9rica Central. As aves migrat\u00f3rias tamb\u00e9m s\u00e3o mais propensas a encontrar esp\u00e9cies residentes relacionadas a elas nas \u00e1reas de acasalamento e de invernagem do Novo Mundo, diferentemente do que ocorre entre a Europa e a \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cA afinidade de fam\u00edlias ou mesmo de g\u00eaneros entre as aves migrat\u00f3rias e residentes americanas provavelmente aumenta a probabilidade de transmiss\u00e3o entre portadores migrantes e residentes\u201d, disse Svensson-Coelho.<\/p>\n<p><b>Doen\u00e7as emergentes<\/b><\/p>\n<p>Uma das diferen\u00e7as mais not\u00e1veis entre o levantamento feito em 2007 e esse \u00faltimo foi que apenas duas linhagens (entre 250 de tr\u00eas g\u00eaneros de parasitas) foram encontradas em aves hospedeiras da Europa e \u00c1frica, comparadas \u00e0s 13 entre 79 linhagens de Plasmodium e Haemoproteus detectadas nas aves residentes americanas.<\/p>\n<p>\u201cO papel das aves migrat\u00f3rias na dispers\u00e3o dessas linhagens de parasitas entre as regi\u00f5es temperadas e tropicais parece ser maximizado nas Am\u00e9ricas. Talvez isso se deva \u00e0s rotas migrat\u00f3rias relativamente curtas de v\u00e1rias esp\u00e9cies que passam o inverno na Am\u00e9rica Central e no Caribe, ou pela afinidade taxon\u00f4mica de uma grande parte das aves americanas de regi\u00f5es temperadas e tropicais\u201d, disse Svensson-Coelho.<\/p>\n<p>As linhagens de mal\u00e1ria aviana n\u00e3o s\u00e3o transmiss\u00edveis a humanos, mas as aves migrat\u00f3rias transportam muitos outros microrganismos. Entre os pat\u00f3genos que infectam humanos, as aves migrat\u00f3rias foram respons\u00e1veis, por exemplo, pela r\u00e1pida expans\u00e3o pela Am\u00e9rica do Norte de uma doen\u00e7a emergente como a Febre do Oeste do Nilo, origin\u00e1ria da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o v\u00edrus da gripe, que \u00e9 end\u00eamico e inofensivo nas aves aqu\u00e1ticas, em sua grande maioria migrat\u00f3rias (patos, gansos, marrecos e cisnes). S\u00e3o elas as respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o das novas linhagens do v\u00edrus influenza pelo planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monitorar e entender a dispers\u00e3o de microrganismos com potencial patol\u00f3gico \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o constante das<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":59172,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/passaros.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Monitorar e entender a dispers\u00e3o de microrganismos com potencial patol\u00f3gico \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o constante das","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59171"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}